terça-feira, 10 de maio de 2011
DOS MOMENTOS QUE MERECEM SER REGISTRADOS
domingo, 23 de janeiro de 2011
DAS DELÍCIAS DE UMA SEGUNDA GRAVIDEZ
Caio está curtindo muito a gravidez e, principalmente, o barrigão. Todos os dias, em vários momentos, mas religiosamente quando acorda e antes de dormir, ele beija a barriga, faz carinho, conversa com "o nenê" ou "o irmãozinho", como ele fala (ele tem certeza que é menino), com a boca colada no meu umbigo saltado, e eu fico ali, curtindo, estimulando, me emocionando.
sábado, 20 de novembro de 2010
TRAVESSURA E POESIA NO COTIDIANO
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
DEPOIS DA CHUVA
Beijei, beijei, beijei. Apertei, sufoquei, melei. Coisa chata é mãe com saudade, não? Lambi a cria mesmo, até gastar. E repeti trocentas vezes "eu te amo", em milhares de variações: "mamãe te ama, viu, filhote?", "te amo gatinho", "te amo muito, filho", "mamãe te ama demais", e por aí afora, sempre seguido de beijos estalados e abraços de urso. Chata, chatíssima.
Mas... lá pela segunda ou terceira declaração de amor da mãe babona, o pequeno olha bem pra mim, nós dois deitados na cama, e repete: "te ama, mamãe?" "É filho, mamãe te ama, te ama muito". Ele: "te ama?" "Isso filho, EU-TE-AMO". Ele: "eu te amo também".................................................................................................................. M-O-R-R-I, apesar de saber que era apenas o bom e velho aprendizado pela repetição. Dormi feliz.
No dia seguinte, estou no banheiro e ele vem, todo faceiro: "mamãe!!" Olha bem pra mim, direciona um olhar apaixonado e diz, todo sincero: "Eu te amo, MAMÁ!", tascando as mãozinhas nos ditos cujos. Rá!!!! Dessa vez morri também, só que de rir. Até na declaração de amor espontânea o mamá sai na frente! Rá!
Declarações de mãe grudenta rarefeitas, chega o dia do meu aniversário. E, de presente, ganho o meu primeiro "EU TE AMO, MAMÃEZINHA", totalmente espontâneo, com direito a carinho no rosto e olharzinho apaixonado. E os nove dias de saudade louca ganharam novo sentido. Bom demais.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
UM PASSO DE CADA VEZ

Embora por um lado ele seja um menino bem arteiro, curioso, que se mete a fazer coisas de repente e está sempre nos surpreendendo (e às vezes nos assustando também, rá!), por outro, ele vem demonstrando ser uma pessoinha bastante cautelosa, que vai avançando nas suas descobertas a medida que se sente seguro e confiante: foi assim quando começou a engatinhar, foi assim quando aprendeu a subir - e depois descer - degraus, e foi assim agora, para aprender a andar.
Foi incrível acompanhar o processo dele até começar a andar. Diferente de muitas histórias que ouço mães contarem, de filhos que de uma hora para outra simplesmente "levantaram e andaram", a história dos primeiros passos do Caio foi sendo construída aos pouquinhos por ele. (E os pais nos bastidores, controlando a ansiedade, para deixar o pequeno seguir a seu tempo - ô tarefa difícil, mas muito recompensadora!).
Primeiro, o aprendizado de ficar de pé apoiando nos móveis, depois em qualquer superfície (paredes, batentes de porta, nossas pernas...), em seguida aprender a abaixar e levantar de novo apoiando em apenas uma das mãos e, por fim, uma conquista essencial: levantar sozinho, direto do chão, sem apoio nenhum. Esse momento foi marcante, comemoramos muito com ele! E, desde então, sempre que falávamos "Vai filho, de pé, sozinho!" o pequeno ficava todo contente, levantava, se equilibrava um tempinho e depois sentava, batendo palminhas e comemorando o feito.
Assim ficou um tempo, exercitando aos poucos seu equilíbrio em pé sem apoio. Paralelamente, começou a andar de ladinho apoiando nos móveis, paredes e o que mais aparecesse na sua frente. Daí para começar a empurrar uma cadeira tentando andar foi rapidinho, e virou uma nova diversão, que durou mais um bom tempo. Quando completou um ano ele estava nessa fase, e ganhou dos avós paternos um carrinho de empurrar que assumiu o lugar da cadeira, e que ele empurrava para lá e para cá. Até então, ele ainda estava bem durinho, dando aqueles passinhos de robô.
Foi quando ele começou a procurar nossa mão, pedindo - sem palavras - que o levássemos para andar. No início, agarrava bem forte as duas mãos e, se uma delas se soltasse, ele perdia o equilíbrio no ato. Andar ainda era um esforço, não um prazer. Em pouco tempo foi ganhando molejo, equilíbrio, segurança: uma mão só segurando na nossa já era suficiente, e o bichinho começou a tomar gosto pela coisa. Que delícia ouvir um resmunguinho, olhar para ele e ver aquela mãozinha estendida, como que dizendo "mamãe, vamos passear!". E bastava dar um dedinho para ele se levantar feliz da vida nos guiando pela casa ou pelo quintal afora, ainda cambaleante. Mas arriscar alguns passinhos sem apoio, nem pensar.
Permaneceu assim por mais um tempo, o suficiente para firmar completamente os passinhos: estava evidente, para nós, que ele já conseguiria andar sozinho (tanto que, como eu disse, ele até dava alguns passinhos sozinho, de forma quase inconsciente). Mas, apesar da vontade que ele demonstrava sentir de sair por aí andando junto com alguns amiguinhos mais velhos (chegando a ficar bravo algumas vezes por ter que acompanhá-los engatinhando, um barato!), ele tinha medo. Medo, claro!, perfeitamente compreensível, afinal, passar a dois apoios é uma mudança e tanto na vida de um bebê. E quando nos demos conta disso, entendi o meu papel de mãe nesse momento de desafio para o pequeno: passar segurança, mostrar que eu estava ali, que ele não estava sozinho.
Daí, que na quarta-feira passada resolvi ter uma conversa com ele. Falei sobre esse medo, disse que ele precisava tentar, que ele já estava super pronto para andar, que não precisava ter medo, porque eu estaria ali para ele se apoiar, se precisasse, patati patatá e... Não é que funcionou? No mesmo dia (não venham me dizer que foi coincidência), pouco tempo depois dessa conversa, estávamos - eu e a vovó Minês - brincando com o pequeno no quartinho dele. Ele de pé, brincando apoiado na estante de brinquedos, como ele adora ficar. Eu sentada no chão a poucos passos dele. Falei: "vem cá, filho", e ele veio, andando! Andando, na moral!!! Mamãe e vovó surtaram, claro. O papai, na cozinha, ficou com uma invejinha, eu acho (rá!). E aí o menino se achou: andou de novo até a vovó, fez uma onda para aumentar a expectativa dos babões de plantão e, então, olhou para o berço, sem ter ninguém por perto, e foi. Foi, sem nem olhar para trás. Novo surto coletivo. E desde esse dia tem sido um crescente - aí sim, muito rápido - dando cada vez mais passinhos, aumentando as distâncias, se libertando mais dos apoios e de nós. E hoje saquei que ele já está até preferindo, em alguns momentos, ir de um brinquedo a outro andando, e não mais engatinhando...
Então, esse post é para comemorar essa grande conquista do meu filhote. Sim, porque andar muda tudo na vida de um bebê, é o início da transição para virar um menininho, para ganhar mundo! Um novo olhar para tudo, mãos livres para fazer o que quiser, pés aptos para novas brincadeiras (como chutar bola e tudo o mais, que ele adora!), milhares de descobertas pela frente. E nós ali do ladinho, para o caso dele precisar de uma mãozinha...
Imagem: www.gettyimages.com.br
segunda-feira, 4 de maio de 2009
CARINHOSO

Eu, sentada no sofazinho do quarto do Caio, dando de mamar a ele. De lá, observava o pai organizando as coisinhas do pequeno para levar à escolinha. Logo, o 'calo de mãe' se manifesta [porque é tão difícil relaxar um pouco e abdicar do 'trono'???]: "pega a papinha, coloca em um saquinho com a goiaba". Ele, paciente, apenas me olha, e segue nas tarefas. Não contente, aproveito: "faz um capuccino pra gente?". Bem humorado (ainda bem!), o pai brinca: "mais alguma coisa, madame?". Aproveito a deixa e digo em tom de ordem: "vem aqui e me dá um beijo".
Antes que o pai pudesse se manifestar, o filhote, que estava mamando concentradíssimo até então, larga o peito num estalo, me olha com uma risadinha sapeca e... "muac, muac", me lança dois beijinhos sonoros!
E assim começou deliciosamente minha manhã, depois de uma noite DAQUELAS.
terça-feira, 7 de abril de 2009
TE AMO
conseguia conversar com "a barriga", e você foi aos poucos se comunicando comigo com chutes e socos, e eu comecei a cantar para você no chuveiro. Porque sentir você crescendo dentro de mim foi minha conexão maior e definitiva com o sagrado e o misterioso da vida e do mundo. Porque alimentar seu corpo e sua alma, dentro e fora da barriga, me fez prestar atenção no que eu ponho para dentro de mim, de alimentos a emoções, e me fez aprender que cuidar de mim - e do mundo - é também
cuidar de você. Porque preparar e esperar sua chegada criou um laço ainda mais forte entre seu pai e eu, e nos deu o exato sentido de família e de ninho. Porque fazer escolhas para o seu nascimento - e conseguir concretizá-las - me fez sentir poderosa e fortaleceu imensamente minha auto-estima. Porque nós proporcionamos a você um nascimento digno, feliz e sem traumas e você nos proporcionou a maior - e mehor - experiência de nossas vidas. Porque sentir você nascendo
de mim, te olhar, te tocar, te cheirar e te beijar pela primeira vez foram sensações que jamais esquecerei, e que me enchem os olhos de lágrimas a cada lembrança. Porque vivenciar seu nascimento no aconchego do nosso ninho e presenciar seu pai cortando nosso primeiro elo foi algo mágico e repleto de significados para nós. Porque ter você aninhado em meu colo, sugando o meu peito já nos primeiros minutos de vida criou entre nós uma ligação profunda, intensa e - quero crer - eterna. Porque
amamentar você nos primeiros dias, nos primeiros meses e ao longo de todo este primeiro ano tem sido uma vivência única de amor, carinho, plenitude. Porque este contato corpo a corpo, pele a pele com você me faz reviver diariamente tantas emoções recém-descobertas, mesmo nos dias em que estou mais cansada. Porque ver você crescendo aqui fora e acompanhar suas descobertas e aprendizados cotidianos me enche de alegria e encantamento pela vida. Porque redescobrir o mundo
com você, reconhecê-lo através de seus olhos me proporciona um prazer imensurável. Porque você me faz lembrar que brincar é bom demais, e que todos os dias e todas as coisas podem ser motivos para diversão. Porque você me faz olhar para meus pais de uma maneira que eu jamais tinha feito, passando a entender (mais de trinta anos depois) a intensidade do amor que eles sentem por mim. Porque você me faz ter vontade de me reconectar com minhas raízes, minha família, meus parentes, minha
história. Porque você amplificou o amor que eu sinto por seu pai, e nos faz melhores não apenas como pais, mas também como casal. Porque você me faz chorar ao pensar em tudo isso, por muito mais que faz por mim e por tudo que ainda está por vir: TE AMO.segunda-feira, 6 de abril de 2009
UM ANO ATRÁS
segunda-feira, 16 de março de 2009
DESCOBRINDO A IMENSIDÃO
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
A DESCOBERTA DAS PALAVRAS

Depois de uma das vovós ter ouvido Caio falar fó-fó sem mais nenhuma testemunha por perto, agora é pra valer: neste final de semana o bichinho realmente aprendeu a falar vovó!!! Foi tão de repente, que eu e Dani ficamos nos olhando que nem bestas: "ele falou mesmo? você ouviu o que eu ouvi?" Mas ele falou mesmo! Agora, quase sempre que falamos vovó, ele repete: fó-fó! E não é delírio de pais, não, nós temos testemunhas: a avó paterna e, se ela não valer, temos também a Ivonete, nossa querida ajudante aqui de casa. Então, é isso: fó-fó está entre as primeiras palavras do pequeno, e as vovós podem sair por aí se gabando disso.
Mas o fato é que o figurinha tá numa super fase de descoberta das palavras: cada coisa que a gente fala ele fica nos olhando, olhando para nossa boca, parece que tentando entender como aquele som sai da nossa boca daquele jeito. E aí quando a palavra não é muito difícil, ou quando a gente fala bem pausadamente pra ele aprender ("o-lha o pei-xe fi-lho, a-que-le é o pei-xe" e repetimos "pei-xe" umas doze vezes seguidas), ele fica ensaiando sons: pesssss, ishshshi e por aí vai. E a gente vibra: "falou peixe, você viu, falou peixe!!!". Dã.
Então, até o momento as experiências do Caio com as palavras estão assim (e aconteceram mais ou menos nessa ordem):
mã-mã = mamãe (mamá, né...)
pá-pá (ou bá-bá) = papai
áuá = água
au-au = adivinhem!
fó-fó = vovó
pesss (ou ishshshi) = peixe
Agora, nem adianta querer fazer bonito por aí e ficar pedindo pra ele repetir as tais palavras: meu bebê ariano só fala quando quer, que fique bem claro. Então, não tem muito jeito, vocês vão ter que acreditar que isso não é delírio de mãe babona, e torcer pra ele resolver falar quando estiverem por perto...
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
COMPENSAÇÃO
Pegando carona no post da Renata:
Ontem descobri o que mais gosto no fato de ter voltado a trabalhar (ainda que meio período apenas) após o nascimento do Caio: chegar em casa depois de uma reunião daquelas e ser recebida por um serzinho todo alegre, com um sorrisão semi-banguela no rosto, perninhas ágeis acelerando em minha direção e dois bracinhos abertos doidos pra se pendurar no meu pescoço!!! Acho que não tem coisa mais gostosa nessa vida que ser mãe.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
COISA DE MENINO

Mas não há como negar que certos brinquedos e brincadeiras exercem verdadeiro fascínio em meninos nos quatro cantos do país, quiçá do mundo, e com o Caio não seria diferente: nas últimas semanas o bichinho aprendeu, de uma só tacada, a brincar de bola e de carrinho, pode?
Primeiro foi a bola. Ele já vinha buscando novos usos para uma bolinha de pelúcia que ele tem desde recém-nacido, quando "roubamos" uma bola de borracha da casa dos meus pais - o menino literalmente pirou! Tentava colocar a bola na boca, como a outra, mas não dava, e tudo que ele tentava fazer com a bola, ela escapulia, correndo pelo chão. Aí a brincadeira passou a ser fazer a bola rolar para lá e para cá. Até que a mamãe resolveu participar da brincadeira, e começou a jogar bola com o pequeno. No começo, eu jogava e ele ficava me olhando, pegava a bola, não entendia direito qual era a idéia. Mas bastaram algumas vezes pro safado gostar da brincadeira, e ir aprendendo - do seu jeito - a devolver a bola para mim. E cada vez que ele conseguia, eu comemorava com palmas e elogios. Resultado: além de aprender a associar a palavra BOLA ao objeto, agora ele pega a bola e já sai jogando para mim e, quando dá certo, ele mesmo comemora com palminhas! Fofíssimo.
O carrinho veio depois, há poucos dias. Até então ele não ligava muito para eles, que não serviam para colocar na boca, nem fazer barulho ao chacoalhar, eita brinquedo inútil! Mas aí descobriu - sozinho! - que mexendo com a mão o carrinho no chão ele se movia pra lá e pra cá, pra lá e pra cá. Adorou, claro! Bastava ver um carrinho que ele começava: pra lá e pra cá, pra lá e pra cá. Daí, quando percebeu que podia brincar de carrinho com mais alguém, como já fazia com a bola, foi a glória: jogava o carrinho em nossa direção e, quando acertava, mais comemoração com palminhas. E eu e o pai que nem bobos, rindo a cada movimento do menino, maravilhados!
Coisa linda acompanhar de perto e estimular essas descobertas tão simples, mas tão importantes pros pequenos. Não troco isso por nada.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
SAUDADE
Ai... acabo de dar de mamar para o meu pequeno, e me dei conta que ele não é mais tão pequeno assim... Olhando para suas pernonas vazando de meu colo enquanto mamava, percebi que meu bebezão já é quase um menininho... Não chorei - sorri -, mas meu coração ficou apertadinho... um misto de alegria e saudade... E isso porque ele só tem nove meses... Quem for mãe que me entenda!
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
O SEU OLHAR*
O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu
O seu olhar
seu olhar melhora
Melhora o meu
Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu
O seu olhar
seu olhar melhora
Melhora o meu
O seu olhar agora
O seu olhar nasceu
O seu olhar me olha
O seu olhar é seu
O seu olhar
seu olhar melhora
Melhora o meu
... nada como olhinhos negros e brilhantes que nos despem a alma para tornar tudo assim tão leve e ao mesmo tempo tão profundo ...
* música: Paulo Tatit/Arnaldo Antunes
terça-feira, 11 de novembro de 2008
TEM DIAS QUE EU CHORO*
O período da minha gestação foi repleto de emoções as mais diversas, chorei e ri com intensidades nunca antes experimentadas. Obviamente detonadas pelas alterações hormonais, a vivência dessas emoções foi muito além delas, e fizeram desse período um dos mais prazerosos desses meus trinta e um anos.
Assim, no meio desse turbilhão, ficava imaginando como seria no dia do parto, me via chorando copiosamente após o nascimento do meu pequeno. Mas isso não aconteceu: após a avalanche de sensações físicas, mentais, espirituais vividas durante o parto mais-que-perfeito que tive, a partir do momento em que meu filho nasceu a plenitude foi tamanha que eu não chorei. Uma serenidade tomou conta de mim, só conseguia sorrir e mirá-lo sem parar. Não derrubei uma lágrima. Ali senti o quanto a maternidade mexeria com minha sensibilidade, mais do que eu poderia imaginar, muito mais do que o que eu já tinha vivenciado durante a gravidez.
Meu filhote nasceu numa segunda-feira de madrugada, meus pais e sogros vieram nos ver após o almoço e, no fim do dia, quando todos se foram e eu me vi sozinha com ele em meus braços, amamentando-o como se sempre tivesse feito aquilo, pela primeira vez eu chorei. Olhava para aquele ser tão pequenino e chorava, lembrava dos momentos intensos vividos durante o parto e chorava, sentia um amor maior que tudo me invadir e chorava, chorava, chorava e sorria incontrolavelmente. Nunca tinha me imaginado capaz de uma emoção tão intensa, tão avassaladora. Aquilo me tomava o fôlego de uma tal forma, experimentava uma sensação de felicidade tão grande, que era como se eu estivesse dopada.
Essa sensação me invadia quase todos os dias durante o primeiro mês de vida do meu filho. Bastava termos nosso momento a sós, olho no olho, pele com pele, e eu chorava e sorria sem parar novamente. Ao contrário da depressão pós-parto, tão comentada, eu tive um surto de felicidade pós-parto (esse sim deve ser difundido!), um encantamento que fazia com que as dificuldades naturais desses primeiros momentos da maternidade parecessem pequenas. Por várias vezes, racionalizando essa sensibilidade contraditória, em que choros e risos se confundiam, lembrava das brincadeiras nas listas de discussão sobre a bendita ocitocina, e imaginava que minha produção devia estar nas alturas...
Aos poucos, fui me acostumando com essa nova sensibilidade que despertou quando a mãe dentro de mim nasceu. Olhares, toques, embalos, carícias, cuidados, brincadeiras, cantigas foram canalizando toda essa emoção, e eu já não choro tanto... Mas vira e mexe me pego olhando para aquela coisinha, lembrando de tudo que passamos juntos ao longo dos nove meses de gestação, do nosso trabalho conjunto para que ele viesse ao lado de cá do mundo, vejo aqueles olhinhos me encarando, aquelas mãozinhas me acariciando... e choro... choro mesmo, como criança... sinto a mesma emoção me invadir, com a mesma intensidade.
Meu marido acha graça. Ele é parte de toda essa emoção, ele sim chorou no momento do nascimento, mas não consegue imaginar o que seja essa sensibilidade tão intensificada. Mas vejo um sorriso bonito no seu rosto quando me flagra num desses dias a chorar. E quando isso acontece, lembramos do quanto nos empenhamos para trazer nosso filho ao mundo da forma mais humanizada possível, do quanto nos unimos para transformar em realidade um ideal de nascimento que fomos construindo juntos ao longo dos nove meses de gestação, e compactuamos na certeza de que toda essa sensibilidade aflorada de modo tão intenso e tão feliz tem relação direta com nossas escolhas, conquistas e vivências em relação à gestação e ao parto. E que essas mesmas escolhas, conquistas e vivências direcionaram irremediavelmente nosso modo de ver, pensar, sentir, vivenciar a maternidade – e a paternidade – como um todo, ainda que tenha dias que eu chore, e ele ria...
* texto publicado no blog Mamíferas, em outubro de 2008, como "mamífera convidada".





