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domingo, 8 de julho de 2012

AINDA NÃO ANDA?

Ai, posso falar, cansei dessa pergunta. Nuno completa (APENAS) 1 ano e 2 meses semana que vem, provavelmente até lá já estará andando sem estender sua mãozinha para nós e eu vou ficar morrendo de saudade desse breve tempo em que ele esteve a descobrir como é se equilibrar em dois apoios, como é ver o mundo mais de cima... Mas a pressão pra ele andar tá terrível, não tem uma pessoa que não faça essa pergunta ao encontrá-lo.

Andei pensando e, para mim, esta pergunta está no mesmo balaio de outra (que ouvi muito quando Caio tinha a idade de Nuno agora, e que ninguém mais tem coragem de me perguntar, por já saber a resposta), a fatídica: Ainda mama? Um mesmo sentimento de fundo as motivam: o de que os bebês de 1 ano já tem que ser independentes, não podem mais mamar, já tem que saber andar, dormir a noite inteira e por aí afora....  Sério, quase me enredei nesse caminho: quem pergunta não o faz por maldade, eu sei (ou espero), mas por vezes não imagina que possa causar um dano ao processo mãe-bebê. De tanto me perguntarem se ele já andava, ou, ao contrário, de tanto se espantarem porque ele "ainda não anda", comecei a encucar, a forçar a barra, a passar do ponto no estímulo. E - ainda bem - percebi a tempo que estava caindo na armadilha, mas... quantas mães não percebem e ficam achando que seu filho está "atrasado", ou tem algum "problema"? 

O fato é que Nuno, por ser segundo filho, é super espertinho desde bem pequeno, e todos que o conhecem (até o pai) ficavam apostando que ele engatinharia super rápido, que ele andaria super rápido e tals. Mas ele é sossegadão, é observador pra caramba e, a cada nova descoberta e aprendizado, ele ficava um bom tempo até passar para a próxima: primeiro se arrastando pelo chão feito minhoca até conseguir engatinhar, depois engatinhando até virar um ás veloz, depois se apoiando e andando de ladinho até descobrir que podia pedir nossas mãos e sair por aí, depois com uma mão só até ficar craque e quase correr e, nas últimas semanas, ganhar segurança pra dar uns passinhos conscientes aqui e ali, sempre se garantindo que teria onde se apoiar caso algo acontecesse (imagine o frio na barriga dos bebês, gente! é toda uma aventura aprender a andar!) ou, cautelosamente, interrompendo a caminhada e se sentando no chão. Agora ele já vai mais pimpão de um ponto a outro sem apoio nenhum, mas ainda não está totalmente seguro de si, e temos que respeitar isso.

Nós seguimos incentivando, comemorando cada conquista, o ajudando a avançar um pouquinho a cada dia, mas sem aquela nóinha que pairou por aqui por uns tempos de que "tínhamos que estimular mais", ou de que "ele está com preguiça de andar", ou de ficar comparando com Caio ou outras crianças nessa idade. É duro admitir que me peguei nesse erro, mas fico feliz também de que tenha durado pouco, que eu tenha percebido a tempo. Mas, depois de interrompido o ciclo do "vamos estimulá-lo a andar a todo momento", a tal perguntinha passou a me irritar ainda mais: será que é tão difícil respeitar o tempo dos bebês, das crianças? Porque de agora em diante, nesse raciocínio, será uma sucessão de perguntas: "já fala?", "já corre?", "já pula?", "já sabe as letras? os números?", já já já já............................ Pobres crianças e pobres pais. Eu saltei fora dessa barca, e espero sinceramente que ela não me pegue nunca mais (porque já estava me pegando também no quesito "letras" e "desenho" do Caio, mas esse papo fica pra uma próxima vez).

E, apenas pra ficar registrado, foi a mãe de primeira que me habita que puxou a orelha da mãe de segunda que vos fala, lembrando da magia que é acompanhar uma criança aprendendo a andar (porque mãe de segunda tem esse risco, por não ter mais aquele olhar de novidade pra tudo o que o filho faz, acabar perdendo a beleza desses momentos tão importantes).

segunda-feira, 16 de abril de 2012

DA SÉRIE: COISAS DE QUE NÃO ME ORGULHO COMO MÃE (1 de infinitas)

Neste sábado, Caio cantou parabéns contra sua vontade. As pessoas já estavam todas em volta do bolo, esperando. Ele não queria, chorou e tudo, eu e o pai o "convencemos" com aquelas voltas que só os pais sabem dar em seus próprios filhos. Cantamos, ele deu poucos sorrisos, apagou a vela com uma bexiga (perigo!), chorou quando o tio quis abraçá-lo (e estourou suas esculturas de bexiga), mas em pouco tempo estava novamente brincando animado pela festa. 

Depois, me arrependi. Teria sido tranquilo dizer às pessoas que não haveria parabéns, cortaríamos o bolo e tudo bem. Pra que "convencê-lo" de algo que ele não queria - e não precisaria - fazer? Já era tarde demais para este aniversário, mas não para os próximos. No dia seguinte, na deliciosa curtição pós festa, perguntei porque ele não queria cantar parabéns. Ele disse: "Ah, porque não gosto, mamãe". Eu ainda tentei: "Mas é legal, todo mundo feliz em volta de você... Porque você não gosta?" Ele: "Ah, porque não. Prefiro o bexigão". Rá! (pra quem não sabe, é aquela bexigona cheia de tranqueira que estoura na cabeça da criançada, que sai desesperada catando o que vê pela frente...).

Fiquei lembrando dos meus próprios aniversários, e da vergonha que eu sentia na hora do parabéns (sinto até hoje, ainda bem que há muito tempo não passo por isso): nunca gostei daquele povo todo concentrado em mim, é uma das coisas para a qual sou tímida. Daí conversei com marido, e ficou decidido: não quer cantar parabéns, não vai cantar. Simples, como deveria ter sido no sábado. A decisão amenizou minha culpa por tê-lo feito passar por aquilo sem estar a fim, mas a situação continua encabeçando minha lista das (milhares de) coisas de que não me orgulho como mãe, e tá aqui esse post pra não me deixar esquecer.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

E NO FIM TUDO DÁ CERTO!


Demorei, mas tá valendo (né?): super obrigada pelo apoio moral, mulherada! Os incentivos funcionaram mesmo e, no fim, lembrei um pouco de cada uma que escreveu no outro post.

Como a Pri falou, realmente rolou o esquema “um(a) por todos e todos por um(a)”! A gente entrou numa sintonia e a semana fluiu melhor do que eu imaginava. E foi fundamental mesmo, viu Fer (do Pitos), ter o Caio como ajudante: ele incorporou o papel de corpo e alma, se sentiu super importante e foi muito cooperativo na maior parte do tempo. E olha que essa semana fizemos coleta para exame de fezes e um dos dias ele teve que ir bem mais cedo que o costume pra escola, pois tinha passeio (e de manhã, em geral, ele é mal humorado e birrentinho), e conseguimos fazer tudo direitinho.

Eu mentalizei que tinha que me organizar, e consegui programar horários e afins relativamente ok. Claro que me lembrei do que a Karen falou, e relaxei com alguns horários e rotinas, mas o esquema funcionou. Consegui até ir na academia levando Nuno comigo (bom tema pra outro post)!

Outra coisa que me lembrei  o tempo todo foi do toque da Flá: impressionante como a dinâmica da casa muda sem o Dani! E, realmente, tendo o carro disponível só para mim, e eu sendo a responsável por todas as funças do cotidiano, a coisa fluiu até melhor do que quando estamos os dois, e temos que negociar tudo o tempo todo. Mas criamos nossa rotininha a três, tendo como base nossa rotina tradicional, com escapadinhas pra um cineminha com pipoca na hora do jantar, mas nada muito grave... rá! (Mas que foi bom voltar pra nossa vidinha a quatro, ah, como foi...)

Sim, eu fiquei muito cansada. Um prego. Mas foi um cansaço bom, com uma sensação de dever cumprido. E, como não tinha marido pra conversar e namorar, encarei a bronca e dormi praticamente todos os dias junto com eles, inclusive no mesmo quarto (delicinha), pra facilitar as acordadas noturnas. Mas quando batia o cansaço mais pesado (em especial à noite, quando chega a hora do rush: banhos, janta, fazer dormir e tals), lembrava que a Paloma, guerreira, ficou 50 dias sem marido com as duas filhotas, e pensava que sou uma mera iniciante. Foi reconfortante!

E Fer (da Flor), eu consegui sim arrumar um tempinho pra ler os comments de vocês, e foi muito bom, como você pode perceber nesse post! Nine,  Ivana, Dani, Pati, DanyMãe ComCiência, Ananda, GabrielaThaty: todas as positive vibrations que também vocês mandaram foram uma alegria, mesmo!

Mas também contei com apoio real de duas amigas queridíssimas: uma que me chamou pra almoçar e foi delicioso (valeu, Bi!) e outra que veio com o filhote (melhor amigo do Caio) num fim de tarde em casa e, além de fazer companhia na janta, me ajudou com o banho dos filhotes. Contei também com nossa ajudante de casa, que foi companheira e quebrou alguns galhos durante o dia. Além disso, como a escolinha do Caio não teria aula na sexta (fato que só descobri na quinta), decidi ir mais cedo pra casa da vovó (já íamos curtir o finde por lá, pois a tia querida do Caio estava voltando de viagem), até que maridón chegasse. E foi ótimo, porque Caio dormiu umas noites com a vovó, o que facilitou bem as coisas.

Ou seja, no fim deu tudo certo! E eu fiquei orgulhosa de mim, e perdi o medo de passar temporadas mais longas sozinha com os meninos. Claro que, se eu estivesse trabalhando tudo seria mais difícil. Mas até nisso dei sorte, e na semana que Dani viajou minha orientadora do doutorado viajou também, e fiquei liberada da única atividade profissional que já voltei a fazer, e que me toma uma ou duas manhãs por semana.

Enfim, tudo isso pra dizer: obrigada mesmo mulherada, e vamos que vamos! É como diz o velho deitado: pariu mateus, que o embale! A gente sempre dá um jeitinho. Né?

domingo, 30 de outubro de 2011

INSPIRAÇÃO

Do alto dos seus três e poucos anos
me observa
e me conhece - talvez - melhor do que eu.
Me quer perto e longe ao mesmo tempo
(colo e asas, difícil equação!)
é carinhoso e ciumento
sabe rir e fazer rir
chora e faz chorar 
(de alegria e de culpa, porque não dizer?)
e me desafia - quase - o tempo todo.
Somos cúmplices de um jeito que nunca imaginei
parecidos em tantas coisas (algumas não tão boas)
e tão diferentes em tantas outras.
Um pedacinho de mim que virou pessoa
que não para de crescer e crescer e crescer
que a cada dia me surpreende e,
se eu me permito,
me ensina a não mais poder.
Me transformou em mãe
me modificou como filha
me melhorou como mulher
me chacoalhou como profissional.
E ainda tem apenas três e poucos anos
e temos tanto tanto tanto pela frente
que chega a doer se tento imaginar.
Melhor viver.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A PRIMEIRA VIAGEM E OS DIÁLOGOS INTERNOS


Nessas férias, fizemos nossa primeira viagem a 4. A primeira viagem do Nuno! (sem contar a primeira ida pra casa da vó, que mora numa cidade bem pertinho daqui). Com Caio, fizemos nossa primeira viagem pra valer quando ele estava perto de completar 4 meses, quando fomos pra Bonito - MS (quase 14 hs de viagem!! mas foi uma delícia e já voltamos muitas vezes). Mas Nuno ainda não tinha nem 2 meses...

Mesmo assim, me enchi de coragem e topei irmos pra praia! Afinal, Caio estava de férias, marido conseguiu tirar uns dias também e, se ficássemos por aqui, sei bem que ele não iria se desvencilhar do trabalho (vida de autônomo, minha gente...).

De cara, adorei a ideia: seria bom passear, respirar novos ares, curtir um passeio em família. Além do mais, iríamos pro Guarujá, e não pra Ilha Grande (infelizmente... hehe), ou seja, teríamos infra à disposição. Mas depois, caí na real: praia com um bebê de menos de 2 meses? praia com uma pança mole dessas? e se fizer frio? e se chover? nós 4 sozinhos num apartamentozinho? E assim começaram meus diálogos internos, já antes de sairmos de São Carlos.

Decidida pela viagem, a primeira providência: comprar um maiô (porque biquíni não tô podendo....)! Rá! Segunda providência: listar TU-DO que eu poderia precisar na viagem com um bebê, pra não ficar na mão por lá. Terceira providência: pesquisar sobre passeios alternativos no Guarujá pra fazer com um menininho de 3 anos caso não desse pra pegar praia (afinal, estamos no inverno...). 

Demos sorte. O tempo ajudou e conseguimos pegar praia todos os dias. No primeiro dia, eu me senti um tanto estranha: estando lá, pé na areia, o diálogo interno só aumentou... De um lado, a "mãe descolada", se achando o máximo por ter conseguido içar âncora e viajar com um bebê a tiracolo. De outro, a "mãe noiada", se achando uma alucinada de levar um bebê tão pequeno pra praia, cheia de areia, de germes, com sol, com vento... Achava que todos estavam me olhando e comentando: "aquela doida, com um bebezinho desses na praia!" Rá!


Os dias foram passando e os diálogos internos prosseguiam. "Ai, que delícia estar na praia, amamentando meu filhote", pensava a mãe descolada. "Nossa, como vou dar de mamar com esse maiô molhado e o peito salgado?", atravessava a mãe noiada. "Hum, que brisa gostosa pra passear e levar o Caio pra andar de motoca", pensava uma. "Ai, será que não tá frio demais pra sair com um bebezico desses", cutucava a outra. 

 
só ele correu, viu, gente! que eu não queria assustar os banhistas...

Mas, no fim, a mãe descolada venceu. Os dias foram ótimos, todos nos divertimos muito, Caio pirou no mar, na areia, vendo a lua cheia, passeando de noite na beira da praia... Eu e Dani conseguimos relaxar mesmo com os dois pequenos... E Nuno ficou totalmente sossegado, nos acompanhando em tudo, e até teve sua primeira noite inteirinha de sono (a única, mas tá valendo!). Sucesso total. A "mãe descolada" até convenceu o maridão de que nos saímos muito bem em nossa primeira viagem como pais de dois (e ainda mais com um bebezinho): a logística funcionou perfeitamente, não faltou nada, não tivemos imprevistos e só aproveitamos. 

todo dia, depois da praia, a soneca no sofá...

Foi tudo tão bom, que resolvi prolongar as férias do Caio. Ele falava assim: "minhas férias de viagem vão acabar, mas agora vêm as férias de casa, né?" E aqui estamos, curtindo os últimos dias de "férias de casa". Essas também merecem registro e, se der, conto num outro post...

Mas, e vocês, já viajaram com bebê pequeno? Como foi? Dicas??


sábado, 23 de julho de 2011

INFINITO ENQUANTO DURE

Depois de mais um dia em tripla jornada sozinha com os pequenos, à noite eu estava um bagaço. Tudo me irritava, estava sem paciência, já fazendo tudo no automático. De repente me vi forçando a barra pro Caio comer, toda carrasca, e caí em mim. Disse a ele: ai filho, me desculpa, a mamãe tá muito cansada, e aí ela fica muito chata! 

A resposta do pequeno não poderia ser mais encantadora: Não, mamãe, você não é chata não!  E, pra completar, ele pegou carinhosamente minha mão.

Depois disso, ele parou de dar trabalho pra jantar, continuou comendo de mão dada comigo, ganhou as bolachinhas que tanto queria (fizemos juntos!) e falou: mamãe, tô com sono, vou deitar. (oi?)

E foi mesmo. Eu disse a ele que ia terminar de jantar e depois ia lá no quarto, e quando cheguei ele já estava capotado (de roupa e sem escovar os dentes, mas tá valendo).

Até chorei (pra variar). E lembrei que não dá pra subestimar esses pequenos: ao invés de prosseguir no automático e o caos e o cansaço tornarem-se cada vez maiores, ter sido sincera e mostrado a eles meus sentimentos (mesmo os menos nobres) fez tudo voltar pros eixos... Ele jantou, eu consegui jantar, ele dormiu, Nuno parou de chorar... E eu corri aqui pra registar! (porque vai chegar um tempo, sei que não vai demorar muito, em que vou ouvir muitos "ai mãe, como você é chata!"...)

terça-feira, 12 de julho de 2011

MÃE DE DOIS: PRIMEIRAS CENAS

:: Cena 1

Mãe morrendo de medo do dia em que teria que ficar com os dois filhotes sozinha. Pai doido pra voltar a treinar capoeira. No meio desse acordo, um frio fenomenal e uma manhã tenebrosa de chuva e... filho mais velho não vai pra escolinha. Filho mais novo ainda não tinha nem um mês, a mãe ainda tava perdidinha!!! Mas até que correu tudo melhor que o esperado, com toques tragicômicos, como não poderia deixar de ser. Se antes ela se achava "polvo", agora então... No fim da manhã, bebê dormindo, mãe vai dar almoço pro mais velho e, é claro, o bebê acorda bem nessa hora. Mãe põe o bebê no peito e, com o braço livre (oi?) ajuda o mais velho a comer. Antes de acabar o prato, o mais velho diz: "Cocô". Com o mesmo braço livre (!) a mãe o ajuda a descer da cadeirinha, ele vai ao banheiro e lá já se vira bem sozinho. "Avisa quando acabar, tá, filho?" A mãe vai colocar o bebê no carrinho e ele, é claro, acorda. Ela percebe que está molhado de xixi e vai trocar. No meio da troca do bebê (é claro), o outro filho grita: "Mãe, acabei!" A mãe, já agitada, devolve um: "já tô indo, só um minutinho", acelera a troca do bebê e o coloca no carrinho. Quando chega no banheiro, se depara com um meninino todo independente, que pegou o lenço umedecido em cima da pia e tentava se limpar sozinho... Acha graça, e o ajuda a finalizar a limpeza, enquanto o bebezico começa a espernear no carrinho (que tem formiga, só pode!). E assim seguiu o dia em que ela realmente debutou como mãe de dois.

:: Cena 2

Primeira noite em que o bebê dá trabalho pra dormir. Dor de barriga, mãe cansada, pai com dor nas costas, bebê volta pra mãe cansada. Mamá, colo, homeopatia, bolsinha quente de ervas e finalmente o pequeno dorme. Mãe respira aliviada, faz a toalete e se aninha nas cobertas quando escuta: "mamãe, mamãe! eu quelo a mamãe!" vindo do outro quarto. O pai, que seria o responsável pela situação, estava tão capotado que ela teve dó, e foi atender o mais velho. Narizinho estava ruim, pingou gotinhas, ele pediu tetê, ela fez, ele quis fazer xixi, ela foi junto. Voltaram pro quarto, ele dormiu e ela, finalmente, também. E o bebê, generoso, só foi acordar no outro dia de manhã (o que significou não mais que 4 ou 5 horas de sono na noite...).

:: Cena 3

Fim de semana cheio, pai trabalhando, mãe sozinha com as crias, vários programas fora de casa. Começou na sexta, que não teve escolinha do mais velho. Pai dando uma força só em pequenos intervalos, como hora do banho ou do almoço. Mãe e filhos passando muito tempo juntos, na alegria e na tristeza (rá!). Rotina tumultuada com os programas e a ausência do pai. Eis então que o bichinho do ciúme apareceu com mais força... Mãe com bebê no colo, menininho se pendurando em cima. Bebê mamando, irmão puxando bracinho, pondo mãozinha na boca ou apertando a cabecinha (tudo muito sutilmente, sacomé, começa com um carinhozinho e vai). Bebê dormindo, molequinho chacoalhando o carrinho ou fazendo qualquer outra coisa pra ele acordar. Mas vamos que vamos. A vontade de ter a mamãe só pra ele veio com tudo, e filho mais velho grudou, queria a mamãe o tempo todo (mesmo porque, só tinha ela mesmo...). Mãe se desdobrando pra dar mamá pra um e brincar com outro, dar banho em um enquanto o outro se balança no bebê conforto, dar comida pra um com outro de bruços na perna soltando pum... Em comparação com o primeiro dia, tá craque. Mas ainda não se acostumou com um molequinho arteiro querendo chamar atenção a todo custo, nem que pra isso seja necessário jogar terra na mamãe enquanto ela está com o bebê... E o fim de semana ainda acabou com aquele doído episódio...

:: Cena 4

Férias do filho mais velho. O bebê agora beira os dois meses. A mãe já tá ficando escolada em ficar sozinha com as crias. Agora ela pode ser vista amamentando o bebê sentada na mureta do parquinho, enquanto brinca de comidinha com o filho mais velho. Ou, ainda, pode ser encontrada jogando bola com o mais velho no quintal de casa com o bebê de bruços no colo, pra aliviar dor de barriga. Nessas ocasiões, diálogos muito interessantes podem ocorrer:
[mãe: filho, agora vou ter que dar mamá pro nuno, tá, daqui a pouco a gente brinca mais! filho: não mamãe, não pode! Porque agora você não é a mamãe, você é jogador... e jogador não pode sair pra dar mamá!]


E estamos só começando, né não?



terça-feira, 5 de julho de 2011

SER MÃE DÓI

Esse fim de semana que passou foi minha prova de fogo no maravilhoso mundo de mãe-de-dois (minha admiração eterna às mães de 3 - a minha!, de 4 - minha sogra!, e daí em diante...). Pretendo registrar esse aprendizado em post em breve, já está no rascunho (rá!).

Mas o fato é que foi um fim de semana agitado, foi meu aniversário, teve festa junina da escolinha do Caio, marido estava organizando evento de cultura popular, eu sozinha com as crias, várias atrações bacanas pra ver... Passamos o fim de semana, de sexta a domingo, fazendo várias coisas fora de casa. A maioria delas na organização em que trabalhamos, a Teia, onde o evento estava acontecendo.

Daí que domingo a programação foi longa, principalmente pro Dani e pro Caio, que foram já de manhã pras atividades. Eu e Nuno chegamos na hora do almoço. Apresentação vai, apresentação vem, criançadas brincando, Caio por vezes grudava em mim e no Nuno, mas a maior parte do tempo seguia brincando loucamente por lá.

Lá pelas tantas, ele encontrou uma bolsinha bonitinha de uma amiga nossa, abriu e achou lá dentro um mini relâmpago macqueen (eu não vi nada disso, a partir de agora conto com os relatos do marido). Pegou e foi brincar escondidinho perto de umas bananeiras. Marido viu, descobriu de quem era a bolsinha (de uma amigona nossa), ela liberou que ele brincasse com o carrinho da filha. Dani foi lá, conversou com Caio, explicou que não podia mexer nas coisas dos outros e tal, e disse que ele podia brincar com o carrinho até que a Manu (ou sua filhinha Lara) pedissem de volta. E ele continuou brincando escondidinho.

Em seguida, Dani me contou o que tinha rolado, eu fui lá, conversei com ele, reforcei o que Dani tinha dito e o chamei pra sair de lá, que ele não precisava ficar escondidinho, que a Lara tinha emprestado o brinquedo pra ele. Ele veio, comeu, brincou, mas continuava se esgueirando pelos cantos, meio que fugindo da hora de devolver o brinquedo. No fim do dia, começou a escurecer, o pessoal dos grupos que se apresentaram começou a ir embora, e eu comecei a ficar mais de olho no Caio, porque vira e mexe ele sumia. Mas Dani tava sempre de olho nele, e relaxei, fui pra um canto mais sossegado dar mamá pro Nuno, descansar e prosear um pouco.

Estava bem relaxada quando Dani entra com o olhar mais desesperado que já vi e me fala: Thaís, eu já tô há uns 10 minutos procurando o Caio e não encontro. Só de escrever sobre isso meu coração já paralisa, da mesma forma como aconteceu no dia: MEU CORAÇÃO PAROU POR UM INSTANTE, tenho certeza. E, em seguida, começou a bater de forma tão, mas tão acelerada, que eu mal conseguia respirar. Levantei e saí feito louca, comecei a chorar imediatamente, e saí desembestada a gritar por ele: Caio, cadê você filho? 

CAIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Fiquei LOUCA DE VERDADE, foi uma sensação indescritível de DESCONTROLE TOTAL. Uma DOR INSANA NO PEITO. Várias pessoas ajudando a procurar, lembro de flashes delas me dizendo: ele entrou ali, eu vi, ele só pode estar escondido ali, não tinha como ele sair sem eu ver... Eu fui até o local, chamei, gritei, e nada... Fui ficando ainda mais desesperada: impossível que ele tenha se escondido, que ele esteja escondido todo esse tempo, e ninguém o encontre, e ele não responda aos chamados... Eu só pensava que alguém tinha levado ele, ou que ele teria entrado atrás de alguma criança nos ônibus dos grupos... Saí correndo pra rua (DETALHE: TUDO ISSO COM NUNO DORMINDO NO SLING), chorando, gritando, não sabia se ia pra uma esquina ou pra outra... Aí me dei conta que Nuno estava comigo, que era insanidade demais sair pela rua, já tinha outras pessoas ali procurando... Voltei e continuei a chorar, passava pelas poucas pessoas que ainda estavam ali (todas amigas e da produção do evento) e dizia: o Caio sumiu, o Caio sumiu....

E, nesse momento, vejo as pessoas acenando pra mim lá de baixo, do lugar onde ele supostamente estaria escondido... Vejo Dani vindo com ele no colo.... Despenco no degrau e começo a chorar compulsivamente... Meu filho estava ali... Ele vem com uma carinha de susto e de arteiro, Dani diz: "Olha o jeito que sua mãe ficou, filho, não faz mais isso!" Ele estava escondido atrás de um armário, ficou ali quietinho só pra não ter que devolver o carrinho......

Chorei, chorei, abracei o Caio, dei mamá pro Nuno, tentei me acalmar e conversar com ele, entender o que tinha acontecido... E ele, com uma carinha de envergonhado, meio sorrindo meio chorando, me abraçou como querendo se esconder de novo e devolveu o carrinho pra amiga meio contrariado... Ficamos ali, abraçadinhos, mas o Nuno estava no sling, tentei ajeitar ele no colo e ele começou a chorar muito também, acho que por ver como eu estava, por ter devolvido o carrinho, por não ter meu colo só pra ele, por não entender direito toda a situação...

Eu já havia aprendido o quanto dói ser mãe. Mas essa FOI A SITUAÇÃO MAIS DIFÍCIL E DOÍDA DE TODA A MINHA VIDA, ter meu filho desaparecido por apenas alguns minutos. Pensei que isso vai me acompanhar por toda a vida, imaginei as mães que têm seus filhos realmente desaparecidos, ou mortos... É, sem dúvida, A MAIOR DOR DE TODAS. 

Eu fiquei literalmente insana. Depois, voltando ao normal, mal conseguia encarar as pessoas que viram aquele meu desvario. Poucas delas tinham filhos, pra entender aquele estado de insanidade em que estive.

Passado o susto, Caio permaneceu manhoso, querendo minha atenção. Brinquei um pouco com ele, dei suco e convoquei o pai a irmos embora. Caio estava visivelmente esgotado, de cansaço físico e emocional. Viemos conversando com ele sobre o ocorrido, tentando entender melhor, e explicando as coisas pra ele. Ele ouviu tudo com atenção, disse que não iria mais fazer aquilo, pediu um carrinho igual ao da amiga e capotou na cadeirinha do carro.

Eu e o pai ainda fomos dar banho e pôr Nuno pra dormir e, depois, conversar um pouco pra colocar as ideias e emoções nos eixos, entender onde poderíamos ter intervido antes de chegar àquela situação, agradecer por não ter sido coisa pior....

O fato é que esse dia me marcou pra sempre, e dor que eu senti e o estado de insanidade em que estive ainda pulsam em mim, como uma espécie de alerta. Ser mãe agora dói ainda mais.



quinta-feira, 30 de junho de 2011

APRENDENDO A SER IRMÃO MAIS VELHO

Caio querido,

você agora é um irmão mais velho e começa a se dar conta disso. Você já vinha curtindo a barriga da mamãe durante toda a gravidez, até super-irmão você foi, mas só agora você está percebendo que definitivamente somos quatro, que seu irmão veio mesmo pra ficar. E está tentando entender o que é ser um "irmão mais velho": você quer saber se cresceu, se já é adulto, o que significa ser "mais velho", e por aí afora...


Eu também sou a irmã mais velha, filho, das suas duas tias queridas, mas só agora, vendo seu processo, é que compreendi que tranformar-se em irmão mais velho exige todo um aprendizado, leva tempo, tem momentos muito alegres, mas pode também ser um tanto doloridinho... E está sendo tão bonito acompanhar os seus primeiros passos nesse caminho, filho!

A gente sempre ouve as histórias de ciúmes entre irmãos, de birras, de regressões do filho mais velho e fica parecendo que é tudo um grande trauma, uma grande dificuldade, um grande problema. Realmente isso tudo acontece, mais cedo ou mais tarde, mas, como tudo na vida, não é o único lado da moeda. Tem também a descoberta de novos sentimentos, o crescimento, a ampliação de vínculos e horizontes. Penso que tudo isso, bem dosado, mediado por nós, seus pais, tendem a te fazer uma pessoa ainda melhor, mais capaz de dividir, de ouvir, de ter paciência, de conquistar o seu espaço... veremos no futuro.


Mas o que quero te contar é que, até agora, você está indo muito bem nesse seu aprendizado. Você sacou, logo de cara, que teria que reencontrar seu lugar na nossa nova configuração familiar, já que agora você não era mais o único queridinho da mamãe, do papai, dos avós, das titias, dos amigos. E, por enquanto, ao invés de tentar reconquistar esse lugar apenas no grito, na birra, na manha, você tem ido também por outros caminhos.

Pra começar, você ficou todo engraçadinho. Cheio de histórias, uma mais maluca e divertida que a outra, você conquista a atenção de todos, que riem muito com suas gracinhas. Você está ainda mais conversadeiro, e sua companhia ficou ainda mais gostosa! Ponto pra você.

Além disso, você mergulhou fundo no mundo da imaginação, acho que como uma forma de elaborar todas as novidades que estavam acontecendo na sua vida. (É certo que as brincadeiras, por vezes, ficaram um pouco mais agressivas, cheias de espadas e malvados morrendo... mas tanto melhor que seja nelas que você venha canalizando essa agressividade natural, isso é saudável e pode te ajudar a lidar com ela!). Mil personagens, aventuras mirabolantes, os brinquedos ganharam nova vida e todos nós entramos na dança, cada dia como um personagem diferente. Todos os cômodos da casa foram tomados por suas brincadeiras, e o mundo do faz de conta virou seu delicioso refúgio. Até o Nuno você transformou em mil e um personagens, sempre no diminutivo, uma graça. Foi realmente impressionante o salto que você deu, em um período de tempo tão curto, em termos de brincadeiras, de invenções, de imaginação.


Mas o salto mais impressionante - e que eu vi como uma maneira muito saudável que você encontrou de chamar a atenção - foi na linguagem. Quinze dias depois que o Nuno nasceu, nessas suas conversações e invenções cada vez mais elaboradas, você incorporou um novo aprendizado. Talvez por estímulo da vovó e do vovô, o fato é que você aprendeu a falar praticamente todos os fonemas em que ainda trocava ou engolia letras! Taio virou Caio, telo virou quelo, dato virou gato, tês virou tlês, depois tllrês e até um trrrês já está saindo, memo está virando mesmo... e por aí afora! Você ainda se confunde um pouco, corinthians ainda é tolintias, de vez em quando sai um adola ou agola no lugar de agora, mas a virada que o aprendizado exige está feita, é só uma questão de tempo. Mamãe ficou tão, mas tão orgulhosa!! E ao mesmo tempo com uma pontinha de tristeza (mãe é bicho doido, filho!) por sentir que meu menininho está crescendo tão rápido... mas outra hora a gente fala mais disso.
 
Claro que você também está fazendo birras, mas, por enquanto, nada ainda muito maior do que as que você já fazia desde que se aproximou do "portal" dos dois anos, e que fez durante a gravidez também. Em geral, elas acontecem quando você está cansado, com sono ou com fome, e são intensificadas - claro! - pelo fato de que a atenção que há pouco tempo atrás seria dedicada exclusivamente a você, agora tem de ser dividida com Nuno... Além disso, em alguns momentos (especialmente em eventos sociais ou no meio de muitas pessoas)  você tem ficado mais acanhado, sem querer papo com ninguém, mas só por algum tempo, até ganhar confiança, até sentir que seu espaço está garantido, independente do Nuno. As despedidas também ficaram mais difíceis, mas você nunca gostou muito delas...


Mas com o Nuno, de modo geral, tem prevalecido seu carinho, sua vontade de vê-lo, de pegá-lo, de beijá-lo, de apertá-lo (por vezes até demais, temos sempre que ficar de olho!), de conversar com ele, de estar junto dele. Vira  e mexe você fala: "eu amo meu irmao", "nuninho, eu te adoro", "eu tô tao feliz de ter um irmao!",  "eu fiquei muito feliz que o nuno nasceu", e fica eufórico quando pode pegá-lo no colo.

Até agora, uma única vez você soltou um: "Mamãe, eu não quero mais ter neném!" Nuno devia ter uns quinze dias, eu estava com você no banheiro e não entendi direito... Perguntei: "Você não quer mais SER neném?" E você: "Eu não quero mais TER neném!" Puxei conversa: "Ah, é? E porque filho?" A resposta estava na ponta da língua: "ah, mamãe, ele não sabe falar, não sabe comer, não sabe fazer nada..." Continuei a conversa dizendo que neném era assim mesmo, que você também já tinha sido assim, e que logo ele iria começar a aprender muitas coisas, que a gente ia ter que ensinar... Desde então, você ficou todo animado, querendo ver em cada gesto do Nuno um novo aprendizado: se ele faz algum som, você se empolga - "ele tá falando comigo"; se ele mexe o bracinho e  toca em você ou em algum brinquedo, ele está te fazendo carinho (ou te batendo, rá!) ou tentando pegar o brinquedo; se você põe algo na mão dele e ele agarra, você se anima dizendo que ele está aprendendo a segurar... E quando ele começou a sorrir, então! Cada movimento de boca do Nuno é um sorriso para você... e quem sabe não é, mesmo?


Nós temos tentado garantir seu espaço, nossos momentos só com você, nossos tempos de brincadeiras, de histórias, de passeios, mas, inevitavelmente, está tudo bem diferente de como era há até um mês e meio atrás, e você sabe disso, você sente isso, nós sentimos também. E se isso pode ser sentido como uma perda, outros ganhos já se deram e muitos ainda estão por vir, pode ter certeza. Vai ter ciúme, vai ter briga, ô se vai. Mas ter um irmão é bom demais, você vai ver. Só que isso  já é assunto pra outra carta.

A gente te ama muito, filho, e estamos muito felizes em ver sua transformação em "irmão mais velho". Aos poucos eu vou contando pra você desse processo, pra que você possa saber como foi, quando ficar mais velho (porque eu mesma não lembro nadinha de como foi ganhar uma e depois outra irmã, e a vovó também já esqueceu de quase tudo...), pois acho que esse será um momento decisivo na constituição de sua personalidade. Palpite de mãe.


Beijo grande,

mamãe

domingo, 20 de fevereiro de 2011

HISTORINHAS PRA MÃE DORMIR... MENOS NOIADA



Hoje, em um momento de prosa só nossa, aquele patati patatá de mãe e filho, Caio começou a me contar umas historinhas, misturando referências reais e imaginárias, que, além de me divertirem muito, me ensinaram um pouco mais sobre a incrível capacidade dos pequenos de elaborarem os aprendizados, as vivências, e também as influências e estímulos (nem sempre positivos) que o mundo lhes oferece o tempo todo.

Essas historinhas, que vou tentar registrar aqui do jeito que der pra lembrar, acalmaram um pouco minhas angústias recentes sobre as primeiras pressões de consumo que começaram a atingir o Caio desde o fim das férias e, principalmente, após o retorno da escolinha, com a profusão de mochilas, tênis, camisetas e etecétereas que ele passou a ver - e, de certo modo, desejar, ainda que inconscientemente. Isso é assunto que venho matutando nos últimos tempos, e as reflexões de mães como a Taís, a Carol, a Paloma e a Lia têm me ajudado bastante.

Mas, vamos às historinhas:

Era uma vez, o Ben 10. O Ben 10 e o homem aranha. Ele ajudou o homem aranha a fazer uma teia. Daí....... eles foram viajar! Pra beeeem longe. E encontraram a capoeira e o berimbau. Aí, o Ben 10 começou a tocar berimbau, mas ele tocava de regional.

(...)

Vou contar outra mamãe, vou contar outra. Era uma vez, um homem aranha. Ele foi passear na floresta, e encontrou, sabe quem? Sabe quem, mamãe? O tamanduá! O tamanduá e o lobo, mas o lobo era pequenininho. Era amigo do tamanduá. E todos brincaram na floresta.


Não é demais, ver como referências tão diferentes se misturam de um jeito todo especial? Como elementos que parecem estar em universos opostos se combinam e ganham um sentido novo, próprio de cada criança? Fiquei maravilhada, e acho que não é coisa de mãe coruja, é??? Rá!


sábado, 20 de novembro de 2010

TRAVESSURA E POESIA NO COTIDIANO


Duas historinhas de felicidade simples desta semana...

A TRAVESSURA


Fomos ao shopping, eu e Caio, comprar um presente pro papai. Coisa rara, raríssima, esse tipo de passeio aqui em casa. Combinei que iríamos comer, comprar o presente e só depois brincar nos carrinhos daquela infernal "brinquedolândia" ou sei lá qual o nome. Caio foi um fofo, apesar do primeiro impulso de disparar correndo em direção aos carrinhos, se comportou super bem, comeu, esperou pacientemente eu escolher o presente. Passou reto pelo papai noel: ele tem medo do velhinho e ponto, não há balinha que o convença (thanks god). E, finalmente, chegamos ao parquinho high tech.

Das outras poucas vezes que estivemos lá, ele sentava nos carrinhos e ficava se divertindo com a direção, eu não gastava um tostão. Numa última vez, com o pai, ele quis ir em um brinquedo que precisava pagar, mas estávamos de passagem, e o dissuadimos. Então, nesse dia, resolvi liberar: adquiri um cartão e coloquei créditos suficientes para 3 brinquedos (moderna a coisa, nem acreditei!).

Primeiro ele quis ir numa espécie de carrossel de carrinhos. Foi, curtiu, deu tchauzinho e logo ficou com medinho: o negócio girava muito rápido! Resmungou, a menina parou o brinquedo e, muito gentil, disse que ele poderia ir em outro sem pagar, me mostrou a piscina de bolinhas (que eu nem sabia que tinha). Caio não quis ir, preferiu o pula-pula, mas desde que eu entrasse com ele. Fiquei sentada numa plataforma ao lado da camona elástica, enquanto ele ia perdendo o medo de pular. Ele gostou tanto que quis ficar por três sessões, o que equivaleria a todo o crédito que nós tínhamos. Mas outra mocinha, também muito gentil, me cobrou apenas duas, dada a alegria do moleque.

Demos uma passadinha no bibi que ele tanto curte (e que é de graça) e consegui tirá-lo daquele espaço de fazer doidinhos. Parei numa vitrine para dar uma olhada, e ele descobriu, nos fundos da tal brinquedolândia, a piscina de bolinhas, e quis porque quis voltar. Pois voltamos, com a condição de que em seguida iríamos embora. Afinal, eu ainda tinha um crédito.

Quando fui tirar o sapato dele, a mocinha falou: pode entrar para colocar ele na piscina, você fica ali do lado. Maravilha, já que o Caio não gosta muito de ficar brincando sozinho e eu poderia ficar do lado de fora interagindo com ele. Mas, uma vez lá dentro, ele começou: "vem tá, mamãe, enta ati!, vem bintá tomigo!" E eu: "a mamãe não pode filho, sou muito grandona". Ele já tinha até se convencido, quando a mocinha falou: "Pode entrar com ele!"

Não acreditei: "Posso???" Ela confirmou. Não tive dúvidas, tirei o sapato e mergulhei, barrigão e tudo, na piscina de bolinhas!! Gente, era um sonho antigo, pensei que nunca ia realizar!!! Rá!! Caio quase pirou, né, brincar na piscina de bolinhas com a mamãe? Bom demais pra ser verdade! Ficamos um bom tempo ali nos esbaldando, mergulhando, nos jogando pra trás, jogando bolinhas pra cima, pura terapia anti-stress!!! Saí de lá livre-leve-solta, feliz da vida, e o filhote também. Uma bela compensação por aturar aquela barulheira eletrônica toda. E uma travessura pra ficar na memória.


POESIA



Caio entrou numa fase muito muito legal: agora que já domina suficientemente bem os códigos da linguagem falada, começou a articular idéias, criar histórias, inventar mundos. Está apenas começando, mas é maravilhoso, eu me encanto a cada dia. Como ontem, na pracinha onde fomos após a escolinha. Estávamos andando em direção à banca de revistas, de mãos dadas, quando ele me solta essa:

- Mamãe, olha, eu tô no mai!

E a mamãe, com toda sua adultice, não entendeu de cara: - No mar, filho???

- É, mamãe, no mai! Eu tô pulando a ondinhas!!!

Aí caiu minha ficha: a calçada era "estilo copacabana", grandes ondas de mosaico português. Caí na gargalhada, entrei na brincadeira com ele, e imaginei que Burle Marx ficaria orgulhoso do meu filhote. Mas não mais que eu. Rá!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

EU SOU UMA MÃE DE VERDADE, E VOCÊ?


Sabe quando você passa o fim de semana inteiro grudadinha no filhote, curtindo em família? Então chega segunda-feira, e vocês acordam cedo, e brincam até o limite do horário de entrada na escolinha, e vão tomar um café da manhã especial juntos na padaria? E depois, na hora de deixar o filhote na escolinha, ele não quer ir, e chora, e você se despede dele assim mesmo, e se sente a pior das criaturas porque tem que deixar ele lá chorando e ir trabalhar? E aí você fica um trapo, e no caminho até o carro chora também, e chora ainda mais porque está naqueles dias? Pois é, hoje aconteceu isso comigo. Fiquei péssima.




Mas daí lembrei dessa linda campanha que conheci através da Flá e da Ombudsmãe e me confortei um pouco. Pensei que sou uma mãe de verdade, de carne e osso, e que nem tudo é perfeito e ideal como eu gostaria. E pensar na campanha me fez pensar na minha vida, na minha maneira de lidar com a maternidade, no que ando fazendo de bom e de ruim, no que ainda posso melhorar, no que tenho que aprender a lidar melhor... Essa campanha é bacana por isso, traz a realidade da maternidade, suas dores e delícias, para ser olhada de frente pela sociedade e por nós mesmas, mães. E as imagens são lindas, inspiradoras, nos põem pra pensar. Vale conhecer e assinar embaixo. Porque merecemos ser mães sem medo de ser feliz, e, acima de tudo, sem nos sentirmos culpadas e pressionadas por tudo o que fazemos ou deixamos de fazer. Embora, tenho certeza, vou chorar toda vez que tiver que deixar meu filho na escola chorando, porque tenho que trabalhar. Mas vou me sentir a melhor das mães quando puder deixar de ir trabalhar pra ficar brincando com ele, porque minha maternidade de verdade é essa, conciliar o filhote e o trabalho, em dias mais fáceis e flexíveis, e outros mais difíceis e rígidos. E vamo que vamo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

TEMPO DE MUDANÇAS





fotinhas aleatórias para dar um quê de saudosismo...

Filho, amanhã é nosso último dia na casinha onde você nasceu. Onde aprendeu a brincar, a engatinhar, a falar, a andar, a correr. A casa onde passamos sua gravidez, e seus dois primeiros - e deliciosos - anos. É, estamos de mudança. E não é uma mudança apenas física, de um espaço para outro: estamos indo para a NOSSA casa, projetada e construída para nós, dentro das nossas possibilidades atuais, pensando nos nossos sonhos de futuro, com a nossa cara, na qual seu pai dedicou toda energia dele. E, simbolicamente, estamos fazendo esta mudança a um mês de você completar dois anos. E junto com essa mudança tem tanta coisa acontecendo, filho, e você tá sentindo tudo isso, para o bem e para o mal. Já ouviu falar em inferno astral, querido? Dizem por aí que é um momento de virada, às vésperas de completarmos um ciclo de vida, em que acontece meio que uma catarse em nossa vida, para entrarmos numa nova fase (melhor, espera-se!). Pois acho que você tá vivendo seu primeiro inferno astral (e eu, por tabela): bateu a cabeça e tomou seu primeiro pontinho há quinze dias atrás; recebeu a notícia de que vai, possivelmente, mudar da escolinha onde você se adaptou tão bem (para outra tão boa quanto, e de graça!); acompanhou todos os preparativos para a mudança de casa, feita toda meio no sopetão; e, pra completar, na mesma semana da mudança pegou sua primeira gripe pra valer, com direito a febres altas, tosses encatarradas, noites mal-dormidas. Dureza, né, pitoco? Mas a mamãe tá aqui para te tranquilizar, e apelar para um ditado batido, mas de muita sabedoria: depois da tempestade (quase sempre) vem a bonança. E você já tá se recuperando da gripe, sem precisar de remédios, saindo com seu organismo fortalecido - e na semana que vem já estaremos dormindo na nossa casinha - e lá você vai curtir muitos bons momentos da sua vidinha que está apenas começando (alguns dos quais sei que vou M-O-R-R-E-R quando descobrir, mesmo tendo feito igualzinho) - e você vai ter um quarto lindo lá, com parede colorida e tudo - e daqui um mês você vai fazer dois anos, e vamos dar um jeito de comemorar na casa nova, mesmo no meio da bagunça, e vai ser a primeira de muitas festas lá - e como a casa é nova, todo mundo que você gosta vai vir visitar a gente, e você vai adorar mostrar sua casa , seu quarto e seu quintal novos pra eles - e nós vamos passear muito nas matinhas que rodeiam nosso novo bairro, e você vai se acabar de brincar na rua, como eu e seu pai fizemos na infância - e a escolinha nova também vai ser bem bacana, e você vai passar quatro anos da sua infância aprendendo muita coisa por lá - e você vai fazer novos amigos, e vai somar com os amiguinhos que você já tem, e é sempre muito bom ter uma turma de fora da escola, viu, filho! - e lá tem árvores, e dois parquinhos diferentes, e exposições feitas especialmente pra você e os amiguinhos que você vai fazer por lá - e depois, quando chegar a hora, você vai voltar pra essa outra escola que você tanto gostou, e vai poder curtir a experiência como se fosse a primeira vez, com novos olhos - e é tanta coisa boa que vai vir depois dessa tempestadezinha, filho, que você não vai nem se lembrar que ela existiu. Mas ela está te construindo, te fazendo um menininho forte e antenado, e será a primeira grande mudança da sua vida, bem no momento em que você se despede, a cada dia um pouquinho, daquele bebezinho que parece que ainda ontem saía de dentro de mim, para se tornar uma pessoinha independente, cheia de vontades, com tanta personalidade, tão seguro e ao mesmo tempo tão carinhoso e apegado a nós. Quanta coisa, né moleque? (e você me responderia: "muéque não, mamãe, é Taio!"). Pois te prepara que tua aventura está apenas começando, e, se depender de mim, ela será inesquecível.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PEQUENO TIRADOR


Muita coisa acontecendo de uma vez, Caio se transformando a cada dia, e eu aqui, vivendo a vida, dedicando pouco tempo para escrever, narrar, documentar. Mas nada de desculpinha esfarrapada, a verdade é que por esses tempos esse será o ritmo do blog mesmo. Então, vocês já sabem, tá ali no perfil, tenho fases como a lua, fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Quem quiser gostar de mim, eu sou assim... Rá!

Mas vamos ao que interessa: o Caio, claro. Tanta coisa em tão pouco tempo, queria ter conseguido registrar tudo aqui. O moleque tá figura. Desde que engoliu a pílula falante, o pequeno tá se achando. Tira com todo mundo.

Primeiro foi com meu pai. Os dois no jardim da casa dos meus pais. Vovô resolve fazer graça:
- Caio, olha o piu-piu!
- Pobinha (pombinha), vovô! (com cara de bravo, corrigindo meu pai)
Vovô fica passado.

No outro dia, o vovô começa a cantar a música preferida do momento para o netinho, que solta essa:
- Ah, não, vovô! Vovô não sabe!
Close no vovô com cara de tacho.

Eu sou o alvo preferido. Esses dias ele ficou meio doentinho e praticamente parou de comer almoço e janta. A mamãe tentando manter a calma e a paciência, tentando de tudo pra ele comer pelo menos um pouquinho.
- Quer isso, quer aquilo, quer aquilo outro?
E ele, com cara de "pára de me encher o saco, mãe", me manda essa:
- Taio (Caio) não té (quer) nada, mamãe. Não té nada.
E ponto.

Agora ele deu pra querer ser independente (nos momentos em que resolve desgrudar de mim... rá!). Eu estimulo: Caio já sabe fazer tal coisa sozinho! ou Agora o Caio vai aprender a fazer tal coisa sozinho! E assim vamos. Daí que resolvi ensinar o danado a descer da cadeirinha do carro sozinho (mais ou menos, viu, gente, aquele sozinho pra ele se achar, mesmo). Ele adorou, e vira e mexe quer descer sozinho (umas mil vezes seguida, vocês sabem como é, né?). E eu sempre fico naquela de querer ajudar, mas hoje levei ferro:
- Tai (sai) mamãe, não axuta (ajuda)! Télo (quero) sozinho.
Posso com isso???

E, pra finalizar, a tirada-mór, e nem precisou de palavras: logo de manhã, eu, cansadona, tomando meu café ainda de pijama. Lá vem ele, todo alegrinho, como se viesse me fazer um carinho (ele anda muuuuito carinhoso, delícia total). Vem com a mãozinha em direção a mim, e... "aaaaaaaaaaaai, filho!!!!". Apertou com gosto uma camada adiposa mais saliente daquilo que um dia foi sua primeira casa, e riu com a cara mais malandra que conseguiu fazer, como se dissesse: "mamãe, olha isso, coisa feia, vai se cuidar." M-O-R-R-I. Só não fui direto pra academia porque estou muito sem grana, mas o apertão pegou fundo. Eu tô lascada com esse menininho tirador.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

SOBREVIVENDO À SEPARAÇÃO E AO EGO MATERNO


Demorou, mas voltei. É que, além dos sentimentos terem sido intensos nesta primeira separação do Caio, nosso reencontro foi ainda mais intenso, o feriadão foi muito bem aproveitado, o grude foi (está sendo) grande, e o tempo para escrever no blog (e ler os blogs que adoro) bem escasso...

Mas no fim deu tudo super certo. Algumas de vocês acompanharam os mini-relatos do papai sobre os dois primeiros dias nos comments do post anterior, e por ali deu pra sacar que a separação fluiu tranquila do lado de lá... E do lado de cá??? Não sei bem dizer, acho que estou processando ainda... Rá! Mas vamos a algumas elaborações despretensiosas:


1. o mito do choro incontrolável ou trocada por um danoninho

Eu jurava que o Caio ia abrir um berreiro incontrolável quando percebesse, na primeira noite, que a mamãe (o mamá) não estava em casa. Tá. Se teve alguém que caiu em choro incontrolável já na saída para a viagem, esse alguém foi a mamãe que vos fala (tudo bem que HOUVE motivos complementares além da "angústia da separação"... mas são de fóro mais íntimo do que me permito revelar neste blog, hoho, vocês vão ficar curiosos...). O Caio até deu uma choradinha quando nos despedimos, mas logo a criatividade da vovó transformou lágrimas em risadas e diversão. E, na primeira noite, quando acordou chorando e esfomeado (já que não teve mamá - peito - e ele não quis o tetê - copinho com leite - antes de dormir), e, novamente, não quis o tetê, a vovó tentou primeiro um mingau, e, sendo este veementemente recusado, ela apelou para um golpe baixo (e infalível): "quer um danoninho, então, Caio?". Para o meu desgosto (ou deveria ser alegria??), ele comeu o danoninho, deitou na cama e dormiu feito um anjinho até às 7 da manhã do dia seguinte. Enquanto isso, eu, a cada telefonema de manhã e de noite para saber das notícias, não resistia a dar uma choradinha...

2. o medo de traumatizar ou ego de mãe é um inferno

Outro ponto que eu tinha medo era de "traumatizar" o pequeno com minha ausência, tamanha era a minha certeza que ele não ia aguentar 3 dias e 3 noites longe da mamãe (e do mamá). Quá. Todos os dias, duas vezes por dia, minha mãe era obrigada a me responder (ainda bem que ela é mãe também, né, senão ia me mandar praquela parte...): "ele tá super bem filha. Tá brincando bastante, tá comendo super bem, tá dormindo fácil. Tá tudo ótimo aqui." E eu meio que duvidava - "ela deve estar falando isso só para me tranquilizar", teimava meu ego materno insuportável - e insistia: "mas ele tá alegre? não tá chorando? e na escolinha, tá ficando bem?". E a vovó respondia tudo de novo, naquela paciência que só as mães têm... O fato é que ele ficou muito bem MESMO: obviamente, em alguns momentos ele lembrava de mim (e isso não é o ego dizendo, não, a vovó e o papai que falaram, viu!), me chamava, resmungava um pouquinho (principalmente antes de dormir ou se acordava de madrugada), mas bastava vovó ou papai explicarem que a mamãe estava viajando, mas ia voltar logo, que ele respondia "tá bom", virava pro lado e dormia. Devo dizer que achei isso bárbaro (de verdade), porque sou daquelas mães que acreditam que criança entende tudo, e que dá pra conversar e explicar coisas até mesmo para um bebezinho de colo (já falei sobre isso várias vezes aqui no blog, como nesse post sobre quando o Caio começou a andar). Eu conversei muuuuuuuito com o Caio antes de ir, explicando que ia viajar, porque essa viagem era importante para mim, que ele ia ficar com o papai e a vovó e que logo a mamãe estaria de volta, e eles também fizeram muito isso enquanto eu estava fora. E parece que funcionou.

3. a ilusão de "liberdade" ou do porquê não caí na esbórnia

Me disseram que era para eu aproveitar a viagem, que eu ia me sentir tão "livre", "voltar a ser eu mesma" e coisas do tipo... Pensei: bom, acho que depois que eu estiver lá, a coisa não tiver mais volta, vou relaxar e curtir (lembrando que eu estava indo a um CONGRESSO, e não a uma colônia de férias...). Não rolou. Fiquei o tempo todo com a estranha sensação de estar "faltando algo" (lembrem-se que eu ainda amamento, que meu peito, mesmo murchinho, ainda bota inveja em muita mimosa, e que, portanto, ele me lembrava duas vezes ao dia que era hora do Caio estar mamando e que eu devia me recolher ao toalete para fazer a ordenha... muuuuu...). Fiquei meio passadinha mesmo, não podia ver uma criancinha na frente que parecia tia babona. Além disso, minha vontade era aproveitar todo tempo possível para dormir tranquila, simples assim. Some-se a isso tudo, um certo 'cdfismo' de achar que já que tinha ido sem ele, eu precisava fazer valer a participação no congresso: dá-lhe grupos de trabalho, mesas redondas, fóruns... (e olha que não acompanhei todo o congresso, viu!). Nesse ponto foi ótimo, estava com vontade de voltar à ativa na produção acadêmica. Mas, para não ficar parecendo uma boboca aos olhos do filhote quando ele for adolescente, ler esse post, e falar "ai mãe, como você era careta!", dou o braço a pau ma tória (quem não viu o ótimo post da Flá de hoje, corre lá para dar gargalhadas!!): tomei váááárias cervejinhas, e até me animei a ir no "baile da bibliografia" e ver os mais renomados cientistas sociais do país dançando ao som de "você não vale nada mas eu gosto de você". Ok. Mas a melhor parte foi voltar a pé, sozinha, com uma latinha na mão (relembrando meus velhos tempos de vida universitária) e apagar a luz do quarto antes da 1 da manhã, feliz da vida que no dia seguinte iria reencontrar meu pitoquinho.

4. o medo do desmame radical ou "mamãe, você não me conhece?"

Isso foi o maior furo da história: não sei como eu pude imaginar que corria o risco do Caio desmamar com a viagem. Apesar dele ter ficado super bem sem o mamá, lembrado poucas vezes e dormido tranquilamente com historinhas da vovó e do papai, esses três dias não foram suficientes para ele descurtir o dito cujo. Eu vim a viagem de volta toda me preparando psicologicamente, me convencendo que não ofereceria o mamá se ele não pedisse, mas não teve outra: nem dez minutos depois da minha chegada, ele já foi metendo a mão na minha blusa e dizendo com o sorriso mais contente do mundo no rosto: "mamá, té mamá!". E eu dei, claro, feliz da vida. Acontece que o bichinho agora deu pra compensar os dias que fiquei fora, e tá num grude com esse mamá que nem eu tô aguentando... esse é mamífero MESMO, não dá pra negar. Se depender dele, o desmame vai ser só quando entrar na faculdade... (piadinha velha essa, hein!).


Gracinhas à parte, foi tudo bem mais tranquilo do que me aterrorizava minha ansiedade de mãe durante meses antes da viagem. Foi super importante pra mim ter ido, foi bacana pro papai e pro Caio terem essa experiência de uns dias sem o controle da mamãe por perto, o saldo final foi positivo: estávamos mesmo prontos para esse acontecimento, acho que só por isso deu tão certo.

Para falar a verdade, acho que essa viagem me proporcionou o segundo momento mais emocionante da minha vida (depois do nascimento do Caio): reencontrar o pequeno depois dessa primeira separação foi sensacional. Assim que cheguei em casa desandei a chorar feito boba, ele começou a gargalhar de felicidade, ficamos nos abraçando, nos cheirando, nos enroscando, nos beijando, até ele pedir o mamá. Foi bom demais (mesmo porque eu estava crente que ele ia me ignorar quando eu voltasse, já que vira e mexe quando passo mais tempo longe durante o dia ele faz isso). E, sabe do que mais? Nossa relação mudou completamente depois dessa viagem. Pode parecer piegas, mas é a real: estamos muito mais ligados, para além do mamá, que era uma coisa que eu ansiava há tempos e achava que só rolaria quando ele desmasse. Tá uma delícia: ele tá numa fase ótima, super companheirinho, super interativo, curtimos horrores o feriado... enfim, estamos no maior love love love.


O que mais posso dizer... não valeu a pena tanta angústia, podia ter sido tudo bem mais leve, mas o que fazer se sou dramática? Maridão que me aguente (e vocês que lêem esse bloguinho também)!!


[utilidade pública: foi ótimo ler, semanas antes da minha viagem, esse bem humorado post da Roberta, do Piscar de Olhos, sobre sua primeira separação do filhote também por conta de uma viagem profissional; e foi aliviador ler esse post da Mari assim que voltei de viagem, para sacar como vamos aprendendo a curtir também os momentos sem os pequenos... Dois posts divertidos e inspiradores, valem muito a leitura.]

[E, nunca é demais repetir, um super obrigada meu, do papai e do Caio à super vovó, que ela merece!!!]

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

DESEJO, NECESSIDADE, VONTADE



as fotos já são um pouco antigas, mas a bagunça continua...

Mamãe dando comidinha pro filhote, que está num divertido (e sujismundo) aprendizado de comer sozinho com a colher e o garfo (imposto aos pais por ele mesmo, afe!). Comeu, comeu, comeu e, antes de acabar o prato, começou a virar a cara e falar: "não té maich" (não quero mais). Mamãe insistiu mais um pouco, viu que não ia virar nada, e começou a comer o restinho, já que ainda não tinha jantado e estava faminta. Na segunda colherada, o filhote aponta para a geladeira e fala: "ovo". A mãe: "ovo, filho?" E ele: "ovo". "É filho, o ovo tá na geladeira". "Té ovo". A mãe não acredita: "você quer ovo, filho?" Ele: "té".

Ela duvida, pergunta mais umas trezentas vezes, e resolve testar: pega um ovo na geladeira, pega a frigideira, vai narrando tudo para o filhote, em tom quase ameaçador: "a mamãe vai fazer ovinho pra você, quero ver você comer, hein!" (oh culpa!, mas foi mais rápido que seu eu-mãe-educativamente-correta...). Ah, no que ela abriu a geladeira, o filhote viu tomatinhos-cereja e pediu, apontando: "té, té". Mamãe pica dois tomatinhos e coloca na bandejinha dele. Enquanto ele se lambuza com os tomatinhos, ela faz um ovinho mexido delícia, que fica super amarelo em razão do ovo ser caipira. Coloca no prato, mostra ao filhote: os olhinhos dele saltam ao ver o mexidão amarelo, ele quer por a mão, mas está quente. Mais um tomatinho-cereja enquanto o ovinho esfria. Mexidinho no ponto, o restinho da comida que a mãe quase traçou vai junto nas colheradas, e o pequeno come uma pratada e tanto. E mamãe medita: mais do que necessidades, os pequenos tem desejos e vontades próprias; quando compreendemos e aprendemos a ouvi-los, não necessariamente através de palavras, tudo fica beeeem mais simples e divertido.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

IDENTIDADE


Caio está aprendendo a falar o próprio nome, começa a se reconhecer no espelho (antes era apenas "nenê") e a distinguir-se e a outras pessoas em fotos também. Está em plena descoberta do seu "eu"... (bonito isso, hein!)

Há algum tempo, ele já vinha passado o dia todo nos diferenciando - mamãiiii, papaiiii, bobó, bobô, titiiia, titiiio -, mesmo que não estejam todos por aqui, como que para exercitar. Depois, começou a falar um por um (em bebenês, mas tá valendo) os nomes dos amiguinhos do Jatobá. E agora, quando perguntamos sobre o nome dele, diz, bonitinho: "Taiôôô!" Ainda não fala espontaneamente, como todos os outros nomes, mas está aprendendo. E nosso cordão vai se rompendo cada vez mais, no tempo dele.

Então, pra ninguém achar que tô inventando (mãe tem dessas, né!), filmei uma das primeiras vezes que ele falou o próprio nome por livre e espontânea pressão (rá!), registrando para a posteridade esse momento tão importante na vida do meu pequeno... Babem:





quarta-feira, 16 de setembro de 2009

MENINICES


malandro, eu?


:: CORRA, CAIO, CORRA!

Há uns quinze dias Caio aprendeu a correr de verdade. Antes, já dava suas mini-corridinhas, meio ganso ainda, como que ensaiando. E então ele aprendeu. Descobriu que colocando as mãozinhas abertas para trás, com os braços esticados rente ao corpo, ganhava estabilidade, e foi. Praticamente um ás da aerodinâmica, meu filhote. De lá para cá, ninguém segura este bebê: corre nos lugares mais improváveis, e o pega-pega reassumiu o posto de brincadeira preferida (como era nos velhos tempos - ! - em que ele engatinhava). Recentemente, descobriu uma nova modalidade, estilo marcha olímpica: mãozinhas fechadas, braços colados ao corpo, movimentos sincronizados, chacoalhadinhas de quadril... uma graça!


:: PEITÃO

Ainda estou passada: ontem eu e Caio fomos tomar banho juntos, na maior animação. Eis que ele olha bem para aquilo que, até outro dia, era chamado apenas de "mamá" e grita, em alto e bom som "PEITÃO!", com um sorriso maroto no rosto e as mãozinhas frenéticas em direção ao dito cujo. Eu: "o quê, filho?" E ele: "A PEITÃO, MAMÁ!", repetindo toda a cena de felicidade explícita, acrescida de uma sambadinha enlouquecida. Comecei a gargalhar, óbvio. Agora, me diz: se ele ainda não vê televisão, onde esse menino anda aprendendo essas coisas??? Papai?? Vovô?? Talvez os amiguinhos mais velhos da escolinha?? Ou, ainda, será que nesse mundo 'muderno', os bebês já nascem criados nesse quesito??? Não vai ser fácil ser mãe de menino...


:: MALANDRAGEM

Sempre que vou fazer algo com o Caio que ele não curte muito (como trocar de roupa, trocar fralda ou enxugar a cabeça e as orelhas depois do banho), tento incluí-lo na atividade, no esforço de torná-lo mais colaborativo, usando a expressão: "ajuda a mamãe, filho" ou "me ajuda, Caio". Daí que, desde ontem, ele resolveu virar o jogo: sentado no cadeirão, começou a forçar para escorregar por baixo do tampo, e, antes que eu dissesse "não faz isso, filho", ele me lança um 'aduda, aduda!' (ajuda, ajuda!) para que eu o tirasse de lá! Não sabia se ria ou se dava uma bela bronca nesse arteiro, que já sabe usar de artifícios charmosos para conseguir o que quer. Depois, hoje, de novo: quando falei para ele "filho, vamos tomar banho", ele começou a tentar abrir minha blusa para mamar e despistar o banho, mas, não conseguindo, apelou para a nova aquisição linguística: "aduda, aduda!" Só que, dessa vez, o charme não colou: não teve ajuda que o livrasse do banho.