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terça-feira, 19 de junho de 2012

EU PARI EM CASA: COM CONSCIÊNCIA E MUITA SEGURANÇA

Já está mais que difundida na net a mais nova (e grave) polêmica referente ao parto domiciliar, desencadeada a partir da reportagem no Fantástico e da absurda denúncia feita pelo CREMERJ contra o obstetra Jorge Kuhn. Mas não posso deixar de registrar aqui minha indignação e, também, reforçar minha opinião e minha experiência.

Como quem acompanha este blog sabe, tive dois partos domiciliares: ao primeiro, posso dizer que cheguei quase que por falta de escolha - as "opções" oferecidas então, onde vivo, pela medicina, eram um parto cheio de intervenções (e olhe lá) ou uma cesária, e ponto. Digo isso pois, na época, se houvesse a possibilidade de parir da forma como eu desejava em um hospital, talvez essa tivesse sido a nossa escolha, talvez eu nem descobrisse o parto domiciliar... Nunca saberei. Ao segundo, porque, depois de experimentar (toda a beleza e intensidade de) um parto domiciliar, apenas um risco verdadeiro - ou algum sentimento insondável e inconsciente - me levaria a parir em outro lugar. Mas isso não aconteceu, e meus dois filhos nasceram em casa, cercados não apenas de amor, aconchego e familiaridade mas, também, de muita segurança.

Porque, ao contrário do que muita gente pensa (e é nisso em que o CREMERJ se apoia, lastimavelmente), o parto domiciliar não é nenhuma aventura inconsequente, muito pelo contrário: o casal, ao invés de delegar a terceiros tudo o que diria respeito ao nascimento de seus filhos, tem de se informar, tem de buscar profissionais capacitados, tem de guardar dinheiro, tem de preparar todo o necessário para que o bebê seja recebido com todo o cuidado e segurança que merece (e, ainda que não sejam necessárias grandes adaptações à vida cotidiana de um lar, há que se pensar em coisas práticas como lençóis, toalhas, aquecimento, comidinhas, etc), para falar apenas de alguns aspectos mais "logísticos" que envolvem os preparativos concretos sob responsabilidade dos pais. E os profissionais que dão assistência ao parto domiciliar, além de serem extremamente capacitados em suas áreas (parteiras, doulas, médicas e médicos), são equipados com todo o necessário para acompanhar o trabalho de parto, avaliar continuamente seu andamento, monitorar as condições (físicas e, também emocionais - aí uma grande diferença) da gestante, do casal, do bebê e têm, de acordo com sua formação, com o histórico de acompanhamento das gestações e com as condicionantes dos locais onde atendem, seus limites de segurança, a partir dos quais as técnicas e tecnologias médico-hospitalares poderão se fazer necessárias. 

foto tirada por meu marido, após o parto do Nuno, para mostrar para o pai dele, que é médico...
(o equipamento não foi usado, mas estava lá)

Enfim, não é coisa de "bicho grilo" ou de pessoas "alternativas": é uma escolha extremamente consciente feita antes de mais nada pela mulher, preferencialmente em diálogo com seu companheiro e envolve decisões e balanços por vezes muito difíceis, doloridos até (como no meu caso, no primeiro parto, a decisão de não contar para as pessoas mais queridas que teríamos nosso filho em casa), justamente em função dos mitos e inverdades que cercam o tema do parto domiciliar no senso comum.

Nesse ponto, uma pausa pra indicar um dos posts mais explicativos e esclarecedores que já li sobre o tema, um "informe técnico" produzido pela querida Lia, que trata justamente de desmistificar o parto domiciliar, permitindo às pessoas se informarem sobre o assunto (lembrando que informação de qualidade é essencial para uma escolha efetivamente consciente). Recomendo também os artigos desmistificadores e cientificamente embasados da Dra Melania Amorim, disponíveis em diversos locais na net, mas alguns bem didáticos estão aqui e aqui.

Mas, como "técnico" é o termo que menos define um parto domiciliar, há muitos (muitos!!) outros fatores ligados à escolha do lar como local de parto, e aí sim, acima de tudo, trata-se de uma escolha: eu tenho amigas que desejam fortemente um parto natural, humanizado e digno, mas não gostariam de parir em casa, muitas vezes pelo simples motivo de que não se sentiriam confortáveis com a situação. Simples assim, como deveria ser se efetivamente houvesse o direito dessa escolha. 

Só que, infelizmente, o que deveria ser um direito continua sendo tratado como privilégio de algumas, como eu. E é a naturalização dessa falta de escolha, em meio à sociedade, que forma o solo sobre o qual posturas autoritárias como a do CREMERJ podem brotar. Mas, felizmente, existem muitas mulheres nadando contra essa corrente, e essa arbitrariedade acabou tendo o papel de "gota d´água": foi empolgante acompanhar, mesmo que tardiamente (já que estou meio "desconectada") a ágil mobilização de mães e mulheres de todo o Brasil, que culminou na que foi denominada "Marcha do Parto em Casa". A Marcha ganhou esse nome a partir do contexto que originou a mobilização, mas o que estava em jogo nas manifestações é muito mais do que o nome pode expressar: é o direito à escolha consciente, o que pressupõe informação (como bem disse a gravidíssima Dani: liberdade de escolha consciente e cientificamente fundamentada) e, acima de tudo, a viabilização concreta dessa escolha, que pressupõe uma transformação radical em termos de saúde pública, em última instância.

Bom, eu tô desconectada, mas não podia deixar de me manifestar aqui no meu espaço. Tô com pouco tempo pra grandes elaborações, mas fica registrada minha opinião e minha presença na Marcha aqui em São  Carlos, organizada por grupos e pessoas que vêm mudando a realidade dessa escolha por aqui:





Nós fomos! 
Fotos da Marcha em São Carlos, por João Moura
(extraídas do portal K3)

Recomendo, pra quem quiser saber mais sobre a Marcha, os dois belos posts da Ligia Sena, a Cientista que virou Mãe  e um post com alguns dados gerais sobre a Marcha e sua repercussão no país, no blog interiorano Mater - maternidade responsável e consciente. E ainda o belo vídeo, postado pela CáEntreNós produções:


E, para apoiar ainda mais a causa: PETIÇÃO PÚBLICA POR UM DEBATE CIENTIFICAMENTE FUNDAMENTADO SOBRE LOCAL DE PARTO - assine!!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O PRIMEIRO COMENTÁRIO MAL-EDUCADO (OU, MISOGINIA, AQUI, NÃO!)


Então chegou o dia do blog receber comentários mal-educados. Sempre vi as pessoas falando sobre isso blogosfera afora, mas ainda não tinha rolado por aqui. Opiniões contrárias, sim, mas sempre respeitosas e produtivas. Mas foi a primeira vez que um comentário descambou um post meu e, pior, esculhambou os comentários alheios.

Enfim, assim é a blogosfera (e a vida) - infelizmente. Mas não é sobre o comentário em si que eu queria falar (até porque prefiro dar crédito pra quem se dispõe a dialogar de forma inteligente), mas sobre a ideia que ele traz. Quem quiser ler o comentário, aqui.

Eu sabia que as ilustrações da Naoli poderiam ferir suscetibilidades. São explícitas, e isso é raro quando se trata de material voltado à crianças (e mesmo aos adultos). Eu confesso que também não gosto tanto das ilustrações, mas  não pelo conteúdo - que acho bárbaro - e sim pelo tipo de desenho, pela estética mesmo. Mas acho muito legal que o livro tenha sido escrito e ilustrado por uma parteira fantástica - Naoli Vinaver - e acho que ele tem esse grande mérito de falar abertamente às crianças, de tratar com naturalidade um assunto  solenemente ignorado na educação infantil.

O que me cutucou no comentário tem a ver com o atual momento, a explicitação do preconceito em torno da amamentação em público, a palhaçada do cqc, enfim, a triste maneira da sociedade em geral encarar o parto, a amamentação, a sexualidade feminina, o corpo da mulher, a mulher em si. Então a visão - ilustrada, vejam bem! - de uma vagina é algo  "sujo, imundo, nojento, asqueroso, muito malfeito, sem um pingo de beleza / aliás, nojentésimo, dá asco ver essa vagina peluda aí / falta de higiene total" ??? Alguém me belisca?

São perspectivas como essa que levam à formação de mulheres e homens desconectados de seus próprios corpos, que levam ao domínio da técnica sobre esses corpos e, tanto pior, à proliferação da misoginia. Discordo completamente da colega (será possível que seja uma mulher, mesmo??), e deixo o debate - desde que educado e sadio - aberto a quem possa interessar.

(Infelizmente não estou com muito tempo para blogar - por motivos óbvios - e fiquei na dúvida se deveria gastar meus preciosos minutos com tal comentário. Maridón inclusive sugeriu deixar passar batido, pois, pelo tom do comentário, poderia virar bate-boca e tals... Mas não aguentei. O blog é meu, e não tinha como deixar passar batido algo que vai contra tudo o que eu acredito. Não vou me aprofundar no assunto - até porque ele esteve bem em pauta nos últimos tempos, em textos excelentes blogosfera afora - mas faço questão de reforçar minha opinião como autora do blog: MISOGINIA, AQUI, NÃO!!!)


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

VIVA A DIVERSIDADE (MATERNA)

A Camila, blogueira inteligente do Mamãe tá ocupada, escreveu um post essa semana que foi como um desabafo com algo que ela (e pelo jeito muitas mães internautas) consideram uma espécie de "bullying" materno. Mães que estariam contra mães, querendo impôr suas verdades e humilhando e diminuindo aquelas que seguem caminhos diferentes.

Eu, sinceramente, nunca senti isso nesses 2 anos e pouco de blog, nem durante o período da gestação, quando participei de algumas listas de discussão. Mas devo dizer que não é a primeira vez que vejo outras mães falando sobre isso, e parece que, com o 'advento' (bonito isso, não) do twitter e do facebook, as discussões maternas têm se tornado mais acaloradas. Como estou por fora dessas mídias (pelo menos por enquanto), não sei bem o que rola por lá, mas já vi outras blogueiras (como a Mari, do Viciados em Colo) também questionando a abordagem de algumas mães tuiteiras.

É fato que os temas da maternidade, em especial o parto e a amamentação, rendem muitas discussões, não apenas entre mães, mas também entre profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos, etc). E isso, na minha opinião, é muito bom, pois novas pesquisas vão sendo feitas e debatidas, tabus vão sendo derrubados, outras práticas se tornam possíveis. Acho que o problema, como a Camila tentou apontar, é quando isso deixa de ser um debate saudável e vira um embate, com lados opostos que se atacam gratuitamente, sem procurar verdadeiramente dialogar. O conflito, na minha opinião, é saudável, enriquece a sociedade. O quebra-quebra aleatório, não.

A Camila parte do argumento de que hoje, com o excesso de informação proporcionada pela net, a maternidade teria virado um grande check list dos "TEM QUE": tem que fazer isso, tem que ter aquilo, tem que saber sobre aquilo outro. Ela cita itens desses "TEM QUE" como sendo parte de um "enxoval obrigatório" que estaria sendo imposto às mães em geral:

"Você TEM que amamentar no peito exclusivamente por 6, 8, 10 meses; você TEM que ter parto normal (humanizado?); você TEM que alimentar o seu filho apenas com alimentos orgânicos quando ele deixar de mamar no peito, você TEM que ouvir música clássica durante a gravidez; você TEM que manter o seu filho bem longe do açúcar até ele completar 2 anos; TEM que fazer muitas outras coisas, senão?? Senão o quê?"

Eu discordo da Camila em alguns aspectos, como comentei lá no post. E me animei a fazer esse post também, justamente porque concordo com ela no essencial do seu post: cada mãe e cada filho são únicos, e, portanto, cada forma de maternar também. E é justamente isso que faz, na minha opinião, a blogosfera e as trocas digitais entre mães valerem a pena, pois sempre temos algo a trocar, algo a aprender. Como eu falei lá no comment, e repito aqui: opiniões e experiências diferentes existem e sempre vão existir, a grande questão é: estamos dispostas a compartilhar, dialogar e respeitar as diferenças?

Vejamos meu caso, por exemplo: eu QUIS ter parto normal. Descobri as listas e sites sobre parto e me joguei de cabeça. Procurei uma médica com quem pudesse dialogar sobre isso aqui onde moro (foi difícil achar). Descobri as doulas, e, melhor, que havia uma na minha cidade. Em um ponto crucial da gestação, minha médica me afirmou o que eu já havia intuído: eu não conseguiria um parto como queria com a estrutura hospitalar da minha cidade. Propus irmos para uma cidade vizinha, mas ela não topou. Eu já conhecia o parto domiciliar, através dessas listas e sites, e ele passou a ser uma opção. Falei com pessoas que já tinham tido a experiência, conversei com médicos e enfermeiras que faziam o parto em casa, achei uma enfermeira obstetra aqui na minha cidade. E optei conscientemente e deliberadamente por este tipo de parto. Quanto à amamentação: até meu filho nascer, não sabia praticamente nada sobre o tema. Pensei tanto no parto, que deixei de pensar em outras coisas igualmente importantes da maternidade. Mas tive muito apoio, como já contei aqui. Optei, conscientemente e deliberadamente, pela livre demanda, inclusive com indicação da pediatra. Conheci o sling, e me apaixonei pela ideia, sem que ninguém me tivesse imposto. Optei por não dar mamadeira, chupeta, paninhos. Optei pela homeopatia. Optei....

Ou seja, eu busquei a informação que desejava, encontrei opções que se afinavam com meus valores e estilo de vida, e ESCOLHI, a partir de muita informação - claro! - o que EU achava melhor para mim, para meu filho, para minha família. Não fui pressionada a isso. As informações estão aí para isso, para nos guiar em nossas escolhas, em todos os aspectos da vida. Acontece que, na era digital, da mesma forma como se disponibiliza muita informação confiável, novas evidências científicas, experiências individuais e coletivas interessantes, existe também muita porcaria e muito fundamentalismo, e cabe a cada um selecionar o que ler, onde buscar informação, com quem se relacionar.

Eu, particularmente, gosto de conhecer as pessoas com quem dialogo e troco experiências, mesmo que digitalmente. Procuro saber mais sobre quem comenta no blog, sobre os seguidores, sobre os visitantes, e tenho feito boas amigas assim: nem todas compartilham dos mesmos valores e experiências que eu, mas estamos dispostas a dialogar e trocar experiências, e isso é o que importa. Acho que temos o poder de filtrar a informação e os relacionamentos "virtuais", e, dessa forma, não sermos atingidos por essa maré do "TEM QUE" que ela mencionou, e que ecoou em quase todos os comentários do post.

Assim como as várias mães com que me relaciono pessoalmente ou digitalmente, eu tenho sim minhas ideias, minhas opiniões sobre parto, sobre amamentação, sobre alimentação, sobre tudo que envolve a maternidade, porque somos mães pensantes, que nos preocupamos verdadeiramente com a criação dos filhos. Falamos sobre isso em nossos blogs, é inevitável. Ao expôr nossa opinião é que podemos dialogar, trocar experiências e nos enriquecer, e isso tem sido uma constante nesse meu curto tempo de blogosfera.

Há, obviamente, que se ter cuidado com a forma de expôr essas opiniões, na vida "digital" e na de carne-e-osso: essa semana mesmo, na natação do caio, surgiu um papo sobre parto entre as mães. Uma delas me perguntou se eu tinha tido parto normal, eu disse que sim, e ela disse que eu tinha "cara de parto normal"... Para mim isso é um elogio, mas, vejam bem se isso não é um pré-julgamento... Quando eu disse que tinha tido em casa, então, a moça disse que já imaginava, porque me achava bem "alternativa". Hein?? Por outro lado, uma outra mãe, que tinha tido cesárea por opção, mesmo estando em processo de dilatação, se interessou pelo meu parto, e eu pela escolha dela (apesar de discordar e deixar isso claro para ela), e tivemos um bom papo, super respeitoso e enriquecedor. Ou seja, tudo depende da disposição dos interlocutores, e nós temos o poder de ESCOLHER com quem queremos dialogar e trocar. Por isso eu não chamaria de bullying, porque nós, mães, adultas que somos, não somos obrigadas a conviver com alguém que supostamente nos humilha (os pequenos também não, mas o poder de percepção e decisão deles é bem mais limitado que o nosso): podemos simplesmente dar um fim na situação.

Sinceramente, o que mais me surpreendeu e me intrigou após ler o texto da Camila, é que, tanto o post quanto vários dos comentários mencionavam as cesáreas e as dificuldades com a amamentação - ou seja, as pessoas que tiveram essas experiências (seja por necessidade, por conveniência, por vontade, enfim, as motivações são diversas como são as pessoas) estão se sentindo "pressionadas" de alguma forma, muitas se sentiram inclusive "diminuídas", daí a Camila ter falado em Bullying. E isso é muito triste, muito cruel mesmo. Por outro lado, vi comentários lá que demonstraram que a apreensão da questão mais ampla que essa discussão toda traz nem sempre é compreendida: mães justamente JULGANDO E ACHINCALHANDO (estou inspirada, hein) quem opta por parto natural, por fralda de pano, por amamentação prolongada, por alimentação orgânica... Uma mãe (não vou citar nomes) falou até em um "novo método materno hippie"... Ou seja, não entenderam bem o que a Camila quis dizer, eu acho, demonstrando, como tão bem disse a super Lia no comentário do post (e de forma mais desenvolvida - e bem divertida - nesse post), que "sempre haverá alguém para dizer que é melhor que você, independente das escolhas que você faça".

Então, esse meu post, por um viés um pouco diferente da Camila, soma-se ao dela como um manifesto pela DIVERSIDADE MATERNA, pelo respeito às diferenças, pela liberdade de escolha (e liberdade pressupõe informação, não se engane) e, principalmente, pela liberdade de expressão e pela disposição ao diálogo e à troca de experiências entre as mães!

Beijo, abraço e aperto de mão, vou parando por aqui, pois o assunto dá o que falar e minha lombar já está doendo...

[EM TEMPO: Em uma incrível sintonia bloguística, eu e a Paloma falamos sobre o mesmo assunto, ao mesmo tempo!! O post dela, excelente, está AQUI. A Dani, outra blogueira "chegada", também já tinha falado sobre assunto parecido há um tempo atrás, AQUI.]



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SANGUENOZÓIO: ALGUM RETORNO??


Então, gentes, lembram do "movimento sanguenozóio", iniciado pela Mari? Pois bem: eu não tive NENHUM retorno dos parlamentares a quem enviei mensagens. Mas nem aquela respostinha clássica: "sua mensagem foi recebida, retornaremos assim que possível". Nada, nadica.

Nesse meio tempo, fiquei sabendo do Projeto de Lei do Senador Cristóvam Buarque, propondo o mesmo reajuste aos professores das redes públicas. Tem inclusive um abaixo-assinado ciculando na net, quem quiser assinar está aqui (eu assinei!).

Mas o melhor mesmo eu fiquei sabendo hoje, e foi o que me motivou a escrever novamente sobre o assunto aqui. É que recebi outro email da Erundina (rá!) sobre um Projeto de Lei incrível que ela apresentou à Câmara, propondo que qualquer ato legislativo referente aos salários e demais vencimentos dos parlamentares somente seja aprovado após passar por referendo popular. A-R-R-A-S-O-U.

Pra quem se interessar, aqui está a notícia na íntegra, e aqui o Projeto de Lei, cujo andamento a gente pode e deve acompanhar, pois vai de encontro à nossa indignação. E um salve às mulheres no poder! (pelo menos àquelas que nos honrarem...)


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SANGUENOZÓIO: NÃO AO REAJUSTE SALARIAL DOS PARLAMENTARES


Eu confesso. Quando vi o post da Mari nos convocando ao "Movimento Sanguenozóio" tive três reações contraditórias: achei legal, levando em conta o poder que já percebemos que temos através dessa blogosfera; achei inútil, numa postura meio desconfiada desse mesmo poder; fiquei com preguiça, numa postura totalmente acomodada, pensando que eu não teria tempo nesse fim de ano pra fazer nada sobre o assunto, e que também, mesmo que fizesse, não adiantaria nada.

Só que isso ficou me cutucando. Fui lendo outros posts aqui, ali e acolá, e pensei que tinha que me manifestar, por mim, pelo meu filho, pelas coisas em que acredito. Fui lá e assinei o abaixo-assinado. Mas ainda não me assosseguei.

Então recebi um email da Erundina. É, ela mesma: não sei porque raios recebo os informativos dela, mas quase sempre leio, e muitas vezes são bem interessantes. Atualmente não voto nela, mas já votei, e admiro muito seu histórico de atuação política. Nesse episódio, além de votar NÃO e repudiar publicamente o reajuste, ela teve uma atitude politicamente muito diferenciada: destacou o fato de que apenas o PSOL (que NÃO é o partido dela, vejam bem), enquanto partido, se posicionou contra a matéria, orientando TODOS os seus parlamentares a votarem CONTRA. Atitude raríssima - a dela e a do partido - em tempos de coligações espúrias e politicagens em causa própria.

Daí que hoje, em um ataque de insônia gravídico - assunto para outro post -, o sanguenozóio veio com força total. E aderi ao movimento das cumpanhêra.

Não estou muito inspirada, e tampouco terei muito tempo para importunar os parlamentares. Mas, além de redigir essas mal-traçadas linhas, fiz um emailzinho que vou encaminhar para os parlamentares do Sim.

"Senhor parlamentar,

como mãe, profissional autônoma, estudante de doutorado e, acima de tudo, cidadã que atua cotidianamente, em todas essas frentes, tanto na esfera privada quanto na pública, em busca de um mundo e de um país melhor, venho por meio deste manifestar minha indignação frente ao absurdo processo de aprovação de reajuste dos salários dos parlamentares, conduzido por vocês à revelia de todo um país. Essa manobra política, efetivada às pressas em meio ao clima "jingle bells" que predomina no país, está sendo repudiada por milhares de brasileiros e enfureceu também a nós, mulheres que batalhamos por uma maternidade ativa e desejamos que nossos filhos vivam em um mundo melhor, onde exemplos como esses dos senhores, de legislar em causa própria, sejam cada vez mais raros.
Imaginem só vocês, se todos aqueles profissionais merecedores de aumento, resolvessem agir como os senhores? Professores da rede pública, por exemplo, como propôs o senador Cristovam Buarque? Ou, quem sabe, todos os trabalhadores do país, cujos salários se guiam pelo mísero salário mínimo? O senhor já parou pra pensar como deve ser duro tocar a vida com um salário de R$ 510,00? Pois é, esses sim precisam de reajuste. Já parou pra pensar também naqueles que não têm salário, não têm emprego, não têm casa para morar, não têm assistência médica decente, não têm sequer comida? Será que todo esse dinheiro que vocês estão se declarando merecedores de receber, para além de tudo o que já recebem, não deveria ser investido em outras situações emergenciais, em direitos básicos dos quais muitos cidadãos estão privados, esses sim merecedores de aprovações de última hora?
Então, é isso: estamos de olho e fazendo pressão. Os "parlamentares do sim", como vocês já são conhecidos em todo país, estão na mira de manifestações nos mais diferentes setores. Assim como o meu caso, outras mães estão se manifestando em seus blogs, e a caixa de emails de vocês vai ficar lotada. Estamos aguardamos um posicionamento público dos senhores sobre essa barbaridade toda.

Atenciosamente,

Thaís Rosa"


Já postaram sobre o "movimento": Mari, Kah, Natália, Dani, Carol, Anne, Roberta e Renatinha.

Para assinar ao abaixo-assinado: AQUI.

Para se manifestar junto aos parlamentares: AQUI.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

AOS PAIS SEM NOÇÃO





Talvez vocês se assustem com o título e as imagens do post, mas é isso mesmo: hoje escrevo indignada com a falta de noção de alguns pais.

Fui ao cinema, neste fim de semana, assistir Tropa de Elite 2. O filme é bom, talvez ainda um pouco pesado pra uma grávida com emoções à flor da pele, como eu, mas não tem como não ser, ao tratar da complexa relação entre pobreza, violência e poder. Eu gostei.


Não vou dizer que foi fácil assistir ao filme, uma vez que, além de estar grávida, sou idealista, e trabalho justamente com pobreza e espaço urbano, ou seja, favelas, periferias e tudo o mais que elas representam (ou que nelas se estigmatizam). É sufocante assistir ao filme e ter a nítida sensação de que a solução está muito distante, se é que ela existe. Mas o pior não foi isso.


O pior foi assistir a todo o filme sabendo que, algumas fileiras à frente, uma criança bastante pequena também assistia a tudo aquilo. Isso sim foi uma tortura, durante toda a sessão. Meu marido viu a criança logo que chegamos, e comentou: "nossa, é uma criança ali, não é? Será que pode?" A criança estava acompanhada por três adultos. Fui me levantar para questionar os responsáveis pelo cinema, mas as luzes apagaram, e eu desisti.

A cada cena de violência, a cada tiro, a cada morte, eu procurava instintivamente a criança no escuro. A sensação angustiante do filme se multiplicava ao imaginar o que aquelas imagens estariam causando na cabeça - e nas emoções - daquele garotinho. Maridão tentava me consolar dizendo "pára de pensar nisso, Thaís, vai ver o menino até dormiu...". Pois é, porque além de tudo, a sessão era tarde, e o filme terminou mais de 10 da noite.

Mas não, o menino não tinha dormido. O filme acabou, e ele foi saindo de mãos dadas com o avô (imagino eu), seguidos da avó e do pai. Cruzei com eles na saída e não me contive: "Quantos anos ele tem?", ao que o avô respondeu, suposamente envergonhado: "3 anos... nem fala nada moça, já tô arrependido de ter trazido". Mas eu falo sim: "nossa, 3 anos! absurdo, né, porque esse filme é muito pesado! não é pra criança!" E ele, fugindo: "ai, nem fala, nem fala...".


Saí da sala e fui direto às responsáveis: "Vocês viram que tinha uma criança de 3 anos assistindo a este filme?" Elas, com caras de sonsa (e um pouco estupefatas pela minha reação), responderam: "A gente não pode fazer nada, ela tava acompanhada...". E eu, hormônios gravídicos a todo vapor: "Mas como assim, não tem censura de idade? Qual a classificação desse filme?" Elas: "Não tem censura, senhora, só classificação indicativa, que é de 16 anos para pessoas desacompanhadas. No caso, se estiver acompanhado dos pais ou responsáveis, não podemos barrar". Fiquei INDIGNADA, falei meia dúzia de impropérios pras moças e disse que queria um telefone de ouvidoria, para fazer uma reclamação formal. Elas, passadas, me deram um endereço de homepage, que seria o canal para o contato.


Dali, fui para o banheiro (aguentar um filme todo sem ir ao banheiro é tarefa ingrata para uma grávida) e lá desabei a chorar. Não somente pelo árduo do filme, mas por pensar naquela criança, e em tantas outras, VÍTIMAS DE PAIS E AVÓS SEM NOÇÃO. Porque, verdade seja dita, só adultos muito sem noção para levar uma criança para assistir um filme como esse, sem imaginar as consequências que isso pode ter. Eu mesma tive vários pesadelos aquela noite, que dirá essa criança.


E o pior é que isso vem se tornando corriqueiro. Não é difícil imaginar que, talvez, esse menino já tenha contato com violência significativa através de desenhos animados e jogos de videogame (outro absurdo, ao meu ver, tratado com naturalidade por PAIS SEM NOÇÃO: crianças pequenas, de 2 ou 3 anos, jogando videogame como se fosse a coisa mais inofensiva do universo).
Depois, ouvimos notícias de bullying, agressões gratuitas entre os jovens, violências físicas e simbólicas entre crianças cada vez menores, e a culpa vai para a escola, o professor, a TV, a propaganda. Mas não, a culpa é dos pais sem noção. Que são cada vez mais frequentes por aí, infelizmente.

[desculpem o tom agressivo do post, mas é mesmo um desabafo. e também uma tentativa de estabelecermos um diálogo franco sobre essas posturas que eu considero absurdas, concordem vocês ou não comigo]

quinta-feira, 25 de junho de 2009

DUAS DICAS... E ALGUMAS REFLEXÕES


: : 1

Bom... aqui vou eu falar de novo da minha "cabacice" na blogosfera (ok, sei que a palavra é estranha, talvez nem exista, e não condiz muito com um blog de mãe... mas é a que melhor define esse meu momento virtual). Não bastasse o tal do
bug, no mesmo dia fui convidada por uma agência de comunicação para conhecer uma linha de produtos da Johnson's e, caso gostasse, comentar sobre ela aqui no blog. Não foi a primeira proposta que recebi desde que virei "blogueira" (rá! tô me achando!), mas foi a primeira que propôs algum tipo de divulgação aqui. Por um lado (o do ego, hoho!), achei bacana, porque dá a sensação de que o blog tá agradando (seja lá a quem for). Por outro, entrei em uma mini-crise (prontofalei): será que eu quero abrir o blog para divulgação de produtos e marcas?

Antes de aceitar a proposta (muito simpática e feita com muito tato pela equipe da agência), resolvi dar uma sondada: além de assuntar com a
'cumádi' virtual fundadora da "confraria das mamas", que já tinha um pouco mais de experiência no assunto, entrei no site da linha de produtos em questão (Linha Hora do Sono - Johnson's Baby), para ver se tinha a ver comigo, com meu filhote, com o blog. Fui fisgada (e olha que não sou fácil): achei bem bacana o site, os produtos, a forma de apresentá-los e topei receber o kit em casa para conhecer mais de perto.

Daí, que o kit chegou - todo fofo -, eu estou testando os produtos, mas já posso dizer que gostei: Caio parou de chorar quando eu lavo a cabeça dele, o cheiro é uma delícia, o hidratante é suave na medida para fazer uma massaginha relaxante. E o Caio simplesmente AMOU o Dr. Carneiro, bonequinho promocional que veio junto com os produtos, e que é o mote do envio dos kits para algumas blogueiras como eu: a linha está com a "Promoção Hora do Sono" em São Paulo e Porto Alegre, através da qual é possível adquirir o gracioso carneirinho de pelúcia (quem quiser saber mais, passa
aqui).



Pois bem. Quando saquei que tinha gostado dos produtos, que o bonequinho era lindo e divertia o Caio, veio a dúvida: escrever ou não o post? Divulgar ou não um produto no blog? E, enquanto eu meditava sobre o assunto (é gente, eu sou assim, penso penso penso, não gosto de fazer coisas que fujam dos meus princípios... é o meu jeitinho... rá!), coincidência ou não,
um dos blogs que acompanho levantou uma discussão sobre a questão da publicidade nos blogs, e de lá fui chegando a outros e outros posts sobre o mesmo assunto, e reafirmei algo que já vinha confabulando comigo mesmo: esse blog é um espaço, entre vááárias coisas (como já falei aqui), para trocar experiências com outras mães sobre as dores e delícias da maternidade. E, no mundo real das mães e filhotes, usamos produtos de todo o tipo o tempo todo - uns agradam mais que outros, uns se comunicam melhor que os outros, uns atendem mais às nossas expectativas que outros, uns se preocupam mais com o meio ambiente do que outros... e por aí vai. Então, porque não compartilhar esse tipo de experiência também, desde que esteja dentro dos meus princípios, que eu realmente conheça o produto e, principalmente, QUEIRA dar a dica para outras mães? (porque meu blog NÃO vai virar cena de novela em que uma personagem fala casualmente para outra: nossa, que batom incrível! e a outra saca da bolsa uma caixinha do batom xdw - close na caixinha, onde se vê a marca -, e elas voltam a fazer a cena como se nada tivesse acontecido).

Então, nessa primeira parte do post, toda metalinguística, tem pra todo gosto: quem quiser, pode aproveitar a dica sobre os produtos da linha "Hora do Sono" e a "Promoção Hora do Sono", da Johnson's Baby, que são bem bacanas; quem quiser ir mais além, fica aqui uma breve reflexão sobre os blogs e a publicidade. E 'bora trocar mais dicas e figurinhas! (desde que realmente valham a pena!)

Em tempo: depois que recebi o kit, testei, gostei, aprovei e fiquei com vontade de fazer um sorteio dele aqui no blog. Até tentei conseguir mais um kit para isso (porque eu sou do tipo - chato? - de pessoa que só consegue indicar ou dar para alguém uma coisa que conheça e aprove, então, eu precisava primeiro receber o kit, ver o bichinho de pelúcia, usar os produtos...), mas não rolou. Nesse meio tempo, a Mari, que tá com tudo e não tá prosa, e mora em Paris, e não ia poder testar o kit, decidiu fazer um sorteio, o que resolveu meu problema: mulheres, corram que ainda dá tempo de participar, e vocês vão gostar!


: : 2

Agora que já "descabacei" (ooops... essa palavra existe, pega ainda mais mal que a outra em blog de mãe, mas agora já foi...), vamos à segunda dica, mais no estilo "consumidora ativa". O fato é o seguinte: eu ganhei pencas de fraldas no meu chá de bebê. Como eu não conhecia nada de fraldas até então, segui a dica de uma amiga que, seguindo a dica de outras amigas-mães que tinham feito chá de bebê e ganhado fraldas de marcas variadas e qualidades duvidosas, resolveu especificar uma marca de fralda que preferia ganhar. E pedimos (eu e ela) fraldas da marca Pampers (hoje, depois de virar mãe, não faria isso NUNCA JAMAIS EM TEMPO ALGUM - nem tanto pela marca, mas pelo desagradável da postura, mesmo). Ainda assim, ganhei fraldas de marcas diversas, mas as Pampers dominaram absolutas nos primeiros meses do Caio. E algumas delas (as G), só vieram a ser usadas agora, um ano após o tal do chá.

Daí, que o último pacote que eu abri, um daqueles pacotões intitulados hiper-extra-plus econômicos, começou a dar problema. Virava e mexia, depois de todo o trabalho para conseguir manter o Caio parado, limpar a bundinha dele e colocar a fralda no lugar, no momento em que íamos colar as fitas adesivas, as tiras laterais onde elas são presas rasgavam da fralda... e a gente praguejava contra a Pampers, e reiniciava todo o árduo processo (!) novamente. Depois que a quarta fralda rasgou (e outras fraldas já tinham apresentado um probleminha com o material absorvente), resolvi guardar um exemplar da fralda rasgada e congelar o uso do pacote. E entrei em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) da Pampers, através do
site da marca.

Escrevi uma mensagem contando o que tinha acontecido e, no dia seguinte, já tive um retorno bastante atencioso, solicitando mais alguns detalhes sobre o problema ocorrido, bem como alguns dados pessoais. Respondi e, novamente com bastante agilidade, uma funcionária do SAC me retornou, pedindo desculpas em nome da Pampers pelo ocorrido, explicando como funcionava o controle de qualidade da marca, e valorizando minha atitude de entrar em contato com eles, pois poderiam tentar identificar o problema com o produto. Um dos dados que eles me pediram foi o número de fraldas do pacote em questão que eu já tinha usado. Menos de uma semana depois, recebi em minha casa o mesmo número de fraldas, do mesmo tipo (Total Confort), mas na nova versão, que é beeeem melhor. Ponto para a Pampers.

Então, fica aqui mais uma dica: vale a pena botar a boca no trombone quando um produto não cumpre o que prometeu, ou não faz o que deveria fazer, ou estraga antes da hora. Já que vivemos em tempos de consumo (e atire a primeira pedra quem não sente prazer comprando algo que lhe agrada ou lhe vai ser útil), que seja ao menos um consumo ativo e crítico, porque de passividade o mundo tá cheio... (e, quem sabe um dia, eu me torne uma consumidora mais consciente e passe a usar
fraldas de pano... quem sabe...)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

GOLPE BAIXO



A mãe atravessou a rua com o filho de uns três anos [eu acho, porque até agora só sei identificar no olho a idade de bebês pequenos como o Caio...]. Ela já estava cansada de carregar o menino. Na outra esquina, um carro de polícia. A mãe não teve dúvidas e falou, fingindo afobação: "Filho, vai pro chão, desce do colo, que se a polícia ver [sic] você no colo eles levam a mamãe!" E foi colocando apressadamente no chão o filho, que a olhava visivelmente angustiado. Então, depois de dado o golpe, tentou amenizar: "Aproveita que você tá no chão e vai chutando sua bolinha até o carro, filho".

Fiquei chocada com a cena! Ok, a mãe estava cansada. Mas achei um absurdo ela recorrer a um golpe baixo desse para convencer uma criança. Eu acredito que com carinho, paciência e criatividade é possível estabelecer uma relação bem mais honesta com um filho. Mas sempre vai ter alguém pra me dizer que eu penso isso só porque meu filho ainda tem 9 meses, "espera ele crescer um pouquinho para você ver!" Sai pra lá urubu!!!

Imagem: http://www.gettyimages.com.br/