Pois bem. Eu tô sempre meio atrasada nessa intensa blogosfera materna. A blogagem coletiva sobre infância e racismo, proposta pela Ceila, do Desabafo de Mãe acabou dia 28, e eu quase passei batido. Não porque o assunto não me toque: pelo contrário, como vai ficar claro nesse post. Mas por pura falta de tempo pra parar, refletir, escrever. Mas, como nada nessa vida é só acaso, foi justamente o Caio que me conectou tardiamente a essa blogagem. E aqui estou, escrevendo enquanto reflito, e refletindo enquanto escrevo, dedicando minutos que seriam do meu sono precioso pra entrar nessa roda também.
O fato é que ontem, enquanto nos preparávamos para dormir, Caio fala, do nada: Mamãe, minha cor não é branca, minha cor é preta! E eu, intrigada com aquilo, e achando graça, dou corda: ah, é filho, e porquê? Ele: Porque é bonito. Concordei com ele, e deixei a conversa fluir, sem querer muito extrair "ensinamentos" daquela espontaneidade bonita: se o assunto continuasse, eu embarcava na dele, senão, aproveitaria a pureza do olhar da criança de 3 anos, me sentindo feliz por ele perceber as coisas dessa forma e reafirmando internamente o necessário e cotidiano esforço por não transmitir a ele qualquer ranço de preconceito que em mim possa existir. E assim foi, ele terminou a conversa com: e a cor da mamãe também é preta. Eu gosto. E foi mudando de assunto, falando de super heróis e flautas, os assuntos do momento.
Existem muitas formas de se ensinar a diversidade a uma criança. Acredito nisso pessoal e profissionalmente. Mas, em se tratando de uma criança de quase 3 anos, como o Caio, creio que a vivência cotidiana, as práticas familiares e escolares são os principais elementos: não há como racionalizar ou verbalizar demais o assunto nessa idade.
Caio convive com crianças e adultos diferentes dele e de nós desde sempre. Temos parentes e amigos índios, negros, descendentes de japoneses, loiros, de olhos azuis, verdes, castanhos, pretos, deficientes físicos. Em sua escolinha, há muitos filhos de imigrantes, em especial latinoamericanos e africanos. A avó de Dani é índia, e ele tem traços inconfundíveis dessa herança.
Recentemente, Caio começou a perceber certas diferenças entre as pessoas, de uma forma bem natural: começou pela cor dos olhos, percebendo que as tias (minhas irmãs) tinham olhos de cor diferente da do dele ou do meu. Falou nisso por muito tempo, sempre perguntando para reafirmar a diferença. Depois veio a percepção das diferentes cores de pele, mas ainda de forma sutil, através de um momento de pintura com lápis de cor em casa, e depois a constatação de que seu boneco preferido (o João, primo do Júlio, do Cocoricó) tinha uma cor diferente da dele. Ele também já havia detectado a diferença física em um amigo nosso que tem uma deficiência em um dos braços, e em alguns livros em braile que minha irmã (ela trabalha na Fundação Dorina Nowill) deu pra ele e que tratam lindamente de temas como diversidade e diferença junto às crianças.
O interessante é notar como, para ele, o estranhamento da diferença não é acompanhado de juízo de valor: ele já tinha convivido com inúmeros negros quando se deu conta dessa diferença, brincando com cores e bonecos. Ele tem uma grande amiguinha e uma tia que são japonesas perfeitas (embora sejam já de uma segunda ou terceira geração de mestiçagem), mas essa diferença ainda não lhe chamou a atenção. Mas, ao perceber a diferença, seja da cor dos olhos, da cor da pele ou da deficiência física, ele expressou seu estranhamento, e eu procurei não reprimir, ou condenar. Deixei-o expressar essa estranheza, e tentei ajudá-lo a entender, apreender a novidade de percepção. E aí aquela descoberta passou a fazer parte do seu universo lúdico, e não causa mais estranhamento. Principalmente se, ao seu redor, elas estiverem de fato presentes, seja em brinquedos, livros, filmes e, principalmente, nas pessoas de seu convívio cotidiano.
Porque se a criança não convive com negros, para citar um exemplo, o estranhamento vai ser maior, certamente. Lembro que, há um tempo atrás, uma amiga comentou comigo que estava pensando em fazer algum trabalho social, para que as crianças dela convivessem mais com negros, pois estavam tendo um grande estranhamento cada vez que encontravam com um. Aquilo me cutucou: é fato que em nosso meio, de classe média, convivemos com poucos negros, e a reação das crianças foi um escancaramento disso para aquela família.
Mas, aqui em casa isso é diferente, em especial por conta do meu marido. Embora eu sempre tenha convivido e tido amigos de diversas etnias e nacionalidades, posso contar nos dedos aqueles com os quais convivi em profundidade. Na infância, então, tive apenas uma única amiga negra. Nunca tive um amigo de origem indígena e, mesmo meu marido sendo descendente de índios, pouco conhecemos das suas raízes.
Dani, entretanto, se interessa pela cultura africana ou de matriz africana desde a adolescência, quando passou a praticar capoeira. Hoje, além de arquiteto e militante da cultura digital, ele é também professor de capoeira angola, praticante e produtor de cultura popular. Está envolvido em diversos projetos focados em educação para a diversidade, ligados à lei 10.639. Em nossa casa, desde sempre, temos tambores, berimbaus, imagens de capoeiristas negros, discos de samba, livros sobre escravidão e práticas culturais de origem africana, etc etc etc. Práticas e apresentações de capoeira, samba, jongo, coco, cacuriá, congada, maracatu são presentes na vida de Caio desde muito cedo e, por conta disso tudo, ele está crescendo em meio a referências culturais que carregam em si a diversidade, a diferença, o questionamento do preconceito, a luta por afirmação, coisa que nem eu, nem Dani tivemos em nossa infância (só para ter uma ideia, minha avó ficou horrorizada porque em minha festa de casamento tinham 2 negros... isso me entristece, mas é inevitável constatar que esse racismo está, de alguma forma, na pré-história de minha criação - mesmo que meus pais tenham me criado de forma bem diferente, eles foram criados sob essa perspectiva preconceituosa e discriminatória, e admiti-la, ainda que doa, é o primeiro passo para transformá-la, penso eu).
Além disso, a escolinha dele também incorporou as diretrizes da Lei 10639 e, entre outras coisas, os alunos praticam capoeira na escola, o que claramente tem despertado o interesse do Caio pela cultura negra (africana, afro-brasileira, afrodescentente.... são tantas variáveis...), e, talvez por isso, aquela manifestação de ontem sobre ter a cor preta...
Enfim, eu poderia escrever muito ainda sobre o assunto, sei que não cheguei à conclusão nenhuma, mas o que vejo da nossa prática cotidiana e o que, de forma meio espontânea - já que nunca paramos efetivamente pra conversar: como vamos construir uma infância sem racismo para nossos filhos? - acredito de verdade que já estamos nesse caminho, e me alegro em poder dizer isso, pois vejo também em mim a tranformação.
E não é que o paizão deu uma de herói e conseguiu blogar, me entregando o texto às 23:29!!! Surpresa boa, alegria de ter suas palavras aqui, de compartilhá-las com vocês, de fazer parte dessa blogagem tão legal que motivou tantos pais a expressarem, de tantas formas, suas paternidades, nos emocionando tanto.
Obrigada, amor!!!
E então, com vocês, aquele mesmo pai do post anterior, alguns anos depois, e prestes a virar pai de dois... o papai Daniel, como diria o Caio...
Topando o desafio a pedidos.
Nunca foi muito tranquilo pra mim ver parte significativa da minha vida exposta aqui no blog, talvez porque esteja cada vez mais envolvido com trabalhos web e por ter certeza que as infos, fotos e vídeos podem servir a algo que não me agrade. O fato é que, gostando ou não, Thaís assumiu essa frente de comunicação como algo importante pra si e eu aprendi a respeitar.
Pra mim parece que tudo está meio grudado. A busca de informação, a decisão pelo parto domiciliar do Caio e a descoberta de uma mulher/mãe/blogueira. De alguma forma a blogosfera alimenta Thaís e a torna mais convicta de seus desejos.
O nascimento do Caio, no box da nossa casa, com a Thaís dependurada no meu pescoço, foi o momento mais mágico que vivi na vida. Vê-lo nascer ali, tão pequenino, me fez conectar com as forças profundas da natureza, e perceber que as coisas podem ser simples desde que respeitemos nossos próprios sentimentos.
Desde que peguei o Caio pela primeira vez no colo, anestesiado pela sensação de ser pai e de ter ele ali em minhas mãos, venho aprendendo com ele a escutar mais o que sinto, procurando sempre o meio mais simples de fazer as coisas, sem muitas intervenções e deixando as coisas encontrarem seus próprios lugares.
O Caio, assim como nosso segundo bebê - estamos com sete meses de gravidez - vem nos ensinando que uma parte cada vez maior da nossa vida não pode ser "muito planejada". E não podendo, quanto mais tentamos planejá-la maiores são as dificuldades que enfrentamos no dia a dia.
E aí está a crise da vida do homem/marido/pai, que pode ser descrita como o conflito entre, querer ficar/viver com o filho, querer ter uma vida social e sexual ativa com a mulher e querer ter grana para transformar as necessidades materiais da família em algo cada vez mais secundário no dia a dia.
Essa equação de três partes poderia, pelo que se aprende até ser pai, ser enfrentada com um bom planejamento pessoal e familiar, acontece que, agora pai, existe a necessidade de conviver alegre com a impossibilidade cada vez maior de se planejar. É mais ou menos como ter que remar contra a maré, com a canoa furada e tendo mais peso do que ela aguenta dentro, sem entender bem como, vai se acostumando ao fato de que mesmo a contra-senso ela sobe o rio.
E quando penso nisso vem o rostinho do Caio na cabeça e então tudo que parece ilógico faz instantaneamente sentido. Ser pai é ser feliz na felicidade do filho, vibrar com suas descobertas e na hora que a vida dificultar as coisas olhar pra ele e sorrir, sabendo que no fundo o mais importante está ali na sua frente, o resto de um jeito ou de outro a gente resolve.
************************************** Participaram dessa blogagem bacanérrima (se esqueci de alguém, avisem, por favor!):
Maridão talvez não consiga produzir post fresquinho pra essa blogagem, o moço tá com uma agenda difícil, viu! E o tempo livre (que esteve raro nas últimas semanas - o bichinho tá ralando mesmo...) acaba sendo todo dedicado pra curtir filhote, esposa (quando ela não está dando piti), amigos, cuidar da casa... Enfim, curtir a vida real. Mas, quem sabe, ainda role... daí eu posto mais tarde aqui, ok?
De todo modo, como achei essa ideia da blogagem MUITO LEGAL, afinal, é sempre bom ver a paternidade pelos olhos deles, são outros aprendizados de mãe, vou dar uma de espertinha e republicar um texto feito pelo paizão em resposta a um post meu, um pouco antes do Caio completar oito meses fora do barrigón. Um texto que mostra o outro lado da moeda, que foi um grande alerta, para mim, sobre a "difícil arte de saber compartilhar a maternidade"...
Com a palavra, o pai que se construía há pouco mais de dois anos atrás.
ENTRE A RAZÃO E O INSTINTO
Minha sensação neste período de quase oito meses como pai, marido e homem é que tenho vivido diferentes momentos, na maioria das vezes muito bons, mas que de alguma forma oscilam radicalmente entre a razão e o instinto. Isso já era perceptível antes mesmo do Caio nascer. Se bem que nesta fase pré-natal este convívio era, pelo menos para mim, muito mais um acompanhamento, um aumento do companheirismo e um grande exercício de tolerância.
Depois do nascimento, minha compreensão sobre o instinto humano e os cuidados com a cria se transformou completamente, mudando inclusive minha maneira de ver o mundo que me cerca e conseqüentemente a maneira de me inserir neste mundo. Toda esta mudança trouxe consigo os gostos e desgostos de uma nova fase, com novos compromissos, necessidades e demandas. Como diria um amigo: “Bem vindo ao mundo selvagem!”.
Os processos que ocasionaram estas mudanças em mim estão intimamente ligados à maneira como a vinda do Caio se deu e como lidamos com ele desde então. Desde o fato de na hora do parto segurar a Thaís pendurada em meu pescoço, mesmo tendo uma grave lesão na coluna, adquirida quinze dias antes, até ver meu filho nascer no boxe do nosso banheiro, em seguida conversar com ele para então decidir seu nome, dar o primeiro banho de sua vida, e daí por diante, passando por fraldas, trocas de roupas, banhos, acalentos e todos os outros tratos que biologicamente um homem pode prover seu filho.
Tenho convicção que várias das transformações que me ocorreram têm relação direta com uma interação maior com o instinto humano, ao mesmo tempo que reconheço em meu cotidiano uma forte racionalidade que constrói meus atos. Minha relação com o Caio é permeada pelo instinto e pela razão, já a relação da Thaís com ele é dominada pelo instinto, com lampejos de razão. Com todas as mudanças em nossas vidas o mais difícil está em reencontrar o equilíbrio que existia na relação entre eu e ela. Ao mesmo tempo em que ela é puro instinto, em determinados momentos seu comportamento chega a ser quase irracional, de tanto procurar emplacar uma “dita” racionalidade, como por exemplo na sua intenção de construir forçosamente uma rotina para o Caio e conseqüentemente para mim. Do instinto do choro, do acalento e da proteção, surge uma irredutível personalidade que institui a realidade ao seu entorno. Ufa!!! Como diz o ditado: “rapadura é doce mais não é mole não”.
Um mês, gente, muito pouco ainda, mas uma ampliação significativa dos ridículos 5 dias a que os pais têm direito atualmente!
Aliás, coinciência ou não, a blogagem coletiva Nós, os pais, proposta pelas cumádis tuiteiras, vem a calhar com essa campanha! Maridão tá viajando, mas quando ele chegar vou intimar a participar também.
Eu confesso. Quando vi o post da Mari nos convocando ao "Movimento Sanguenozóio" tive três reações contraditórias: achei legal, levando em conta o poder que já percebemos que temos através dessa blogosfera; achei inútil, numa postura meio desconfiada desse mesmo poder; fiquei com preguiça, numa postura totalmente acomodada, pensando que eu não teria tempo nesse fim de ano pra fazer nada sobre o assunto, e que também, mesmo que fizesse, não adiantaria nada.
Só que isso ficou me cutucando. Fui lendo outros posts aqui, ali e acolá, e pensei que tinha que me manifestar, por mim, pelo meu filho, pelas coisas em que acredito. Fui lá e assinei o abaixo-assinado. Mas ainda não me assosseguei.
Então recebi um email da Erundina. É, ela mesma: não sei porque raios recebo os informativos dela, mas quase sempre leio, e muitas vezes são bem interessantes. Atualmente não voto nela, mas já votei, e admiro muito seu histórico de atuação política. Nesse episódio, além de votar NÃO e repudiar publicamente o reajuste, ela teve uma atitude politicamente muito diferenciada: destacou o fato de que apenas o PSOL (que NÃO é o partido dela, vejam bem), enquanto partido, se posicionou contra a matéria, orientando TODOS os seus parlamentares a votarem CONTRA. Atitude raríssima - a dela e a do partido - em tempos de coligações espúrias e politicagens em causa própria.
Daí que hoje, em um ataque de insônia gravídico - assunto para outro post -, o sanguenozóio veio com força total. E aderi ao movimento das cumpanhêra.
Não estou muito inspirada, e tampouco terei muito tempo para importunar os parlamentares. Mas, além de redigir essas mal-traçadas linhas, fiz um emailzinho que vou encaminhar para os parlamentares do Sim.
"Senhor parlamentar,
como mãe, profissional autônoma, estudante de doutorado e, acima de tudo, cidadã que atua cotidianamente, em todas essas frentes, tanto na esfera privada quanto na pública, em busca de um mundo e de um país melhor, venho por meio deste manifestar minha indignação frente ao absurdo processo de aprovação de reajuste dos salários dos parlamentares, conduzido por vocês à revelia de todo um país. Essa manobra política, efetivada às pressas em meio ao clima "jingle bells" que predomina no país, está sendo repudiada por milhares de brasileiros e enfureceu também a nós, mulheres que batalhamos por uma maternidade ativa e desejamos que nossos filhos vivam em um mundo melhor, onde exemplos como esses dos senhores, de legislar em causa própria, sejam cada vez mais raros.
Imaginem só vocês, se todos aqueles profissionais merecedores de aumento, resolvessem agir como os senhores? Professores da rede pública, por exemplo, como propôs o senador Cristovam Buarque? Ou, quem sabe, todos os trabalhadores do país, cujos salários se guiam pelo mísero salário mínimo? O senhor já parou pra pensar como deve ser duro tocar a vida com um salário de R$ 510,00? Pois é, esses sim precisam de reajuste. Já parou pra pensar também naqueles que não têm salário, não têm emprego, não têm casa para morar, não têm assistência médica decente, não têm sequer comida? Será que todo esse dinheiro que vocês estão se declarando merecedores de receber, para além de tudo o que já recebem, não deveria ser investido em outras situações emergenciais, em direitos básicos dos quais muitos cidadãos estão privados, esses sim merecedores de aprovações de última hora?
Então, é isso: estamos de olho e fazendo pressão. Os "parlamentares do sim", como vocês já são conhecidos em todo país, estão na mira de manifestações nos mais diferentes setores. Assim como o meu caso, outras mães estão se manifestando em seus blogs, e a caixa de emails de vocês vai ficar lotada. Estamos aguardamos um posicionamento público dos senhores sobre essa barbaridade toda.
Promessa é dívida: hoje temos o resultado do sorteio do Passaporte da Leitura + Cd promocional com música Brincar de Ler, do Palavra Cantada, ambos frutos do belo trabalho de incentivo à leitura no país promovido pelo Instituto Ecofuturo.
Como o outro sorteio que fiz por aqui, e seguindo outras blogueiras mais escoladas do que eu, fiz o sorteio pelo site random.org: selecionei os comentários válidos, que foram 10, e lancei no programinha que eles disponibilizam na homepage. E o resultado foi esse, ó:
A sortuda da vez foi a Cynthia, mamãe do fofo Arthur e dos blogs Eu e Eu e Balde, Areia e Balanço, e a primeira a comentar no post, êêêêê!!!! (dessa vez você passou longe, Lia... mas também, ia ser sorte demais, né, ia até parecer marmelada...rá!)
E quem não ganhou nem aqui, nem nos outros sorteios que rolaram blogosfera afora, não fiquem triste, não: vocês podem baixar o Passaporte, gratuitamente, AQUI. No fim das contas, o que mais importa são as dicas bacanas que ele contém, e que estão disponíveis na rede para todos que quiserem se informar sobre como introduzir os filhotes ao universo da leitura!! Aproveitem!
duas crianças brincando de ler... e daí que o livro tá de ponta cabeça?
Sempre gostei das palavras. Filha de professores de português, no meu caso o santo de casa fez milagre sim: desde cedo aprendi a gostar de ler e escrever. Minha memória é péssima para lembranças remotas e visuais, mas, mesmo assim, algumas das cenas que ficaram gravadas profundamente em mim têm a ver com livros e leitura, a partir do meio da infância para a adolescência. Lembro do quartinho-escritório nos fundos de casa, onde eu e minhas irmãs nos divertíamos em meio a livros, enciclopédias e papéis. Lembro perfeitamente da coleção do Monteiro Lobato encadernada em capa dura azul marinho (ou seria vinho? ihhhh...), que ficava na estante do meio. Fascínio absoluto. Lembro de mim mesma deitada na linda rede azul com flores coloridas bordadas, passando a tarde toda lendo livros da coleção Vagalume [pausa: meu filho acaba de vir correndo do quarto dele com um livrinho na mão para me mostrar... e agora ele sentou aqui do meu lado e está folheando atentamente o livrinho... sintonia pura!] - o livro O Escaravelho do Diabo exercia um grande fascínio naquela pré-adolescente que eu era: que cargas d'água seria "escaravelho"?, eu me perguntava. E com as leituras eu aprendia tanto sobre as palavras e o mundo!, muito mais do que podia imaginar naquela época.
Flicts, A Bolsa Amarela, Chapeuzinho Amarelo, No Reino Perdido do Beleléu... revirando a memória, chego a lembrar detalhes, ilustrações, quiçá até as sensações que cada uma dessas leituras me proporcionou. E lembro do cheiro dos livros... pode isso?
Como começou esse meu contato com os livros e a leitura? Não sei dizer. Minha memória não alcança tanto (mãe, me ajuda!!). O que posso dizer, a partir do que essa memória manca me permite, é que meus pais liam bastante (a primeira vez que vi os livros Olga e O Nome da Rosa foi na cabeceira deles, eu era ainda uma criança, e nunca mais esqueci esses títulos... coisa engraçada é a memória...) e sempre tive muito contato com livros em casa. Tenho certeza que isso foi fundamental.
Mas sei também que passei um tempo meio "de mal" dos livros, e que isso teve a ver diretamente com a escola, os estudos: grande paradoxo. É que nunca gostei de ler por obrigação, com prazo marcado, com tema imposto por outro alguém. Posso afirmar com certeza que o período em que menos li por prazer, por vontade própria, foi durante o colegial e a faculdade. Era tanta leitura obrigatória que me tirava o ânimo da leitura aleatória, aquela que você escolhe sem mais nem menos, resolve começar e mergulha de cabeça. No colegial, não vou nem comentar, acho totalmente equivocada a associação literatura-vestibular que transforma os adolescentes em leitores-de-resumos. Já no caso da faculdade, não que eu não lesse coisas interessantes nessa época (ai, tô ficando velha... "nessa época"...), li muito sobre arquitetura e urbanismo. Mas me afastei da literatura.
E, curiosamente, depois que o Caio nasceu é que me reencontrei mais profundamente com ela. Voltei a ler com uma intensidade que há muito não me tomava. Tenho apreciado muito o prazer de escolher um livro para ler, ir adentrando na história um pouquinho por dia, quase religiosamente. Mal acabar um e já começar a pensar qual será o próximo, ir acumulando títulos do desejo em uma fila imaginária. Delícia.
Bom... toda essa divagação me veio desde segunda, quando pela primeira vez comemorou-se o Dia Nacional da Leitura, e está me cutucando por toda essa Semana Nacional da Leitura e da Literatura: como começamos a gostar de ler? a partir de que momento a criança apreende o prazer e magia de um livro? como estimular brincando, como fazer os livros e a leitura entrarem de mansinho - e definitivamente - na vida de nossos filhos?
Já falei aqui sobre minha ansiedade em introduzir os livros no mundo do Caio, e como isso foi acontecendo aos poucos e de forma bem divertida. Os livrinhos são brinquedos para ele, são pura brincadeira, e é esse prazer que quero estimular conforme ele for crescendo: ler é para ser diversão, não obrigação, como aprendemos em tantas escolas por aí.
Eu não lia para o Caio na barriga. Não combina comigo, demorei até para conseguir conversar com a barriga... Mas desde que ele começou a dar sinais concretos de que estava lá dentro (chutes, socos e etc) eu comecei a conversar muuuuito com ele, contar histórias do meu dia, da nossa vida aqui fora. E quando ele nasceu, a mesma coisa: muita conversa, muita cantiga, muitas palavras rodeando o seu dia. Daí vieram os livrinhos: livrinho de morder, de dobrar, de chacoalhar, de tatear, de apertar para ouvir sons, de abrir e fechar dobraduras, de encaixar formas e figuras... e, mais recentemente, livrinhos de ler!!! (Rá! quem disse que livro é só para ler as palavras com os olhos?? as crianças leêm de variadas maneiras, com todos os sentidos!!!) Hoje eles são parte do nosso dia-a-dia: brincamos de folhear, ele mostra as imagens para nós, ele fica minutos entretido folheando um por um seus vários livrinhos, e lemos para ele em diversos momentos do dia. Não temos muito uma rotina, ainda não incorporamos, por exemplo, a leitura antes da hora de dormir, mas estamos no caminho. Tem horas ele pede para lermos, tem horas o convidamos a sentar em nosso colo, ou ao nosso lado, e lemos para ele. Mas sempre é uma grande brincadeira.
mesmo sendo brincadeira, olha como ele tá compenetrado!!
E a idéia da leitura como brincadeira é o tema da campanha que o Instituto Ecofuturo, principal articulador da instituição do Dia Nacional da Leitura na mesma data do Dia das Crianças, criou para incentivar a leitura no país: "brincar de ler" é o feliz slogan da campanha, e também o mote da publicação "Passaporte da Leitura", que traz dicas de como tornar a leitura uma diversão vivenciada em conjunto por pais e filhos.
Pensando em tudo isso agora, me veio à mente que esse "Passaporte" teve papel fundamental nessa minha forma de introduzir o Caio aos livrinhos: quando eu ainda estava grávida, uma amiga querida que trabalha comigo na Teia me mostrou o passaporte, que havíamos recebido por sermos um Ponto de Cultura. Ela não tem filhos, e lembro que disse algo assim: "agora que você vai ser mãe, você tem que ver isso aqui com carinho". Cheguei em casa depois do almoço, deitei no sofá (ô saudade de fazer isso!!!) meio sem botar muita fé naquele que me parecia um "panfletinho qualquer" e, qual não foi minha surpresa ao ver a quantidade de informações e dicas preciosas sobre como estimular o prazer da leitura em bebês, crianças e até adultos, tudo em linguagem super acessível (e muito bem escrito!) e com uma qualidade visual que fez toda diferença para despertar minha atenção para o assunto. Adorei, guardei, mas me esqueci dele depois do nascimento do Caio. E agora, 1 ano e meio depois, recebi um exemplar do Passaporte não apenas para curtir, mas também para sortear aqui no blog.
Então, quem quiser ter em casa essa publicação pequenina, mas muito valiosa, acompanhada de um cd com a música comemorativa "Brincar de Ler", feita pela dupla (que eu adoro) Palavra Cantada, deixe um comentário nesse post com seu nome, nome dos filhotes e endereço de email ou blog para contato. Quem quiser ir além, contando um pouquinho da sua experiência na introdução dos pequenos aos prazeres da leitura, eu vou AMAR, e todos temos a ganhar! O sorteio será no próximo domingo.
Bom gente, a SMAM acabou... Foi uma semana intensa na blogosfera materna, muitos posts e histórias incríveis sobre amamentação. Foi também a minha primeira SMAM e primeira blogagem coletiva desde que criei esse cantinho aqui. Adorei participar!
Agradeço imensamente à Flávia, que foi a primeira a nos convocar a essa blogagem coletiva! Queria agradecer, em especial, a todas que contribuíram com as preciosas dicas de amamentação publicadas aqui no blog durante a Semana: sem vocês essa blogagem não teria dado certo! Também registro um agradecimento a todas que participaram lendo e comentando, que é o que alimenta essa troca de experiências tão bacana entre mamães, grávidas, tentantes e... simpatizantes! Rá!
Para aqueles que, como eu, não deram conta de acompanhar tudo que rolou na blogosfera durante a SMAM 2009, e quiserem ir lendo as postagens aqui do blog sobre a Semana aos poucos, é só clicar AQUI. A Flávia, do Astronauta, também fez um link bem bacana agrupando todas as surpreendentes histórias de amamentação que ela reuniu, quem quiser conhecer passa LÁ.
Por fim, no último minuto do segundo tempo, encontrei um site muito interessante que reúne alguns "conselhos" bem úteis tanto para a mãe que está amamentando ou pretende amamentar (para ver esses conselhos, clique AQUI), quanto para aqueles que devem e desejam apoiar a amamentação de alguma mamãe próxima (para ver esses conselhos, clique AQUI): vale a leitura, é bem didática. E é isso. Mais uma vez obrigada a todas, e voltamos à programação normal do blog!
Para fechar essa semana tão intensa de postagens sobre o tema da amamentação, participando de uma tripla blogagem coletiva (a super campanha do Astronauta e as blogagens do Mamys Blogs e do Síndrome de Estocolmo), vou postar aqui o relato que fiz para o Astronauta (e que foi publicado também no Pelos Cotovelos e Cotovelinhos), de forma que eu possa guardar essas reflexões também aqui no meu cantinho. Coloquei no título da postagem o "primeiro", pois esse relato foca em apenas alguns aspectos da minha história de amamentação com o Caio, e eu espero ainda poder falar mais da minha experiência de amamentação, tanto com o Caio, quanto com um próximo filhote (ou filhota) que virá daqui uns anos...
AMAMENTAÇÃO COMO UM PROCESSO COLETIVO Relato parcial de uma história feliz de amamentação Thaís e Caio
Antes de engravidar, eu nunca tinha prestado muita atenção em mulheres amamentando. Os dois contatos mais próximos que tive foram com minha cunhada e uma amiga querida, ambas com dificuldades iniciais com a amamentação: problemas com a pega do bebê, bico rachado, demora do leite para descer, introdução de complementos. Mas ambas deram a volta por cima (cada uma a sua maneira), insistiram na amamentação, e prosseguiram até perto de um ano ou mais. Minha impressão era que amamentar era dolorido e difícil. Mas, quando engravidei, fiquei tão focada no assunto “parto”, buscando informações e me preparando para garantir um parto natural, que quase não pensei na amamentação (e nem nos primeiros banhos, nas trocas de fralda, em quase nenhum assunto prático relativo ao pós-parto!). Nas últimas semanas da gravidez é que começou a cair minha ficha e eu fui ficando um tanto ansiosa, e despejando tudo em cima do maridão: “nós não fizemos cursinho de pais, não lemos livros sobre bebês, não sabemos fazer nada, não vamos dar conta!!!!!” E ele me aturando, dizendo que mais do que tudo isso, só nossa experiência é que ia nos trazer esse “saber-fazer”...
Nesse finzinho de gestação, tudo o que eu sabia sobre amamentação era que eu devia tomar sol nos mamilos para prepará-los; que existia uma pomada natural sensacional para rachaduras (Lancinoh, importada, que eu me virei para conseguir); que um parto natural favorecia uma descida mais rápida do leite; que amamentar meu filho na sua primeira hora de vida era um grande passo para minimizar problemas com a amamentação; que a liberação de ocitocina no corpo durante o parto, o nascimento e a primeira mamada do bebê era a grande responsável pelo sucesso da primeira interação mãe-bebê e, consequentemente, da amamentação; que o contato pele-a-pele era tudo o que eu precisava para estimular as primeiras mamadas e a formação de vínculos com meu filhote.... Embora não fossem muitas, possuíssem caráter pouco prático e estivessem focadas apenas na primeira mamada do bebê, hoje eu sei o quanto essas informações (adquiridas em conversas com outras mães, em listas de discussão sobre o parto, em alguns livros e revistas sobre gravidez e em conversas com minha doula, minha obstetra, minha parteira e a pediatra que escolhi para o Caio) foram determinantes para que minha história de amamentação fosse bem sucedida. Mas apenas elas não bastariam. Outros fatores – que eu não planejei durante a gravidez – também foram fundamentais nesse sentido, e falarei deles logo mais.
Antes, vamos aos fatos: conquistei o parto natural pelo qual tanto batalhei e, assim que nasceu, meu filho veio para meus braços. Eu não sabia nem como segurá-lo (nunca tinha tido contato com um bebê tão pequeno!), mas minha primeira reação foi colocá-lo junto ao meu peito. Ele apenas se aconchegou ali, sem nem sequer abrir a boca. Olhei para a parteira: eu devia fazê-lo pegar meu bico? Ela me respondeu que ele mamaria em breve, não era preciso pressa. Com ele aconchegado em meu peito, ainda com o cordão umbilical nos unindo, caminhei do banheiro (onde ele nasceu, dentro do box) para meu quarto, me deitei na cama com ele sobre mim e, com a ajuda da minha querida parteira, ele abocanhou meu peito e começou a sugar. Jamais esquecerei esse momento. O cordão umbilical foi cortado pelo super-papai (que participou ativamente de todo o parto, e não está sendo mencionado a todo tempo neste relato em razão do foco ser a amamentação) enquanto o pequeno ainda mamava, e foi outro momento inesquecível. Caio não mamou avidamente, apenas o suficiente para me bombear de ocitocina, para me fazer apaixonar perdida e eternamente por ele e para fazê-lo adormecer agarradinho em meu bico.
Horas depois, a segunda mamada foi o momento em que percebi que não sabia NADA sobre amamentar... Mas eu estava sendo maravilhosamente assistida por minha doula e minha parteira, e aqui está um dos fatores que não programei durante a gravidez (por falta de tempo para os ajustes finais, já que Caio nasceu dez dias antes do previsto): minha parteira me daria um super acompanhamento pós-parto, ensinando desde as pegas do bebê e posições para amamentar, até todos os outros detalhes práticos (e tão amedrontadores para uma mãe de primeira viagem) como os primeiros banhos, os cuidados com o cordão umbilical e etc. Sentada no sofá no quartinho do Caio, com ele em meus braços, instintivamente fui colocá-lo em meu peito, mas me faltava coordenação e informação. Minha primeira reação foi segurar o bico com os dedos em tesoura, como as mães de antigamente faziam (não sei nem de onde tirei isso, é o poder do subconsciente!!). Carinhosamente, Jamile, a parteira, me orientou sobre a melhor forma de auxiliar meu bebê a pegar o seio, e após alguns momentos mais desajeitados, eu e Caio fomos nos acertando (mas durante semanas eu penava para dar de mamar do lado esquerdo, a descoordenação era total!! Rá!). Também havia a afobação de mãe de primeira viagem: a cada paradinha que o Caio dava, eu ficava cutucando ele para voltar a mamar... até que Vânia, minha doula querida, que assistia tudo com uma risadinha marota, me alertou que ele precisava engolir o leite e respirar, por isso dava aquelas paradinhas... (dá-lhe falta de noção da aprendiz de mãe aqui!!! afe!).
A verdade é que, tão focada no parto como eu estava até então, eu não tinha me dado conta do suporte (prático e emocional) que essas duas figuras – doula e parteira – me dariam no pós-parto, em relação à amamentação especialmente, e, sem elas, eu provavelmente não teria sobrevivido tão bem a esse momento inicial da amamentação. Eu não podia imaginar, por exemplo, o que aconteceria com meus peitos quando o leite descesse... se elas não tivessem me prevenido sobre a tal da “apojadura”, que meus seios ficariam muuuuito doloridos, que o leite poderia empedrar e coisa e tal, eu certamente teria surtado. Caio dormia super bem nesses primeiros dias, e, quando o leite desceu, eu é que não conseguia dormir de tanta dor nos seios! As mamas enchendo, e o pequeno não dava conta de mamar tudo aquilo, inclusive porque – eu vim a saber depois – com o peito tão cheio ele tinha mais dificuldade para sugar, e o risco de machucar as mamas era ainda maior! O que fazer então??? Eu não tinha a menor idéia, mas elas estavam ali para me apoiar. Jamile me ensinou a ordenhar o peito, e me emprestou uma bombinha para retirar o excesso de leite (que, no próximo filho, com as informações que tenho hoje, procurarei doar para um banco de leite, coisa que não fiz dessa vez...). Foi o que me salvou, e garantiu a continuidade da amamentação sem maiores traumas.
A partir daí, eu e Caio engrenamos uma primeira, e a amamentação só melhorou. Durante um bom tempo elas me “supervisionaram”, eu fui aprendendo novas posições (o famoso “mama sutra”... rá!) e a pega do Caio ficou perfeita. Quando batia alguma crise, “será que meu leite está sendo suficiente?” ou “será que meu peito está produzindo leite?”, quando parecia que meu peito estava murchinho ou coisa assim, eu gritava por socorro e elas me acalmavam: aprendi que quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido; que a produção iria se adequar completamente à demanda (aliás, não me lembro em que momento, se antes ou depois do parto, tomei consciência sobre a amamentação em livre demanda, a qual adotei de corpo e alma); que, enquanto o bebê sugasse, jamais meu leite secaria, entre outras tantas coisas valiosas que me deram muita segurança.
Mas informação e apoio profissional, apenas, não garantem o sucesso da amamentação. Pelo menos é o que eu penso, e deduzo da minha experiência. É preciso todo um apoio afetivo no cotidiano, seja do marido, de familiares, de amigos... Eu recebi um suporte inestimável nesse sentido (o qual, quando estava grávida, eu nem imaginava o quanto iria precisar!): meu marido “comprou” a idéia da amamentação e me apoiava ao máximo (querem um exemplo prático? Como eu tinha que acordar, inevitavelmente, algumas vezes para dar de mamar na madrugada, ele se responsabilizava por todas as trocas de fraldas nesse período! Não é incrível? Eu troquei pouquíssimas fraldas do Caio nas madrugadas dos primeiros meses!!!), tanto aliviando algumas funções para que eu descansasse, como também valorizando e incentivando a amamentação em livre demanda; meus pais e meus sogros sempre acharam o máximo ver o Caio se desenvolvendo “apenas” com o leite materno (como eles diziam), propagavam isso aos quatro cantos e valorizavam muito minha atitude em relação à amamentação; meus amigos, colegas de trabalho e afins se acostumaram comigo dando de mamar para o Caio a todo momento e em qualquer lugar (até mesmo em reuniões), e faziam com que eu me sentisse confortável e sem constrangimentos quanto a minhas opções (como a livre demanda, por exemplo). É claro que todo esse apoio se deve, em parte, pelo fato de eu estar muito segura das minhas escolhas em relação à amamentação, de eu demonstrar muito conhecimento acerca da sua importância e benefícios e compartilhar as informações que possuía com todos eles... Ou seja, até mesmo para que esse apoio acontecesse, foi fundamental eu me colocar em uma postura ativa, construindo esse apoio ao meu redor, e não apenas esperando que ele acontecesse.
Foi assim também quando me vi angustiada por ter que voltar a trabalhar, ainda que meio período, sem saber como conciliar esse momento com minhas convicções de amamentar exclusivamente até o sexto mês de vida do Caio; quando meu filho não ganhou peso adequadamente em algum dos meses de amamentação exclusiva; quando se aproximava a hora de introduzir os alimentos ou quando começaram a nascer os dentes e eu temia pela continuidade da amamentação: continuamente buscando informações e trocando experiências com profissionais, grupos de apoio, amigas-mães mais experientes, mães internautas, etc. e construindo e contando com essa rede de apoio afetivo de familiares e amigos em torno de minhas escolhas, venho amamentando meu filho há um ano e três meses, desfrutando do prazer inigualável que isso me dá.
Obviamente, conforme Caio vai crescendo, essa rede de apoio afetivo começa a diminuir: nem todos compartilham ou compreendem a opção por uma amamentação mais prolongada, ou o desmame como um processo gradativo e natural que deverá acontecer no tempo da mãe e do bebê, sem maiores traumas, sem datas marcadas ou prazos pré-estabelecidos. Mas, como este relato já se estendeu mais do que devia (só para variar), deixemos este assunto para outras conversas...
A SMAM está acabando, mas a atenção ao tema do aleitamento materno deve ser contínua. Muitas mulheres enfrentam dificuldades, e nem sempre isso é enfocado em campanhas e meios de comunicação. Muitas vezes, a forma como a amamentação é apresentada resulta em ainda mais traumas, culpas e recalcamentos em mães que, por algum motivo, não conseguiram, não puderam, não quiseram amamentar. A amamentação (pelo menos aqui no Brasil), infelizmente, não é algo tão simples e natural como as campanhas fazem parecer. É necessário muito apoio, informação, persistência, aprendizado... Para muitas mulheres, conquistar uma amamentação tranquila e prazeirosa é quase uma operaçao de guerra, como também acontece com o parto natural. Pensando que são ambos atos fisiológicos, que o corpo da mulher está supostamente preparado para isso, parece óbvio que não precisaria ser assim. Mas é.
Um claro demonstrativo dessa situação são os inúmeros relatos que a Flávia, do Astronauta, recebeu, de mulheres que enfrentaram dificuldades as mais diversas durante a amamentação. E, aparentemente, muitas delas sofreram com isso. Não pretendo julgar os variados motivos que levaram a essas dificuldades, muito menos culpabilizar as mães que não conseguiram amamentar. Mas sempre fica aquela dúvida: poderia ter sido diferente? Não sei, mas creio que em muitos casos poderia. O fato é que existe uma mistificação muito grande em torno da amamentação, que em nada contribui para mudar esse quadro.
Pensando nisso, me lembrei de um post muito instigante da Taís Vinha, a Ombudsmãe, cujo título não poderia ser mais polêmico: AMAMENTAR NÃO É UM ATO DE AMOR. E achei que seria bem pertinente aproveitar que a SMAM está terminando para divulgar esse post e lançar uma reflexão sobre os perigos da mistificação de um ato que, mais do que natural e fisiológico, é também cultural, algo que deveria ser incorporado, corporificado, absorvido pela sociedade como um todo, e não apenas pelas mulheres. Deveria se tornar um hábito, um costume, uma rotina, que, de tão comum e cotidiana, pudesse tornar-se novamente, quem sabe um dia, natural.
E você, o que pensa sobre isso? Vamos refletir juntas?
[Nessa mesma linha de reflexão, vale também a leitura desse outro post da Taís e desse post da Sam Shiraishi, sobre o que ela chama de "divinização do leite materno"]
:: DICA DA FERNANDA, MÃE DO PITOCO (mais conhecido como Pitos!)
A Fernanda, mãe de um pequeno suuuuper esperto e arteiro, mandou duas dicas muito boas, que eu mesmo apliquei (e ainda aplico) com meu Caio. A primeira fala sobre uma posição deliciosa para dar de mamar para bebês sem dentes (mas eu ainda uso, mesmo com o Caio cheio de dentes!) e a segunda fala sobre como lidar com as mordidas do seu mamífero cheio de dentes, sem desistir da amamentação. Essa dica é super bacana, porque quando eles começam a morder o peito é estranho... eu, pelo menos, fiquei bem insegura se iria conseguir continuar com a amamentação do meu pequeno de dentes afiados, como falei AQUI... Então, com a palavra, Fernanda:
Oi, Thaís! Sou Fernanda, mãe do Pitoco, do blog Mãe de Garoto. Tenho duas dicas sobre amamentação - uma para bebês sem dentes, outra para bebês com dentes.
Dica para bebês sem dentes - Experimente amamentar deitados na cama. Meu bebê sempre gostou, principalmente porque ficamos coladinhos um no outro. Ele fica tranquilo e, normalmente, pega no sono. Alguns pediatras são contra, porque o leite pode ir para o canal do ouvido, mas outros acreditam que há benefícios nisso porque o leite materno faz bem, mesmo para os ouvidinhos! (rs) Meu pequeno nunca teve problemas de ouvido, ao contrário, tem 9 meses, mama muito até hoje (cerca de 5 vezes ao dia) e sempre foi muito saudável.
Dica para bebês com dentes - É inevitável: os dentinhos começam a nascer, o pequeno fica com nervosinho na gengiva e a probabilidade dele morder seu peito é grande. Se isso acontecer, tire o mamá de sua boquinha, diga que não pode morder e fique uns 5 minutos sem oferecer o peito. Ele vai entender, acredite! Pode ser que ele te morda no dia seguinte, mas se você repetir, ele não fará mais! Funcionou comigo, mas só depois de três mordidas seguidas. Seja persistente! Afinal, seu mamífero cheio de dentes merece toda paciência do mundo!
A Flávia pediu, eu atendi. É que a Magá fez um comentário ótimo nesse outro post, e concordei com a Flá: merecia virar um post, mais uma dica em meio a esta semana tão intensa de postagens e blogagens sobre amamentação. Então, novamente, com a palavra, Magá:
Em relação às dicas da Pat, concordo com quase tudo. A alimentação saudável e o descanso são realmente fundamentais para uma boa produção de leite, sobretudo no começo. Mas, todas as evidências práticas apontam que o que realmente estimula a produção de leite é mais e mais amamentação. Quanto mais seu bebê mamar, mais leite você terá.
Por isso, exceto casos patológicos, qualquer mãe que tenha, desde o início, um processo tranquilo e correto de amamentação certamente terá leite suficiente para nutrir seu bebê. Quando ele estiver maior, depois dos 6 meses, sua alimentação será naturalmente complementada por outros alimentos e ele não tem porquê sentir fome. Não vale mesmo a pena sentir-se culpada por não ter leite. Afinal, nosso corpo está preparado pra isso e se algo não está indo bem é muito provável que tenha a ver com fatores externos (tensão, cansaço, etc).
Acho que vc concorda comigo, né, Tha? [SIM!!!!!!!!!]
Beijos e parabéns por todo esse empenho em trazer informação para as mamães!
Voltar a trabalhar e prosseguir com a amamentação exclusiva é um grande desafio. No final da minha licença-maternidade, mesmo sabendo que eu só voltaria a trabalhar meio-período, eu fiquei muito angustiada e ansiosa, sofrendo por antecipação, sem saber se daria conta de prosseguir com a amamentação exclusiva, se me adaptaria a essa nova rotina de trabalhar e amamentar... Muitas mulheres passam por isso, daí a importância da dica que a Letícia enviou. E ela fala com conhecimento de causa: teve que voltar a trabalhar quando sua filha tinha apenas dois meses e meio, mas nem por isso deixou de amamentar, e sua experiência rendeu dicas importantes (para ler o relato de amamentação da Letícia, que também está a mil durante a SMAM, clique AQUI). Com a palavra, Letícia:
Minhas dicas para quem quer amamentar e tem que voltar a trabalhar são:
1) Negocie com o chefe os horários de amamentação e trabalho; 2) Procure um berçário pertinho do trabalho para que possa correr até lá nesses intervalos; 3) Compre, alugue ou peça emprestado uma bombinha elétrica (a manual não extrai em volume suficiente); 4) Após cada mamada, tire todo o leite de ambos os seios com a bombinha para garantir o suprimento nos momentos em que não conseguir estar presente fisicamente; 5) E a principal delas: diga não à mamadeira nesse período. Use copos de aprendizado com válvula para o bebê fazer força para sugar.
A Pat Feldman, mãe do Arthur e do projeto Crianças na Cozinha (que tem um site ótimo com o mesmo nome), está participando da blogagem coletiva convocada pela Denise Arcoverde, do blog Síndrome de Estocolmo, e fez um post com várias "dicas para uma amamentação saudável". Embora ao final do post ela fale sobre "leite insuficiente" e complementação, o que pode gerar polêmicas, as dicas que ela dá sobre alimentação da gestante e lactante são muito importantes, vale a leitura.
:: DICA DA FLÁVIA, MÃE DO JOÃO (o famoso "Astronauta")
A Flávia (uma das primeiras mães blogueiras que conheci), além de estar fazendo uma linda campanha durante a SMAM 2009, arrumou um tempinho e mandou uma dica para nós. Ela fala sobre o recolhimento e descanso necessários para que o corpo da mãe se adapte a essa nova fase de dedicação intensa ao bebê, fundamentais para o sucesso da amamentação. Com a palavra, Flávia:
DICA: Quarentena
Sei que é uma palavra um pouco antiquada, mas pode resumir muita coisa que eu acho importante para uma história de amamentação bem sucedida.
Após o nascimento do bebê, o corpo da mãe estará trabalhando constantemente para que tudo volte ao lugar e, somando a esta revolução, está um serzinho de em média 50cm que necessita de cuidados constantes, muito peito, amor e carinho. Resumindo, a mãe se encontra em uma nova dimensão e no primeiro mês de adaptação para a nova família, ela deveria se dedicar exclusivamente a descansar, amamentar, se alimentar com qualidade e, se possível, com comidinhas que favoreçam a lactação, fazer passeios curtos com o bebê e dormir, amamentar, dormir e amamentar.
O recém nascido tem um estômago muito pequeno, necessita mamar quase sempre que esteja acordado, à livre demanda e insistindo e oferecendo o peito se o bebê não mostrar muito interesse (cada vez que o bebê mama, estimula a produção de mais leite).
A mãe necessita descansar, deixar que a cuidem, não se preocupar com absolutamente nada além de cuidar e alimentar o pequeno bebê (por isso a importância da dica da Dani, informação ANTES do parto, e saber a quem recorrer nas dificuldades iniciais da amamentação).
No primeiro mês "todo lo demas" pode esperar. Passada a "quarentena" tudo fica mais fácil, e pouco a pouco a mãe pode ir se reincorporando à vida normal, dependendo da necessidade de cada uma.
Taí minha dica 3 x 1 : Quarentena: Descansar – Alimentação saudável – Amamentar a livre demanda.
Minha queridíssima amiga Magá, mãe da pequena Catarina, companheirinha do Caio, se empolgou com a idéia e, mais do que uma dica, escreveu um ótimo relato da sua experiência de amamentação. Acho que uma coisa bem bacana desse relato é que, além de mostrar superações de várias dificuldades, toca num ponto que poucas mulheres têm coragem de admitir: nem sempre amamentar é prazeiroso, ainda mais nos momentos iniciais. Acho muito legal a clareza dela sobre a mansa transformação de algo que, inicialmente, era quase um fardo, em um prazer tão grande que ela nem pensa mais em parar! Com a palavra, Magá:
Meu parto foi domiciliar, naturalíssimo. Catarina mamou imediatamente, dando início a um processo de amamentação correto, que me garantiu peitos fartos, jorrando leite a cada mamada. A enfermeira que fez meu parto, hoje minha amiga e conselheira, foi uma pessoa fundamental nas orientações, pra que tudo corresse bem – a tal da pega, a pomadinha milagrosa Lansinoh, que alivia as rachaduras...
No início, no entanto, a amamentação pra mim era um pouco pesada. Sem posição, com o bico do peito sempre muito sensível, a hora do mama era um tanto sofrida. Obrigação de mãe, muito consciente da importância do aleitamento, mas pouco envolvida com aquele prazer tão alardeado de dar o peito.
Catarina, segundo a pediatra, é uma menina com oralidade acentuada, ou seja, gosta (muito!) de sugar e, conseqüentemente, de ficar pendurada no peito. Por isso, a tarefa de fazê-la dormir era quase sempre minha: no peito, chupetando. Mais essa...
No natal, de tanto leite, sofri com um engurgitamento que me rendeu, além de muita dor, mais uma rachadura eternamente aberta. Mais dor. E eu lá, firme e forte. A tal da consciência...
Mas, eis que o prazer da amamentação veio se fazendo presente meio de mansinho, sem eu nem perceber. Na volta ao trabalho, o sofrimento já era outro: privar-me daquele momento que eu descobri que amava e substituí-lo por ordenhas de bombinha. Foi difícil. Mais difícil ainda foi a mastite, que me chegou com uma febre de 39º, em pleno carnaval. Peito duro, quente e vermelho. Herança da rachadura eternamente aberta, associada ao leite parado que a Catarina não mamou e que eu não ordenhei. Erro fatal para quem, como eu, produz leite pra dar e vender! Sim, meu maior problema é o excesso de leite e não a falta dele. Até hoje – minha bebê com quase 10 meses – sofro com engurgitamentos muito doloridos e com o incômodo do peito esguichando e encharcando a roupa cada vez que a pequenina começa a mamar.
Mas eu nem penso em parar. Continuo firme na livre demanda e a Catarina, apesar de tomar leite em pó quando eu não estou (raras vezes) e de comer super bem papinhas e frutinhas, também não dá sinais de que quer parar, não! E vamos nós! Agora ela já sabe pedir o mama: solta um vigoroso NENE!! E eu adoro!
Dica: prestar atenção nas orientações dos bons profissionais e recorrer a eles sempre que for preciso. Ter alguém de confiança, com quem podemos conversar e aliviar dúvidas e angústias é fundamental.
Entre os emails que recebi para esta semana de blogagens coletivas sobre a amamentação, alguns não eram propriamente dicas, e sim "mini-relatos" das experiências de algumas leitoras queridas aqui do Aprendiz de Mãe. Então, hoje, vou postá-los de forma agrupada, para que dialoguem entre si...
:: MINI RELATO DA DANY, MÃE DO CAIO
A Dany foi mãe bem cedo (seu filhote - xará do meu - já tem 6 anos!), e teve que enfrentar muitos palpiteiros de plantão, como ela conta nesse mini relato. Com a palavra, Dany:
Bom, tenho um pouquinho para falar sobre amamentação, sim. Eu poderia dar mil dicas, mas as dicas encontramos na internet, nas revistas e etc. Vou contar um pouquinho como foi a minha experiência. Eu fui mãe bem novinha, aos 20 anos de idade, e todos achavam que eu teria dificuldade para "me virar" como mãe. Então, tive meu baby (Caio) e na maternidade comecei a amamentar. Eu não sabia muito o que fazer com aquele bebezinho pequenininho olhando para mim. A enfermeira, com toda a paciência do mundo, me ensinou a colocar o Caio na posição correta, a estimular a amamentação, não deixar ele dormir até que mamasse o suficiente. Na maternidade, eu me sentia segura por causa das enfermeiras. Em casa não foi diferente. O instinto maternal aparece! Incrível! O Caio mamava toda hora. Meus seios doeram um pouco sim, mas nada insuportável. Não faltou gente querendo "tacar mamadeira" no meu filho. "Ih, você é maluca! Dá uma mamadeira que ele vai dormir a noite toda!", "Complementa com mamadeira", "Leite de peito não sustenta". Ouvi tantas pessoas do contra, mas resisti bravamente. Amamentei meu bebê só no peito até os 4 meses. Ele nunca ficou com fome (conhecemos isso pela carinha de felicidade), a amamentação só fez crescer o vínculo mamãe-bebê, não gastei dinheiro com aquelas marcas de leite carérrimas, o leite estava sempre "pronto" (nada de ter que ir pra cozinha no meio da noite) e eu me sentia uma mãe muito completa alimentando a minha cria. Além do mais, eu sabia que estava ajudando meu filho na prevenção de várias doenças porque o leite materno contém todas as vitaminas que o bebê precisa. O que as pessoas precisam acreditar é que não existe leite fraco! Ele é produzido na medida certa com os "ingredientes" certos para o bebê. A amamentação é uma experiência muito gratificante e é lindo! Meu filho hoje tem 6 anos e o dia que eu tiver outro filho, farei tudo novamente.
Beijocas!!!E viva a amamentação!!!
:: MINI RELATO DA VAL, MÃE DO ARTHUR
A Val, mãe do reizinho mais arteiro do pedaço, falou um pouco sobre a importância de persistir na amamentação, mesmo quando a vontade é de desistir. Com a palavra, Val:
Acho fundamental a amamentação, principalmente se ela puder ser exclusiva até os seis meses. O meu relato, não sei se é bem uma dica, é só um aviso para as mães de primeira viagem como eu sou: NÃO DESISTAM NUNCA e USEM SUTIÃ.
Ouvi muitas dicas antes do meu filho nascer. Umas interessantes, outras nem tanto. Não usei pomada preventiva, como me disseram, nem dei banho de sol nos meus seios. Pura displicência, eu sei, mas tive a sorte de meus seios não racharem. Agora, a dor que a gente sente nos primeiros dias é quase insuportável. Pensei em desistir, em dar o leite artificial até a dor passar, mas minha mãe insistia bastante e eu continuei firme, pensando no bem que estava fazendo ao meu bebê. Se, depois que a gente tem um filho, tudo que fazemos é em prol dele, a amamentação também é. Só por ele, continuei. Só pela saúde dele, não parei. Ele, sozinho, por vontade própria, aos onze meses, quis deixar de amamentar meu momento exclusivo com ele. E eu sofri com esse desmame muito mais que ele.
:: MINI RELATO DA JAQUE, MÃE DE MAIS UM CAIO!
A Jaque mora na Austrália, e o relato dela é permeado por essa experiência de amamentar um filho naquele país. Entre outras coisas, ela fala sobre a importância de relaxar e ter confiança no nosso corpo. Com a palavra, Jaque:
Oi Thaís... Nossa, agosto parecia estar tão longe, mas aqui estamos!!! E a primeira semana de agosto é a semana mundial de aleitamento materno como você já disse. Então aqui vão minhas dicas/experiências.
Sei que é fácil falar - difícil fazer, mas acho que um bom conselho para mamães que estão começando ou vão começar a amamentar é relaxar. Lembre-se que tanto você quanto seu bebê estão aprendendo.
Pra mim amamentar não foi tão difícil, o Caio nasceu quase um profissional em mamar e a parteira me ajudou bastante me dando várias dicas e um livrinho com perguntas frequentes e suas respectivas respostas, além de me apoiar psicologicamente.
Eu adoro ler e por isso quando estava grávida li vários livros sobre o assunto. Com a tecnologia de hoje em dia, você pode achar muitos artigos úteis online, o problema é que muitas vezes um artigo contradiz o outro e você não sabe no que acreditar. Nesse caso, escolha um site de confiança. Outro meio de tirar dúvidas é escrever suas perguntas e levá-las nas consultas com seu médico (escreva pra ter certeza de que não esqueceu nenhuma das perguntas, você sabe como o tal dos hormônios bagunçam nossa memória quando estamos grávidas/amamentando).
Aqui na Austrália muitas mães preferem dar aquele leite em pó para bebês ao invés de amamentar. Eu nunca entenderei porque elas não amamentam. Quando eu descobri que estava grávida, decidi que iria amamentar. É um dos presentes mais preciosos uma mãe pode dar. Algumas pessoas dizem que não conseguem (têm dificuldades), ou que não querem essa responsabilidade, ou simplesmente pensam que seios são nada mais do que objeto sexual. Amamentar não é sempre fácil, principalmente no começo, mas acho que nossos bebês merecem ser amamentados.
Eu nunca tive nenhum problema sério, a única coisa é que meus seios são grandes e quando meu leite chegou (uns 3 dias depois do Caio ter nascido) eles estavam tão pesados que eu mal podia levantar, minhas costas doíam e parecia que eu ia cair pra frente com o peso. O importante é que mesmo com as dificuldades iniciais você nunca desista. Acredito que a maioria das mulheres pode amamentar e os médicos têm muitos recursos para ajudar, se você tiver problemas.
Um dos desafios para algumas pessoas quando começam a amamentar é o fato de que o nosso até então "privado" peito vira um "objeto público". No começo eu tinha vergonha de amamentar em público, mas depois de um tempo percebi que não tem nada de mais, é natural! Se todo mundo come, bebe em lugares públicos, por que meu bebê não poderia?? E amamentar é tão conveniente, não temos que nos preocupar em comprar ou esquentar leite. O melhor de tudo, meu bebê recebe todos os nutrientes necessários em um "produto" feito especialmente pra ele.
Na foto está meu Caiozinho, ainda no hospital, com 3 dias de vida mamando.
Gente, essa blogosfera materna e mamífera é uma loucura!! Cada dia mais me impressiono, é tanta gente bacana, tantos blogs incríveis que até me perco. E essa Semana Mundial de Amamentação tem me levado a tantos posts interessantes, é meio que um portal sem fim, você entra em um blog, descobre outro e outro e outro... Uma coisa maluca, quase surreal mesmo. Mas tô achando demais, e conforme vou descobrindo, vou postando aqui, porque penso que essa é a idéia das chamadas "blogagens coletivas"... (talvez eu esteja meio deslumbrada, porque é minha primeira vez, mas é bom se deslumbrar de vez em quando, né não?)
Outros lugares por onde andei (além dos que já mencionei AQUI e AQUI), e que quero indicar aqui:
Adalene Sales - psicóloga cujo tema de pesquisa é a maternidade e a amamentação, está participando de uma blogagem coletiva durante a SMAM, com posts um pouco mais "técnicos" (não sei se posso chamar assim, mas não encontrei outra palavra melhor...), apresentando resultados de pesquisas, artigos, aspectos fisiológicos da amamentação, vídeos instrutivos etc.
Amamentando e alimentando um bebê com alergia alimentar - conheci esse blog hoje, através do Astronauta, e me impressionei muito! A Fernanda, mãe da Clara e da Isabela, está fazendo uma linda blogagem durante a SMAM, publicando "relatos de amamentar" - pequenas histórias de mães que amamentam seus bebês com alergia alimentar. Para mim, foi a descoberta de um novo universo de amamentação, que eu sinceramente não conhecia.
Blog da Evellyn - aproveitando a deixa da SMAM, a Evellyn, mãe da pequena Beatriz, escreveu um sincero relato da sua experiência com amamentação.
Futuro do Presente - a Ana Cláudia, que tem dois filhos e um enteado, postou um artigo bem interessante que detalha alguns aspectos não tão divulgados sobre o leite artificial, mais conhecido como "fórmula infantil", enquadrando-o como "junk food". Para pensar.
Luisa... Marina... Isabela... - a Carla, mãe de três meninas, fez um post curtinho, dedicado a SMAM, mas com fotos incríveis de amamentação que valem bem mais do que mil palavras!
Mamíferas - nem preciso dizer que sou fã delas, né? A Tata, a Kathy e a Kalu têm visões diferentes e complementares sobre gravidez, parto, maternidade, amamentação, e o blog delas foi muito importante na minha caminhada rumo a uma maternidade ativa. De certa forma, esse blog existe por causa delas: escrevi um post lá, como mamífera convidada, gostei da coisa e resolvi criar o aprendiz de mãe. Eu tava até estranhando elas não estarem participando da SMAM, mas hoje me deparei com o lindo post da Tata, que fala sobre a entrega que é amamentar um bebê. E até sexta as outras mamíferas postarão sobre o tema da amamentação também.
Síndrome de Estocolmo - eu não conhecia esse blog (vergonha!), e percebi que ele é uma referência na blogosfera quando o assunto é amamentação. A Denise Arcoverde, autora do blog e mãe da Bia, foi "a primeira responsável pela coordenação da Semana Mundial da Amamentação no Brasil (em 93!)", ou seja, de uma certa forma ela é meio responsável por isso tudo que têm rolado no país durante as SMAM de lá para cá! E desde 2006 ela vem promovendo blogagens coletivas na Semana, todas com adesão bem bacana! O blog tem postagens excelentes sobre o tema da amamentação, e está promovendo a blogagem coletiva novamente! Ainda dá tempo de participar, passem lá.
Afe! É tanta coisa... Mas por isso mesmo quis linkar aqui, para podermos ler um por um, com calma, sempre que quisermos. Aproveitemos as leituras!