domingo, 20 de novembro de 2011
MOMENTOS HISTÓRICOS (e update do sorteio)
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
SMAM E O RELATO DE UMA MÃE-CANGURU
Então, além de dar o famoso golpe da reblogagem convidando a tod@s para fuçarem nas postagens da SMAM 2009 deste blog (que são dicas preciosas e mini-relatos de várias mães sobre amamentação, além de alguns compilados de blogs sobre o assunto) e no emocionante compilatório de histórias de amamentação organizado pela Flá, aproveitei a deixa e pedi pra minha querida irmã contar um pouco, em tempo real, sobre a experiência de amamentar um bebê prematuro, através do método mãe-canguru.
Muita gente não conhece o método (eu também sabia muito pouco sobre ele) e é comum termos notícias de que prematuros necessitam de complemento "para engordar". Então, penso que divulgar o método e a experiência que minha irmã está tendo pode ser muito útil para que outras mães de prematuros acreditem na sua capacidade de amamentar seus bebês! (Para quem quiser saber mais: aqui um artigo interessante sobre a importância do método na amamentação de prematuros; e aqui um vídeo bem didático sobre o método).
Quando meu marido e eu decidimos começar a planejar o nosso primeiro filho, descobri uma endometriose no meu único ovário (o outro havia sido retirado 10 anos antes) e os planos precisaram ser antecipados. Em menos de dois meses, a confirmação da gravidez.
| mãe canguru até na hora de dormir... |
| mamando até se lambuzar! |
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
VIVA A DIVERSIDADE (MATERNA)
Há, obviamente, que se ter cuidado com a forma de expôr essas opiniões, na vida "digital" e na de carne-e-osso: essa semana mesmo, na natação do caio, surgiu um papo sobre parto entre as mães. Uma delas me perguntou se eu tinha tido parto normal, eu disse que sim, e ela disse que eu tinha "cara de parto normal"... Para mim isso é um elogio, mas, vejam bem se isso não é um pré-julgamento... Quando eu disse que tinha tido em casa, então, a moça disse que já imaginava, porque me achava bem "alternativa". Hein?? Por outro lado, uma outra mãe, que tinha tido cesárea por opção, mesmo estando em processo de dilatação, se interessou pelo meu parto, e eu pela escolha dela (apesar de discordar e deixar isso claro para ela), e tivemos um bom papo, super respeitoso e enriquecedor. Ou seja, tudo depende da disposição dos interlocutores, e nós temos o poder de ESCOLHER com quem queremos dialogar e trocar. Por isso eu não chamaria de bullying, porque nós, mães, adultas que somos, não somos obrigadas a conviver com alguém que supostamente nos humilha (os pequenos também não, mas o poder de percepção e decisão deles é bem mais limitado que o nosso): podemos simplesmente dar um fim na situação.
[EM TEMPO: Em uma incrível sintonia bloguística, eu e a Paloma falamos sobre o mesmo assunto, ao mesmo tempo!! O post dela, excelente, está AQUI. A Dani, outra blogueira "chegada", também já tinha falado sobre assunto parecido há um tempo atrás, AQUI.]
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
DESMAMAMOS
Agora posso dizer que sim, desmamamos, eu e Caio, Caio e eu. No próximo domingo completamos um mês sem mamar, UAU. Já vínhamos nesse movimento há algum tempo, tanto de minha parte, quanto da dele, mas sem regras, sem papos-cabeças, sem marcos definitivos, sem pontos finais. Outras coisas foram ficando mais interessantes que algumas mamadas, para ele. Para mim, em alguns momentos já não me agradava mais dar de mamar. Fomos encontrando nosso novo ritmo, com alguns tropeços, mas sempre tentando respeitar a vontade de ambos. Em alguns dias, isso foi tranquilo para os dois. Em outros, eu ou ele sentíamos mais as mudanças, reclamávamos um pouquinho, mas nos acostumávamos ao novo ritmo. Por várias vezes chorei quando ele não pediu pra mamar. Em outras, fui eu quem não quis dar, por não estar com paciência, ou com vontade, e o bichinho não se conformava. Seria mentira dizer que foi tudo um mar de rosas, ele e eu deixando de ter vontade ao mesmo tempo, na mesma sintonia. Tivemos nossos altos e baixos, e aprendemos juntos com isso, tenho certeza. Achei que a mamada noturna fosse ser a última a desaparecer, mas não, a da manhã era a mais curtida por nós dois, e foi a que ficou. Era nosso momentinho de ficar juntinhos na cama, espichar o sono um pouco mais, mandar o papai pro outro quarto... E essa foi ficando, ficando, ficando... até o pequeno começar a acordar mais agitado, querendo brincar. Ou acordar faminto, e querer logo bater um cafezão da manhã mais sólido que o mamá. Aí, passava alguns dias sem lembrar do mamá, até que, numa noitezinha mais carente, pedia pra mamar antes de dormir. Ou então, no meio de uma tarde folgada de férias, se pendurava gostoso no mamá para fazer uma soneca. Eu achava isso o maior barato, “ele não desencana mesmo do mamá”, e matava minha curiosidade perguntando pra ele: “tá gostoso o mamá filho? Tem leitinho ainda?” E ele me olhava maroto, com olhinhos de puro prazer, e falava “tá dotoso, mamãe, o seu leitinho” e me mostrava o leite saindo do bico, como quem diz, “que pergunta é essa, mãe, claro que tem leite aqui!”. Em alguns momentos tive minhas crises de mãe-sem-rotina: “ai, será que não devo tirar de uma vez?” “Será que não estou confundindo o menino, deixando ele mamar quando quer, em horários variados?” Em outros, a inquisição alheia quase me afetava (embora ela tenha rareado muuuito quando, por um lado, as pessoas próximas perceberam que não poderiam interferir nesse nosso processo, e, por outro, as mamadas foram se tornando momentos cada vez mais íntimos, cada vez menos visíveis aos olhos externos): “Nossa, é só você chegar que ele fica tão manhoso, é porque você ainda tá dando de mamar, né?” “Credo, que grude que ele está em você hoje, você deu mamá, foi isso?” Mesmo o papai já estava, há um bom tempo, em franca campanha pelo desmame (ele até havia meio que colocado um prazo “aceitável” até os 2 anos...). Mas – ainda bem – a boa e velha intuição e o gosto pela coisa me fizeram levar a amamentação no nosso tempo, mantendo minha crença no desmame como um processo. E assim foi. Desde o fim do ano passado, começamos a passar alguns momentos separados, e eu sempre achava que eles iriam ser um ponto final brusco na nossa amamentação. Isso me angustiava a cada separação. Mas não foi assim que aconteceu, tanto por ele – que sempre que me via novamente pedia para mamar, às vezes instantaneamente, às vezes depois de horas ou até dias –, quanto por mim – que defini que só deixaria de dar de mamar quando ele parasse de pedir e, portanto, sempre que ele pedia, eu dava. E assim foi até um mês atrás, quando, depois de um bom período sem mamar, Caio ficou doentinho e voltou a mamar como há muito tempo não fazia, de duas a três vezes por dia. Mas, tão logo melhorou, simplesmente desencanou do dito cujo, e nunca mais pediu. Simples assim. Como eu queria que fosse. Não que a fixação dele pelo mamá tenha diminuído, mas mudou de forma. Ele adora me ver de peito de fora, vem logo pedindo para “bincá com o mamá” ou para “dá bejinho no mamazinho da mamãe”. Ou então, nos momentos em que anteriormente ele pediria mamá, ele vem pro meu colo e se aninha entre meus peitos, aconchegado, chegando muitas vezes a dormir assim, encaixadinho. Delícia pura, uma nova fase na nossa relação, tão gostosa quanto era a da amamentação. Uma fase que, de certa forma, eu esperava muito, sempre tive muita vontade de saber como seria nosa relação sem a “mediação” do mamá, pois nosso processo de amamentação sempre foi muito intenso, nós dois curtimos demais, então não havia mamãe sem mamá. E hoje há, e está sendo muito muito muito bom também. O fim de um ciclo, um encerramento à altura para uma história de amamamentação que, por muitos e muitos fatores (e graças a muitas e muitas pessoas) foi um sucesso, em todos os sentidos. E que merecia esse relatinho meio dramalhusco, pra fazer juz à intensidade com que foi vivenciado. E viva o mamá!! E viva a mamãe"!!
PS. Continuo sem internet em casa......................... snif.................mas espero estar de volta em breve.........
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
RETORNOS E PRESENTES (PRA VOCÊS!!)
:: Primeiro retorno: o físico. É, fui viajar de novo. Depois de todo aquele sarcero (??) antes da primeira viagem, quinze dias depois me separei de meu pequeno de novo, por mais 3 dias. Saidinha ela!, vocês devem estar pensando. Mas não: eu tinha uma viagem de trabalho programada para um mês depois daquela primeira, e, dependendo do que rolasse enquanto eu estivesse no congresso, essa viagem seria cancelada e ponto. Mas como vocês viram, deu tudo certo, fui trocada por um danoninho e tudo ficou bem. Daí mantive a viagem, só que a dita cuja foi antecipada em 15 dias. E já não dava mais para cancelar. Acionei a mesma força-tarefa (vovó+papai) e fui tranquila, sem crise, pois já tinha dado tudo certo da outra vez. E deu de novo, thanks god. Dessa vez o Caio parece que sentiu mais a minha falta (olha o ego aí...), ficou tristinho um momento, fez beicinho vendo minhas coisas, mas logo caía na diversão com a vovó, o papai, o bibi e a motoca. E se jogou de cabeça no tetê, para tranquilidade geral da nação, já que o bicho é mamador mesmo. E daí eu voltei (até que suportei melhor a saudade dessa vez, só chorei duas vezes...), e nosso reencontro foi totalmente diferente do primeiro: ele tava acordando, ficou super alegre quando me viu, desceu da cama e veio sentar no colchão no chão, de frente pra mim, e aí ficou tímido. É, tímido. Parecia um gatinho manhoso, só faltava ronronar. Me olhava, dava uma risadinha tímida, virava o rosto, vinha pro meu colo, saía e olhava rindo, me abraçava e soltava, abaixava minha blusa... mas não pediu pra mamar. NÃO PEDIU. Ficamos curtindo aquela paquera, logo ele se jogou no meu colo de vez, já saiu andando de motoca pela casa e pediu um tetê pra vovó. AI. AIAI. Fiquei na minha, brincamos, cantamos, dançamos, eu me segurando... até que ele pediu: MAMÃE, TÉ MAMÁ. E eu fiquei toda feliz, tanto por ele ter pedido, quanto por sacar mais uma mudança na nossa relação: iniciou-se definitivamente uma interação para além dos peitones!!! E tá muito legal. Ele continua mamando (desmame gradativo, lembram?), só de manhã e de noite, e curte meu colo, meu aconchego, meu chamego a qualquer hora do dia, sem que necessariamente isso seja associado ao mamá. Estou adorando essa promoção: de mamá passei efetivamente a mamãe. Mamanhê, como ele chama quando está manhoso. Bom pra mim, bom pra ele. Como tem que ser.
:: Segundo retorno: o virtual. Depois de projeto de doutorado, congresso, entrega de trabalho, viagem a trabalho e prova de doutorado (hoje, quase morri...), tô voltando pro blog e para as leituras diárias: mamis blogueiras, preparem-se, que estou entupindo vocês de comentários!!! Rá!! Porque eu sou das blogueiras comentadêras, bem cumadre mesmo, A-D-O-R-O. Vocês já sabem, né? [e, por isso mesmo, adorei os comments no post anterior, anotei a dica da Magá, e espero poder mexer mais nesse bloguinho nos próximos tempos...]
:: Os presentes: é isso aí, o aniversário é do blog, mas como hoje ele é um blog com leitoras e leitores, e isso dá a ele um sentido todo especial, quem vai ganhar presente são vocês!!! êêêê!!! Vão ser dois sorteios bem legais, na minha opinião. Me aguardem!!!!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
SOBREVIVENDO À SEPARAÇÃO E AO EGO MATERNO
Mas no fim deu tudo super certo. Algumas de vocês acompanharam os mini-relatos do papai sobre os dois primeiros dias nos comments do post anterior, e por ali deu pra sacar que a separação fluiu tranquila do lado de lá... E do lado de cá??? Não sei bem dizer, acho que estou processando ainda... Rá! Mas vamos a algumas elaborações despretensiosas:
Eu jurava que o Caio ia abrir um berreiro incontrolável quando percebesse, na primeira noite, que a mamãe (o mamá) não estava em casa. Tá. Se teve alguém que caiu em choro incontrolável já na saída para a viagem, esse alguém foi a mamãe que vos fala (tudo bem que HOUVE motivos complementares além da "angústia da separação"... mas são de fóro mais íntimo do que me permito revelar neste blog, hoho, vocês vão ficar curiosos...). O Caio até deu uma choradinha quando nos despedimos, mas logo a criatividade da vovó transformou lágrimas em risadas e diversão. E, na primeira noite, quando acordou chorando e esfomeado (já que não teve mamá - peito - e ele não quis o tetê - copinho com leite - antes de dormir), e, novamente, não quis o tetê, a vovó tentou primeiro um mingau, e, sendo este veementemente recusado, ela apelou para um golpe baixo (e infalível): "quer um danoninho, então, Caio?". Para o meu desgosto (ou deveria ser alegria??), ele comeu o danoninho, deitou na cama e dormiu feito um anjinho até às 7 da manhã do dia seguinte. Enquanto isso, eu, a cada telefonema de manhã e de noite para saber das notícias, não resistia a dar uma choradinha...
Outro ponto que eu tinha medo era de "traumatizar" o pequeno com minha ausência, tamanha era a minha certeza que ele não ia aguentar 3 dias e 3 noites longe da mamãe (e do mamá). Quá. Todos os dias, duas vezes por dia, minha mãe era obrigada a me responder (ainda bem que ela é mãe também, né, senão ia me mandar praquela parte...): "ele tá super bem filha. Tá brincando bastante, tá comendo super bem, tá dormindo fácil. Tá tudo ótimo aqui." E eu meio que duvidava - "ela deve estar falando isso só para me tranquilizar", teimava meu ego materno insuportável - e insistia: "mas ele tá alegre? não tá chorando? e na escolinha, tá ficando bem?". E a vovó respondia tudo de novo, naquela paciência que só as mães têm... O fato é que ele ficou muito bem MESMO: obviamente, em alguns momentos ele lembrava de mim (e isso não é o ego dizendo, não, a vovó e o papai que falaram, viu!), me chamava, resmungava um pouquinho (principalmente antes de dormir ou se acordava de madrugada), mas bastava vovó ou papai explicarem que a mamãe estava viajando, mas ia voltar logo, que ele respondia "tá bom", virava pro lado e dormia. Devo dizer que achei isso bárbaro (de verdade), porque sou daquelas mães que acreditam que criança entende tudo, e que dá pra conversar e explicar coisas até mesmo para um bebezinho de colo (já falei sobre isso várias vezes aqui no blog, como nesse post sobre quando o Caio começou a andar). Eu conversei muuuuuuuito com o Caio antes de ir, explicando que ia viajar, porque essa viagem era importante para mim, que ele ia ficar com o papai e a vovó e que logo a mamãe estaria de volta, e eles também fizeram muito isso enquanto eu estava fora. E parece que funcionou.
Me disseram que era para eu aproveitar a viagem, que eu ia me sentir tão "livre", "voltar a ser eu mesma" e coisas do tipo... Pensei: bom, acho que depois que eu estiver lá, a coisa não tiver mais volta, vou relaxar e curtir (lembrando que eu estava indo a um CONGRESSO, e não a uma colônia de férias...). Não rolou. Fiquei o tempo todo com a estranha sensação de estar "faltando algo" (lembrem-se que eu ainda amamento, que meu peito, mesmo murchinho, ainda bota inveja em muita mimosa, e que, portanto, ele me lembrava duas vezes ao dia que era hora do Caio estar mamando e que eu devia me recolher ao toalete para fazer a ordenha... muuuuu...). Fiquei meio passadinha mesmo, não podia ver uma criancinha na frente que parecia tia babona. Além disso, minha vontade era aproveitar todo tempo possível para dormir tranquila, simples assim. Some-se a isso tudo, um certo 'cdfismo' de achar que já que tinha ido sem ele, eu precisava fazer valer a participação no congresso: dá-lhe grupos de trabalho, mesas redondas, fóruns... (e olha que não acompanhei todo o congresso, viu!). Nesse ponto foi ótimo, estava com vontade de voltar à ativa na produção acadêmica. Mas, para não ficar parecendo uma boboca aos olhos do filhote quando ele for adolescente, ler esse post, e falar "ai mãe, como você era careta!", dou o braço a pau ma tória (quem não viu o ótimo post da Flá de hoje, corre lá para dar gargalhadas!!): tomei váááárias cervejinhas, e até me animei a ir no "baile da bibliografia" e ver os mais renomados cientistas sociais do país dançando ao som de "você não vale nada mas eu gosto de você". Ok. Mas a melhor parte foi voltar a pé, sozinha, com uma latinha na mão (relembrando meus velhos tempos de vida universitária) e apagar a luz do quarto antes da 1 da manhã, feliz da vida que no dia seguinte iria reencontrar meu pitoquinho.
Isso foi o maior furo da história: não sei como eu pude imaginar que corria o risco do Caio desmamar com a viagem. Apesar dele ter ficado super bem sem o mamá, lembrado poucas vezes e dormido tranquilamente com historinhas da vovó e do papai, esses três dias não foram suficientes para ele descurtir o dito cujo. Eu vim a viagem de volta toda me preparando psicologicamente, me convencendo que não ofereceria o mamá se ele não pedisse, mas não teve outra: nem dez minutos depois da minha chegada, ele já foi metendo a mão na minha blusa e dizendo com o sorriso mais contente do mundo no rosto: "mamá, té mamá!". E eu dei, claro, feliz da vida. Acontece que o bichinho agora deu pra compensar os dias que fiquei fora, e tá num grude com esse mamá que nem eu tô aguentando... esse é mamífero MESMO, não dá pra negar. Se depender dele, o desmame vai ser só quando entrar na faculdade... (piadinha velha essa, hein!).
Gracinhas à parte, foi tudo bem mais tranquilo do que me aterrorizava minha ansiedade de mãe durante meses antes da viagem. Foi super importante pra mim ter ido, foi bacana pro papai e pro Caio terem essa experiência de uns dias sem o controle da mamãe por perto, o saldo final foi positivo: estávamos mesmo prontos para esse acontecimento, acho que só por isso deu tão certo.
Para falar a verdade, acho que essa viagem me proporcionou o segundo momento mais emocionante da minha vida (depois do nascimento do Caio): reencontrar o pequeno depois dessa primeira separação foi sensacional. Assim que cheguei em casa desandei a chorar feito boba, ele começou a gargalhar de felicidade, ficamos nos abraçando, nos cheirando, nos enroscando, nos beijando, até ele pedir o mamá. Foi bom demais (mesmo porque eu estava crente que ele ia me ignorar quando eu voltasse, já que vira e mexe quando passo mais tempo longe durante o dia ele faz isso). E, sabe do que mais? Nossa relação mudou completamente depois dessa viagem. Pode parecer piegas, mas é a real: estamos muito mais ligados, para além do mamá, que era uma coisa que eu ansiava há tempos e achava que só rolaria quando ele desmasse. Tá uma delícia: ele tá numa fase ótima, super companheirinho, super interativo, curtimos horrores o feriado... enfim, estamos no maior love love love.
O que mais posso dizer... não valeu a pena tanta angústia, podia ter sido tudo bem mais leve, mas o que fazer se sou dramática? Maridão que me aguente (e vocês que lêem esse bloguinho também)!!
[utilidade pública: foi ótimo ler, semanas antes da minha viagem, esse bem humorado post da Roberta, do Piscar de Olhos, sobre sua primeira separação do filhote também por conta de uma viagem profissional; e foi aliviador ler esse post da Mari assim que voltei de viagem, para sacar como vamos aprendendo a curtir também os momentos sem os pequenos... Dois posts divertidos e inspiradores, valem muito a leitura.]
[E, nunca é demais repetir, um super obrigada meu, do papai e do Caio à super vovó, que ela merece!!!]
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
DESMAME COMO PROCESSO
Tudo bem que mal acabamos de sair da SMAM e de infinitos posts sobre amamentação, e que eu ia dar um tempinho nesse assunto, mas não consegui... Rá! É que o assunto amamentação-desmame está bem em pauta no meu cotidiano (sabe o fatídico "ainda mama???"... então.), e tenho pensado nisso quase diariamente. Além do mais, estou me inspirando pra contar do desmame noturno do Caio, e achei que esse post faria uma boa introdução ao papo.
É que li um artigo de uma pediatra** da Sociedade Brasileira de Pediatria e o trecho abaixo me tocou muito, nem preciso dizer o quanto me identifiquei, né? Sei que sou mãe de primeira viagem, aprendiz confessa, mas tem algumas opções que me parecem boas meio que instintivamente, e essa idéia do desmame como um processo, e não uma ruptura radical, é uma delas... É assim que tenho levado com o Caio: deixando fluir, prestando atenção nos sinais dele, incentivando-o quando percebo que os sinais estão lá, dando o peito sempre que ele quer. Enfim, por enquanto tem sido assim. Mas pode ser que eu mude de idéia, só a experiência vai me dizer. No segundo filho acho que vou poder falar com mais propriedade: por hora, apenas aprendizados, tentativas, erros, acertos. E sou toda ouvidos para as experiências de desmame de vocês, se quiserem compartilhar comigo, para ajudar a clarear as idéias e os sentimentos...
Então lá vai (os grifos são meus). O artigo tem alguns pontos que poderão ser considerados mais polêmicos, mas vale a pena ler na íntegra, AQUI.
Atualmente, em especial nas sociedades ocidentais, a amamentação é vista primordialmente como uma forma de alimentar a criança, sob o controle total dos adultos. Assim, perdeu-se a percepção da amamentação como um processo mais amplo, complexo, envolvendo intimamente duas pessoas e com repercussão na saúde física e no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, além de repercussões para a saúde física e psíquica da mãe. Hoje, em muitas culturas “modernas”, a amamentação prolongada (cujo conceito varia de acordo com a “convenção” da época e do local) freqüentemente é vista como um distúrbio inter-relacional entre mãe e bebê. Perdeu-se a noção de que o desmame não é um evento e sim um processo, que faz parte da evolução da mulher como mãe e do desenvolvimento da criança, assim como sentar, andar, correr, falar. Nesta lógica, assim como nenhuma criança começa a andar antes de estar pronta, nenhuma criança deveria ser desmamada antes de atingir a maturidade para tal. Em harmonia com esta linha de pensamento, Dr. William Sears, um antigo pediatra, recomendava “Não limite a duração da amamentação a um período pré-determinado. Siga os sinais do bebê. A vida é uma série de desmames, do útero, do seio, de casa para a escola, da escola para o trabalho. Quando uma criança é forçada a entrar em um estágio antes de estar pronta, corre o risco de afetar o seu desenvolvimento emocional”.
** Elsa Regina Justo Giugliani - Pediatra, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SBP, Especialista em Aleitamento Materno pelo IBLCE (International Board of Lactation Consultant Examiners).
sábado, 8 de agosto de 2009
AGRADECIMENTOS, "CONSELHOS" E FIM.
Agradeço imensamente à Flávia, que foi a primeira a nos convocar a essa blogagem coletiva! Queria agradecer, em especial, a todas que contribuíram com as preciosas dicas de amamentação publicadas aqui no blog durante a Semana: sem vocês essa blogagem não teria dado certo! Também registro um agradecimento a todas que participaram lendo e comentando, que é o que alimenta essa troca de experiências tão bacana entre mamães, grávidas, tentantes e... simpatizantes! Rá!
Para aqueles que, como eu, não deram conta de acompanhar tudo que rolou na blogosfera durante a SMAM 2009, e quiserem ir lendo as postagens aqui do blog sobre a Semana aos poucos, é só clicar AQUI. A Flávia, do Astronauta, também fez um link bem bacana agrupando todas as surpreendentes histórias de amamentação que ela reuniu, quem quiser conhecer passa LÁ.
Por fim, no último minuto do segundo tempo, encontrei um site muito interessante que reúne alguns "conselhos" bem úteis tanto para a mãe que está amamentando ou pretende amamentar (para ver esses conselhos, clique AQUI), quanto para aqueles que devem e desejam apoiar a amamentação de alguma mamãe próxima (para ver esses conselhos, clique AQUI): vale a leitura, é bem didática.
E é isso. Mais uma vez obrigada a todas, e voltamos à programação normal do blog!
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
MEU PRIMEIRO RELATO DE AMAMENTAÇÃO
AMAMENTAÇÃO COMO UM PROCESSO COLETIVO
Relato parcial de uma história feliz de amamentação
Thaís e Caio
Antes de engravidar, eu nunca tinha prestado muita atenção em mulheres amamentando. Os dois contatos mais próximos que tive foram com minha cunhada e uma amiga querida, ambas com dificuldades iniciais com a amamentação: problemas com a pega do bebê, bico rachado, demora do leite para descer, introdução de complementos. Mas ambas deram a volta por cima (cada uma a sua maneira), insistiram na amamentação, e prosseguiram até perto de um ano ou mais. Minha impressão era que amamentar era dolorido e difícil. Mas, quando engravidei, fiquei tão focada no assunto “parto”, buscando informações e me preparando para garantir um parto natural, que quase não pensei na amamentação (e nem nos primeiros banhos, nas trocas de fralda, em quase nenhum assunto prático relativo ao pós-parto!). Nas últimas semanas da gravidez é que começou a cair minha ficha e eu fui ficando um tanto ansiosa, e despejando tudo em cima do maridão: “nós não fizemos cursinho de pais, não lemos livros sobre bebês, não sabemos fazer nada, não vamos dar conta!!!!!” E ele me aturando, dizendo que mais do que tudo isso, só nossa experiência é que ia nos trazer esse “saber-fazer”...
Nesse finzinho de gestação, tudo o que eu sabia sobre amamentação era que eu devia tomar sol nos mamilos para prepará-los; que existia uma pomada natural sensacional para rachaduras (Lancinoh, importada, que eu me virei para conseguir); que um parto natural favorecia uma descida mais rápida do leite; que amamentar meu filho na sua primeira hora de vida era um grande passo para minimizar problemas com a amamentação; que a liberação de ocitocina no corpo durante o parto, o nascimento e a primeira mamada do bebê era a grande responsável pelo sucesso da primeira interação mãe-bebê e, consequentemente, da amamentação; que o contato pele-a-pele era tudo o que eu precisava para estimular as primeiras mamadas e a formação de vínculos com meu filhote.... Embora não fossem muitas, possuíssem caráter pouco prático e estivessem focadas apenas na primeira mamada do bebê, hoje eu sei o quanto essas informações (adquiridas em conversas com outras mães, em listas de discussão sobre o parto, em alguns livros e revistas sobre gravidez e em conversas com minha doula, minha obstetra, minha parteira e a pediatra que escolhi para o Caio) foram determinantes para que minha história de amamentação fosse bem sucedida. Mas apenas elas não bastariam. Outros fatores – que eu não planejei durante a gravidez – também foram fundamentais nesse sentido, e falarei deles logo mais.
Antes, vamos aos fatos: conquistei o parto natural pelo qual tanto batalhei e, assim que nasceu, meu filho veio para meus braços. Eu não sabia nem como segurá-lo (nunca tinha tido contato com um bebê tão pequeno!), mas minha primeira reação foi colocá-lo junto ao meu peito. Ele apenas se aconchegou ali, sem nem sequer abrir a boca. Olhei para a parteira: eu devia fazê-lo pegar meu bico? Ela me respondeu que ele mamaria em breve, não era preciso pressa. Com ele aconchegado em meu peito, ainda com o cordão umbilical nos unindo, caminhei do banheiro (onde ele nasceu, dentro do box) para meu quarto, me deitei na cama com ele sobre mim e, com a ajuda da minha querida parteira, ele abocanhou meu peito e começou a sugar. Jamais esquecerei esse momento. O cordão umbilical foi cortado pelo super-papai (que participou ativamente de todo o parto, e não está sendo mencionado a todo tempo neste relato em razão do foco ser a amamentação) enquanto o pequeno ainda mamava, e foi outro momento inesquecível. Caio não mamou avidamente, apenas o suficiente para me bombear de ocitocina, para me fazer apaixonar perdida e eternamente por ele e para fazê-lo adormecer agarradinho em meu bico.
Horas depois, a segunda mamada foi o momento em que percebi que não sabia NADA sobre amamentar... Mas eu estava sendo maravilhosamente assistida por minha doula e minha parteira, e aqui está um dos fatores que não programei durante a gravidez (por falta de tempo para os ajustes finais, já que Caio nasceu dez dias antes do previsto): minha parteira me daria um super acompanhamento pós-parto, ensinando desde as pegas do bebê e posições para amamentar, até todos os outros detalhes práticos (e tão amedrontadores para uma mãe de primeira viagem) como os primeiros banhos, os cuidados com o cordão umbilical e etc. Sentada no sofá no quartinho do Caio, com ele em meus braços, instintivamente fui colocá-lo em meu peito, mas me faltava coordenação e informação. Minha primeira reação foi segurar o bico com os dedos em tesoura, como as mães de antigamente faziam (não sei nem de onde tirei isso, é o poder do subconsciente!!). Carinhosamente, Jamile, a parteira, me orientou sobre a melhor forma de auxiliar meu bebê a pegar o seio, e após alguns momentos mais desajeitados, eu e Caio fomos nos acertando (mas durante semanas eu penava para dar de mamar do lado esquerdo, a descoordenação era total!! Rá!). Também havia a afobação de mãe de primeira viagem: a cada paradinha que o Caio dava, eu ficava cutucando ele para voltar a mamar... até que Vânia, minha doula querida, que assistia tudo com uma risadinha marota, me alertou que ele precisava engolir o leite e respirar, por isso dava aquelas paradinhas... (dá-lhe falta de noção da aprendiz de mãe aqui!!! afe!).
A verdade é que, tão focada no parto como eu estava até então, eu não tinha me dado conta do suporte (prático e emocional) que essas duas figuras – doula e parteira – me dariam no pós-parto, em relação à amamentação especialmente, e, sem elas, eu provavelmente não teria sobrevivido tão bem a esse momento inicial da amamentação. Eu não podia imaginar, por exemplo, o que aconteceria com meus peitos quando o leite descesse... se elas não tivessem me prevenido sobre a tal da “apojadura”, que meus seios ficariam muuuuito doloridos, que o leite poderia empedrar e coisa e tal, eu certamente teria surtado. Caio dormia super bem nesses primeiros dias, e, quando o leite desceu, eu é que não conseguia dormir de tanta dor nos seios! As mamas enchendo, e o pequeno não dava conta de mamar tudo aquilo, inclusive porque – eu vim a saber depois – com o peito tão cheio ele tinha mais dificuldade para sugar, e o risco de machucar as mamas era ainda maior! O que fazer então??? Eu não tinha a menor idéia, mas elas estavam ali para me apoiar. Jamile me ensinou a ordenhar o peito, e me emprestou uma bombinha para retirar o excesso de leite (que, no próximo filho, com as informações que tenho hoje, procurarei doar para um banco de leite, coisa que não fiz dessa vez...). Foi o que me salvou, e garantiu a continuidade da amamentação sem maiores traumas.
A partir daí, eu e Caio engrenamos uma primeira, e a amamentação só melhorou. Durante um bom tempo elas me “supervisionaram”, eu fui aprendendo novas posições (o famoso “mama sutra”... rá!) e a pega do Caio ficou perfeita. Quando batia alguma crise, “será que meu leite está sendo suficiente?” ou “será que meu peito está produzindo leite?”, quando parecia que meu peito estava murchinho ou coisa assim, eu gritava por socorro e elas me acalmavam: aprendi que quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido; que a produção iria se adequar completamente à demanda (aliás, não me lembro em que momento, se antes ou depois do parto, tomei consciência sobre a amamentação em livre demanda, a qual adotei de corpo e alma); que, enquanto o bebê sugasse, jamais meu leite secaria, entre outras tantas coisas valiosas que me deram muita segurança.
Mas informação e apoio profissional, apenas, não garantem o sucesso da amamentação. Pelo menos é o que eu penso, e deduzo da minha experiência. É preciso todo um apoio afetivo no cotidiano, seja do marido, de familiares, de amigos... Eu recebi um suporte inestimável nesse sentido (o qual, quando estava grávida, eu nem imaginava o quanto iria precisar!): meu marido “comprou” a idéia da amamentação e me apoiava ao máximo (querem um exemplo prático? Como eu tinha que acordar, inevitavelmente, algumas vezes para dar de mamar na madrugada, ele se responsabilizava por todas as trocas de fraldas nesse período! Não é incrível? Eu troquei pouquíssimas fraldas do Caio nas madrugadas dos primeiros meses!!!), tanto aliviando algumas funções para que eu descansasse, como também valorizando e incentivando a amamentação em livre demanda; meus pais e meus sogros sempre acharam o máximo ver o Caio se desenvolvendo “apenas” com o leite materno (como eles diziam), propagavam isso aos quatro cantos e valorizavam muito minha atitude em relação à amamentação; meus amigos, colegas de trabalho e afins se acostumaram comigo dando de mamar para o Caio a todo momento e em qualquer lugar (até mesmo em reuniões), e faziam com que eu me sentisse confortável e sem constrangimentos quanto a minhas opções (como a livre demanda, por exemplo). É claro que todo esse apoio se deve, em parte, pelo fato de eu estar muito segura das minhas escolhas em relação à amamentação, de eu demonstrar muito conhecimento acerca da sua importância e benefícios e compartilhar as informações que possuía com todos eles... Ou seja, até mesmo para que esse apoio acontecesse, foi fundamental eu me colocar em uma postura ativa, construindo esse apoio ao meu redor, e não apenas esperando que ele acontecesse.
Foi assim também quando me vi angustiada por ter que voltar a trabalhar, ainda que meio período, sem saber como conciliar esse momento com minhas convicções de amamentar exclusivamente até o sexto mês de vida do Caio; quando meu filho não ganhou peso adequadamente em algum dos meses de amamentação exclusiva; quando se aproximava a hora de introduzir os alimentos ou quando começaram a nascer os dentes e eu temia pela continuidade da amamentação: continuamente buscando informações e trocando experiências com profissionais, grupos de apoio, amigas-mães mais experientes, mães internautas, etc. e construindo e contando com essa rede de apoio afetivo de familiares e amigos em torno de minhas escolhas, venho amamentando meu filho há um ano e três meses, desfrutando do prazer inigualável que isso me dá.
Obviamente, conforme Caio vai crescendo, essa rede de apoio afetivo começa a diminuir: nem todos compartilham ou compreendem a opção por uma amamentação mais prolongada, ou o desmame como um processo gradativo e natural que deverá acontecer no tempo da mãe e do bebê, sem maiores traumas, sem datas marcadas ou prazos pré-estabelecidos. Mas, como este relato já se estendeu mais do que devia (só para variar), deixemos este assunto para outras conversas...
AMAMENTAR É UM ATO DE AMOR?
Um claro demonstrativo dessa situação são os inúmeros relatos que a Flávia, do Astronauta, recebeu, de mulheres que enfrentaram dificuldades as mais diversas durante a amamentação. E, aparentemente, muitas delas sofreram com isso. Não pretendo julgar os variados motivos que levaram a essas dificuldades, muito menos culpabilizar as mães que não conseguiram amamentar. Mas sempre fica aquela dúvida: poderia ter sido diferente? Não sei, mas creio que em muitos casos poderia. O fato é que existe uma mistificação muito grande em torno da amamentação, que em nada contribui para mudar esse quadro.
Pensando nisso, me lembrei de um post muito instigante da Taís Vinha, a Ombudsmãe, cujo título não poderia ser mais polêmico: AMAMENTAR NÃO É UM ATO DE AMOR. E achei que seria bem pertinente aproveitar que a SMAM está terminando para divulgar esse post e lançar uma reflexão sobre os perigos da mistificação de um ato que, mais do que natural e fisiológico, é também cultural, algo que deveria ser incorporado, corporificado, absorvido pela sociedade como um todo, e não apenas pelas mulheres. Deveria se tornar um hábito, um costume, uma rotina, que, de tão comum e cotidiana, pudesse tornar-se novamente, quem sabe um dia, natural.
E você, o que pensa sobre isso? Vamos refletir juntas?
[Nessa mesma linha de reflexão, vale também a leitura desse outro post da Taís e desse post da Sam Shiraishi, sobre o que ela chama de "divinização do leite materno"]
A AMAMENTAÇÃO E OS DENTINHOS
A Fernanda, mãe de um pequeno suuuuper esperto e arteiro, mandou duas dicas muito boas, que eu mesmo apliquei (e ainda aplico) com meu Caio. A primeira fala sobre uma posição deliciosa para dar de mamar para bebês sem dentes (mas eu ainda uso, mesmo com o Caio cheio de dentes!) e a segunda fala sobre como lidar com as mordidas do seu mamífero cheio de dentes, sem desistir da amamentação. Essa dica é super bacana, porque quando eles começam a morder o peito é estranho... eu, pelo menos, fiquei bem insegura se iria conseguir continuar com a amamentação do meu pequeno de dentes afiados, como falei AQUI... Então, com a palavra, Fernanda:
Oi, Thaís! Sou Fernanda, mãe do Pitoco, do blog Mãe de Garoto. Tenho duas dicas sobre amamentação - uma para bebês sem dentes, outra para bebês com dentes.
Dica para bebês sem dentes - Experimente amamentar deitados na cama. Meu bebê sempre gostou, principalmente porque ficamos coladinhos um no outro. Ele fica tranquilo e, normalmente, pega no sono. Alguns pediatras são contra, porque o leite pode ir para o canal do ouvido, mas outros acreditam que há benefícios nisso porque o leite materno faz bem, mesmo para os ouvidinhos! (rs) Meu pequeno nunca teve problemas de ouvido, ao contrário, tem 9 meses, mama muito até hoje (cerca de 5 vezes ao dia) e sempre foi muito saudável.
Dica para bebês com dentes - É inevitável: os dentinhos começam a nascer, o pequeno fica com nervosinho na gengiva e a probabilidade dele morder seu peito é grande. Se isso acontecer, tire o mamá de sua boquinha, diga que não pode morder e fique uns 5 minutos sem oferecer o peito. Ele vai entender, acredite! Pode ser que ele te morda no dia seguinte, mas se você repetir, ele não fará mais! Funcionou comigo, mas só depois de três mordidas seguidas. Seja persistente! Afinal, seu mamífero cheio de dentes merece toda paciência do mundo!
COMENTÁRIO QUE VIROU DICA
Em relação às dicas da Pat, concordo com quase tudo. A alimentação saudável e o descanso são realmente fundamentais para uma boa produção de leite, sobretudo no começo. Mas, todas as evidências práticas apontam que o que realmente estimula a produção de leite é mais e mais amamentação. Quanto mais seu bebê mamar, mais leite você terá.
Por isso, exceto casos patológicos, qualquer mãe que tenha, desde o início, um processo tranquilo e correto de amamentação certamente terá leite suficiente para nutrir seu bebê. Quando ele estiver maior, depois dos 6 meses, sua alimentação será naturalmente complementada por outros alimentos e ele não tem porquê sentir fome. Não vale mesmo a pena sentir-se culpada por não ter leite. Afinal, nosso corpo está preparado pra isso e se algo não está indo bem é muito provável que tenha a ver com fatores externos (tensão, cansaço, etc).
Acho que vc concorda comigo, né, Tha? [SIM!!!!!!!!!]
Beijos e parabéns por todo esse empenho em trazer informação para as mamães!
VOLTA AO TRABALHO E AMAMENTAÇÃO
:: DICA DA LETÍCIA, MÃE DA LAURAMinhas dicas para quem quer amamentar e tem que voltar a trabalhar são:
1) Negocie com o chefe os horários de amamentação e trabalho;
2) Procure um berçário pertinho do trabalho para que possa correr até lá nesses intervalos;
3) Compre, alugue ou peça emprestado uma bombinha elétrica (a manual não extrai em volume suficiente);
4) Após cada mamada, tire todo o leite de ambos os seios com a bombinha para garantir o suprimento nos momentos em que não conseguir estar presente fisicamente;
5) E a principal delas: diga não à mamadeira nesse período. Use copos de aprendizado com válvula para o bebê fazer força para sugar.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
AMAMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Para ver as dicas da Pat, clique AQUI.
QUARENTENA
A Flávia (uma das primeiras mães blogueiras que conheci), além de estar fazendo uma linda campanha durante a SMAM 2009, arrumou um tempinho e mandou uma dica para nós. Ela fala sobre o recolhimento e descanso necessários para que o corpo da mãe se adapte a essa nova fase de dedicação intensa ao bebê, fundamentais para o sucesso da amamentação. Com a palavra, Flávia:DICA: Quarentena
Sei que é uma palavra um pouco antiquada, mas pode resumir muita coisa que eu acho importante para uma história de amamentação bem sucedida.
Após o nascimento do bebê, o corpo da mãe estará trabalhando constantemente para que tudo volte ao lugar e, somando a esta revolução, está um serzinho de em média 50cm que necessita de cuidados constantes, muito peito, amor e carinho. Resumindo, a mãe se encontra em uma nova dimensão e no primeiro mês de adaptação para a nova família, ela deveria se dedicar exclusivamente a descansar, amamentar, se alimentar com qualidade e, se possível, com comidinhas que favoreçam a lactação, fazer passeios curtos com o bebê e dormir, amamentar, dormir e amamentar.
O recém nascido tem um estômago muito pequeno, necessita mamar quase sempre que esteja acordado, à livre demanda e insistindo e oferecendo o peito se o bebê não mostrar muito interesse (cada vez que o bebê mama, estimula a produção de mais leite).
A mãe necessita descansar, deixar que a cuidem, não se preocupar com absolutamente nada além de cuidar e alimentar o pequeno bebê (por isso a importância da dica da Dani, informação ANTES do parto, e saber a quem recorrer nas dificuldades iniciais da amamentação).
No primeiro mês "todo lo demas" pode esperar. Passada a "quarentena" tudo fica mais fácil, e pouco a pouco a mãe pode ir se reincorporando à vida normal, dependendo da necessidade de cada uma.
Taí minha dica 3 x 1 : Quarentena: Descansar – Alimentação saudável – Amamentar a livre demanda.
DE FARDO A PRAZER: UM RELATO DE AMAMENTAÇÃO
:: RELATO DA MAGÁ, MÃE DA CATARINA
Meu parto foi domiciliar, naturalíssimo. Catarina mamou imediatamente, dando início a um processo de amamentação correto, que me garantiu peitos fartos, jorrando leite a cada mamada. A enfermeira que fez meu parto, hoje minha amiga e conselheira, foi uma pessoa fundamental nas orientações, pra que tudo corresse bem – a tal da pega, a pomadinha milagrosa Lansinoh, que alivia as rachaduras...
No início, no entanto, a amamentação pra mim era um pouco pesada. Sem posição, com o bico do peito sempre muito sensível, a hora do mama era um tanto sofrida. Obrigação de mãe, muito consciente da importância do aleitamento, mas pouco envolvida com aquele prazer tão alardeado de dar o peito.
Catarina, segundo a pediatra, é uma menina com oralidade acentuada, ou seja, gosta (muito!) de sugar e, conseqüentemente, de ficar pendurada no peito. Por isso, a tarefa de fazê-la dormir era quase sempre minha: no peito, chupetando. Mais essa...
No natal, de tanto leite, sofri com um engurgitamento que me rendeu, além de muita dor, mais uma rachadura eternamente aberta. Mais dor. E eu lá, firme e forte. A tal da consciência...
Mas, eis que o prazer da amamentação veio se fazendo presente meio de mansinho, sem eu nem perceber. Na volta ao trabalho, o sofrimento já era outro: privar-me daquele momento que eu descobri que amava e substituí-lo por ordenhas de bombinha. Foi difícil. Mais difícil ainda foi a mastite, que me chegou com uma febre de 39º, em pleno carnaval. Peito duro, quente e vermelho. Herança da rachadura eternamente aberta, associada ao leite parado que a Catarina não mamou e que eu não ordenhei. Erro fatal para quem, como eu, produz leite pra dar e vender! Sim, meu maior problema é o excesso de leite e não a falta dele. Até hoje – minha bebê com quase 10 meses – sofro com engurgitamentos muito doloridos e com o incômodo do peito esguichando e encharcando a roupa cada vez que a pequenina começa a mamar.
Mas eu nem penso em parar. Continuo firme na livre demanda e a Catarina, apesar de tomar leite em pó quando eu não estou (raras vezes) e de comer super bem papinhas e frutinhas, também não dá sinais de que quer parar, não! E vamos nós! Agora ela já sabe pedir o mama: solta um vigoroso NENE!! E eu adoro!
Dica: prestar atenção nas orientações dos bons profissionais e recorrer a eles sempre que for preciso. Ter alguém de confiança, com quem podemos conversar e aliviar dúvidas e angústias é fundamental.
PEQUENOS RELATOS
:: MINI RELATO DA DANY, MÃE DO CAIO
A Dany foi mãe bem cedo (seu filhote - xará do meu - já tem 6 anos!), e teve que enfrentar muitos palpiteiros de plantão, como ela conta nesse mini relato. Com a palavra, Dany:
Bom, tenho um pouquinho para falar sobre amamentação, sim. Eu poderia dar mil dicas, mas as dicas encontramos na internet, nas revistas e etc. Vou contar um pouquinho como foi a minha experiência. Eu fui mãe bem novinha, aos 20 anos de idade, e todos achavam que eu teria dificuldade para "me virar" como mãe. Então, tive meu baby (Caio) e na maternidade comecei a amamentar. Eu não sabia muito o que fazer com aquele bebezinho pequenininho olhando para mim. A enfermeira, com toda a paciência do mundo, me ensinou a colocar o Caio na posição correta, a estimular a amamentação, não deixar ele dormir até que mamasse o suficiente. Na maternidade, eu me sentia segura por causa das enfermeiras. Em casa não foi diferente. O instinto maternal aparece! Incrível! O Caio mamava toda hora. Meus seios doeram um pouco sim, mas nada insuportável. Não faltou gente querendo "tacar mamadeira" no meu filho. "Ih, você é maluca! Dá uma mamadeira que ele vai dormir a noite toda!", "Complementa com mamadeira", "Leite de peito não sustenta". Ouvi tantas pessoas do contra, mas resisti bravamente. Amamentei meu bebê só no peito até os 4 meses. Ele nunca ficou com fome (conhecemos isso pela carinha de felicidade), a amamentação só fez crescer o vínculo mamãe-bebê, não gastei dinheiro com aquelas marcas de leite carérrimas, o leite estava sempre "pronto" (nada de ter que ir pra cozinha no meio da noite) e eu me sentia uma mãe muito completa alimentando a minha cria. Além do mais, eu sabia que estava ajudando meu filho na prevenção de várias doenças porque o leite materno contém todas as vitaminas que o bebê precisa. O que as pessoas precisam acreditar é que não existe leite fraco! Ele é produzido na medida certa com os "ingredientes" certos para o bebê. A amamentação é uma experiência muito gratificante e é lindo! Meu filho hoje tem 6 anos e o dia que eu tiver outro filho, farei tudo novamente.
Beijocas!!! E viva a amamentação!!!
:: MINI RELATO DA VAL, MÃE DO ARTHUR
A Val, mãe do reizinho mais arteiro do pedaço, falou um pouco sobre a importância de persistir na amamentação, mesmo quando a vontade é de desistir. Com a palavra, Val:
Acho fundamental a amamentação, principalmente se ela puder ser exclusiva até os seis meses. O meu relato, não sei se é bem uma dica, é só um aviso para as mães de primeira viagem como eu sou: NÃO DESISTAM NUNCA e USEM SUTIÃ.
Ouvi muitas dicas antes do meu filho nascer. Umas interessantes, outras nem tanto. Não usei pomada preventiva, como me disseram, nem dei banho de sol nos meus seios. Pura displicência, eu sei, mas tive a sorte de meus seios não racharem. Agora, a dor que a gente sente nos primeiros dias é quase insuportável. Pensei em desistir, em dar o leite artificial até a dor passar, mas minha mãe insistia bastante e eu continuei firme, pensando no bem que estava fazendo ao meu bebê. Se, depois que a gente tem um filho, tudo que fazemos é em prol dele, a amamentação também é. Só por ele, continuei. Só pela saúde dele, não parei. Ele, sozinho, por vontade própria, aos onze meses, quis deixar de amamentar meu momento exclusivo com ele. E eu sofri com esse desmame muito mais que ele.
:: MINI RELATO DA JAQUE, MÃE DE MAIS UM CAIO!
A Jaque mora na Austrália, e o relato dela é permeado por essa experiência de amamentar um filho naquele país. Entre outras coisas, ela fala sobre a importância de relaxar e ter confiança no nosso corpo. Com a palavra, Jaque:
Oi Thaís... Nossa, agosto parecia estar tão longe, mas aqui estamos!!! E a primeira semana de agosto é a semana mundial de aleitamento materno como você já disse. Então aqui vão minhas dicas/experiências.
Sei que é fácil falar - difícil fazer, mas acho que um bom conselho para mamães que estão começando ou vão começar a amamentar é relaxar. Lembre-se que tanto você quanto seu bebê estão aprendendo.
Pra mim amamentar não foi tão difícil, o Caio nasceu quase um profissional em mamar e a parteira me ajudou bastante me dando várias dicas e um livrinho com perguntas frequentes e suas respectivas respostas, além de me apoiar psicologicamente.
Eu adoro ler e por isso quando estava grávida li vários livros sobre o assunto. Com a tecnologia de hoje em dia, você pode achar muitos artigos úteis online, o problema é que muitas vezes um artigo contradiz o outro e você não sabe no que acreditar. Nesse caso, escolha um site de confiança. Outro meio de tirar dúvidas é escrever suas perguntas e levá-las nas consultas com seu médico (escreva pra ter certeza de que não esqueceu nenhuma das perguntas, você sabe como o tal dos hormônios bagunçam nossa memória quando estamos grávidas/amamentando).
Aqui na Austrália muitas mães preferem dar aquele leite em pó para bebês ao invés de amamentar. Eu nunca entenderei porque elas não amamentam. Quando eu descobri que estava grávida, decidi que iria amamentar. É um dos presentes mais preciosos uma mãe pode dar. Algumas pessoas dizem que não conseguem (têm dificuldades), ou que não querem essa responsabilidade, ou simplesmente pensam que seios são nada mais do que objeto sexual. Amamentar não é sempre fácil, principalmente no começo, mas acho que nossos bebês merecem ser amamentados.
Eu nunca tive nenhum problema sério, a única coisa é que meus seios são grandes e quando meu leite chegou (uns 3 dias depois do Caio ter nascido) eles estavam tão pesados que eu mal podia levantar, minhas costas doíam e parecia que eu ia cair pra frente com o peso. O importante é que mesmo com as dificuldades iniciais você nunca desista. Acredito que a maioria das mulheres pode amamentar e os médicos têm muitos recursos para ajudar, se você tiver problemas.
Um dos desafios para algumas pessoas quando começam a amamentar é o fato de que o nosso até então "privado" peito vira um "objeto público". No começo eu tinha vergonha de amamentar em público, mas depois de um tempo percebi que não tem nada de mais, é natural! Se todo mundo come, bebe em lugares públicos, por que meu bebê não poderia?? E amamentar é tão conveniente, não temos que nos preocupar em comprar ou esquentar leite. O melhor de tudo, meu bebê recebe todos os nutrientes necessários em um "produto" feito especialmente pra ele.
Na foto está meu Caiozinho, ainda no hospital, com 3 dias de vida mamando.








