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segunda-feira, 14 de maio de 2012

TEMPOS DE NOSTALGIA


Agora há pouco, pra rebater uma gripe, acabei com o último pacotinho de pau de canela que tinha sobrado das vésperas do parto do Nuno. Foi a chave de ouro dos tempos nostálgicos que tenho vivido desde o feriado, quando resolvi arrumar os armários dos meninos para o frio, retirando calças curtas, camisetas com barriga de fora e bodies que, para fechar, ficam com a gola no umbigo (quem nunca?): foi demais para mim pôr em uso, para o Nuno, roupinhas e sapatinhos que, na minha cabeça louca de mãe, o Caio usou até outro dia... 

Somada a essa empreita, uma outra, de produzir fotolivros que comprei numa promoção e deixei para a última hora, me fez passar dias e dias vendo fotos de todos os meses do Nuno, lembrando de cada caretinha, cada novo aprendizado, cada descoberta como mãe de dois. Fiquei nostálgica demais, meio descrente que meu filho já iria completar um ano. Desde então, comecei a me preparar psicologicamente, porque internamente eu não tava aceitando, olha o nível da loucura! Comecei até a pirar pensando como eu vou ficar insuportavelmente nostálgica quando ficar mais velha, com filhos na faculdade e tals... e que tenho que me preparar desde djá! Afe.

Agora, o dia chegou. Amanhã filhote completa um ano (e me dá um alívio pensar que só às dez da noite, rá!) e, desde a hora em que fui colocá-lo para dormir, meus pensamentos são pura nostalgia: as vésperas do parto, o dia do parto, os primeiros meses. E eu que pensava que, como mãe de segunda, não passaria por toda essa nostalgia de novo... Mas a verdade é que, no segundo filho, perdoem-me o clichê, tudo passa rápido demais, e, pra mim, uma canceriana chorona, constatar isso dói um tantinho, e a nostalgia parece que está até maior que da primeira vez... mesmo porque ela vem em dobro, pelo primeiro e pelo segundo filho! Mas, por outro lado, como toda fase é sempre mais deliciosa que a outra, estamos numa curtição só por aqui, entre gargalhadinhas contagiantes, adoráveis conversinhas em bebenês, interações cada vez mais intensas (e tensas, hehe) entre irmãos, muitos carinhos, muitas artes, uma idolatria com o papai e um grude intenso com a mamãe. Mas isso é assunto pra outro post.

Enfim, preciso aprender a lidar melhor com o tempo, mano velho, para poder segurar minhas pontas com as passagens de ciclos. Mas por enquanto, me permito curtir a nostalgia.




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(enquanto escrevia esse post, li esse aqui da Carol, e me senti bem menos doidja. Valeu, querida.)


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

COMO FALAR SOBRE MORTE?




Hoje está sendo um dia muito triste... Taipa, nossa cachorra, morreu, aos 13 anos e meio. Ela já estava bem velhinha, mas ainda assim dói. 

Já passamos por isso há pouco mais de 2 anos, quando Ruanda, mãe de Taipa, morreu, mas Caio ainda era muito pequeno pra entender. E agora, como falar sobre isso com ele?

Caio curtiu muito a Taipa, mas, no último ano, ela já estava sem energia pra brincar com o molequinho. Ele sabia que ela estava doente, mas ainda não sabe que ela morreu, e eu não sei como contar... não sei se espero ele perceber a falta dela, se conto logo que ele chegar da escola... Não sei. Acho que é a primeira vez que eu fico totalmente sem ideia de como conduzir uma situação com ele... Porque a morte é algo tão abstrato, tão difícil de entender... E, ao mesmo tempo, sei o quanto as crianças nos surpreendem, facilitando o que parecia ser tão complicado.

Mas, se é que alguém ainda visita este blog abandonado, vocês já passaram por isso, já tiveram que falar de morte com os pequenos? Como foi?


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ESCATOLOGIAS MATERNAS (pero sin perder la ternura)


Nuno começou a comer frutinhas há uns quinze dias e seu cocô mudou totalmente. Ok, isso não é novidade pra ninguém, muito menos pra mães de segunda viagem como eu. O fato é que, quando fui trocar a primeira fralda com cocô pós-frutinhas, uma coisa louca aconteceu... o cheiro daquele cocô me despertou memórias tão intensas dos primeiros meses do Caio, daquela sensação de ser mãe de primeira, aprendendo tudo... chegou a doer o peito de saudade! E em seguida comecei a rir, pensando no misto entre poética e patética que era aquela situação, aquele sentimento. Proust reviraria no túmulo, mas o cocô do Nuno foi uma espécie de madeleine para mim. Será que doideira de mãe tem limite? 


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Caio, outro dia, tomando banho dentro da piscininha. Eu do lado de fora do box. De repente escuto um "hehe"  numa entonação de surpresa, seguido de um "epa". Curiosa, pergunto o que foi. E ele responde, totalmente surpreso e feliz:

- "Mamãe, fiz um pum na água e saiu umas bolhinhas!" 

- "Você nunca tinha feito isso filho?"

- "Não. É legal, né?"

Pois é, nada como um filho pra fazer a gente se lembrar que tudo - TUDO - nessa vida tem uma primeira vez, é aprendizado. Até "peidar n'água pra fazer borbolha", como os desaforados de antigamente diziam.

domingo, 20 de novembro de 2011

MOMENTOS HISTÓRICOS (e update do sorteio)

- Mamãe, tô com sede, quelo água. 
E assim, sem mais nem menos, Caio finalmente aprendeu a falar corretamente uma das primeiras palavras que disse na vida: água. (Sem mais nem menos pra ele, né, que eu quase tive um treco, pedi pra ele repetir mil vezes e fiz a maior festa! #maedoida). Primeiro era "aua", depois virou "aba" e assim ficou. Teve uns "aga" no meio do caminho, mas o corrente era "aba", mesmo, ou sua versão no diminutivo, que eu amava, "abinha" - "mamãe, télo uma abinha", ele falava até outro dia... Coincidência ou não, esse momento histórico ocorreu exatamente no dia 15 de novembro, quando Nuno completou 6 meses de vida. 

E, por falar nisso, 6 meses de amamentação exclusiva e iniciamos a introdução dos alimentos na sexta. Nuno já provou banana e mamão e foi super bem, hoje já comeu tudo o que eu tinha amassado no pratinho. Completamente diferente da introdução do Caio, que quando completou 6 meses ainda não tinha dentes e nem ficava firminho sentado, e só foi comer mesmo lá pelo oitavo mês. Some-se a isso uma mãe MUITO ansiosa, e o processo demorou pra engrenar. Com Nuno, além dele já ter 3 DENTES (aaaaaa!) e já ficar firminho sentado com apoio, ele está se beneficiando por ter uma mãe já mais (D)escolada, bem menos ansiosa e que já sabe que cada criança (e cada fase) tem seu tempo. Das vantagens de ser o segundinho, né?

Bom demais ver os meninos crescendo, a gente comemora e tudo, mas, lá no fundinho, sempre resta um saudosismo, né? Ainda mais que sou canceriana, vixe, acho que vou ser aquelas mães que quando o filho sair de casa vai ficar rememorando cada passo... (meda!). Mas bom demais estar perto e poder curtir cada um desses momentos, e viva o blog que me ajuda a documentá-los para a posteridade (que, tomara, demore a chegar! rá!).

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Só  pra lembrar, tem SORTEIO rolando no blog, aqui ó. A data final era hoje, mas como é domingo, pé de cachimbo, achei melhor dar mais uns dias pra quem quiser participar: ficam valendo, então, os comentários que chegarem até o dia 22, terça feira, ok? E na quarta posto quem foram as duas sortudas.

domingo, 6 de novembro de 2011

MAIS DE 3 ANOS DEPOIS...


... e eu, uma já experiente (!) aprendiz-de-mãe, mãe de segunda viagem, me vejo sofrendinho por deixar o filho mais velho passar um ou dois dias na casa da avó, que mora há vinte minutos de distância.

E aí, me interna ou me abraça?

segunda-feira, 7 de março de 2011

SILÊNCIO A DOIS

Carnaval chuvoso. Dentro de casa. Tédio quase imperando.

Deito pra ler qualquer coisa. Dali a pouco chega o pequeno, levanta minha blusa, beija a barriga. Pergunto: quer deitar com a mamãe? Ele me escala e se aconchega junto a mim, entre barriga e peito.

Começo a fazer cafuné. Vou puxar um papo qualquer, quando me dou conta daquele momento: há quanto tempo não ficamos assim juntinhos, abraçadinhos, sem precisar falar nada? Desde que Caio desandou a falar ou, principalmente, desde que ele desmamou de vez, nossos momentos tem sido dominados pelas palavras, por brincadeiras, por atividades. Mesmo quando ele se aninha no meu colo pra dormir, ou quando deitamos juntinhos, sempre estamos proseando, sobre o dia, sobre a vida, sobre o bebê, histórias reais ou imaginadas...

Enquanto meu pensamento divaga sobre tudo isso, o silêncio permanece, seguimos nos acarinhando, nos aninhando. Caio está visivelmente entregue ao momento, curtindo de corpo e alma. Não resisto e comento: faz tempo que a gente não fica assim, né, filho? Ao que ele responde com um sorriso e um movimento de cabeça, sem emitir uma palavra, e se ajeita para ficar ainda mais junto de meu peito, me abraçando.

Silencio palavras e pensamentos: me entrego aos longos minutos desse precioso momento curtido a dois, registrando cada sentido para esculpir na memória (que me é tão escassa...). Reaprendemos o silêncio juntos, e isso me fez um bem danado. Em pleno carnaval, mais uma vez no contra-fluxo.

terça-feira, 22 de junho de 2010

SOBREI...


Brinquedos em todos os cantos da casa. Quartinho vazio. Casa vazia. Choro. Lavo a louça, recolho o lixo, me despeço dos cachorros e ‘fujo’ para a casa dos meus pais, pelo menos por uns dias.

Ouço uma música infantil e choro. Vejo um menininho brincando e me emociono. Escuto um chorinho de fundo na hora de dormir e acho que estou ficando maluca.

É, não vai ser fácil ficar 9 dias sem o pequeno. 9 dias!!! Ainda mais que, desta vez, ele foi e eu fiquei...

O jeito está sendo meter a cara no trabalho e, nas horas vagas, pegar um cineminha. Quem sabe até o fim da semana, se a gripe passar, tomo umas cervejinhas. Mas não dá para evitar ficar contando os dias esperando ele voltar: ainda faltam 4...

Alguém aí me entende??

domingo, 31 de janeiro de 2010

A PRIMEIRA NOITE FORA COM PAPAI OU DEPRÊ DE MÃE



Depois do primeiro dia juntos longe da mamãe, da primeira semana sozinhos em casa enquanto a mamãe viajava e da recente iniciação ao futebol à distância da mamãe, agora pai e filho foram passar a primeira noite fora de casa sem a mamãe... Ó céus!

Pior é que fui eu que pedi: Dani ia pra Campinas fazer compras pra obra, eu tenho que trabalhar amanhã, ele topou fazer malabarismos para levar o filhote (valeu, amor!!), a vovó topou ficar com o pequeno (brigadão, vovó!), e tudo se resolveu. Levei pai e filho até Rio Claro para encontrar os super avós, e, na volta, se não fosse Chico César a mamãe aqui tinha embarcado numa bad trip, vontade de pegar o primeiro retorno e sair correndo atrás deles: "péraê, eu vou também!!". Me contive, chorei um pouquinho e fiquei pensando em como sou molona, como choro por tudo, imaginando que tipo de mãe eu serei quando meu filho for adolescente, homem feito... Concluí que serei igualzinha a minha mãe: ela chorava quando eu voltava aos finais de semana para a faculdade, e chora até hoje, quando Caio vai embora da casa dela. Serei IDÊNTICA, tenho certeza. (chora não, hein, mami...)

Até que me aguentei forte na estrada. Mas quando cheguei em casa, aquela penumbra do fim do dia, uma lâmpada queimada na sala, chovendo lá fora e aqui dentro fazendo tanto frio, brinquedos espalhados pela casa inteira, a casa vazia... não me aguentei, abri o maior berreiro mesmo, me consolei feito louca com a Taipa (nossa cachorra!), e agradeci aos céus por não ter uma barra de chocolate por perto, porque senão o regime da semana toda teria ido pro saco. Mamãe em momento deprê-master, foi foda. E aí, como não tinha chocolate, meti a cara no trabalho, afinal foi só por isso que liberei a noitada dos meninos.

Imagem daqui.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

MINI-FÉRIAS


Pois é. Aconteceu quando eu menos esperava: Caio foi passar as primeiras mini-férias na casa dos avós maternos. Foi assim, de repente, nem deu tempo de me preparar psicologicamente. Papai tocando a obra da nossa futura casa própria, mamãe precisando trabalhar pelo menos meio-período por semana, filhote o mês todo em casa... o jeito foi pedir socorro aos super-avós, como sempre. Fiquei meio em dúvida se já era o momento certo, mas a intuição disse que sim e, de mais a mais, as férias estariam a menos de 40 minutos da minha casa: a qualquer problema, eu sairia correndo NA HORA.

Mas, É CLARO, não teve problema nenhum, é tudo nóia de mãe, sempre. Deixei ele na casa dos meus pais na quarta de manhã, e a alegria era tanta que mal me deu tchauzinho. Fui, livre, leve e solta, e um tantinho assustada de estar tão leve e solta assim. Maridón e eu fizemos altos planos: vamos no cinema, no boteco, tirar filme, comprar vinho, etcetcetcetc... Na primeira noite, os dois pregados, "ai, vamos ficar em casa mesmo, amor". Filmeco classe C e cama, não sem antes entrar no quartinho do Caio e dar uma choradinha de saudade.

No dia seguinte, muito trabalho, mas decidimos ir ao cinema nem se fosse pra assistir Xuxa (mentira, nem morta! mas é que aqui no interiorrrrr é assim, bastou chegar as férias e TODOS os cinemas - que já são poucos - resolvem passar os mesmos filmes, quase sempre esses enlatados infantis): por sorte tinha outro um pouco melhor, e deu pra esticar um programinha a dois, matando a saudade de um botequinho que não íamos a tempos. Chegando em casa, choradinha básica, coisa de mãe de primera viagem, acho.

Sexta-feira, último dia, eu e Dani já havíamos filosofado o quanto dava sobre a estranha sensação, ao mesmo tempo boa e ruim, do filhote ficar longe de nós pela primeira vez: boa, afinal, há 1 ano e 9 meses nosso dia-a-dia gira em torno do pequerrucho, e foi uma delícia poder fazer as coisas em outro tempo, sem maiores preocupações, ficar até mais tarde fora de casa, curtir vários dias de casalzinho, dormir sem pensar que a qualquer momento o pequeno pode acordar, trabalhar mais sem culpa, dar uma descansadinha gostosa depois do almoço... e tantas coisinhas miúdas que não conseguimos mais fazer todo dia depois da chegada de um filhote; ruim, porque dá muita saudade, uma sensação meio de vazio, de algo faltando, vontade de apertar, beijar, dar mamá, brincar, cheirar, fazer cosquinha só pra ouvir a risada deliciosa... enfim, mesmo com todo o lado bom da coisa, sentimos muita falta da presença alegre e intensa do pequeno, muito mais do que podíamos imaginar.

Então fomos buscá-lo, e foi uma delícia o reencontro, com direito a muitos abraços, e muitos "mamãezinha", e muito chamego, e um grudinho gostoso, e a certeza de que uma nova era começou na familinha: os avós que se preparem!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

SOBREVIVENDO À SEPARAÇÃO E AO EGO MATERNO


Demorou, mas voltei. É que, além dos sentimentos terem sido intensos nesta primeira separação do Caio, nosso reencontro foi ainda mais intenso, o feriadão foi muito bem aproveitado, o grude foi (está sendo) grande, e o tempo para escrever no blog (e ler os blogs que adoro) bem escasso...

Mas no fim deu tudo super certo. Algumas de vocês acompanharam os mini-relatos do papai sobre os dois primeiros dias nos comments do post anterior, e por ali deu pra sacar que a separação fluiu tranquila do lado de lá... E do lado de cá??? Não sei bem dizer, acho que estou processando ainda... Rá! Mas vamos a algumas elaborações despretensiosas:


1. o mito do choro incontrolável ou trocada por um danoninho

Eu jurava que o Caio ia abrir um berreiro incontrolável quando percebesse, na primeira noite, que a mamãe (o mamá) não estava em casa. Tá. Se teve alguém que caiu em choro incontrolável já na saída para a viagem, esse alguém foi a mamãe que vos fala (tudo bem que HOUVE motivos complementares além da "angústia da separação"... mas são de fóro mais íntimo do que me permito revelar neste blog, hoho, vocês vão ficar curiosos...). O Caio até deu uma choradinha quando nos despedimos, mas logo a criatividade da vovó transformou lágrimas em risadas e diversão. E, na primeira noite, quando acordou chorando e esfomeado (já que não teve mamá - peito - e ele não quis o tetê - copinho com leite - antes de dormir), e, novamente, não quis o tetê, a vovó tentou primeiro um mingau, e, sendo este veementemente recusado, ela apelou para um golpe baixo (e infalível): "quer um danoninho, então, Caio?". Para o meu desgosto (ou deveria ser alegria??), ele comeu o danoninho, deitou na cama e dormiu feito um anjinho até às 7 da manhã do dia seguinte. Enquanto isso, eu, a cada telefonema de manhã e de noite para saber das notícias, não resistia a dar uma choradinha...

2. o medo de traumatizar ou ego de mãe é um inferno

Outro ponto que eu tinha medo era de "traumatizar" o pequeno com minha ausência, tamanha era a minha certeza que ele não ia aguentar 3 dias e 3 noites longe da mamãe (e do mamá). Quá. Todos os dias, duas vezes por dia, minha mãe era obrigada a me responder (ainda bem que ela é mãe também, né, senão ia me mandar praquela parte...): "ele tá super bem filha. Tá brincando bastante, tá comendo super bem, tá dormindo fácil. Tá tudo ótimo aqui." E eu meio que duvidava - "ela deve estar falando isso só para me tranquilizar", teimava meu ego materno insuportável - e insistia: "mas ele tá alegre? não tá chorando? e na escolinha, tá ficando bem?". E a vovó respondia tudo de novo, naquela paciência que só as mães têm... O fato é que ele ficou muito bem MESMO: obviamente, em alguns momentos ele lembrava de mim (e isso não é o ego dizendo, não, a vovó e o papai que falaram, viu!), me chamava, resmungava um pouquinho (principalmente antes de dormir ou se acordava de madrugada), mas bastava vovó ou papai explicarem que a mamãe estava viajando, mas ia voltar logo, que ele respondia "tá bom", virava pro lado e dormia. Devo dizer que achei isso bárbaro (de verdade), porque sou daquelas mães que acreditam que criança entende tudo, e que dá pra conversar e explicar coisas até mesmo para um bebezinho de colo (já falei sobre isso várias vezes aqui no blog, como nesse post sobre quando o Caio começou a andar). Eu conversei muuuuuuuito com o Caio antes de ir, explicando que ia viajar, porque essa viagem era importante para mim, que ele ia ficar com o papai e a vovó e que logo a mamãe estaria de volta, e eles também fizeram muito isso enquanto eu estava fora. E parece que funcionou.

3. a ilusão de "liberdade" ou do porquê não caí na esbórnia

Me disseram que era para eu aproveitar a viagem, que eu ia me sentir tão "livre", "voltar a ser eu mesma" e coisas do tipo... Pensei: bom, acho que depois que eu estiver lá, a coisa não tiver mais volta, vou relaxar e curtir (lembrando que eu estava indo a um CONGRESSO, e não a uma colônia de férias...). Não rolou. Fiquei o tempo todo com a estranha sensação de estar "faltando algo" (lembrem-se que eu ainda amamento, que meu peito, mesmo murchinho, ainda bota inveja em muita mimosa, e que, portanto, ele me lembrava duas vezes ao dia que era hora do Caio estar mamando e que eu devia me recolher ao toalete para fazer a ordenha... muuuuu...). Fiquei meio passadinha mesmo, não podia ver uma criancinha na frente que parecia tia babona. Além disso, minha vontade era aproveitar todo tempo possível para dormir tranquila, simples assim. Some-se a isso tudo, um certo 'cdfismo' de achar que já que tinha ido sem ele, eu precisava fazer valer a participação no congresso: dá-lhe grupos de trabalho, mesas redondas, fóruns... (e olha que não acompanhei todo o congresso, viu!). Nesse ponto foi ótimo, estava com vontade de voltar à ativa na produção acadêmica. Mas, para não ficar parecendo uma boboca aos olhos do filhote quando ele for adolescente, ler esse post, e falar "ai mãe, como você era careta!", dou o braço a pau ma tória (quem não viu o ótimo post da Flá de hoje, corre lá para dar gargalhadas!!): tomei váááárias cervejinhas, e até me animei a ir no "baile da bibliografia" e ver os mais renomados cientistas sociais do país dançando ao som de "você não vale nada mas eu gosto de você". Ok. Mas a melhor parte foi voltar a pé, sozinha, com uma latinha na mão (relembrando meus velhos tempos de vida universitária) e apagar a luz do quarto antes da 1 da manhã, feliz da vida que no dia seguinte iria reencontrar meu pitoquinho.

4. o medo do desmame radical ou "mamãe, você não me conhece?"

Isso foi o maior furo da história: não sei como eu pude imaginar que corria o risco do Caio desmamar com a viagem. Apesar dele ter ficado super bem sem o mamá, lembrado poucas vezes e dormido tranquilamente com historinhas da vovó e do papai, esses três dias não foram suficientes para ele descurtir o dito cujo. Eu vim a viagem de volta toda me preparando psicologicamente, me convencendo que não ofereceria o mamá se ele não pedisse, mas não teve outra: nem dez minutos depois da minha chegada, ele já foi metendo a mão na minha blusa e dizendo com o sorriso mais contente do mundo no rosto: "mamá, té mamá!". E eu dei, claro, feliz da vida. Acontece que o bichinho agora deu pra compensar os dias que fiquei fora, e tá num grude com esse mamá que nem eu tô aguentando... esse é mamífero MESMO, não dá pra negar. Se depender dele, o desmame vai ser só quando entrar na faculdade... (piadinha velha essa, hein!).


Gracinhas à parte, foi tudo bem mais tranquilo do que me aterrorizava minha ansiedade de mãe durante meses antes da viagem. Foi super importante pra mim ter ido, foi bacana pro papai e pro Caio terem essa experiência de uns dias sem o controle da mamãe por perto, o saldo final foi positivo: estávamos mesmo prontos para esse acontecimento, acho que só por isso deu tão certo.

Para falar a verdade, acho que essa viagem me proporcionou o segundo momento mais emocionante da minha vida (depois do nascimento do Caio): reencontrar o pequeno depois dessa primeira separação foi sensacional. Assim que cheguei em casa desandei a chorar feito boba, ele começou a gargalhar de felicidade, ficamos nos abraçando, nos cheirando, nos enroscando, nos beijando, até ele pedir o mamá. Foi bom demais (mesmo porque eu estava crente que ele ia me ignorar quando eu voltasse, já que vira e mexe quando passo mais tempo longe durante o dia ele faz isso). E, sabe do que mais? Nossa relação mudou completamente depois dessa viagem. Pode parecer piegas, mas é a real: estamos muito mais ligados, para além do mamá, que era uma coisa que eu ansiava há tempos e achava que só rolaria quando ele desmasse. Tá uma delícia: ele tá numa fase ótima, super companheirinho, super interativo, curtimos horrores o feriado... enfim, estamos no maior love love love.


O que mais posso dizer... não valeu a pena tanta angústia, podia ter sido tudo bem mais leve, mas o que fazer se sou dramática? Maridão que me aguente (e vocês que lêem esse bloguinho também)!!


[utilidade pública: foi ótimo ler, semanas antes da minha viagem, esse bem humorado post da Roberta, do Piscar de Olhos, sobre sua primeira separação do filhote também por conta de uma viagem profissional; e foi aliviador ler esse post da Mari assim que voltei de viagem, para sacar como vamos aprendendo a curtir também os momentos sem os pequenos... Dois posts divertidos e inspiradores, valem muito a leitura.]

[E, nunca é demais repetir, um super obrigada meu, do papai e do Caio à super vovó, que ela merece!!!]

domingo, 25 de outubro de 2009

TCHAU, RUANDA...





Filho, hoje foi um dia esquisito. Você talvez não tenha percebido muito bem o que aconteceu, mas a mamãe e o papai terminaram esse domingo com um aperto no peito... É que hoje uma de nossas cachorras que você tanto adora, a Ruanda (também conhecida como Pêta), morreu...

Ela já estava velhinha e doente quando você nasceu (o papai tinha ela desde que entrou na faculdade!), mas brincalhona como ela era, vocês puderam se divertir juntos algumas poucas vezes, embora ela desconfiasse um pouco de você...

Vamos sentir saudades... mas você ainda tem a Taipa para brincar e dar muito carinho! E com certeza, outros bichos de estimação ainda farão parte de sua vida, já que você gosta tanto deles!

Agora, só nos resta falar: "Tchau, Pêta!" E a mamãe vai chorar mais um pouquinho pra aliviar o peito antes de dormir...


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O RELATO DA DOULA


Estou em dívida comigo mesma... Até hoje não acabei de parir meu relato do parto do Caio... Comecei há um tempão, e depois deixei ele lá... nem voltei a ler! Parece que estou me sabotando, que não quero "congelar" aquela memória em palavras, é estranho! Ao mesmo tempo, sempre penso nisso, é uma coisa que quero e sinto que tenho que fazer... Ambíguo, eu sei. Mas, quem não é?

Toda essa divagação é porque minha doula querida publicou esses dias no blog dela o relato que ela fez há mais de um ano atrás da nossa 'doulagem', e nos deu de presente no dia em que fizemos a comemoração dos 3 meses do Caio com uma festança deliciosa, seguindo a tradição de alguns povos que consideram essa passagem dos 3 primeiros meses como um marco para o bebê, a completude de sua gestação, o momento real de sua conexão com o mundo de cá...

Ai, lá vou eu me perdendo nas histórias... Não é da festa que quero falar, mas do relato que ela fez: ficou tão bacana, tão detalhado, que, ao reler agora, um ano e quatro meses depois do nosso parto, cheguei a lembrar até dos cheiros daquele dia... E chorei à beça, claro. E fiquei absolutamente motivada a finalizar meu relato, (mas não vou colocar prazo, que da outra vez eu coloquei e não cumpri). E fiquei com vontade de engravidar e parir de novo. Rá!

Então, quem quiser conhecer um pouquinho a história do parto do Caio, contada do ponto de vista de uma doula porreta, dá um pulinho LÁ NO BLOG DELA, e depois me conta o que achou...

[E, aproveitando a deixa, um toque para as grávidas, tentantes e simpatizantes que me lêem: ter uma doula ao nosso lado ao longo da gestação, do parto e do pós parto é tudo de bom, meio caminho andado para que as coisas aconteçam da forma como desejamos e sonhamos, tanto no parto quanto na amamentação! Recomendo totalmente. Não sei nem dizer se minha doula, que virou amiga, foi mais importante durante a gravidez - quando nos apoiou e nos muniu de mais informação e confiança para conquistarmos o parto que queríamos; o parto - quando, serena, fez de um tudo para tornar aquele momento ainda mais especial e tranquilo; ou o pós parto - quando me deu conforto afetivo e me ensinou várias coisas sobre amamentação... Interessou? Para saber mais sobre doulas aqui no Brasil, e onde encontrar uma perto de você, passe AQUI , AQUI e AQUI.]


a fofa me massageando durante o trabalho de parto...


curtindo serenamente a primeira mamada do Caio...


e lavando a louça depois de tudo!!!
Precisa falar mais alguma coisa??

segunda-feira, 13 de julho de 2009

MEMÓRIA DO FUTURO



Caio é um bebê muito carinhoso, mas não é daqueles que ficam beijando e abraçando o tempo todo (eu bem que gostaria... rá!). Mas, ultimamente, ele está todo cheio de denguinhos e carinhos e beijinhos sem ter fim. Daí que hoje, depois de uma sessão de manha misturada com sono e talvez um dentinho pentelho rasgando a gengiva, cedi e dei o mamá, que estava controlando um pouco para ver se ele jantava (já que há 3 dias ele não tem jantado direito, só quer mingau, peito, leite e derivados). Eu cedi, brava, mas a brabeza não durou um segundo. O pequeno grudou no peito, foi relaxando e começou a fazer muito carinho em mim, bem mais do que de costume, no meu rosto, no meu nariz, no meu cabelo, na minha orelha, na minha cintura... me olhava com aquela carinha mais meiga do mundo e me acarinhava, como que dizendo: tá vendo que delícia, mamãe, e você não queria me dar mamá! Fiquei um tempão ali, curtindo aqueles carinhos, me emocionei e comecei a chorar (tá, eu sei que isso não é grande novidade, já falei sobre isso aqui e em outros posts, mas fazia tempo que não acontecia). E, sabe o que me passou pela cabeça nessa hora? Que aquele momento era, sem dúvida, um dos mais preciosos que vivi até hoje. Que eu não queria nunca me esquecer daqueles carinhos tão delicados. Me vi bem velhinha, com os filhos já criados, lembrando e curtindo a saudade desses momentos a sós com o filhote (e sei que vou ter muuuuuita saudade, considerando que tenho desde já...). Então pensei que velhinhos às vezes se esquecem das coisas, muitas vezes das mais importantes. E corri para escrever isso aqui.

(porque daí, mesmo se eu ficar tão velhinha que não consiga nem ler mais, pelo menos alguém vai poder ler para mim, como no filme do Benjamim Button... e eu vou poder lembrar e lembrar e lembrar quantas vezes eu quiser!)

imagem: www.gettyimages.com.br

segunda-feira, 6 de abril de 2009

UM ANO ATRÁS


Há um ano atrás, nesse exato momento, Caio dava seus sinais mais evidentes e inquestionáveis de que sua hora de deixar os limites da barriga-mundo estava chegando... O trabalho de parto tornava-se algo beeeem concreto, e meu corpo e minha alma se preparavam para serem levados pela avalanche única de emoções e sentimentos que só um parto é capaz de nos proporcionar... Meu coração palpita esquisito agora, entre alegre e saudoso, um tanto ansioso também - como que rememorando a experiência daquelas horas tão intensas que vivenciamos (eu, Dani e Caio) há exatamente um ano atrás... Mágica sensação, que tenho certeza que reviverei a cada ano, ainda que com intensidades diferentes...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

UM DIA ESTRANHO


Hoje tive que ir à Piracicaba a trabalho e, pela primeira vez, fiquei mais de um período longe do Caio: foram dez horas sem o bichinho por perto, quase uma tortura!

Dei mamá logo que ele acordou, e lá fui eu. A parte da manhã até que foi tranquila, afinal, há duas semanas já temos ficado separados neste período do dia. O problema começou quando chegou a hora do almoço: meus peitos já estavam bombando, pois era hora do pequeno mamar... Fui ficando meio angustiada, uma sensação estranha que misturava ansiedade e inquietação - eu pretendia voltar logo depois do almoço, mas por prudência profissional resolvi ficar, não sem antes me pendurar no celular para deixar tudo encaminhado com o super papai e a super vovó em casa, já que, além de tudo, tínhamos consulta com a pediatra à tarde.

Nessa altura, comecei a achar que um dos peitones ia dar bandeira e vazar no meio da reunião (maldita inexperiência, eu bem que podia ter levado a bombinha pra tirar um pouco de leite...), e isso foi me deixando ainda mais esquisita. Resolvi ir ao banheiro um pouco antes da reunião se iniciar, para tentar ordenhar um pouco com a mão, e, de fato, foi um grande alívio, que me permitiu ficar mais algumas horas na atividade (mas que foi esquisito, foi, ficar dentro de uma cabininha de banheiro ordenhando o peitão... afe!). Mesmo assim, eu sabia que minha presença ali tinha um prazo de validade, determinado pelos peitões, que me davam a sensação de estarem inflando numa velocidade alucinante, e, pior, eu achava que todos estavam percebendo que eu estava ficando deformada, com um peito maior que o outro... Rá!

Enfim, chegou uma hora que não deu mais pra aguentar: além dos peitones, tinha aquela ansiedade, uma pressa de chegar logo em casa, pegar o filhote e botar pra mamar... Pedi para o Marcelo, que tinha ido comigo, voltar dirigindo, e vim embora rezando pro leite não empedrar. Cheguei em casa e nem guardei o carro na garagem, eu queria logo pegar o Caio, abraçar, beijar, espremer, fazer cosquinha... e, principalmente, "plugar" ele no meu peito (como bem definiu a Flávia)! Só que o bichinho estava dormindo!! Fui até o quarto, peguei ele com cuidado, e em poucos segundos ele estava mamando, sem nem sequer abrir os olhos, tão naturalmente, como seu estivesse ao lado dele o dia todo. E eu me desabando a chorar, pensando sobre que sentimento maluco é esse que temos por nossos filhos, que saudade enlouquecida é essa que sentimos ao ficar algumas horas apenas longe deles...

Sei que, no fim, ele ficou super bem, curtiu o dia ao lado da vovó, enquanto eu passava mal de agonia longe dele. Foi um dia bem estranho, mais pra mim do que pra ele... Mãe é mãe, né...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

SAUDADE


Ai... acabo de dar de mamar para o meu pequeno, e me dei conta que ele não é mais tão pequeno assim... Olhando para suas pernonas vazando de meu colo enquanto mamava, percebi que meu bebezão já é quase um menininho... Não chorei - sorri -, mas meu coração ficou apertadinho... um misto de alegria e saudade... E isso porque ele só tem nove meses... Quem for mãe que me entenda!