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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ESCATOLOGIAS MATERNAS (pero sin perder la ternura)


Nuno começou a comer frutinhas há uns quinze dias e seu cocô mudou totalmente. Ok, isso não é novidade pra ninguém, muito menos pra mães de segunda viagem como eu. O fato é que, quando fui trocar a primeira fralda com cocô pós-frutinhas, uma coisa louca aconteceu... o cheiro daquele cocô me despertou memórias tão intensas dos primeiros meses do Caio, daquela sensação de ser mãe de primeira, aprendendo tudo... chegou a doer o peito de saudade! E em seguida comecei a rir, pensando no misto entre poética e patética que era aquela situação, aquele sentimento. Proust reviraria no túmulo, mas o cocô do Nuno foi uma espécie de madeleine para mim. Será que doideira de mãe tem limite? 


****************


Caio, outro dia, tomando banho dentro da piscininha. Eu do lado de fora do box. De repente escuto um "hehe"  numa entonação de surpresa, seguido de um "epa". Curiosa, pergunto o que foi. E ele responde, totalmente surpreso e feliz:

- "Mamãe, fiz um pum na água e saiu umas bolhinhas!" 

- "Você nunca tinha feito isso filho?"

- "Não. É legal, né?"

Pois é, nada como um filho pra fazer a gente se lembrar que tudo - TUDO - nessa vida tem uma primeira vez, é aprendizado. Até "peidar n'água pra fazer borbolha", como os desaforados de antigamente diziam.

domingo, 9 de outubro de 2011

BEBÊ ZEN


Nuno ri. Desde muito cedo. Pra qualquer um, a qualquer momento. Ri com o rosto todo, com o corpo todo. É um dos seus muitos encantos. Mas, gargalhadinhas são privilégio de poucos, em especial o irmão e o pai. Comigo, tenho que fazer muita micagem pra ganhar uminha ou outra...


Nuno se aventura. Aprendeu a se balançar no bebê conforto, e atinge velocidade impressionante. Deitado, dá impulsos vigorosos com o corpinho para o lado, querendo mudar de posição. E se diverte por um bom tempo nessas suas aventurinhas deliciosas.

Nuno me olha. O tempo todo. Onde quer que eu esteja, seus olhos me procuram. Dois olhões apaixonados, sorridentes, que me derretem, me inundam de amor.

Nuno brinca. Com as mãos, com os pés, e com sua mais nova descoberta, a água. Ainda não se interessa muito por brinquedos, que apenas acompanha com os olhos, ou tenta tocar timidamente. Mas seu corpinho dá voltas em torno de si mesmo, deslumbrado com o mundo.

Nuno dorme. Dificilmente briga com o sono. Se está cansado, emite sinais claros disso, pedindo ajuda pra dormir. Mas, por vezes, chega a dormir sozinho, desafiando nossa incredulidade.


Nuno chora. Em geral um choro manso, que pega no tranco devagar. Se chora forte, ardido (e chora também, claro), é que algo incomoda pra valer: sabe se fazer notar em meio à sua tranquilidade típica.

Nuno é vidrado no irmão. Sorri e se agita todo só de ouvir a voz de Caio. Quando o vê, então, é puro maravilhamento, mãos e pernas dançam freneticamente, o olhar fica hipnotizado.


Nuno quer conversar. Emite sons em entonações variadas, como quem proseia animado. E se a gente entra no papo, aí é que solta a língua a valer.

Nuno canta. Se está com sono, ao ser embalado, canta. Como que ninando-se a si mesmo, acompanhando meu ninar.

Nuno é companheirão. De ficar em casa ou zanzar por aí comigo, de ir pro trabalho com o pai, de brincar e dormir com o Caio, de passear e viajar com a família. Com ele, dificilmente tem tempo ruim.

Nuno é zen. Gente boa mesmo. Um bebê que nem nos meus maiores sonhos eu poderia imaginar.


[ Sei que, em se tratando de bebês e crianças, tudo pode mudar, sempre. Mas agradeço todos os dias por esse bebê incrível ter me dado a honra de ser sua mãe, e desejo imensamente ser uma mãe à sua altura. E, por via das dúvidas, nunca é demais pedir proteção... "guiai os meus passos, e por onde eu caminhar, tira os olhos grandes de cima de mim pra's ondas do mar..." ]


quinta-feira, 30 de junho de 2011

APRENDENDO A SER IRMÃO MAIS VELHO

Caio querido,

você agora é um irmão mais velho e começa a se dar conta disso. Você já vinha curtindo a barriga da mamãe durante toda a gravidez, até super-irmão você foi, mas só agora você está percebendo que definitivamente somos quatro, que seu irmão veio mesmo pra ficar. E está tentando entender o que é ser um "irmão mais velho": você quer saber se cresceu, se já é adulto, o que significa ser "mais velho", e por aí afora...


Eu também sou a irmã mais velha, filho, das suas duas tias queridas, mas só agora, vendo seu processo, é que compreendi que tranformar-se em irmão mais velho exige todo um aprendizado, leva tempo, tem momentos muito alegres, mas pode também ser um tanto doloridinho... E está sendo tão bonito acompanhar os seus primeiros passos nesse caminho, filho!

A gente sempre ouve as histórias de ciúmes entre irmãos, de birras, de regressões do filho mais velho e fica parecendo que é tudo um grande trauma, uma grande dificuldade, um grande problema. Realmente isso tudo acontece, mais cedo ou mais tarde, mas, como tudo na vida, não é o único lado da moeda. Tem também a descoberta de novos sentimentos, o crescimento, a ampliação de vínculos e horizontes. Penso que tudo isso, bem dosado, mediado por nós, seus pais, tendem a te fazer uma pessoa ainda melhor, mais capaz de dividir, de ouvir, de ter paciência, de conquistar o seu espaço... veremos no futuro.


Mas o que quero te contar é que, até agora, você está indo muito bem nesse seu aprendizado. Você sacou, logo de cara, que teria que reencontrar seu lugar na nossa nova configuração familiar, já que agora você não era mais o único queridinho da mamãe, do papai, dos avós, das titias, dos amigos. E, por enquanto, ao invés de tentar reconquistar esse lugar apenas no grito, na birra, na manha, você tem ido também por outros caminhos.

Pra começar, você ficou todo engraçadinho. Cheio de histórias, uma mais maluca e divertida que a outra, você conquista a atenção de todos, que riem muito com suas gracinhas. Você está ainda mais conversadeiro, e sua companhia ficou ainda mais gostosa! Ponto pra você.

Além disso, você mergulhou fundo no mundo da imaginação, acho que como uma forma de elaborar todas as novidades que estavam acontecendo na sua vida. (É certo que as brincadeiras, por vezes, ficaram um pouco mais agressivas, cheias de espadas e malvados morrendo... mas tanto melhor que seja nelas que você venha canalizando essa agressividade natural, isso é saudável e pode te ajudar a lidar com ela!). Mil personagens, aventuras mirabolantes, os brinquedos ganharam nova vida e todos nós entramos na dança, cada dia como um personagem diferente. Todos os cômodos da casa foram tomados por suas brincadeiras, e o mundo do faz de conta virou seu delicioso refúgio. Até o Nuno você transformou em mil e um personagens, sempre no diminutivo, uma graça. Foi realmente impressionante o salto que você deu, em um período de tempo tão curto, em termos de brincadeiras, de invenções, de imaginação.


Mas o salto mais impressionante - e que eu vi como uma maneira muito saudável que você encontrou de chamar a atenção - foi na linguagem. Quinze dias depois que o Nuno nasceu, nessas suas conversações e invenções cada vez mais elaboradas, você incorporou um novo aprendizado. Talvez por estímulo da vovó e do vovô, o fato é que você aprendeu a falar praticamente todos os fonemas em que ainda trocava ou engolia letras! Taio virou Caio, telo virou quelo, dato virou gato, tês virou tlês, depois tllrês e até um trrrês já está saindo, memo está virando mesmo... e por aí afora! Você ainda se confunde um pouco, corinthians ainda é tolintias, de vez em quando sai um adola ou agola no lugar de agora, mas a virada que o aprendizado exige está feita, é só uma questão de tempo. Mamãe ficou tão, mas tão orgulhosa!! E ao mesmo tempo com uma pontinha de tristeza (mãe é bicho doido, filho!) por sentir que meu menininho está crescendo tão rápido... mas outra hora a gente fala mais disso.
 
Claro que você também está fazendo birras, mas, por enquanto, nada ainda muito maior do que as que você já fazia desde que se aproximou do "portal" dos dois anos, e que fez durante a gravidez também. Em geral, elas acontecem quando você está cansado, com sono ou com fome, e são intensificadas - claro! - pelo fato de que a atenção que há pouco tempo atrás seria dedicada exclusivamente a você, agora tem de ser dividida com Nuno... Além disso, em alguns momentos (especialmente em eventos sociais ou no meio de muitas pessoas)  você tem ficado mais acanhado, sem querer papo com ninguém, mas só por algum tempo, até ganhar confiança, até sentir que seu espaço está garantido, independente do Nuno. As despedidas também ficaram mais difíceis, mas você nunca gostou muito delas...


Mas com o Nuno, de modo geral, tem prevalecido seu carinho, sua vontade de vê-lo, de pegá-lo, de beijá-lo, de apertá-lo (por vezes até demais, temos sempre que ficar de olho!), de conversar com ele, de estar junto dele. Vira  e mexe você fala: "eu amo meu irmao", "nuninho, eu te adoro", "eu tô tao feliz de ter um irmao!",  "eu fiquei muito feliz que o nuno nasceu", e fica eufórico quando pode pegá-lo no colo.

Até agora, uma única vez você soltou um: "Mamãe, eu não quero mais ter neném!" Nuno devia ter uns quinze dias, eu estava com você no banheiro e não entendi direito... Perguntei: "Você não quer mais SER neném?" E você: "Eu não quero mais TER neném!" Puxei conversa: "Ah, é? E porque filho?" A resposta estava na ponta da língua: "ah, mamãe, ele não sabe falar, não sabe comer, não sabe fazer nada..." Continuei a conversa dizendo que neném era assim mesmo, que você também já tinha sido assim, e que logo ele iria começar a aprender muitas coisas, que a gente ia ter que ensinar... Desde então, você ficou todo animado, querendo ver em cada gesto do Nuno um novo aprendizado: se ele faz algum som, você se empolga - "ele tá falando comigo"; se ele mexe o bracinho e  toca em você ou em algum brinquedo, ele está te fazendo carinho (ou te batendo, rá!) ou tentando pegar o brinquedo; se você põe algo na mão dele e ele agarra, você se anima dizendo que ele está aprendendo a segurar... E quando ele começou a sorrir, então! Cada movimento de boca do Nuno é um sorriso para você... e quem sabe não é, mesmo?


Nós temos tentado garantir seu espaço, nossos momentos só com você, nossos tempos de brincadeiras, de histórias, de passeios, mas, inevitavelmente, está tudo bem diferente de como era há até um mês e meio atrás, e você sabe disso, você sente isso, nós sentimos também. E se isso pode ser sentido como uma perda, outros ganhos já se deram e muitos ainda estão por vir, pode ter certeza. Vai ter ciúme, vai ter briga, ô se vai. Mas ter um irmão é bom demais, você vai ver. Só que isso  já é assunto pra outra carta.

A gente te ama muito, filho, e estamos muito felizes em ver sua transformação em "irmão mais velho". Aos poucos eu vou contando pra você desse processo, pra que você possa saber como foi, quando ficar mais velho (porque eu mesma não lembro nadinha de como foi ganhar uma e depois outra irmã, e a vovó também já esqueceu de quase tudo...), pois acho que esse será um momento decisivo na constituição de sua personalidade. Palpite de mãe.


Beijo grande,

mamãe

segunda-feira, 27 de junho de 2011

1 MÊS DE NUNO! (DA SÉRIE: NOSSA NOVA REALIDADE)

Pois é, Nuno já completou um mês!! Quase um mês e meio, pra ser mais precisa. Um período intenso, de muitas novidades, transformações... ao mesmo tempo em que parece que foi uma eternidade, devido à quantidade de emoções e situações vivenciadas, também passou tãoooo rápido.....


Foi um mês de adaptação total de todos nós, afinal, nossa familinha está tomando uma nova configuração! A transformação mais intensa certamente foi vivida por Caio, que deixou de ser filho único pra virar irmão mais velho, mas eu e Dani também passamos a ser pais de dois e, novamente, de um recém-nascido! Todas as rotinas, os esquemas, os acordos, os horários, as prioridades  construídas arduamente ao longo desses 3 anos como pais precisaram ser revistas (ainda estão sendo!) para nos ajustarmos a essa nova (deliciosa e trabalhosa) realidade familiar.

Nos primeiros quinze dias contamos (novamente) com a ajuda inestimável da minha mãe, a super vovó. Só que dessa vez foi bem diferente de quando ela veio nos ajudar após o nascimento do Caio. Se daquela vez a prioridade era nos apoiar com a casa, a comida, as roupinhas (e cuidar de mim!!), dessa vez a prioridade foi o Caio, nos ajudar a dar atenção a ele, a fazer sua adaptação ser mais suave. Claro que ela também deu uma super força com a comida e a louça (e dá-lhe louça), além de ajudar a dar um trato na casa quando a ajudante não vinha, mas essa não era a prioridade. Outra diferença é que, da primeira vez, ela ficou um mês ou até mais conosco (inclusive porque eu estava em processo de troca de ajudante em casa) e, dessa vez, por já ter uma ajudante "pau-pereira" e por já sermos pais de segunda, quinze dias foram suficientes pra ajudar a reequilibrar a rotina. 

Além da minha mãe, então, contei com nossa ajudante que vem 2 vezes por semana e que também teve que se reorganizar pra nos ajudar na nova rotina, agora com muito mais roupas sujas... No começo, não deu pra ela continuar preparando a comida (e aí entrou a super vovó), mas agora a faxina está um pouco mais geralzona, priorizamos sempre a lavagem das roupas do Nuno e do Caio, e ela vai dando conta do recado. A ideia é nos estruturarmos pra ter a ajuda dela 3 vezes por semana em breve, o que seria bem bom.

Dani ficou uns 10 dias de licença (apesar de ser autônomo), curtindo a chegada do filhote, cozinhando e lavando muita louça, montando seu novo aquário, bebemorando bastante, e se injuriando porque quase ninguém vem visitar nas primeiras semanas (concordo com ele, já até fiz um post mental sobre isso, e se der qualquer hora o transformo em um post real! #blogueiradoida). Dani é pai pra toda obra: primeiros banhos, fraldas com mecônio-graxa-plus, fraldas da madrugada... é tudo com ele. Dessa vez ele se liberou rapidinho das fraldas da madruga (com o Caio a funça foi, em geral, TODA dele) porque Caio tem acordado de madrugada (pois é), e ele vai atender o pequeno. Além disso, ele assumiu o Caio pela manhã, levar e buscar na escola e tals (agora já tenho ido algumas vezes novamente, é uma boa desculpa pra sair de casa um poquito, rá!), além de tooodas as compras pra casa. Mas a gente sempre quer mais, né? Tô sempre no pé dele: faz isso, faz aquilo, você esqueceu isso, você não me dá atenção, vai brincar com seu filho..... (calo de mãe, conhece? chaaaaaaaata...).

 

Caio viveu esse período tão intensamente como nós, ou até mais. Além de ter assistido ao final do parto, ajudado a dar o primeiro banho, enfim, curtido os primeiros momentos do Nuno bem de perto, ele passou todos os primeiros quinze dias após o parto em casa, sem ir pra escolinha. Na verdade,  no meio desse período, foi apenas um dia, pra matar a saudade dos amigos e contar a novidade, mas depois não quis ir e aproveitamos pra curtir muito todos juntos (até porque a vovó estava aqui pra ajudar). Assim que ela foi embora, fomos retomando a rotina do pequeno, que voltou pra escola sem crises (ele estava até com saudade). Antes de ir ele sempre quer ver o irmão, dar beijo, e quando volta, a primeira coisa que ele pergunta é: cadê o Nuninho? Meu menininho se transformou MUITO nesse período, e quero registrar um pouco dessa transformação toda num próximo post.

Depois que minha mãe foi embora, Dani voltou à rotina de trabalho aos poucos, e Caio voltou pra escolinha, eu, muitas vezes, me senti muito sozinha durante o dia, ficando em casa só com o Nuno, na maior friaca (não dava nem pra dar uma saidinha no quintal). A Dani e a Carol falaram disso, e realmente é um período muito solitário (apesar de estarmos com o bebê). Conversamos e Dani se organizou pra trabalhar pelo menos 2 tardes por semana em casa. Foi ótimo. Além disso, com o Nuno um pouco maiorzinho, começamos a sair uns dias pra almoçar, fomos jantar fora um dia, enfim, pude espairecer um pouquinho (conto mais de mim também num próximo post). 

E o Nuno? Ele é bem sossegado. Quem conheceu o Caio pequenininho não acreditava que isso pudesse acontecer (e, pra falar a verdade, nem eu), mas parece que ele vai ser um bebê ainda mais tranquilo que o irmão! Mama super bem e só chora se estiver com fome ou com gases (marditos!). Dorme picadinho de dia, é verdade, mas de madrugada acorda só  uma vez pra mamar (fico cansadona, claro, mas me policio pra não ficar reclamando: mil vezes um bebê acordado de dia que de noite...). Adora dormir numa festinha (eba!), e já fomos a três eventos sociais (rá!): um casamento no campo, uma festa junina numa chácara e o chá de bebê da minha irmã (logo mais serei titia!).  Também  já fomos passear numas pracinhas e até num teatrinho no Sesc acompanhando o irmão. E semana passada fomos pela primeira vez na roda de mães organizada pela nossa parteira. Tá baladeiro esse bebê!!


Essa é uma grande diferença que eu tenho percebido do segundo filho: a vida continua, a rotina com o filho mais velho não pode ser simplesmente congelada, não dá pra entrar de cabeça na "fusão emocional" (Laura Gutman podia escrever mais sobre isso, seria lindo). Mas isso é assunto pra outro post. 

E viva o sling que me permite blogar com o Nuno nanando no aconchego do meu colo!!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

HISTORINHAS PRA MÃE DORMIR... MENOS NOIADA



Hoje, em um momento de prosa só nossa, aquele patati patatá de mãe e filho, Caio começou a me contar umas historinhas, misturando referências reais e imaginárias, que, além de me divertirem muito, me ensinaram um pouco mais sobre a incrível capacidade dos pequenos de elaborarem os aprendizados, as vivências, e também as influências e estímulos (nem sempre positivos) que o mundo lhes oferece o tempo todo.

Essas historinhas, que vou tentar registrar aqui do jeito que der pra lembrar, acalmaram um pouco minhas angústias recentes sobre as primeiras pressões de consumo que começaram a atingir o Caio desde o fim das férias e, principalmente, após o retorno da escolinha, com a profusão de mochilas, tênis, camisetas e etecétereas que ele passou a ver - e, de certo modo, desejar, ainda que inconscientemente. Isso é assunto que venho matutando nos últimos tempos, e as reflexões de mães como a Taís, a Carol, a Paloma e a Lia têm me ajudado bastante.

Mas, vamos às historinhas:

Era uma vez, o Ben 10. O Ben 10 e o homem aranha. Ele ajudou o homem aranha a fazer uma teia. Daí....... eles foram viajar! Pra beeeem longe. E encontraram a capoeira e o berimbau. Aí, o Ben 10 começou a tocar berimbau, mas ele tocava de regional.

(...)

Vou contar outra mamãe, vou contar outra. Era uma vez, um homem aranha. Ele foi passear na floresta, e encontrou, sabe quem? Sabe quem, mamãe? O tamanduá! O tamanduá e o lobo, mas o lobo era pequenininho. Era amigo do tamanduá. E todos brincaram na floresta.


Não é demais, ver como referências tão diferentes se misturam de um jeito todo especial? Como elementos que parecem estar em universos opostos se combinam e ganham um sentido novo, próprio de cada criança? Fiquei maravilhada, e acho que não é coisa de mãe coruja, é??? Rá!


domingo, 30 de janeiro de 2011

DESFRALDE DO CAIO (direto do túnel do tempo)


Esses dias tenho lido vários posts de mães que estão desfraldando meninos (e meninas também - a Carol fez uma divertida compliação aqui). Estive meio sem tempo de comentar, mas queria tentar ajudar contando a experiência do Caio, porque na época foi fundamental ler sobre as experiências de outras mães. Então, como eu não tinha feito nenhum post sobre isso aqui no blog (e tinha dois começados no rascunho), resolvi tentar recuperar esse processo (com a ajuda do super papai, porque não registrei direito e não me recordava de tudo), para trocar experiências com vocês (e também pra me ajudar quando chegar a hora do próximo, rá!).

Caio tem 2 anos e 9 meses, e desfraldou completamente de dia em abril do ano passado (logo que completou 2 anos), e de noite uns seis meses depois, se não me engano. Devo dizer que foi um processo bem particular (e todos são, né não?), e que não pretendo dar "dicas" ou dizer que o que funcionou pra ele funciona pra qualquer um. A idéia é mesmo registrar e compartilhar nossa experiência.

Vamos aos fatos (quem já me conhece sabe que, quando pego pra escrever, a coisa sai looonga... quem se interessar pelo post, please, paciência comigo! Respira fundo e vai):

# o início do processo:

Caio começou a dar alguns dos famosos "sinais" de que estaria perto do desfralde já por volta de novembro de 2009, quando tinha 1 ano e 7 meses, mais ou menos. Começamos a perceber que a fralda já estava incomodando, ele começou a avisar depois que fazia xixi e cocô, e começou a se isolar quando ia fazer o número 2.

Conversamos com a pediatra, e ela nos tranquilizou MUITO: disse que cada criança tinha um tempo, e que entre 18 e 48 meses é o período considerado "normal" para uma criança desfraldar (existem alguns estudos que indicam o limite de 36 meses). Ou seja, tínhamos muuuuito tempo, não era preciso pressa. Boa notícia.

Outra coisa que eu achei bem legal da parte dela, e que foi MUITO ÚTIL no desfralde do Caio, foi desmistificar aquela idéia bastante difundida de que "uma vez começado o desfralde, os pais não deveriam retroceder". Ela nos disse que a criança dessa idade passa por muitos altos e baixos, saltos de desenvolvimento e fases de retrocesso, e que o desfralde deveria acompanhar esses momentos: sentiu que dá pra avançar, avança; a criança resistiu ao processo, retrocedeu em relação ao que já tinha conquistado, NÃO TENHA MEDO DE VOLTAR ATRÁS. Foi bem aliviador não ter essa pressão.

Ela sugeriu que começássemos a deixar ele mais peladinho em casa, para ir tendo mais contato com o próprio corpo e com o xixi, e indicou que comprássemos um peniquinho pra ele ir se familiarizando com o "objeto estranho". E, nesse ponto, foi categórica: na opinião dela, os pequenos (meninas e meninos) devem ser introduzidos ao penico mesmo, SENTADOS, para garantir o apoio dos pés, que era muito importante no processo de controle da evacuação. Se a opção fosse pela privada, ela indicou que arrumássemos algo para fazer esse apoio, principalmente quando chegasse a hora do cocô.

Munidos de toda essa "segurança", resolvemos dar os primeiros passos, bem devagar, em direção ao desfralde. Compramos um peniquinho colorido, explicamos pra ele o que era aquilo, pra que servia, que era dele e coisa e tal. O penico passou a ficar ao lado da nossa privada no banheiro, sempre à vista, mesmo que ainda não fosse utilizado: no começo, era apenas uma brincadeira sentar no penico quando o papai ou a mamãe estavam lá. De todo modo, já era um começo, e ajudava bastante ele ter um amiguinho mais velho que já estava usando o peniquinho.

Aproveitamos as férias de dezembro pra deixar ele bem à vontade em casa, procurando ao máximo ficar no quintal (não preciso nem falar porquê, né?), perguntando sempre se ele queria fazer xixi, o estimulando a nos avisar quando estivesse com vontade de fazer xixi/cocô, sem muita crise se rolasse um xixi em cada cômodo da casa (nesse momento eu só procurava evitar deixar ele sem fralda no sofá ou na cama, porque era certeza que seria "carimbado"). NUNCA DEMOS BRONCA SE FIZESSE XIXI OU COCÔ PELA CASA, apenas reforçávamos que ali não era o lugar, que agora ele tinha o peniquinho dele e tals.

Mesmo a gente perguntando e estimulando, inicialmente ele NÃO FAZIA XIXI NO PENICO: até sentava de vez em quando, mas não fazia ali. E, na maioria das vezes, avisava quando já tinha feito, ou enquanto produzia "a obra". Mas a gente sempre levava ele ao banheiro pra limpar depois que fazia pelas pernas em algum lugar da casa, e passamos a chamá-lo também para jogar o cocô na privada e "falar tchau" e, aos poucos, ele foi associando o xixi e o cocô ao banheiro, a ponto de várias vezes fazer dentro do box, por exemplo. E, sem medo de ser feliz, a gente também levava o penico pra tudo quanto é canto da casa, pra tentar estimular: quer fazer xixi vendo o Júlio? quer fazer xixi no quintal? quer fazer xixi no escritório? E lá ia o penico pela casa afora. Mas, ainda assim, não rolava.

Nessa época apelei para golpes baixos truques interessantes que tinha visto blogs afora ou com outras amigas, como oferecer adesivos pra cada xixi/cocô no trono, levar uns livrinhos pra ler no banheiro, recortar figuras e colocar no fundo do penico pra estimular (tipo colocar uma imagem de uma flor e falar: "vamos regar a florzinha", ou "vamos dar banho no elefantinho", e por aí afora), MAS NADA FUNCIONOU. A família resolveu apoiar nossa causa e, no Natal, de surpresa, Caio ganhou da vovó paterna um super penico, que tocava música, virava redutor de assento e até banquinho de apoio. No início, pensamos até em trocar o presente, pois já tínhamos um penico e achamos que era um pouco "over" demais. Depois, o super penico nos ganhou, pois percebemos que ele seria 1001 utilidades. Mas nem esse truque funcionou de primeira, Caio curtia saber que o penico tocava musiquinha, mas nem pensar em fazê-la tocar com seu xixi ou cocô.

Ok, ok, tínhamos janeiro todo pela frente, nada de desanimar. Afinal, tinha sido apenas o primeiro mês.

# as primeiras conquistas:

Em janeiro, as coisas começaram a melhorar. Os dois posts que comecei e deixei no rascunho são desse período, em que ele começou a se orgulhar dos xixis e cocôs que fazia (na fralda, na cueca, no chão do banheiro ou do box, em geral...), passou a ter cada vez mais vontade de ficar sem fralda, nos pedindo para tirá-las, e descobriu maravilhado que o xixi saía pela frente e o cocô pelo bumbum. Começou a ter algum controle do momento de fazer xixi, e começamos brincadeiras como "regar a plantinha no quintal" e coisas assim. Não dá pra negar que eram avanços. Mas, até então, continuava a recusa em usar os penicos, apesar do orgulho que ele tinha dos ditos cujos, que viraram meio que "brinquedinhos".

Eis que, na segunda semana de janeiro, ele vai passar suas primeiras "mini-férias" na casa da vovó materna, e o penico mais mequetrefe vai junto, em definitivo. E não é que o danado resolve fazer O PRIMEIRO XIXI NO PENICO LONGE DE MIM!!! Rá! Paciência de vó não têm preço, e dá resultado. Uns quatro dias depois, já em casa, fez o primeiro xixi no penico comigo (esse eu registrei no rascunho do blog, exatamente no dia 11/01/2010). Quase morri de emoção, mãe é bicho besta, né!

E durante todo o mês de janeiro fomos deixando a coisa rolar, naquele esquema pra-cada-xixi-no-penico-vários-no-chão. Mas o penico passou a ter sua utilidade, e o fato de tocar musiquinha ao final da obra funcionou bem. Mas, ainda assim não fomos rígidos: em casa ficava sem fralda, íamos sair de carro, viajar, ir a um restaurante, fralda nele.

Nessa época minha sogra e minha mãe vieram passar alguns dias em casa para que pudéssemos trabalhar, e mantiveram o mesmo ritmo vai-não-vai do desfralde. Mas, no tempo dele, ele começou a conseguir avisar algumas vezes antes de fazer as obras, o penico começou a ter seu uso, e começamos a economizar algumas fraldas, thanks god.

Mas eis que janeiro acabou, e Caio iniciaria numa nova escolinha - provisória, até sair a vaga dele na creche da faculdade. E eu sabia que essa mudança toda não combinava com desfralde... Mas fui na fé dos conselhos da pediatra, e funcionou.

# avanços, retrocessos e os finalmentes

Na nova escolinha, a indicação foi esperar um pouco para mandar ele sem fralda, já que seria todo um processo de adaptação, que não combinava muito com desfralde. Assim, ele ia de fralda pra escola, e logo que chegava em casa tirávamos. Eu realmente ignorei a também famosa regrinha "se tirou em casa, tem que tirar na escola também, pra não confundir": expliquei pra ele a situação, e fomos levando assim, até sentirmos, junto com as professoras, que daria pra tentar deixar ele um pouco sem fralda na escola também. E assim foi. Lá, ele ficava bastante no parquinho, e tinha um banheiro acoplado à sala de aula, o que facilitou as coisas. Mas não foi uma coisa super disciplinada, a gente sentia o clima em casa e elas toparam fazer o mesmo na escola. Se não rolava muito bem, fralda nele.

Aqui, cabe um parênteses: Caio, desde que foi introduzido ao maravilhoso mundo dos alimentos, nunca foi um exímio produtor de cocô. Isso, de certa forma, facilitou um pouco o processo. Inclusive porque, como ele foi ficando incomodado com a fralda, começamos a perceber que ele fazia mais cocô quando estava sem a dita, o que foi um estímulo a mais no processo, um indicativo de que estávamos no caminho certo.

Nesse momento, finalmente o penico musical passou a fazer muito sucesso, pra compensar o alto investimento da vovó!!

Tudo muito bom, tudo muito bem, desfralde gradativo funcionando (sou adepta dos processos "gradativos", como foi também o desmame) mas aí tivemos mudança de casa e nova mudança de escola no início de abril (quando consegui a vaga na escolinha da universidade): e o desfralde no meio disso tudo?

A nova escolinha tinha algumas regras e teorias para o desfralde, com foco em uma proposta de desfralde mais coletivo - só que, como ele entrou numa turma mais nova que ele, isso só começaroa no segundo semestre... Fiquei um pouco agoniada, falei com a diretora que não daria pra esperar até lá, e ela se demonstrou bem aberta ao diálogo, mas combinamos que inicialmente o Caio iria de fralda para lá, até que ele se acostumasse ao novo ambiente, às novas professoras e elas a ele. Assim, de certa forma RETROCEDEMOS, já que Caio já estava passando a maior parte do tempo sem fralda, e voltou a ficar quase dois períodos do dia de fralda, ficando sem ela apenas no relativamente pouco tempo que passava em casa durante a semana, e full time nos finais de semana.

Minha estratégia foi conversar muuuuito com o filhote, explicar tudinho que estava acontecendo, valorizar bastante o período que ele ficava em casa sem fraldas, e incentivá-lo a avisar quando estivesse com vontade de fazer xixi ou cocô, mesmo que estivesse de fralda na escola.

Levamos um tempo assim até que, na primeira oportunidade, em um feriado prolongado, RESOLVEMOS DESFRALDAR DE VEZ, arriscando deixar todo o tempo sem fraldas, não importava onde estivéssemos e o que fôssemos fazer. Foi sucesso total, o moleque já estava mais que pronto (já estava quase caindo de maduro) e resolvi conversar na escolinha.

No primeiro dia útil pós-desfralde-instituído, levei Caio para a escola ainda de fralda, e fui conversar novamente com a diretora e com uma das professoras: disse como o processo vinha acontecendo, contei toda essa história de forma resumidinha, disse que no feriado ele tinha desfraldado completamente e que eu gostaria que ele ficasse sem fraldas na escola também. Apesar delas desconfiarem um pouco que aquilo daria certo, conversamos bastante e, como uma das "regrinhas" era "uma vez desfraldado, sempre desfraldado" e "tem que ser o mesmo processo em casa e na escola", a partir de agora ele ficaria sem fraldas lá também: e eu deveria enviar 9 MUDAS DE ROUPAS POR DIA (tive que correr pra uma loja, rá!). Caio nunca usou nem 3 lá, pois o desfralde tinha sido realmente um processo: tudo ocorreu às mil maravilhas, as educadoras foram super bacanas e, no fim da história, na escola, Caio virou o "desfralde mais rápido do oeste". Rá!

Desfraldando também na escola, ele parou de fazer a soneca da tarde de fralda lá, e eu tirei em casa também. Foi a última fralda do dia a sair. E foi o começo do estímulo pro desfralde noturno, mas isso já é uma outra história, que ninguém me aguenta mais, né? Vale dizer apenas que, mesmo desfraldado e usando o peniquinho super bem, vários xixis ainda escaparam perna afora, sem maiores traumas.

Espero que nossa experiência ajude vocês de alguma forma... e força na peruca pra quem está nessa fase!!!


sábado, 20 de novembro de 2010

TRAVESSURA E POESIA NO COTIDIANO


Duas historinhas de felicidade simples desta semana...

A TRAVESSURA


Fomos ao shopping, eu e Caio, comprar um presente pro papai. Coisa rara, raríssima, esse tipo de passeio aqui em casa. Combinei que iríamos comer, comprar o presente e só depois brincar nos carrinhos daquela infernal "brinquedolândia" ou sei lá qual o nome. Caio foi um fofo, apesar do primeiro impulso de disparar correndo em direção aos carrinhos, se comportou super bem, comeu, esperou pacientemente eu escolher o presente. Passou reto pelo papai noel: ele tem medo do velhinho e ponto, não há balinha que o convença (thanks god). E, finalmente, chegamos ao parquinho high tech.

Das outras poucas vezes que estivemos lá, ele sentava nos carrinhos e ficava se divertindo com a direção, eu não gastava um tostão. Numa última vez, com o pai, ele quis ir em um brinquedo que precisava pagar, mas estávamos de passagem, e o dissuadimos. Então, nesse dia, resolvi liberar: adquiri um cartão e coloquei créditos suficientes para 3 brinquedos (moderna a coisa, nem acreditei!).

Primeiro ele quis ir numa espécie de carrossel de carrinhos. Foi, curtiu, deu tchauzinho e logo ficou com medinho: o negócio girava muito rápido! Resmungou, a menina parou o brinquedo e, muito gentil, disse que ele poderia ir em outro sem pagar, me mostrou a piscina de bolinhas (que eu nem sabia que tinha). Caio não quis ir, preferiu o pula-pula, mas desde que eu entrasse com ele. Fiquei sentada numa plataforma ao lado da camona elástica, enquanto ele ia perdendo o medo de pular. Ele gostou tanto que quis ficar por três sessões, o que equivaleria a todo o crédito que nós tínhamos. Mas outra mocinha, também muito gentil, me cobrou apenas duas, dada a alegria do moleque.

Demos uma passadinha no bibi que ele tanto curte (e que é de graça) e consegui tirá-lo daquele espaço de fazer doidinhos. Parei numa vitrine para dar uma olhada, e ele descobriu, nos fundos da tal brinquedolândia, a piscina de bolinhas, e quis porque quis voltar. Pois voltamos, com a condição de que em seguida iríamos embora. Afinal, eu ainda tinha um crédito.

Quando fui tirar o sapato dele, a mocinha falou: pode entrar para colocar ele na piscina, você fica ali do lado. Maravilha, já que o Caio não gosta muito de ficar brincando sozinho e eu poderia ficar do lado de fora interagindo com ele. Mas, uma vez lá dentro, ele começou: "vem tá, mamãe, enta ati!, vem bintá tomigo!" E eu: "a mamãe não pode filho, sou muito grandona". Ele já tinha até se convencido, quando a mocinha falou: "Pode entrar com ele!"

Não acreditei: "Posso???" Ela confirmou. Não tive dúvidas, tirei o sapato e mergulhei, barrigão e tudo, na piscina de bolinhas!! Gente, era um sonho antigo, pensei que nunca ia realizar!!! Rá!! Caio quase pirou, né, brincar na piscina de bolinhas com a mamãe? Bom demais pra ser verdade! Ficamos um bom tempo ali nos esbaldando, mergulhando, nos jogando pra trás, jogando bolinhas pra cima, pura terapia anti-stress!!! Saí de lá livre-leve-solta, feliz da vida, e o filhote também. Uma bela compensação por aturar aquela barulheira eletrônica toda. E uma travessura pra ficar na memória.


POESIA



Caio entrou numa fase muito muito legal: agora que já domina suficientemente bem os códigos da linguagem falada, começou a articular idéias, criar histórias, inventar mundos. Está apenas começando, mas é maravilhoso, eu me encanto a cada dia. Como ontem, na pracinha onde fomos após a escolinha. Estávamos andando em direção à banca de revistas, de mãos dadas, quando ele me solta essa:

- Mamãe, olha, eu tô no mai!

E a mamãe, com toda sua adultice, não entendeu de cara: - No mar, filho???

- É, mamãe, no mai! Eu tô pulando a ondinhas!!!

Aí caiu minha ficha: a calçada era "estilo copacabana", grandes ondas de mosaico português. Caí na gargalhada, entrei na brincadeira com ele, e imaginei que Burle Marx ficaria orgulhoso do meu filhote. Mas não mais que eu. Rá!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

DESMAMAMOS


2 anos, 4 meses e 9 dias de mamá!

Agora posso dizer que sim, desmamamos, eu e Caio, Caio e eu. No próximo domingo completamos um mês sem mamar, UAU. Já vínhamos nesse movimento há algum tempo, tanto de minha parte, quanto da dele, mas sem regras, sem papos-cabeças, sem marcos definitivos, sem pontos finais. Outras coisas foram ficando mais interessantes que algumas mamadas, para ele. Para mim, em alguns momentos já não me agradava mais dar de mamar. Fomos encontrando nosso novo ritmo, com alguns tropeços, mas sempre tentando respeitar a vontade de ambos. Em alguns dias, isso foi tranquilo para os dois. Em outros, eu ou ele sentíamos mais as mudanças, reclamávamos um pouquinho, mas nos acostumávamos ao novo ritmo. Por várias vezes chorei quando ele não pediu pra mamar. Em outras, fui eu quem não quis dar, por não estar com paciência, ou com vontade, e o bichinho não se conformava. Seria mentira dizer que foi tudo um mar de rosas, ele e eu deixando de ter vontade ao mesmo tempo, na mesma sintonia. Tivemos nossos altos e baixos, e aprendemos juntos com isso, tenho certeza.

Achei que a mamada noturna fosse ser a última a desaparecer, mas não, a da manhã era a mais curtida por nós dois, e foi a que ficou. Era nosso momentinho de ficar juntinhos na cama, espichar o sono um pouco mais, mandar o papai pro outro quarto... E essa foi ficando, ficando, ficando... até o pequeno começar a acordar mais agitado, querendo brincar. Ou acordar faminto, e querer logo bater um cafezão da manhã mais sólido que o mamá. Aí, passava alguns dias sem lembrar do mamá, até que, numa noitezinha mais carente, pedia pra mamar antes de dormir. Ou então, no meio de uma tarde folgada de férias, se pendurava gostoso no mamá para fazer uma soneca. Eu achava isso o maior barato, “ele não desencana mesmo do mamá”, e matava minha curiosidade perguntando pra ele: “tá gostoso o mamá filho? Tem leitinho ainda?” E ele me olhava maroto, com olhinhos de puro prazer, e falava “tá dotoso, mamãe, o seu leitinho” e me mostrava o leite saindo do bico, como quem diz, “que pergunta é essa, mãe, claro que tem leite aqui!”.

Em alguns momentos tive minhas crises de mãe-sem-rotina: “ai, será que não devo tirar de uma vez?” “Será que não estou confundindo o menino, deixando ele mamar quando quer, em horários variados?” Em outros, a inquisição alheia quase me afetava (embora ela tenha rareado muuuito quando, por um lado, as pessoas próximas perceberam que não poderiam interferir nesse nosso processo, e, por outro, as mamadas foram se tornando momentos cada vez mais íntimos, cada vez menos visíveis aos olhos externos): “Nossa, é só você chegar que ele fica tão manhoso, é porque você ainda tá dando de mamar, né?” “Credo, que grude que ele está em você hoje, você deu mamá, foi isso?” Mesmo o papai já estava, há um bom tempo, em franca campanha pelo desmame (ele até havia meio que colocado um prazo “aceitável” até os 2 anos...). Mas – ainda bem – a boa e velha intuição e o gosto pela coisa me fizeram levar a amamentação no nosso tempo, mantendo minha crença no desmame como um processo. E assim foi.

Desde o fim do ano passado, começamos a passar alguns momentos separados, e eu sempre achava que eles iriam ser um ponto final brusco na nossa amamentação. Isso me angustiava a cada separação. Mas não foi assim que aconteceu, tanto por ele – que sempre que me via novamente pedia para mamar, às vezes instantaneamente, às vezes depois de horas ou até dias –, quanto por mim – que defini que só deixaria de dar de mamar quando ele parasse de pedir e, portanto, sempre que ele pedia, eu dava. E assim foi até um mês atrás, quando, depois de um bom período sem mamar, Caio ficou doentinho e voltou a mamar como há muito tempo não fazia, de duas a três vezes por dia. Mas, tão logo melhorou, simplesmente desencanou do dito cujo, e nunca mais pediu. Simples assim. Como eu queria que fosse.

Não que a fixação dele pelo mamá tenha diminuído, mas mudou de forma. Ele adora me ver de peito de fora, vem logo pedindo para “bincá com o mamá” ou para “dá bejinho no mamazinho da mamãe”. Ou então, nos momentos em que anteriormente ele pediria mamá, ele vem pro meu colo e se aninha entre meus peitos, aconchegado, chegando muitas vezes a dormir assim, encaixadinho. Delícia pura, uma nova fase na nossa relação, tão gostosa quanto era a da amamentação. Uma fase que, de certa forma, eu esperava muito, sempre tive muita vontade de saber como seria nosa relação sem a “mediação” do mamá, pois nosso processo de amamentação sempre foi muito intenso, nós dois curtimos demais, então não havia mamãe sem mamá. E hoje há, e está sendo muito muito muito bom também. O fim de um ciclo, um encerramento à altura para uma história de amamamentação que, por muitos e muitos fatores (e graças a muitas e muitas pessoas) foi um sucesso, em todos os sentidos. E que merecia esse relatinho meio dramalhusco, pra fazer juz à intensidade com que foi vivenciado. E viva o mamá!! E viva a mamãe"!!

PS. Continuo sem internet em casa......................... snif.................mas espero estar de volta em breve.........



terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PEQUENO TIRADOR


Muita coisa acontecendo de uma vez, Caio se transformando a cada dia, e eu aqui, vivendo a vida, dedicando pouco tempo para escrever, narrar, documentar. Mas nada de desculpinha esfarrapada, a verdade é que por esses tempos esse será o ritmo do blog mesmo. Então, vocês já sabem, tá ali no perfil, tenho fases como a lua, fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Quem quiser gostar de mim, eu sou assim... Rá!

Mas vamos ao que interessa: o Caio, claro. Tanta coisa em tão pouco tempo, queria ter conseguido registrar tudo aqui. O moleque tá figura. Desde que engoliu a pílula falante, o pequeno tá se achando. Tira com todo mundo.

Primeiro foi com meu pai. Os dois no jardim da casa dos meus pais. Vovô resolve fazer graça:
- Caio, olha o piu-piu!
- Pobinha (pombinha), vovô! (com cara de bravo, corrigindo meu pai)
Vovô fica passado.

No outro dia, o vovô começa a cantar a música preferida do momento para o netinho, que solta essa:
- Ah, não, vovô! Vovô não sabe!
Close no vovô com cara de tacho.

Eu sou o alvo preferido. Esses dias ele ficou meio doentinho e praticamente parou de comer almoço e janta. A mamãe tentando manter a calma e a paciência, tentando de tudo pra ele comer pelo menos um pouquinho.
- Quer isso, quer aquilo, quer aquilo outro?
E ele, com cara de "pára de me encher o saco, mãe", me manda essa:
- Taio (Caio) não té (quer) nada, mamãe. Não té nada.
E ponto.

Agora ele deu pra querer ser independente (nos momentos em que resolve desgrudar de mim... rá!). Eu estimulo: Caio já sabe fazer tal coisa sozinho! ou Agora o Caio vai aprender a fazer tal coisa sozinho! E assim vamos. Daí que resolvi ensinar o danado a descer da cadeirinha do carro sozinho (mais ou menos, viu, gente, aquele sozinho pra ele se achar, mesmo). Ele adorou, e vira e mexe quer descer sozinho (umas mil vezes seguida, vocês sabem como é, né?). E eu sempre fico naquela de querer ajudar, mas hoje levei ferro:
- Tai (sai) mamãe, não axuta (ajuda)! Télo (quero) sozinho.
Posso com isso???

E, pra finalizar, a tirada-mór, e nem precisou de palavras: logo de manhã, eu, cansadona, tomando meu café ainda de pijama. Lá vem ele, todo alegrinho, como se viesse me fazer um carinho (ele anda muuuuito carinhoso, delícia total). Vem com a mãozinha em direção a mim, e... "aaaaaaaaaaaai, filho!!!!". Apertou com gosto uma camada adiposa mais saliente daquilo que um dia foi sua primeira casa, e riu com a cara mais malandra que conseguiu fazer, como se dissesse: "mamãe, olha isso, coisa feia, vai se cuidar." M-O-R-R-I. Só não fui direto pra academia porque estou muito sem grana, mas o apertão pegou fundo. Eu tô lascada com esse menininho tirador.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

AS BIRRAS E OS AVESTRUZES



A primeira birra em público a gente nunca esquece. Pelo menos até vir a segunda, né não gente? Passei por isso há pouco tempo e digamos que foi inesquecível, para não usar adjetivos de baixo calão neste fofo blog de mãe. Enfim, vamos aos fatos.

Estávamos em Campinas e aproveitei para levar o filhote em um parquinho bem bacana (e suuuuper fino, diga-se de passagem) que fica perto da casa da minha sogra. Chegamos, Caio pirou na areia e nos brinquedinhos de todas as crianças ali presentes, mas ficou um pouco impactado com o brinquedão de última geração que une balanços, escorregadores, túneis, escadas e mais mil e uma atividades, que para falar a verdade nem eu saquei bem como funcionavam. Tudo ia bem, todos socializando brinquedinhos, mães, avós, tias e babás naquela interação compulsória, enfim, nada que não aconteça em parquinhos do mundo todo por séculos e séculos amém. Até que uma garotinha chegou em um super carrinho com direção hidráulica e câmbio automático, o sonho de consumo do Caio. Ele ficou vidrado. Foi que nem zumbi em direção ao tal carrinho, mas com jeitinho consegui demovê-lo da idéia fixa de entrar no "bibi".

Até aí tudo ótimo, brincamos mais um pouco, comeu frutinha, bebeu água, jogou bola, se acabou no balanço. Mas eis que chega outro coleguinha causando no parquinho, agora numa super baby-bike (que para falar a verdade eu nem sabia que existia): todas as crianças (TO-DAS, juro!) foram em direção à tal bicicletinha, feito moscas na lâmpada, e ficaram paradas olhando a dita cuja. Até que a babá do baby biker liberou geral: 'ai gente, deixa elas montarem um pouquinho, senão vão ficar com vontade'. Foi a senha para todas se divertirem na bike, e estenderem a liberação também para o carrinho: Caio nem se ligou muito na bicicleta, foi direto no carrinho, mas uma menininha mais rápida já estava se jogando lá dentro, quase de ponta cabeça. Ajudei a pobrezinha, Caio ficou indignado, mas até que se controlou, pulando para dentro do carrinho apenas quando a pequena saiu de lá. Daí, foi só alegria, buzina daqui, gira a chavinha de lá, e eu só me preparando para o que me esperava: sabia que não ia ser fácil tirá-lo dali, já que os "bibis" são a obsessão do momento do meu pequeno ariano. E assim foi até que uma garotinha entrou na "fila", e iniciei o movimento retirada: "filho, já tá bom, né, a amiguinha quer brincar". E ele: "Não". "Filhote, vamos brincar de outra coisa, já ficou bastante aí". "Não té", e resmunga, com cara feia. Decido exercer meu papel com mais convicção:"Caio, esse carrinho não é seu, e tem outra amiguinha querendo brincar, vamos sair". E o retiro de lá.

Aí começa o show. Choro, contorcionismo, se joga para cá, se joga para lá. Tentei colocá-lo no chão e foi pior, voltou para o colo. Minha vontade era enfiar a cabeça na areia, feito avestruz, e só sair quando ele paresse de chorar. Mas, como isso não é permitido às mães humanas, tive que enfrentar a situação que nem gente grande: antes que a tensão me dominasse, me concentro nele, esqueço de todas as mães-tias-avós-babás que estão nos assistindo e começo a andar com ele no colo pelo parquinho, tentando conversar calmamente. Só que os chiliques prosseguiam, até aumentavam. Fui até o outro canto do parquinho, já pensando que teria que ir embora dali com ele aos berros, mas de repente me veio uma luz e no meio do caos fui capaz de lembrar das preciosas dicas da Flávia e da Letícia, pensei rápido e busquei algo para distraí-lo: em poucos segundos estávamos sentados brincando de enterrar e encontrar uma linda flor roxa que estava caída na areia, e Caio aos poucos foi se esquecendo do tal "bibi". Logo estávamos rindo juntos de novo. Com ele mais calmo, convidei-o para balançar, e tudo voltou ao normal. Na hora de sair do balanço mais uma breve ceninha, agora por conta do soninho que chegava, mas rapidamente contornada.

Apesar de ter ficado feliz comigo mesma por ter dado conta da situação de uma forma bacana e relativamente rápida, sem chegar a extremos como elevar a voz, deixá-lo sozinho fazendo a birra ou retirá-lo aos berros do parquinho, a situação me deixou meio mal, um pouco por ver meu pequeno agindo daquela forma, um pouco por me perceber inconscientemente tensa por estar em público, um pouco por não saber exatamente ainda como lidar com a situação. Acabei dizendo mais de uma vez para o Caio que não tinha gostado da atitude dele, mas depois, refletindo um pouco, e lendo esse post da Flávia, que eu gostei demais, percebi que não adianta ficar remoendo a situação, que o melhor teria sido, talvez, depois de cessada a birra, compartilhar com ele do sentimento de frustração que ele experimentou, aproveitando a ocasião para ensiná-lo a lidar com ele. Ok, ninguém é perfeito, muito menos numa primeira vez (como em tudo na vida, né): acho até que nos saímos bem, e eu nem precisei virar avestruz...


Imagem retirada daqui.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

SOBREVIVENDO À SEPARAÇÃO E AO EGO MATERNO


Demorou, mas voltei. É que, além dos sentimentos terem sido intensos nesta primeira separação do Caio, nosso reencontro foi ainda mais intenso, o feriadão foi muito bem aproveitado, o grude foi (está sendo) grande, e o tempo para escrever no blog (e ler os blogs que adoro) bem escasso...

Mas no fim deu tudo super certo. Algumas de vocês acompanharam os mini-relatos do papai sobre os dois primeiros dias nos comments do post anterior, e por ali deu pra sacar que a separação fluiu tranquila do lado de lá... E do lado de cá??? Não sei bem dizer, acho que estou processando ainda... Rá! Mas vamos a algumas elaborações despretensiosas:


1. o mito do choro incontrolável ou trocada por um danoninho

Eu jurava que o Caio ia abrir um berreiro incontrolável quando percebesse, na primeira noite, que a mamãe (o mamá) não estava em casa. Tá. Se teve alguém que caiu em choro incontrolável já na saída para a viagem, esse alguém foi a mamãe que vos fala (tudo bem que HOUVE motivos complementares além da "angústia da separação"... mas são de fóro mais íntimo do que me permito revelar neste blog, hoho, vocês vão ficar curiosos...). O Caio até deu uma choradinha quando nos despedimos, mas logo a criatividade da vovó transformou lágrimas em risadas e diversão. E, na primeira noite, quando acordou chorando e esfomeado (já que não teve mamá - peito - e ele não quis o tetê - copinho com leite - antes de dormir), e, novamente, não quis o tetê, a vovó tentou primeiro um mingau, e, sendo este veementemente recusado, ela apelou para um golpe baixo (e infalível): "quer um danoninho, então, Caio?". Para o meu desgosto (ou deveria ser alegria??), ele comeu o danoninho, deitou na cama e dormiu feito um anjinho até às 7 da manhã do dia seguinte. Enquanto isso, eu, a cada telefonema de manhã e de noite para saber das notícias, não resistia a dar uma choradinha...

2. o medo de traumatizar ou ego de mãe é um inferno

Outro ponto que eu tinha medo era de "traumatizar" o pequeno com minha ausência, tamanha era a minha certeza que ele não ia aguentar 3 dias e 3 noites longe da mamãe (e do mamá). Quá. Todos os dias, duas vezes por dia, minha mãe era obrigada a me responder (ainda bem que ela é mãe também, né, senão ia me mandar praquela parte...): "ele tá super bem filha. Tá brincando bastante, tá comendo super bem, tá dormindo fácil. Tá tudo ótimo aqui." E eu meio que duvidava - "ela deve estar falando isso só para me tranquilizar", teimava meu ego materno insuportável - e insistia: "mas ele tá alegre? não tá chorando? e na escolinha, tá ficando bem?". E a vovó respondia tudo de novo, naquela paciência que só as mães têm... O fato é que ele ficou muito bem MESMO: obviamente, em alguns momentos ele lembrava de mim (e isso não é o ego dizendo, não, a vovó e o papai que falaram, viu!), me chamava, resmungava um pouquinho (principalmente antes de dormir ou se acordava de madrugada), mas bastava vovó ou papai explicarem que a mamãe estava viajando, mas ia voltar logo, que ele respondia "tá bom", virava pro lado e dormia. Devo dizer que achei isso bárbaro (de verdade), porque sou daquelas mães que acreditam que criança entende tudo, e que dá pra conversar e explicar coisas até mesmo para um bebezinho de colo (já falei sobre isso várias vezes aqui no blog, como nesse post sobre quando o Caio começou a andar). Eu conversei muuuuuuuito com o Caio antes de ir, explicando que ia viajar, porque essa viagem era importante para mim, que ele ia ficar com o papai e a vovó e que logo a mamãe estaria de volta, e eles também fizeram muito isso enquanto eu estava fora. E parece que funcionou.

3. a ilusão de "liberdade" ou do porquê não caí na esbórnia

Me disseram que era para eu aproveitar a viagem, que eu ia me sentir tão "livre", "voltar a ser eu mesma" e coisas do tipo... Pensei: bom, acho que depois que eu estiver lá, a coisa não tiver mais volta, vou relaxar e curtir (lembrando que eu estava indo a um CONGRESSO, e não a uma colônia de férias...). Não rolou. Fiquei o tempo todo com a estranha sensação de estar "faltando algo" (lembrem-se que eu ainda amamento, que meu peito, mesmo murchinho, ainda bota inveja em muita mimosa, e que, portanto, ele me lembrava duas vezes ao dia que era hora do Caio estar mamando e que eu devia me recolher ao toalete para fazer a ordenha... muuuuu...). Fiquei meio passadinha mesmo, não podia ver uma criancinha na frente que parecia tia babona. Além disso, minha vontade era aproveitar todo tempo possível para dormir tranquila, simples assim. Some-se a isso tudo, um certo 'cdfismo' de achar que já que tinha ido sem ele, eu precisava fazer valer a participação no congresso: dá-lhe grupos de trabalho, mesas redondas, fóruns... (e olha que não acompanhei todo o congresso, viu!). Nesse ponto foi ótimo, estava com vontade de voltar à ativa na produção acadêmica. Mas, para não ficar parecendo uma boboca aos olhos do filhote quando ele for adolescente, ler esse post, e falar "ai mãe, como você era careta!", dou o braço a pau ma tória (quem não viu o ótimo post da Flá de hoje, corre lá para dar gargalhadas!!): tomei váááárias cervejinhas, e até me animei a ir no "baile da bibliografia" e ver os mais renomados cientistas sociais do país dançando ao som de "você não vale nada mas eu gosto de você". Ok. Mas a melhor parte foi voltar a pé, sozinha, com uma latinha na mão (relembrando meus velhos tempos de vida universitária) e apagar a luz do quarto antes da 1 da manhã, feliz da vida que no dia seguinte iria reencontrar meu pitoquinho.

4. o medo do desmame radical ou "mamãe, você não me conhece?"

Isso foi o maior furo da história: não sei como eu pude imaginar que corria o risco do Caio desmamar com a viagem. Apesar dele ter ficado super bem sem o mamá, lembrado poucas vezes e dormido tranquilamente com historinhas da vovó e do papai, esses três dias não foram suficientes para ele descurtir o dito cujo. Eu vim a viagem de volta toda me preparando psicologicamente, me convencendo que não ofereceria o mamá se ele não pedisse, mas não teve outra: nem dez minutos depois da minha chegada, ele já foi metendo a mão na minha blusa e dizendo com o sorriso mais contente do mundo no rosto: "mamá, té mamá!". E eu dei, claro, feliz da vida. Acontece que o bichinho agora deu pra compensar os dias que fiquei fora, e tá num grude com esse mamá que nem eu tô aguentando... esse é mamífero MESMO, não dá pra negar. Se depender dele, o desmame vai ser só quando entrar na faculdade... (piadinha velha essa, hein!).


Gracinhas à parte, foi tudo bem mais tranquilo do que me aterrorizava minha ansiedade de mãe durante meses antes da viagem. Foi super importante pra mim ter ido, foi bacana pro papai e pro Caio terem essa experiência de uns dias sem o controle da mamãe por perto, o saldo final foi positivo: estávamos mesmo prontos para esse acontecimento, acho que só por isso deu tão certo.

Para falar a verdade, acho que essa viagem me proporcionou o segundo momento mais emocionante da minha vida (depois do nascimento do Caio): reencontrar o pequeno depois dessa primeira separação foi sensacional. Assim que cheguei em casa desandei a chorar feito boba, ele começou a gargalhar de felicidade, ficamos nos abraçando, nos cheirando, nos enroscando, nos beijando, até ele pedir o mamá. Foi bom demais (mesmo porque eu estava crente que ele ia me ignorar quando eu voltasse, já que vira e mexe quando passo mais tempo longe durante o dia ele faz isso). E, sabe do que mais? Nossa relação mudou completamente depois dessa viagem. Pode parecer piegas, mas é a real: estamos muito mais ligados, para além do mamá, que era uma coisa que eu ansiava há tempos e achava que só rolaria quando ele desmasse. Tá uma delícia: ele tá numa fase ótima, super companheirinho, super interativo, curtimos horrores o feriado... enfim, estamos no maior love love love.


O que mais posso dizer... não valeu a pena tanta angústia, podia ter sido tudo bem mais leve, mas o que fazer se sou dramática? Maridão que me aguente (e vocês que lêem esse bloguinho também)!!


[utilidade pública: foi ótimo ler, semanas antes da minha viagem, esse bem humorado post da Roberta, do Piscar de Olhos, sobre sua primeira separação do filhote também por conta de uma viagem profissional; e foi aliviador ler esse post da Mari assim que voltei de viagem, para sacar como vamos aprendendo a curtir também os momentos sem os pequenos... Dois posts divertidos e inspiradores, valem muito a leitura.]

[E, nunca é demais repetir, um super obrigada meu, do papai e do Caio à super vovó, que ela merece!!!]

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

IDENTIDADE


Caio está aprendendo a falar o próprio nome, começa a se reconhecer no espelho (antes era apenas "nenê") e a distinguir-se e a outras pessoas em fotos também. Está em plena descoberta do seu "eu"... (bonito isso, hein!)

Há algum tempo, ele já vinha passado o dia todo nos diferenciando - mamãiiii, papaiiii, bobó, bobô, titiiia, titiiio -, mesmo que não estejam todos por aqui, como que para exercitar. Depois, começou a falar um por um (em bebenês, mas tá valendo) os nomes dos amiguinhos do Jatobá. E agora, quando perguntamos sobre o nome dele, diz, bonitinho: "Taiôôô!" Ainda não fala espontaneamente, como todos os outros nomes, mas está aprendendo. E nosso cordão vai se rompendo cada vez mais, no tempo dele.

Então, pra ninguém achar que tô inventando (mãe tem dessas, né!), filmei uma das primeiras vezes que ele falou o próprio nome por livre e espontânea pressão (rá!), registrando para a posteridade esse momento tão importante na vida do meu pequeno... Babem:





terça-feira, 15 de setembro de 2009

FASE DA INÉRCIA


Não, não sou eu que estou nesta fase, embora o blog tenha ficado um poquito abandonado nos últimos dias. É o Caio. Alguém já ouviu falar dessa fase? Se não, acabei de batizar.

Se está no colo, não quer ir para o chão brincar. E berra. Se está no chão brincando, não quer ir para o cadeirão papar. E berra. Se está no cadeirão, não quer descer. E berra. Se desceu, não quer ir para o colo do papai. E berra. Se está no colo do papai, não quer ir para o colo da mamãe. E berra. Se está no colo da mamãe, não quer sentar na cadeirinha do carro. E berra.

E assim vai. O dia todo. Passar de um estado de atividade a outro tem sido sempre motivo de reclamação: se está no quintal não quer entrar, se está no banho não quer sair, se está mamando não quer parar... Dura pouco, ok, logo ele curte a nova atividade e se entrega de corpo e alma. Mas até sair da inércia... afe, que sufoco!

Será que tem a ver com afirmação de identidade, coisa e tal, como a história de falar "não" e "não té", que já contei aqui? Ou será que meu pequeno ariano, filho de pai e mãe tinhosos, vai ser um bebê-adolescente, uma criança-adolescente, e por aí afora, mantendo sempre ativo seu "espírito de contradição", como diz o poeminha da Ruth Rocha??? Será que eu aguento??? Será, será, será...

[ou, pode ser, ainda - e sempre - os fatídicos dentes... os quatro molares vieram de uma vez... e parece que os caninos já estão preparando terreno... pobres dentes, sempre levam a culpa das chatices do pequeno, mas é que ele é tão sossegado, tão risonho, que quando entra nessas "fases", fico logo procurando justificativa... rá! e estamos já há uns quinze dias nesse "espírito de contradição", embora hoje aparentemente ele tenha voltado ao seu estado normal... vejamos o que me reservam os próximos dias...]

E para finalizar, o poeminha da Ruth, típico da relação pais e filhos em todas as idades!

Eu disse: - Sim!
Você disse: - Não!
Eu disse: - Pé!
Você disse: - Mão!
Eu disse: - Biscoito!
Você disse: - Pão!
Eu disse: - José!
Você disse: - João!
Eu disse: - Sim!
Você disse: - Não!

Eu acho bom
Você acha ruim
Eu acho bonito
Você acha "o fim"...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

CRIANÇAS E TV: QUAL O LIMITE?


"Canais especiais para bebês? O que virá depois?..."
"Benvindo à TV ÚTERO!"



Sábado passado, pela primeira vez, Caio pediu pra assistir TV: ficou apontando para o aparelho, falando qualquer coisa que eu não entendia direito (acho que ele falava "cacó", querendo dizer "cocoricó") e eu perguntei: você quer assistir filho? E ele: "té assiti". Hã!?!?!?!?!?!?

Recobrada do espanto (afinal, ele não juntava palavras nem pedia para assistir TV até outro dia...), liguei na Cultura, estava passando um desenho bonitinho, de uma família de insetos (não sei o nome, ainda não adentrei completamente o mundo televisivo infantil...) e, pela primeira vez ele assistiu mesmo, bem mais do que o de costume: ficou deitadinho do meu lado, assistindo e 'comentando' em 'bebenês' tudo que se passava no desenho, não parou de tagarelar um minuto! Isso durou uns dez minutos, no máximo. Logo ele se desinteressou da TV e partiu para suas brincadeiras habituais, com bola, carrinhos, fantoches, livrinhos, e em seguida foi para o quintal, brincar com a cachorra e detonar mexer nos meus vasinhos de suculentas...

Resolvi escrever sobre isso aqui, porque foi uma novidade que me marcou bastante, afinal, ele não tinha se interessado muito pela TV até agora (exceto pelo seu fascínio com os controles da dita cuja!), e eu ficava me perguntando em que momento isso aconteceria. De fato, nós nunca o estimulamos a assistir TV (e, inclusive, evitamos conscientemente durante seu primeiro ano): ele ganhou o primeiro dvd do Cocoricó de um casal de amigos no aniversário de 1 ano, e depois ganhou, de outra amiga nossa, um volume do dvd Bebê Mais. Algumas vezes até colocamos para ele assistir, mas ele simplesmente não demonstrava grande interesse, e a gente desligava e ia brincar de outra coisa.

Não que sejamos radicais em relação ao uso da TV; eu mesma já tive minhas fases noveleiras (a última se foi - thanks god - com o término de 'A Favorita'), o Dani curte bem aqueles programas insuportáveis e barulhentos de futebol, e ambos gostamos de ver um seriadozinho aqui outro ali, além de sermos viciados em filmes (e, já que ir ao cinema virou programa raro, o dvd tem resolvido muito bem nosso problema).

Mas, em relação ao Caio, concordávamos que quanto mais tarde ele fosse "introduzido" a essa maquininha simultanamente podre e fascinante, tanto melhor, já que havia tantas outras coisas no mundo, tão ou mais bacanas - mas certamente mais saudáveis - para um bebê menor de 1 ano fazer na sua vidinha que estava apenas começando. Então, simplesmente evitamos, não estimulamos. E ele também não demonstrava interesse, até agora. Claro que algumas vezes colocamos desenhinhos para ele assistir, para ver sua reação; na casa de amiguinhos, também tentamos deixá-lo com as crianças que assistiam; houve até uma fatídica vez, em que, no auge do meu desespero maternal (alguém conhece essa sensação, hein, hein???), coloquei o cadeirão na frente da TV para ver se ele comia alguma coisa (pronto-falei... mas foi só uma, eu juro! pelo menos até agora... rá!): mas ele sempre dispersava, até ficava uns minutinhos encantado, mas logo virava abóbora e mudava de assunto.

Confesso que achava bom. Ele tem tanto tempo pela frente, ainda, para descobrir a TV e tudo de bom e de ruim que ela pode trazer... não há por que apressar. Não acho legal usar a TV de "babá", deixando as crianças horas a fio sob o comando do aparelho - eventualmente, e por pouco tempo, vá lá, pode ser realmente necessário (como registrou a Flá, aqui), para dar um tempinho para as mamis respirarem ou exercerem 'funções domésticas' inadiáveis, desde que seja um programinha escolhido a dedo, e não qualquer porcaria, simplesmente para matar o tempo.

Temos vários amigos (e também li algumas mães blogueiras falando sobre isso, como a Paloma, mãe da Ciça) que optaram por não deixar as crianças, até certa idade, assistirem TV, mas apenas dvds com alguns desenhos e programas mais bacanas, fugindo, dessa forma, da invasiva e abusiva publicidade destinada ao público infantil. Uma outra amiga (aê Ju, meu exemplo!!), que tem um filhote hoje com 7 anos, sempre limitou a quantidade de TV diária que ele assistia, e isso passou a incluir, mais recentemente, o uso do computador - ela e o pai definiam horários mais adequados e uma quantidade limite de TV que o pequeno podia assistir ao longo do dia e, dessa forma, foram construindo nele, também, um entendimento e uma responsabilidade com suas atitudes: às vezes ele pedia para trocar um horário pelo outro, pois sabia que ia passar algo que ele gostaria de assistir mais tarde, ou trocava o horário que ele poderia ver TV por mais um tempinho no computador. Não sei como isso está agora, com o filho na pré-pré adolescência (rá!), mas até bem pouco tempo atrás parecia funcionar, e bem.

Acho que não há uma fórmula, e cabe a cada família encontrar a melhor forma de lidar com a - praticamente inevitável - presença da TV em nossas vidas e de nossos filhos (até um mestre de capoeira que admiro muito, que pratica o rastafarismo e radicalizava na proibição do contato de suas crianças com a TV, se viu obrigado a render-se a ela quando seus filhos passaram a frequentar a escola...). O desafio é encontrar o limite, a medida para evitar a super-exposição dos filhotes a apelos consumistas e mensagens duvidosas (e muitas vezes ideológicas, sim!) que podem estar presentes em certos canais e programas destinados ao público infantil.

Essa minha reflexão talvez seja um pouco precoce - meu filho não tem nem 1 ano e meio - mas foi inevitável: fiquei pensando em tudo isso desde o momento em que o pequeno pronunciou a terceira ou quarta expressão de sentido de sua vida, aquele "té assisti" tão bonitinho e inocente. É isso que dá botar filho nesse mundão-de-meu-deus... agora aguenta!!!

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(e, mais uma vez, a Taís, do Ombudsmãe, que é mãe escolada de três meninões, contribuiu lindamente para minhas reflexões de aprendiz de mãe, com um post sobre as "Crianças eternamente plugadas" , publicado há dois dias atrás, seguido desse outro, fresquinho, com uma dica de filme sobre o assunto e afins. Recomendo.)

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imagem retirada desse post da Marcia, do blog Ser Mãe na América, em que ela comenta os resultados de uma pesquisa americana sobre a influência da TV no desenvolvimento de bebês.