




Quando comecei este blog, eu era uma recém-saída da concha da licença-maternidade (ainda pouco convicta se realmente queria voltar a trabalhar), Caio tinha exatos 7 meses, iniciava sua aventura no mundo dos sabores gastronômicos para além do leitinho materno e eu penava com a nova fase. Era um momento em que as milhares de novidades e transformações de um bebezico começavam a ser curtidas de um jeito diferente, sem toda aquela imersão inicial. Iniciávamos - eu, ele e o papai - uma nova etapa em nossa relação de familinha, cheia de tropeços e inseguranças, mas deliciosa: Caio se desprendia um pouquinho de mim, começava a ter corpo e alma alimentados de outras maneiras para além do mamá, o papai se inseria nessa nossa relação umbilical de uma nova maneira, passando a dividir comigo os momentos de alimentá-lo (dando meu leite enquanto eu ia trabalhar, depois participando ativamente da introdução de alimentos).
Uma fase de abertura, de transformação, de aprendizados diferentes dos primeiros meses. E eu deixava, aos poucos de ser uma pessoa mono-assunto: além da maternidade, do parto, da amamentação, do bebê e tudo o que diz respeito a esse universo, eu voltava a ter assuntos de trabalho, pelo menos. Rá! Mas, na verdade, estava difícil "mudar de assunto", comecei a me dar conta que talvez eu estivesse me tornando uma chata, nada me interessava tanto quanto conversar sobre as fases do bebê, trocar experiências com outras mães, saber como fulana resolvia o problema da assadura, como ciclana fazia a rotina do banho, como beltrana tinha introduzido as papinhas, etc e tal. Mas nem todos ao meu redor estavam nessa vibe, então fui ficando mais contida, me controlando e procurando interagir socialmente para além da mãe que havia me possuído por completo. Sei... Canalizei esse papo todo mais para o mundo "virtual", e é aí que entra esse bloguito.
Desde o nascimento do Caio, eu participava de uma lista de discussão de mães e bebês, era bem bacana (as listas também foram fundamentais durante a gestação, quando eu ainda não conhecia a blogosfera), um super canal ao qual eu recorria para desabafar, tirar dúvidas, trocar experiências. Mas com a volta ao trabalho (e uma certa "perda de foco" da lista em questão), fui me afastando da lista, minha caixa de emails foi entulhando, deixou de funcionar. Em paralelo, durante a licença eu tinha tomado contato com a blogosfera materna através do blog das Mamíferas. Nessa mesma época conheci o blog da Nau, e passei a acompanhar o crescimento da Ana Clara, que é alguns meses mais velha que o Caio, e era bacana ver o que vinha pela frente para ele. E tinha o blog da Camila, amiga real que mudou pra longe, onde eu acompanhava as peripécias da pequena Olga. Mas, na verdade, não sabia muito bem como funcionava, ainda não tinha sacado a grande rede que pode ser a blogosfera. Eu frequentava um ou outro blog e ponto, nem comentava, nem entendia pra que os comentários serviam.
Até que as Mamíferas abriram o blog para "Mamíferas Convidadas", eu já estava querendo começar a escrever algumas coisas sobre o turbilhão que tinha me invadido desde o nascimento do Caio, foi perfeito: em outubro do ano passado elas publicaram um textinho meu, e eu adorei a experiência. Daí resolvi tentar criar um blog. Fui fuçando daqui, fuçando dali, até que entendi como criar o dito cujo. Postei o mesmo texto que saiu no Mamíferas, pra testar, ver se ia funcionar. No dia seguinte declarei "oficialmente" inaugurado o blog: embora no post de "abertura" eu fale sobre "trocar experiências", não sabia direito como isso poderia acontecer, afinal, não tinha leitores e nem tinha pretensão real de tê-los, para além dos familiares e amigos distantes fisicamente, que há tempos cobravam uma forma de acompanhar o crescimento do Caio mais de perto. Então, inicialmente eu escrevia como uma forma de canalizar toda aquela vontade de falar sobre a maternidade (poupando o maridón, os amigos e os familiares do mono-assunto), de registrar momentos, fases, transformações do Caio e de compartilhar esses momentos com os mais chegados. Era uma coisa meio solitária, porque os poucos parentes e amigos "reais" que liam não conheciam muito bem (assim como eu) o universo de um blog, e raramente comentavam. Mas acompanhavam religiosamente, choravam, elogiavam, ligavam para saber mais detalhes de algo que eu contava no blog, e me animavam a continuar escrevendo.
Daí, em algum momento que não sei bem como e quando, alguma coisa mudou. Pessoas "estranhas" (rá! vocês!!) começaram a chegar por aqui. Mães blogueiras, super bacanas e participativas, a fim de trocar figurinhas. No começo, estranhei. A primeira a aparecer, retribuindo um dos primeiros comentários que fiz blogs maternos afora, e me ensinando indiretamente um pouquinho sobre como funcionavam essas trocas na blogosfera, foi a Ju (e como o mundo é pequeno, descobrimos depois que somos meio parentes! rá!). Não lembro bem como cheguei no blog dela (Desculpas de Mãe), mas foi um dos primeiros que conheci depois de ter entrado na blogosfera, junto com o Pacha Mama e o Pequeno Guia Prático. Desses, eu cheguei no Astronauta, e a Flávia foi minha primeira "amiga-virtual-mãe-blogueira": foi uma coincidência engraçada, eu tinha acabado de conhecer o blog dela, me identifiquei totalmente e linkei aqui, sem nem falar nada para ela, sem nunca ter comentado no blog dela (aliás, fiz isso com vários blogs, só depois fui me ligar que era bacana comunicar/consultar os blogueiros antes...). No mesmo dia ela apareceu por aqui, curtiu, se viu linkada, deixou um comentário fofo e me linkou. E depois disso, de uma hora pra outra, esse post foi a porta de entrada de outras leitoras: a Rê (Lilata) chegou através do Astronauta, a Mari retribuiu uma visita, depois apareceram a Rebeca (que tá sumida!!) e a Nat. No post seguinte elas voltaram a aparecer; logo ganhei meu primeiro selinho da Flávia e foi o mote pra fazer contato com duas blogueiras cujos blogs eu acompanhava, mas nunca tinha comentado (Nau e Micheliny), e retribuir o incentivo - mesmo que inconsciente - da Ju, da Mari e das Mamíferas na minha entrada na blogosfera.
E assim foi. Pelo blog da Flá e da Mari começaram a chegar outras visitas, e fui conhecendo outras blogueiras (e blogueiros) também. Algumas só passaram ou passam de vez em quando por aqui, mas já deram seu alô: Sheila, Elisabeth, Daniela PSF, Nat, Karenina, Val, Alessandra, Vânia, Juju, Jaque, Marcia, Ana Paula, Ondina, Nanda, Mãe da Elisa, Solange, Amandica, Karina, Sabina, Isadora, Mãe em Ação, Fudeu tô grávida, Cath, Bia, Patrícia, Vi, Avassaladora, Roberta, Katarina, Cris, Carol, Din, Giovana, Anne, Neural (o único papai, além do maridón, a comentar por aqui até hoje!)........
Tudo isso pra dizer, gente, que A-DO-RO quando vocês aparecem, principalmente quando comentam, porque acho bem bacana saber quem passou por aqui e, mais ainda, trocar idéias com vocês, através dos comentários e dos posts (que muitas vezes nascem de comentários). E que, nesse 1 ano de blog, essa troca intensa só me acrescentou aprendizados, que hoje é o próprio espírito desse blog aprendiz.

Eu já vinha matutando um post de aniversário em homenagem aos sessenta e poucos do paizão, e essa viagem me fez ficar com ainda mais vontade de registrar, aqui, algumas coisas boas da vida que aprendi a amar com ele, e que quero muito passar para meu filho.
Uma delas é justamente a praia: com ele aprendi, desde bem cedo, a curtir muito o mar, nadar sem medo, ir até o fundão, pegar jacaré, caminhar na areia... Hoje em dia o vovô já não aproveita mais tanto assim, sua pele branquinha sofreu as sequelas de toda essa curtição. Mas o netinho virou boa companhia para aproveitar a praia bem cedinho, longe dos perigos do sol...
Tirar fotografia foi outro prazer que descobri com ele: faz parte das minhas memórias mais remotas a imagem de meu pai com uma câmera na mão, registrando cada momento de nossa infância. Tenho, inclusive, uma foto que adoro em que eu, ainda bem pequena, estou fazendo graça com a super Pentax dele, que anos mais tarde seria roubada na minha república (nunca é demais pedir desculpas novamente!). Livros com dicas preciosas sobre fotografia, revistas fotográficas antigas: eis um patrimônio que guardo comigo com carinho. Eu hoje repito os passos dele, dando uma de paparazzi com o Caio... e ele continua a postos, registrando todos os momentos da família (e quase cegando o Caio de tantos flashes! Rá!).
Com meu pai aprendi a andar de bicicleta (aos domingos de manhã nas pracinhas de Araraquara), prazer que a vida em São Carlos tornou um pouco secundário (devido à preguiça de subir as ladeiras daqui...), mas que o maridão tem se esforçado por reativar, comprando inclusive uma cadeirinha para o Caio passear com a gente! Ainda me lembro de sua Caloi 10 azul, que acabou abandonada devido às dores nas costas... Depois vieram os passeios de moto, que deixavam minha mãe um tanto tensa (e de um dos quais guardo uma marca de queimadura na canela): até hoje simplesmente adoro passear na garupa da moto do Dani, curtindo um vento no rosto.
O prazer de apreciar uma boa música também foi herança dele: com ele aprendi a ouvir MPB quase que diariamente, ou curtir um jazz solitário à meia luz (mas eu dispenso o uísque...). Elis, Nara, Chico, Caetano, Milton, Gal, Betânia, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, entre tantos outros artistas (com predominância abslouta de mulheres) me foram apresentados por ele e seguem me acompanhando vida afora (menos a Leila Pinheiro, né, pai...). Caio já sente as infuências desse gosto, quando escutamos juntos - e ele se diverte! - de Palavra Cantada a Luiz Melodia, de Saltimbancos a Mônica Salmaso...
São tantas lembranças... E, para o post não ficar imenso, vou apenas listar mais alguns pequenos prazeres que aprendi a desfrutar com ele: tomar sorvete de milho verde (esse fim de semana tomamos um incrível!); comer milho cozido até dizer chega; curtir uma rede na varanda (há quanto tempo você não faz isso, heim, pai!); cultivar samambaias e regar plantas no fim do dia; apreciar um bom vinho tinto; passear, bater perna, "saracotear" por aí; tomar uma cervejinha petiscando; etc etc etc etc...
Muitas dessas coisas foram se perdendo no trilhar do seu caminho. Outras novidades foram aparecendo, como a pescaria, e também este, que tem sido seu maior prazer ultimamente, já tive a oportunidade de compartilhar e aprender um pouco mais. Mas o "coroa" continua firme e forte, curtindo a vida, apreciando pequenos prazeres, e nos ensinando a fazer o mesmo. Pessoas intensas - para o bem e para o mal -, eu e ele temos muito em comum, e nele reside grande parte do melhor de mim: OBRIGADA, PAI!

Sábado passado comemoramos o primeiro aniversário do Caio. Logo mais contarei como foi... Por enquanto, o convite, feito com muito carinho, como toda a festa.
Hoje é aniversário da minha mãe. Sábado que vem, quem comemora é a minha sogra. Essa postagem é em homenagem a elas: (na verdade, é o presente de vocês, viu, porque a coisa por aqui está preta...) Então, esse presente virtual fica como registro do nosso imenso carinho e amor por vocês, nossas queridas mamães, e vovós do Caio, vocês, que nos ensinaram esse ofício que é hoje nossa razão de ser no mundo: a arte de ser mãe e pai.
Com vocês aprendemos que amor é sentimento incondicional. Que para ter e criar um filho como se deve, é necessário muito amor, mas também um tanto de responsabilidade e coragem, que os dias de hoje não estão fáceis. Que paciência, compreensão e sensibilidade passariam a fazer parte de nosso pacote de emoções cotidianas, assim como uma pitada generosa de disposição e bom humor: viva o sorriso acolhedor de uma avó, e a gargalhada descontraída da outra!!!
Com vocês descobrimos que para fazer florescer nosso filhote devemos nos atentar ao poder da palavra certa no momento certo, seja para acarinhar, seja para aconselhar, seja para ajudar a seguir no prumo (chegamos a sentir saudades daquelas broncas enérgicas, mas sempre envoltas em carinho, que só vocês sabiam dar...).
Vocês nos ensinaram que é preciso olhar o mundo com olhos de encantamento, de descoberta, de prazer: ensinar a olhar, coisa mais bonita que aprendemos com vocês! Vocês nos ajudam, a cada dia, a despertar o olhar de Caio para o mundo, para a natureza, para o belo, para a curiosidade, para a alegria, para o amor, para a amizade, para a poesia, para os mistérios... Vocês proporcionaram a nós, e hoje proporcionam a Caio, experiências que o colocam em contato com o bom da vida, com o espantoso do mundo, com a importância de conviver e compartilhar... Como diria Rubem Alves (expressando tão bem em palavras o que vocês nos mostraram com gestos e experiências):
“Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: Veja! E ao falar aponta. A criança olha na direção apontada, e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande, ela fica mais rica interiormente. E ficando mais rica interiormente, ela pode sentir mais alegria e dar mais alegria – que é a razão pela qual vivemos.”
Com vocês aprendemos tudo isso e muito mais. A vocês devemos nosso desejo realizado de gerar uma vida, de criar um serzinho para o mundo, de construir uma família (ainda que nos nossos moldes, nem sempre aprovados por vocês, né!!). A vocês agradecemos, do fundo de nossa alma, por terem nos tornado mais ricos interiormente, por terem nos possibilitado sentir e dar mais alegria, e, principalmente, por podermos fazer tudo isso e muito mais por Caio...
PARABÉNS, QUERIDAS, NÓS AMAMOS MUITO VOCÊS!!!
SER MÃE...
"Estou dando a você a liberdade. Antes, rompo o saco d'água. Depois, corto o cordão umbilical. E você está vivo por conta própria."
(Clarice Lispector)