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quinta-feira, 21 de junho de 2012

CENAS DE PARTO E POLÍTICAS DO CORPO

O sugestivo título desse post é, na verdade, o título de uma tese de doutorado que faz tempo que eu quero indicar, aqui, pra quem se interessa pelo debate sério sobre parto humanizado - "CENAS DE PARTO E POLÍTICAS DO CORPO: uma etnografia de experiências feministas de parto humanizado". A autora é Rosamaria Giatti Carneiro, uma grande amiga e intelectual engajada, que durante quatro anos mergulhou no universo de gestantes, parturientes, doulas, grupos de apoio, sites, redes e movimentos sobre gestação e parto humanizado, aproximando-se etnograficamente de "práticas femininas de parto humanizado dos anos 2000". 

Entre muitas outras questões, Rosa chama atenção, em sua tese, para algo fundamental a ser frisado nesse momento de visibilidade do debate sobre o direito à escolha do local de parto: a pluraridade de mulheres, de desejos e de escolhas envolvidas quando o assunto é parto humanizado. É o que ela destaca em matéria publicada no Jornal da Unicamp  em março desse ano, da qual extraí o trecho abaixo: 

Ao contrário de algumas premissas de que as adeptas do parto humanizado são necessariamente atraídas por um modelo de vida alternativo, para o qual são usadas expressões rotuladoras como “bicho grilo” ou “natureba”, Rosamaria esteve na companhia de bancárias, advogadas, artistas plásticas, estudantes, pós-graduandas, alto executivas, vegetarianas, evangélicas, católicas, umbandistas, adeptas da filosofia nova era. Entre elas, selecionou 18 trajetórias interessantes para sua pesquisa. Se elas eram tão plurais, tão diferentes entre si, como se aproximavam? A primeira resposta obtida por Rosamaria foi o mundo ciber. “Neste espaço acabam conhecendo outros grupos ou encontrando outras amigas que já tiveram esse tipo de parto. Têm listas de discussão. E eu participei dessas listas”, declara. Juntas, se organizam em passeatas, caminhadas, convocam reuniões, seminários. “E a coisa se dissemina”, avisa Rosamaria. 

A tese foi defendida em novembro do ano passado, no IFCH - Unicamp, sob orientação da professora Margareth Rago. Pra quem se interessou, segue uma palhinha do resumo (a tese completa pode ser baixada na biblioteca digital da Unicamp e, AQUI, uma matéria bem interessante sobre o assunto, com participação de Rosa e outros profissionais): 

Em tempos de recorde de cesáreas, um conjunto de mulheres tem optado por dar à luz da maneira "mais natural possível", prezando por suas sensações e suas emoções, em nome de um "parto que seja todo seu". Partindo do pressuposto de que o parto não é somente um ato médico e fisiológico, essas mulheres têm procurado escapar das rotinas de sua aceleração, no encalço do que consideram ser um enriquecimento de suas experiências de parturição. Dotadas desse desejo, parecem tecer outras concepções de saúde, de dor e de risco e, assim, criar outras políticas do corpo que pare. Diante disso, problematizo a presença de outros modos de subjetivação femininos a partir desse universo, no qual parece haver um outro corpo de mulher e uma outra figura de mãe, não mais edificados nas rígidas acepções modernas, criando, com isso, situações temáticas para o diálogo entre feministas e adeptas do parir diferentemente. 

Fica a dica.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

AS CRIANÇAS E A TRANSMISSÃO DA CULTURA

Ontem, ao sair para a escola, Caio me pediu: "mamãe, o Nuno pode ir na minha escolinha hoje?" Combinamos que, se tudo desse certo, o irmão iria buscá-lo na escola à tarde.

Me organizei para isso e fui, com Nuno no sling. Nem preciso dizer o sucesso que fizemos com a turminha do Caio, né? A professora nos convidou pra entrar na sala, e todos vieram nos rodear, queriam ver o "nenê", queriam saber se era ele que estava na minha barriga e coisa e tal. Caio amou, ficou todo orgulhoso.

Aí, um dos amiguinhos do Caio, que acompanhou a evolução da minha barriga com curiosidade durante toda a gravidez, tascou a pergunta: "E como ele saiu da sua barriga?" E, enquanto eu tentava pensar rápido pra dar uma resposta minimamente didática (confesso que a pergunta me pegou de surpresa), uma menininha respondeu sem pestanejar: "minha mãe falou que sente uma dor muito grande, daí o médico corta a barriga e tira o nenê". Ui. Aí ficou mais difícil ainda. Me limitei a dizer: "Esse neném não saiu pela barriga, saiu aqui por baixo", a conversa seguiu outros rumos (ufa!) e Caio me chamou para irmos.

Mas depois, fiquei pensando naquilo. Em como a cultura se transmite cotidianamente para as crianças, em casa, na escola, no mundo. Em como questões vão sendo arraigadas desde cedo, podendo, em grande medida, direcionar escolhas (ou a falta delas) no futuro.

Não era meu papel ali falar sobre nenéns, barrigas, nascimentos para as crianças. Tampouco a professora estaria preparada para isso naquele momento. Mas acho que a escola poderia trabalhar esses temas com as crianças, ainda mais tendo em vista que entre 2 e 5 anos, em média, é a idade em que as crianças ganham irmãzinhas (os): porque não abordar isso pedagogicamente?

Na última semana de gravidez, quando estive na escola pra conversar com a psicóloga sobre o Caio, as transformações pelas quais ele estava passando - e as que iriam se iniciar após o nascimento, para contar que teríamos o parto em casa e ele possivelmente assitiria, aproveitei para falar sobre a relação da escola com uma mãe grávida, e com a criança que ganhará um irmão. Isso porque, nas últimas semanas da gravidez (mas com muita antecedência em relação à DPP, em função do tamanho da barriga), toda vez que eu entrava na escola ou saía dela, eram inúmeros os comentários: "nossa, que barrigão", "esse neném não vai nascer, não?", "você aqui, ainda?", "ih, acho que esse neném não quer nascer!" e por aí afora. Além disso, mais para o final, a cada dia que eu não aparecia na escola, todos ficavam achando que o bebê tinha nascido, muitas vezes perguntavam inclusive para o Caio, o que gerava grande ansiedade nele. Sei que a intenção era das melhores, e sempre levei na brincadeira, mas, quando senti que estava impactando o pequeno, resolvi conversar. E, durante a conversa, me ocorreu uma ideia, e todo esse parágrafo enrolado foi pra chegar nela: comentei com a psicóloga que, durante a gravidez, muitas crianças vinham me perguntar sobre a barriga, o que tinha dentro dela (um menininho inclusive me perguntou, seriamente, se tinha uma melancia na minha barriga!! rá!!), e coisa e tal. Vi, por mais de uma vez, as crianças perguntado pras mães porque a barriga delas não estava igual a minha, porque elas não tinham neném na barriga. Ou seja, o assunto despertava a curiosidade das crianças, e estava gerando conversas entre elas e com os pais. A escola não poderia ter aproveitado a ocasião? "Aproveitar" uma mãe grávida pra conversar com as crianças sobre o tema? 

Ela achou que podia ser interessante, mas realmente não tinham pensado no assunto. Mas ficou a dica. Não sei bem como poderia ser abordado, até hoje só vi dois livros que têm uma abordagem didática e ilustrada do assunto para crianças (esse e esse), mas acho que, se encarado com naturalidade e sem tabus, todo assunto pode ser trabalhado com as crianças, de acordo com as idades e os questionamentos de cada fase. 

E vocês, o que acham? Gostaria muito de pensar mais sobre o assunto com vocês!

imagem do livro de Naoli Vinaver linkado acima

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

UM BRINDE!

linda foto enviada pela querida amiga Nádia


Pois é, gente boa, 2011 chegou. Sempre um recomeço, uma nova oportunidade, um novo olhar para as coisas de sempre. Eu gosto, ainda mais porque 2010 não foi um ano fácil por aqui.

Estou começando o ano devagar, em todos os sentidos. E está sendo muito bom. Então, apesar de todo dia ter vááárias idéias de posts, vou deixando eles pra depois, uma preguicinha de mexer com computador, pensar, escrever... Logo mais o ano engrena, e o blog também.

Por hora, queria compartilhar com vocês um pequeno texto de Eduardo Galeano (estou imersa em suas palavras desde o fim do ano passado e está sendo delicioso!), como presente de ano-novo. O texto me inspirou o sentimento bom que esse recomeço sempre me traz, me trouxe uma sensação tão gostosa, pura sinestesia, que pensei que seria uma boa forma de brindar digitalmente com todos vocês que me acompanham por aqui, compartilhando nossas aventuras de maternidade e paternidade.

Assim, um brinde à 2011, aos recomeços, aos sentidos e às chamadas!


AS CHAMADAS

A lua chama o mar e o mar chama o humilde fiapinho de água, que na busca do mar corre e corre de onde for, por mais longe que seja, e correndo cresce e avança e não há montanha que pare seu peito. O sol chama a parreira, que desejando sol se estica e sobe. O primeiro ar da manhã chama os cheiros da cidade que desperta, aroma de pão recém-dourado, aroma do café recém-moído, e os aromas do ar entram e do ar se apoderam. A noite chama as flores da dama-da-noite, e à meia-noite em ponto explodem no rio esses brancos fulgores que abrem o negror e se metem nele e o rompem e o comem.

Eduardo Galeano, O livro dos abraços, L&PM Editores.



domingo, 19 de setembro de 2010

FILHO DE PEIXE...

Um belo dia, estava eu no escritório de casa, Caio apareceu, me olhou, mexeu na estante e saiu quietinho. Em seguida, um longo silêncio. Tão longo que, como toda mãe, logo desconfiei, e fui atrás dele pela casa. E eis que encontro o pequeno refastelado no sofá, admirando um livro de obras do Gaudi........... Pirei, é claro - ADORO GAUDI - e corri para registrar esse momento:

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

PRESENTE: A PANELA AMARELA DE ALICE



Demorou, mas finalmente consegui fazer o post sobre o primeiro presente para vocês! Quase no último dia do mês de aniversário do blog, mas tá valendo. O próximo presente vai ficar pra semana que vem, meio de aniverśario, meio de natal, tá? E garanto que vai ser tão legal quanto esse, podem apostar!

O primeiro presente que será sorteado é o delicioso livro A panela amarela de Alice, da Tatiana Damberg. Mais conhecida como Tatu, a autora, além de gastrônoma, é também mãe da Alice, uma fofura de 1 ano e meio, e do sítio gastronômico Mixirica ("plantado na rede desde 2002", como ela diz), um lugar muito bacana para quem, como eu, gosta de comidas e afins. Eu fiquei sabendo desse livro na época do lançamento, achei a idéia bárbara, depois vi o de uma amiga e me encantei. Aí, adquiri o meu exemplar, entrei em contato com a Tatu e propus o sorteio, ela e sua editora Camila (da Memória Visual) toparam e aqui vamos nós.

Comecemos pela capa: a ilustração da Jana Magalhães é uma coisa, e a estampinha da contracapa deu vontade de transformar em pano de fundo desse blog, de tão linda que é. O subtítulo do livro diz tudo: "memórias de cozinha e maternidade". Me ganhou na hora. O livro é bem isso, tem esse clima de memórias (memórias recentes, super à flor da pele) do aprendizado dos primeiros tempos como mãe, e, mais, como "mãe cozinheira". Achei que tinha tudo a ver comigo, com este blog e com vocês, que, tanto quanto eu, curtem trocar experiências de maternidade e, vez por outra, já passaram seus perrenques quando o assunto é a alimentação dos pequenos.

Generosamente, a Tatu compartilha conosco, nesse livro, seus caminhos como mãe, suas escolhas (pois, como ela mesmo diz e eu assino embaixo: "O seu jeito é o melhor que pode haver para o seu filho") e algumas das maneiras como ela foi introduzindo sua pequena ao maravilhoso mundo da BOA comida, munida dos princípios de que a comida do bebê pode, e deve, ser gostosa e de que nós, mamães (e/ou papais, vovós, titias, etc...) temos a "missão" - importantíssima! - de "moldar o paladar daquela pessoinha". Olha só que bacana o que ela diz:


"A variedade de texturas, cores e sabores na alimentação dos bebês é tão importante no desenvolvimento da inteligência dos pequenos quanto a descoberta das formas, das pessoas e dos animais ao seu redor, eu acho."


Eu também acho. E as receitas que ela nos oferece, "colher a colher", junto com sua própria história (como tão bem expressou, na orelha do livro, a chef Andrea Kaufmann), são a prova de que de muitos sabores, cores, texturas, cheiros e misturas pode se fazer o universo gastronômico (porque não?) de um bebê.


Mas, antes de falar um pouco mais das receitas (e deixar vocês com água na boca), falemos um tantinho ainda do livro, em si.
Apesar de ser super fluido e contínuo, eu meio que o li em 3 partes, e foi bacana lê-lo assim, porque fui fazendo os links com minha própria história...

A primeira, um quase-manifesto pela libertação gastronômica das grávidas e recém-paridas/lactantes, é bem divertida, com exceção da descrição da cesárea enfrentada pela autora que, apesar de muito bem humorada (aliás, o texto todo, além de bem escrito, é muito bem-humorado), apresenta a situação "nua e crua", (como poucas mulheres têm coragem de expôr, ainda mais se a intenção inicial era ter um parto normal) e me incomodou um pouco (pensando sobre o assunto, depois, acho que me incomodou sentir uma certa "naturalização" de procedimentos que eu considero desagradáveis no momento do parto, como piadinhas de anestesistas ou a separação imediata do bebê e da mãe)... Mas, o tema do livro é outro, e essa descrição dá a liga a esta "primeira parte" do livro, em que a Tatu nos conta como se transformou, de uma pessoa que não pensava em ter filhos, em uma mãe que não conseguia ficar longe da pequena por mais de uma hora, mesmo que fosse para comer todos os sashimis evitados a duras penas durante a gestação... Vejam bem se não é mesmo um manifesto com a qual todas nós, que já estivemos grávidas ou recém-paridas um dia, nos identificamos:

"Qual a graça de poder comer - de posse da melhor desculpa do mundo para isso - se não se pode aproveitar nada? Tudo faz mal e engorda durante a gravidez. Se todas as recomendações feitas por aí forem ser levadas em conta, as grávidas morrem de fome!"

"Junto com as cólicas do bebê veio a maldição da dieta da lactente. O pediatra dizia que eu podia comer tudo o que quisesse: feijão, pimenta e suco de laranja. Mas a crença popular e a internet falavam o oposto. Comer amamentando era ainda pior que comer grávida".

Entremeadas nas histórias com as quais ela vai nos envolvendo, e em dicas que sutilmente podem ser captadas ao longo das mesmas (por exemplo: "Família é uma coisa preciosa nessas horas", ela diz, referindo-se ao apoio fundamental nos primeiros meses do bebê: parece óbvio, mas muitas mães não recebem/não se permitem essa ajuda...), aparecem as receitas, para todos os gostos, para todos os momentos: sanduíche de pernil que desmancha, para as grávidas, ou escondidinho de costela demorado, para as lactantes, eis alguns exemplos das receitas que nos redimem.

A segunda - e principal, na minha leitura - parte do livro é a que fala propriamente sobre a "panela amarela de alice", o reencontro da "mãe cozinheira" com as panelas, a incursão da pequena por outros sabores além do leite materno, os utensílios, os ingredientes e, minha gente, as tão esperadas receitinhas para os pequenos! E, como na primeira parte do livro, elas vão aparecendo aos poucos, conforme as memórias da autora vão chamando e o papo com as comadres e compadres vai ficando mais "chegado", nessa ordem:

- as primeiras papinhas ("abóbora, maçã e frango" é uma das várias combinações interessantes),
- o delicioso incentivo a que nos tornemos "chefs" dos filhotes, criando comidinhas diferentes a partir dos ingredientes liberados a cada fase deles ("quinoa, feijão branco e banana" - mais criativa impossível, fiquei com muita vontade de provar!)
- "as maravilhas do mundo com dentes", ah, o mundo com dentes!! Além de receitinhas variadas que vão desde papinhas nada triviais, passando por comidinhas como "falso bife", "rosbife" e "batatas coradas" até delícias como mingau e picolé, aqui a autora ainda dá umas dicas boas de viagem com bebês (incluindo os famosos biscoitinhos salva-vidas, conhecem??) e, o melhor: uma dica de "biscoito de coçar gengivas". Preciso falar mais alguma coisa?
- como se não bastasse, ainda tem as receitinhas do primeiro aniversário da Alice (quem sabe na festinha de 2 anos do Caio eu crio coragem pra fazer os cupcakes que ela ensina, hein??), e as comidas pós-primeiro-ano-de-idade, às quais ela adiciona também "receitas para a família": uhuuuuuuuuuuuuuu!!! A-D-O-R-E-I!!!! Vou testar todas djá: tem "moquequinha", "macarrão cremoso", "musselina de linguado", "risotinho de frango, abóbora e abobrinha", "canjinha com canjica" e outras comidinhas de nomes diferentes como "abolins pankoks", "salda zupa" ou "petite duchesse". Curiosos? Tentem a sorte aqui, ou corram encomendar o livro!

A última parte, não é bem uma parte, são algumas poucas páginas meio em tom de "epílogo", como nomeia a Tatu, em que ela conta, muito de relance, sobre "exercícios de desapego" aprendidos com a maternidade, o processo de voltar ao trabalho e deixar a pequena em casa, a transferência dos cuidados com a "panela amarela" a uma ajudante e a expansão dos paladares da pequena Alice para além dos limites da tal panela... Desafios comuns a muitas mães, e que deram vontade de saber um pouco mais: porque falar tão rapidinho assim, menina? Como foi esse processo em termos da alimentação da pequena, o que mudou nas receitas, como escolher bem as comidinhas dos pequenos fora de casa... Portas abertas para novas prosas... Quem sabe um novo livro, Tatu??

Bom, gente, me empolguei, o post ficou gigante. Mas aposto que vocês ficaram com água na boca. O livro é bacana mesmo. Queria ter testado uma receitinha pra contar aqui, mas do jeito que tá esse fim de ano, aí é que o sorteio não saía mesmo! Mas só de ler o livro já dá pra ter certeza que tudo é muito-muito-muito gostoso e, o melhor, muita coisa tranquila de fazer, para nos inspirar a cozinhar para os pequenos mesmo!! (Fiquei tão animada com a leitura do livro que até criei uma nova receitinha de mingau para o Caio!!! Tô me achando a chef!! Rá!!! Qualquer hora conto aqui).

Para participar do sorteio: deixe um comentário com seu nome, nome e idade do(a) filhote(a), email para contato (ou blog) e conte alguma aventura, desventura, superdica ou desabafo relacionados à alimentação dos seus pequenos. Como sempre, aqui, a idéia é trocarmos experiências, portanto não vale só deixar o nome, viu!! O sorteio será na próxima quinta, dia 03/12, à noite.

Até lá posto mais umas receitinhas e dicas do livro, fiquem de olho.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

SEMANA NACIONAL DA LEITURA + SORTEIO!


duas crianças brincando de ler... e daí que o livro tá de ponta cabeça?

Sempre gostei das palavras. Filha de professores de português, no meu caso o santo de casa fez milagre sim: desde cedo aprendi a gostar de ler e escrever. Minha memória é péssima para lembranças remotas e visuais, mas, mesmo assim, algumas das cenas que ficaram gravadas profundamente em mim têm a ver com livros e leitura, a partir do meio da infância para a adolescência. Lembro do quartinho-escritório nos fundos de casa, onde eu e minhas irmãs nos divertíamos em meio a livros, enciclopédias e papéis. Lembro perfeitamente da coleção do Monteiro Lobato encadernada em capa dura azul marinho (ou seria vinho? ihhhh...), que ficava na estante do meio. Fascínio absoluto. Lembro de mim mesma deitada na linda rede azul com flores coloridas bordadas, passando a tarde toda lendo livros da coleção Vagalume [pausa: meu filho acaba de vir correndo do quarto dele com um livrinho na mão para me mostrar... e agora ele sentou aqui do meu lado e está folheando atentamente o livrinho... sintonia pura!] - o livro O Escaravelho do Diabo exercia um grande fascínio naquela pré-adolescente que eu era: que cargas d'água seria "escaravelho"?, eu me perguntava. E com as leituras eu aprendia tanto sobre as palavras e o mundo!, muito mais do que podia imaginar naquela época.

Flicts, A Bolsa Amarela, Chapeuzinho Amarelo, No Reino Perdido do Beleléu... revirando a memória, chego a lembrar detalhes, ilustrações, quiçá até as sensações que cada uma dessas leituras me proporcionou. E lembro do cheiro dos livros... pode isso?

Como começou esse meu contato com os livros e a leitura? Não sei dizer. Minha memória não alcança tanto (mãe, me ajuda!!). O que posso dizer, a partir do que essa memória manca me permite, é que meus pais liam bastante (a primeira vez que vi os livros Olga e O Nome da Rosa foi na cabeceira deles, eu era ainda uma criança, e nunca mais esqueci esses títulos... coisa engraçada é a memória...) e sempre tive muito contato com livros em casa. Tenho certeza que isso foi fundamental.

Mas sei também que passei um tempo meio "de mal" dos livros, e que isso teve a ver diretamente com a escola, os estudos: grande paradoxo. É que nunca gostei de ler por obrigação, com prazo marcado, com tema imposto por outro alguém. Posso afirmar com certeza que o período em que menos li por prazer, por vontade própria, foi durante o colegial e a faculdade. Era tanta leitura obrigatória que me tirava o ânimo da leitura aleatória, aquela que você escolhe sem mais nem menos, resolve começar e mergulha de cabeça. No colegial, não vou nem comentar, acho totalmente equivocada a associação literatura-vestibular que transforma os adolescentes em leitores-de-resumos. Já no caso da faculdade, não que eu não lesse coisas interessantes nessa época (ai, tô ficando velha... "nessa época"...), li muito sobre arquitetura e urbanismo. Mas me afastei da literatura.

E, curiosamente, depois que o Caio nasceu é que me reencontrei mais profundamente com ela. Voltei a ler com uma intensidade que há muito não me tomava. Tenho apreciado muito o prazer de escolher um livro para ler, ir adentrando na história um pouquinho por dia, quase religiosamente. Mal acabar um e já começar a pensar qual será o próximo, ir acumulando títulos do desejo em uma fila imaginária. Delícia.

Bom... toda essa divagação me veio desde segunda, quando pela primeira vez comemorou-se o Dia Nacional da Leitura, e está me cutucando por toda essa Semana Nacional da Leitura e da Literatura: como começamos a gostar de ler? a partir de que momento a criança apreende o prazer e magia de um livro? como estimular brincando, como fazer os livros e a leitura entrarem de mansinho - e definitivamente - na vida de nossos filhos?

Já falei aqui sobre minha ansiedade em introduzir os livros no mundo do Caio, e como isso foi acontecendo aos poucos e de forma bem divertida. Os livrinhos são brinquedos para ele, são pura brincadeira, e é esse prazer que quero estimular conforme ele for crescendo: ler é para ser diversão, não obrigação, como aprendemos em tantas escolas por aí.

Eu não lia para o Caio na barriga. Não combina comigo, demorei até para conseguir conversar com a barriga... Mas desde que ele começou a dar sinais concretos de que estava lá dentro (chutes, socos e etc) eu comecei a conversar muuuuito com ele, contar histórias do meu dia, da nossa vida aqui fora. E quando ele nasceu, a mesma coisa: muita conversa, muita cantiga, muitas palavras rodeando o seu dia. Daí vieram os livrinhos: livrinho de morder, de dobrar, de chacoalhar, de tatear, de apertar para ouvir sons, de abrir e fechar dobraduras, de encaixar formas e figuras... e, mais recentemente, livrinhos de ler!!! (Rá! quem disse que livro é só para ler as palavras com os olhos?? as crianças leêm de variadas maneiras, com todos os sentidos!!!) Hoje eles são parte do nosso dia-a-dia: brincamos de folhear, ele mostra as imagens para nós, ele fica minutos entretido folheando um por um seus vários livrinhos, e lemos para ele em diversos momentos do dia. Não temos muito uma rotina, ainda não incorporamos, por exemplo, a leitura antes da hora de dormir, mas estamos no caminho. Tem horas ele pede para lermos, tem horas o convidamos a sentar em nosso colo, ou ao nosso lado, e lemos para ele. Mas sempre é uma grande brincadeira.

mesmo sendo brincadeira, olha como ele tá compenetrado!!

E a idéia da leitura como brincadeira é o tema da campanha que o Instituto Ecofuturo, principal articulador da instituição do Dia Nacional da Leitura na mesma data do Dia das Crianças, criou para incentivar a leitura no país: "brincar de ler" é o feliz slogan da campanha, e também o mote da publicação "Passaporte da Leitura", que traz dicas de como tornar a leitura uma diversão vivenciada em conjunto por pais e filhos.


Pensando em tudo isso agora, me veio à mente que esse "Passaporte" teve papel fundamental nessa minha forma de introduzir o Caio aos livrinhos: quando eu ainda estava grávida, uma amiga querida que trabalha comigo na Teia me mostrou o passaporte, que havíamos recebido por sermos um Ponto de Cultura. Ela não tem filhos, e lembro que disse algo assim: "agora que você vai ser mãe, você tem que ver isso aqui com carinho". Cheguei em casa depois do almoço, deitei no sofá (ô saudade de fazer isso!!!) meio sem botar muita fé naquele que me parecia um "panfletinho qualquer" e, qual não foi minha surpresa ao ver a quantidade de informações e dicas preciosas sobre como estimular o prazer da leitura em bebês, crianças e até adultos, tudo em linguagem super acessível (e muito bem escrito!) e com uma qualidade visual que fez toda diferença para despertar minha atenção para o assunto. Adorei, guardei, mas me esqueci dele depois do nascimento do Caio. E agora, 1 ano e meio depois, recebi um exemplar do Passaporte não apenas para curtir, mas também para sortear aqui no blog.

Então, quem quiser ter em casa essa publicação pequenina, mas muito valiosa, acompanhada de um cd com a música comemorativa "Brincar de Ler", feita pela dupla (que eu adoro) Palavra Cantada, deixe um comentário nesse post com seu nome, nome dos filhotes e endereço de email ou blog para contato. Quem quiser ir além, contando um pouquinho da sua experiência na introdução dos pequenos aos prazeres da leitura, eu vou AMAR, e todos temos a ganhar! O sorteio será no próximo domingo.


- Para saber mais sobre o Dia da Leitura: www.dianacionaldaleitura.com.br

- Para conhecer o trabalho do Instituto Ecofuturo: www.ecofuturo.org.br

- Para fazer o download do Passaporte Brincar de Ler: aqui

- Para acompanhar a blogagem coletiva que a super antenada Letícia chamou nesta Semana da Leitura, e tentar a sorte nos outros sorteios do Passaporte que estão rolando na blogosfera: Pelos Cotovelos e Cotovelinhos, O Astronauta, Meu Projetinho de Vida, Novas Peripécias de Cecília, Pai É Quem Cria, Mamãe Antenada, Pequeno Guia Prático, Conversa para Mãe Dormir, Um, Dois, Três, Saco de Farinha!, De Mãe Para Mãe e Devaneios de Mãe.

domingo, 6 de setembro de 2009

DICAS DE LIVROS PARA BEBÊS


Desde que o Caio era bebezico eu me perguntava qual seria o momento adequado para introduzi-lo ao maravilhoso mundo dos livros. Lembro que praticamente "induzi" minha irmã mais nova a dar um livrinho de pano para o Caio, e depois, mais para frente, fiz o mesmo com minha mãe, com um livrinho de texturas. Ele demorou a se interessar de fato pelo primeiro livrinho, o de pano, mesmo com o mordedor que vinha acoplado... preferia outros brinquedos, e eu controlava minha ansiedade... rá! Mas logo os livrinhos de pano foram incorporados entre os brinquedos de todo dia, como mordedores ou outras mil e uma utilidades que os bebês pequenos dão para tudo que vêem pela frente.

Mas eis que um dia, há alguns meses atrás, ele se interessou por vontade própria pelo tal livrinho que a vovó deu por livre e espontânea pressão, aprendendo a folheá-lo e descobrindo as texturas sozinho: inclusive registrei o fato aqui. De lá para cá os livrinhos são parte de suas brincadeiras preferidas, e eu não precisei mais "sugerir" os mesmos como presente. Ele ganhou alguns no Natal, outros no aniversário, eu venho comprando gradativamente... e ele já tem um pequeno conjunto de livrinhos, que ficam no seu quarto, ao alcance das suas mãos: vira-e-mexe ele corre para pegá-los, tanto para brincar sozinho, quanto para trazer para que eu ou o papai o coloquemos no colo para contar historinhas. Mas ele logo toma o livro da nossa mão, vira de ponta cabeça, vai até o fim das páginas, volta procurando alguma coisa... o livro é, para ele, um objeto interativo, um brinquedo, ele ainda não entrou totalmente em uma fase de "ouvir histórias". Controla a ansiedade, mãe!

Ansiosa ou não, o fato é que estou sempre de olho na seção de dicas culturais da Revista Crescer, que sempre traz ótimas indicações de livros para crianças e, além de fazer matérias sobre o tema, ainda mantém um blog muito bacana, o Ler para Crescer e um portal de busca sobre literatura infantil, o Livros para uma Cuca Bacana. Acontece que raramente eu via dicas para menores de dois anos (agora, com o portal, que visitei pouco antes de publicar este post, descobri que dá para encontrar dicas bem legais para crianças a partir de um ano, inclusive algumas que postei aqui)... para menores de um ano, então, acho que nunca vi. Daí que, pegando carona no papo anterior sobre meios e mensagens para os pequenos, resolvi fazer esse post, indicando alguns livrinhos bem bacanas que o Caio tem e adora, para animar outras mamães a investirem no contato dos filhotes com os livros.

Então, lá vai:


  • PARA BEBEZICOS: livrinhos de pano com mordedores e imagens bem coloridas, ou com páginas bem grossas e resistentes, que o bebê pode explorar como quiser, colocar na boca, abrir e fechar mil vezes, sem medo de ser feliz nem de estragar o livrinho. Esses dois, abaixo, são da Editora Ciranda Cultural, e o Caio curte até hoje.

  • PARA BEBÊS DE VÁRIAS AS IDADES: esses livros plásticos são diversão garantida na hora do banho, na piscina, na praia e até mesmo em meio a lambuzeira de comida. O roxinho, de hipopótamo, o Caio AMA: ele é também um fantoche, e tem uma historinha bonitinha dentro. Há a opção com outros bichos, também. Esse outro, tipo uma bolsinha, uns amiguinhos do Caio que têm, ele vem com uns lápis de cera para pintar e apagar quantas vezes as crianças quiserem! Os dois são da Editora Girassol (Coleção Tchibum e Coleção Chuá), que também têm outros livros bem bacanas para os pequenos.

  • PARA BEBÊS DE UM ANO, UM ANO E POUCO: esta é a fase do Caio agora, e esses livrinhos abaixo estão na lista dos mais-mais para ele. Os dois primeiros (também da Editora Ciranda Cultural, Coleção Toque, Sinta e Ouça) ele ganhou no aniversário de um ano, e eu achei que fossem pifar, de tanto que ele curtiu, mas os livros continuam inteirões. São livrinhos com imagens, texturas e sons de animais diversos, sucesso garantido: primeiro ele só queria apertar para ouvir o som, depois passou a associar a imagem ao som, aprendeu a falar o nome dos bichos... Cada dia uma descoberta. Aquele mais abaixo é a aquisição mais recente, e já virou o preferido: além das ilustrações serem lindas, as orelhas (que são o tema do livro) são dobraduras, que brincam de esconder e mostrar com a criança. Ele é da Ediouro e, da mesma coleção, têm também outros temas. Achei sem querer quando ia comprar um presente, e virou indicação certa para bebês da idade do Caio.









  • PARA BEBÊS POR VOLTA DE DOIS ANOS EM DIANTE: agora já estou saindo um pouco da faixa de idade do Caio, mas como comprei uns livrinhos de presente de aniversário de 2 anos para o filho de uma amiga querida esses dias, vou aproveitar e registrar o achado aqui. O primeiro (da Companhia das Letrinhas) é um livro-dobradura (ou 3D), que conta a história de um jacaré que perdeu o sono: o livro é lindo, eu achei o tema bem bacana, e a forma de contar a história também, já que a criança pode participar ajudando o jacaré na sua busca pelo soninho. Os dois de baixo (novamente da Editora Girassol) são "livros-imã", ou seja, o livro vem com uns imãs que a criança vai colando conforme a história, ou do jeito que ela quiser. O Caio com certeza vai amar esse tipo de livro, já que uma das suas brincadeiras favoritas é ficar zoando os imãs da geladeira lá de casa!!!



Então é isso. Ficam aí as dicas, espero que sejam úteis! E, se alguém quiser contribuir com esse post, dando mais dicas de livros para bebês até dois anos, dois anos e pouco, serão muito bem vindas!!!