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domingo, 8 de julho de 2012

AINDA NÃO ANDA?

Ai, posso falar, cansei dessa pergunta. Nuno completa (APENAS) 1 ano e 2 meses semana que vem, provavelmente até lá já estará andando sem estender sua mãozinha para nós e eu vou ficar morrendo de saudade desse breve tempo em que ele esteve a descobrir como é se equilibrar em dois apoios, como é ver o mundo mais de cima... Mas a pressão pra ele andar tá terrível, não tem uma pessoa que não faça essa pergunta ao encontrá-lo.

Andei pensando e, para mim, esta pergunta está no mesmo balaio de outra (que ouvi muito quando Caio tinha a idade de Nuno agora, e que ninguém mais tem coragem de me perguntar, por já saber a resposta), a fatídica: Ainda mama? Um mesmo sentimento de fundo as motivam: o de que os bebês de 1 ano já tem que ser independentes, não podem mais mamar, já tem que saber andar, dormir a noite inteira e por aí afora....  Sério, quase me enredei nesse caminho: quem pergunta não o faz por maldade, eu sei (ou espero), mas por vezes não imagina que possa causar um dano ao processo mãe-bebê. De tanto me perguntarem se ele já andava, ou, ao contrário, de tanto se espantarem porque ele "ainda não anda", comecei a encucar, a forçar a barra, a passar do ponto no estímulo. E - ainda bem - percebi a tempo que estava caindo na armadilha, mas... quantas mães não percebem e ficam achando que seu filho está "atrasado", ou tem algum "problema"? 

O fato é que Nuno, por ser segundo filho, é super espertinho desde bem pequeno, e todos que o conhecem (até o pai) ficavam apostando que ele engatinharia super rápido, que ele andaria super rápido e tals. Mas ele é sossegadão, é observador pra caramba e, a cada nova descoberta e aprendizado, ele ficava um bom tempo até passar para a próxima: primeiro se arrastando pelo chão feito minhoca até conseguir engatinhar, depois engatinhando até virar um ás veloz, depois se apoiando e andando de ladinho até descobrir que podia pedir nossas mãos e sair por aí, depois com uma mão só até ficar craque e quase correr e, nas últimas semanas, ganhar segurança pra dar uns passinhos conscientes aqui e ali, sempre se garantindo que teria onde se apoiar caso algo acontecesse (imagine o frio na barriga dos bebês, gente! é toda uma aventura aprender a andar!) ou, cautelosamente, interrompendo a caminhada e se sentando no chão. Agora ele já vai mais pimpão de um ponto a outro sem apoio nenhum, mas ainda não está totalmente seguro de si, e temos que respeitar isso.

Nós seguimos incentivando, comemorando cada conquista, o ajudando a avançar um pouquinho a cada dia, mas sem aquela nóinha que pairou por aqui por uns tempos de que "tínhamos que estimular mais", ou de que "ele está com preguiça de andar", ou de ficar comparando com Caio ou outras crianças nessa idade. É duro admitir que me peguei nesse erro, mas fico feliz também de que tenha durado pouco, que eu tenha percebido a tempo. Mas, depois de interrompido o ciclo do "vamos estimulá-lo a andar a todo momento", a tal perguntinha passou a me irritar ainda mais: será que é tão difícil respeitar o tempo dos bebês, das crianças? Porque de agora em diante, nesse raciocínio, será uma sucessão de perguntas: "já fala?", "já corre?", "já pula?", "já sabe as letras? os números?", já já já já............................ Pobres crianças e pobres pais. Eu saltei fora dessa barca, e espero sinceramente que ela não me pegue nunca mais (porque já estava me pegando também no quesito "letras" e "desenho" do Caio, mas esse papo fica pra uma próxima vez).

E, apenas pra ficar registrado, foi a mãe de primeira que me habita que puxou a orelha da mãe de segunda que vos fala, lembrando da magia que é acompanhar uma criança aprendendo a andar (porque mãe de segunda tem esse risco, por não ter mais aquele olhar de novidade pra tudo o que o filho faz, acabar perdendo a beleza desses momentos tão importantes).

sábado, 22 de outubro de 2011

O CORPO FALA

Caio raramente fica doente. Ele tem um pouco de alergia (meu gene ruim) e já teve uma ou outra gripezinha, mas nada sério. Um dos meus orgulhinhos bestas de mãe (alguns dirão que "é sorte", né Dani?) é ele nunca ter tomado nada além de homeopatia e algumas poucas doses de paracetamol. Nossas escolhas (controversas, por certo) em termos de parto, vacinas, medicamentos e cia sempre foram no sentido de fortalecer sua imunidade, e parece que vem dando certo.

Mas, na semana passada, mal eu estava me curando de uma 'virose' (no meu tempo era gripe, mesmo), Caio ficou ruinzinho. Uma molezinha, um corpinho mais quente que o costume, uma vontade a mais de chamego indicaram que algo não estava normal. Depois vieram catarro, tossinhas, falta de apetite, indisposição geral. E uma necessidade/vontade incansável de colinho da mamãe.

E a mamãe, saindo da doença, com várias noites maldormidas em sequência, com papai viajando, estava na casa da vovó, que tentava loucamente se dividir entre duas filhas sem marido com três netos pra ajudar a cuidar... Ou seja, foi o caos. No sábado, despenquei. Não aguentei, chorei, surtei, me senti a pior mãe (e a pior filha) do mundo. Ainda bem que o Dani já tinha voltado de viagem, e voltamos pra nossa casa. Domingo, tudo estava bem melhor, mas Caio ainda ficou em casa, sem ir pra escolinha, na segunda e na terça. E dividimos pais e filhos em dois quartos (eu e Nuno em um, Dani e Caio no outro), pra facilitar as acordanças noturnas.

Foram dias difíceis. Pra falar a verdade, ainda não me recuperei: estou cansada, estafada, com um humor oscilante que está me matando. Mas na segunda, quando fomos na consulta com a pediatra-homeopata dos meninos (de rotina, por sorte agendada nesse momento), tive uma injeção de ânimo: além dela elogiar muito nossas condutas com os meninos, ela ficou perguntando tudo sobre o Caio (fazia um bom tempo que ela não o via). E, ao saber que, além de toda a transformação que ele passou após o nascimento do Nuno, ele também "perdeu" o melhor amigo da escola, que mudou repentinamente de cidade (o post sobre isso ficou no rascunho), ela olhou para mim, satisfeita: "Nossa, Thaís, tendo em vista tudo isso, ele está ótimo. Ele poderia ter tido uma gripe bem mais forte, pois nosso corpo reflete nosso estado emocional. Ele demonstrou que tem uma capacidade de superação incrível, isso que ele teve não foi nada perto do que poderia ter vindo em decorrência dessas mudanças todas." 

Fiquei pensando muito nisso. Em como nosso corpo dialoga com nossa alma, nossas emoções. Em como as crianças podem ser mais ou menos suscetíveis a isso, dependendo da forma como conduzimos (nós, adultos) as situações. Em como podemos nos surpreender com a fortaleza de seres tão pequenos. Ele já está todo faceiro. E eu estou aqui, um verdadeiro bagaço de mãe-mulher-profissional. Mas vamos que vamos. Tenho certeza que ele e Nuno serão capazes de me ajudar a reenergizar nesse final de semana... E que venham dias melhores.


sexta-feira, 11 de março de 2011

O FIM CÔMICO DE UM DIA DIFÍCIL

Cinco dias de carnaval, chuvosos, praticamente o tempo todo dentro de casa (com raras saídas pra cineminha, casa da vó, casa de amigos). Tempo cinza, frio, quase mofamos. Imunidade caiu, do filhote e da mãe barriguda. Mas até que nos viramos, sacudimos a poeira, nos divertimos como deu, driblando febrinhas e tals.

Feriado acabou, o filhote ainda tava assim-assim e decidi ficar com ele hoje o dia todo, porque na escolinha, né? Todo mundo de nariz escorrendo e a coisa não sara nunca. E tem a homeopatia. E tem a vontade de esticar mais um pouco esse tempo integral juntinho. E então ele ficou.

Mas a casa tava uma bagunça, pilhas de louças, roupas pra lavar e aproveitar o solzinho que resolveu aparecer pós-feriado, almoço pra fazer. Da metade da manhã em diante eu e Caio nos separamos: ele ficou brincando sozinho, eu fui pra forca cuidar da casa.

Almoço saiu tarde, filhote com sono, muito stress e poucas garfadas.

Fome+sono+doencinha: combinação explosiva. Caio dormiu quase a tarde toda, mas acordou péssimo. Chilicou, fugiu de mim, tentou me bater, usou todo o repertório punk dessa fase. Consegui que comesse algo, e a coisa foi melhorando. Pero no mucho.

Pai chegou com colega de trabalho, ajudaram a distrair bem, conseguiram que ele comesse mais um pouco. Humor ainda instável, mas brevemente domado pela atenção de 3 (ufa!). Homeopatia em ação. Mãe barriguda esbagaçada - física e psicologicamente.

Bem na hora do banho, depois de todo o árduo processo de convencimento (né, mães?), quis fazer cocô. Maravilha. Antes de limpar, um minuto de distração e o danado saiu pela casa. Sentou no chão. Mais tarde descobri que tinha passado também pelo sofá (Rá!).

Não aceita tomar banho, chilique monster. Dirige toda sua raiva a mim. Quer o pai.

Sou obrigada a ouvir que "ele devia ter ido pra escola, você não tá dando conta dele assim". A culpa é sempre da mãe (né não, Dani?).

Tomo meu banho e vamos todos assistir um filminho. Sento ao lado do pequeno, puxo um papo: "tá de bem da mamãe?" Ele dá uma risadinha marota. Logo o pai sai e ficamos só nós. Dali a pouco ele está todo dengo-dengo de novo, deita no meu colo, vai ficando sonolento. O filme termina e a mãe aqui está chorando. Mas não, não pelo dia difícil, nem pela 'reconciliação' (!), mas de emoção com o filme mesmo... Toy Story 3!!!

Que tipo de pessoa, senão uma grávida, pra chorar assistindo uma animação com o filho, depois de um dia desses? (estão na minha lista de choros recentes também os filmes Carros, Nemo, Monsters e Toy Story 1).

Ponho o pequeno na cama com a certeza de que amanhã ele fica comigo de novo. E não, eu não sou louca. Sou uma grávida de 30 semanas, com todas as oscilações de humor que vêm no pacote, com um filho beirando os 3 anos, no auge das birras, falando feito gato e futucando o meu umbigo o dia todo (é uma delícia, mas tudo em excesso cansa, afe!), doentinho e irritadiço, mas que é de longe minha melhor companhia (desculpa aí, amor!). E amanhã terá minha atenção integral, que nossa ajudante semanal estará aqui pra cuidar do resto.

E, não digo nada se não terminar o dia chorando ao assistir Os Incríveis ou A Fuga das Galinhas, indo dormir de alma lavada como agora. Amanhã vai ser outro dia (assim espero...).

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O MISTÉRIO DA GUITARRA VERDE


Filhote acordou outro dia pê da vida (estávamos dormindo juntinhos na mesma cama). E eu, um olho aberto outro fechado, não conseguia entender o que estava acontecendo; eu tentava falar com ele mas ele estava bravíssimo, esperneando, incomunicável. Até que, com muito custo (e paciência de jó), eu consegui entender uma frase desconexa: "cadê a guitarrinha, cadê a guitarrinha?" Sem entender patavina, arrisquei: "que guitarrinha, filho?" Ao que ele respondeu, aos prantos: "A guitarrinha que eu tava tocando, eu tava tocando ela, cadê!"

Nessa hora, achei que tinha tido uma super sacada, pois lembrei que dois dias atrás ele tinha brincado de "guitarrinha" com uma escova de dentes, antes de dormir, e falei: "Ah, a guitarrinha! Mamãe vai pegar, ela tá no banheiro". E trouxe a escova de dentes toda alegrinha, crente que ia abafar. Mas o neguinho ficou ainda mais puto, começou a estrebuchar, pegou a escova e atirou longe, gritando enlouquecido: "essa não, a guitarrinha verde, a guitarrinha verde do Ben 10!"

Close na cara de tacho da mãe. Hein??? Guitarrinha do Ben 10? "Que guitarrinha do Ben 10, filho, você não tem..." "Aquela, aquela verde, que tava no vidro".

Espirais coloridas psicodélicas entram em cena para a mãe decifrar o mistério da guitarrinha verde no vidro. Túnel do tempo, UM MÊS atrás, fatídica ida ao shopping, dia que entrou pra história como o de nossa primeira "briga" (tô com um post sobre o tal dia no rascunho, não tive coragem de terminar, mas enfim), dia no qual ele viu uma bendita guitarrinha do Ben 10 na vitrine de uma loja. E eu que achei que ele tinha esquecido, e a tal guitarrinha não vem nos atazanar em plena manhã ensolarada?

Percebi que ele falava, emputecido, "cadê a guitarrinha verde? eu estava tocando ela, eu estava tocando ela". E, plin!!! Mãe com sono demora pra cair a ficha... Ele estava SONHANDO com a tal guitarrinha (eu mereço!), e ficou PUTO de acordar e não encontrar a dita cuja do seu lado... Daí vai a mamãe, com toda paciência matinal, cheia de pedagogia de travesseiro, explicar pra ele:

- Filhote, deixa a mamãe te contar uma coisa. (ele berrando, mas me fiz de sonsa) Você estava sonhando... Você sabe o que é um sonho? (nessa hora ele parou, me olhou fixamente, como que tentando perceber se eu tava dando uma de louca ou se era sério. Se convenceu que era sério e prestou atenção. Respondeu que não com a cabeça) Um sonho é uma historinha que a gente inventa na nossa cabeça. Uma historinha que a gente inventa quando está dormindo. E, às vezes, a historinha é tão boa, que parece que aconteceu de verdade, e aí, quando a gente acorda, fica bravo de descobrir que era um sonho... Por isso não tem guitarrinha aqui, entendeu? Ela tava no seu sonho...

E não é que funcionou? Ele olhou pra mim, repetiu a palavra "sonho", se espreguiçou, abriu um sorriso (ufa! é triste constatar que ele herdou meu mau humor matinal, mas, fazer o quê...) e deu um beijo na minha barriga. E o dia começou de novo, beeem melhor.


(no fim do dia, quando o pai voltou de viagem, eles foram tomar banho juntos. Depois, marido veio me contar, maravilhado, como era incrível a transformação do pequeno em apenas alguns dias que ele ficou fora, como a gente não percebe da mesma forma no dia-a-dia, e tal e coisa... Falou sobre "avanços cognitivos" e tudo, gente! E eu lá, intrigada: "mas o que aconteceu, de tão diferente, pra você estar tão maravilhado?" Aí ele contou que, no banho, o Caio veio com essa, todo todo: "Papai, vou te contar uma coisa, você quer saber? Eu tive um sonho, foi uma história na minha cabeça"......... Ele, que não sabia de nada, ficou ainda mais maravilhado quando contei tudo o que tinha acontecido de manhã.)


Agora, pra terminar: PORQUE RAIOS ESSE PENTELHO DO BEN 10 FOI APARECER NA NOSSA VIDA? Alguém pode me explicar? Gente, eu não tenho tv a cabo, não tenho o tal canal onde passa esse desenho, não sei nem o que esse personagem faz - mas tenho a impressão que ele não é dirigido a crianças tão pequenas como o Caio -, COMO FOI QUE MEU FILHO VIDROU NESSE BENDITO? Tá certo que há quase um ano atrás, quando fez aniversário, ele ganhou de um amiguinho uma camiseta do fofitcho, e também umas cuequinhas da vovó, e SÓ. Depois, só pode ser de ver coisas na escolinha - mochilas, sandálias, estojos e o c... a quatro - e pronto, TUDO O QUE ELE VÊ QUE TEM O DITO CUJO - acho que vou fazer que nem o Harry Potter, e parar de pronunciar o nome "dele" aqui em casa - ELE QUER... Mas daí a SONHAR COM A TAL GUITARRINHA... crueldade demais com o inconsciente do moleque, né não, gentes??? E com o consciente da mama que vos fala...................... suspiro e fim.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

VIVA A DIVERSIDADE (MATERNA)

A Camila, blogueira inteligente do Mamãe tá ocupada, escreveu um post essa semana que foi como um desabafo com algo que ela (e pelo jeito muitas mães internautas) consideram uma espécie de "bullying" materno. Mães que estariam contra mães, querendo impôr suas verdades e humilhando e diminuindo aquelas que seguem caminhos diferentes.

Eu, sinceramente, nunca senti isso nesses 2 anos e pouco de blog, nem durante o período da gestação, quando participei de algumas listas de discussão. Mas devo dizer que não é a primeira vez que vejo outras mães falando sobre isso, e parece que, com o 'advento' (bonito isso, não) do twitter e do facebook, as discussões maternas têm se tornado mais acaloradas. Como estou por fora dessas mídias (pelo menos por enquanto), não sei bem o que rola por lá, mas já vi outras blogueiras (como a Mari, do Viciados em Colo) também questionando a abordagem de algumas mães tuiteiras.

É fato que os temas da maternidade, em especial o parto e a amamentação, rendem muitas discussões, não apenas entre mães, mas também entre profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos, etc). E isso, na minha opinião, é muito bom, pois novas pesquisas vão sendo feitas e debatidas, tabus vão sendo derrubados, outras práticas se tornam possíveis. Acho que o problema, como a Camila tentou apontar, é quando isso deixa de ser um debate saudável e vira um embate, com lados opostos que se atacam gratuitamente, sem procurar verdadeiramente dialogar. O conflito, na minha opinião, é saudável, enriquece a sociedade. O quebra-quebra aleatório, não.

A Camila parte do argumento de que hoje, com o excesso de informação proporcionada pela net, a maternidade teria virado um grande check list dos "TEM QUE": tem que fazer isso, tem que ter aquilo, tem que saber sobre aquilo outro. Ela cita itens desses "TEM QUE" como sendo parte de um "enxoval obrigatório" que estaria sendo imposto às mães em geral:

"Você TEM que amamentar no peito exclusivamente por 6, 8, 10 meses; você TEM que ter parto normal (humanizado?); você TEM que alimentar o seu filho apenas com alimentos orgânicos quando ele deixar de mamar no peito, você TEM que ouvir música clássica durante a gravidez; você TEM que manter o seu filho bem longe do açúcar até ele completar 2 anos; TEM que fazer muitas outras coisas, senão?? Senão o quê?"

Eu discordo da Camila em alguns aspectos, como comentei lá no post. E me animei a fazer esse post também, justamente porque concordo com ela no essencial do seu post: cada mãe e cada filho são únicos, e, portanto, cada forma de maternar também. E é justamente isso que faz, na minha opinião, a blogosfera e as trocas digitais entre mães valerem a pena, pois sempre temos algo a trocar, algo a aprender. Como eu falei lá no comment, e repito aqui: opiniões e experiências diferentes existem e sempre vão existir, a grande questão é: estamos dispostas a compartilhar, dialogar e respeitar as diferenças?

Vejamos meu caso, por exemplo: eu QUIS ter parto normal. Descobri as listas e sites sobre parto e me joguei de cabeça. Procurei uma médica com quem pudesse dialogar sobre isso aqui onde moro (foi difícil achar). Descobri as doulas, e, melhor, que havia uma na minha cidade. Em um ponto crucial da gestação, minha médica me afirmou o que eu já havia intuído: eu não conseguiria um parto como queria com a estrutura hospitalar da minha cidade. Propus irmos para uma cidade vizinha, mas ela não topou. Eu já conhecia o parto domiciliar, através dessas listas e sites, e ele passou a ser uma opção. Falei com pessoas que já tinham tido a experiência, conversei com médicos e enfermeiras que faziam o parto em casa, achei uma enfermeira obstetra aqui na minha cidade. E optei conscientemente e deliberadamente por este tipo de parto. Quanto à amamentação: até meu filho nascer, não sabia praticamente nada sobre o tema. Pensei tanto no parto, que deixei de pensar em outras coisas igualmente importantes da maternidade. Mas tive muito apoio, como já contei aqui. Optei, conscientemente e deliberadamente, pela livre demanda, inclusive com indicação da pediatra. Conheci o sling, e me apaixonei pela ideia, sem que ninguém me tivesse imposto. Optei por não dar mamadeira, chupeta, paninhos. Optei pela homeopatia. Optei....

Ou seja, eu busquei a informação que desejava, encontrei opções que se afinavam com meus valores e estilo de vida, e ESCOLHI, a partir de muita informação - claro! - o que EU achava melhor para mim, para meu filho, para minha família. Não fui pressionada a isso. As informações estão aí para isso, para nos guiar em nossas escolhas, em todos os aspectos da vida. Acontece que, na era digital, da mesma forma como se disponibiliza muita informação confiável, novas evidências científicas, experiências individuais e coletivas interessantes, existe também muita porcaria e muito fundamentalismo, e cabe a cada um selecionar o que ler, onde buscar informação, com quem se relacionar.

Eu, particularmente, gosto de conhecer as pessoas com quem dialogo e troco experiências, mesmo que digitalmente. Procuro saber mais sobre quem comenta no blog, sobre os seguidores, sobre os visitantes, e tenho feito boas amigas assim: nem todas compartilham dos mesmos valores e experiências que eu, mas estamos dispostas a dialogar e trocar experiências, e isso é o que importa. Acho que temos o poder de filtrar a informação e os relacionamentos "virtuais", e, dessa forma, não sermos atingidos por essa maré do "TEM QUE" que ela mencionou, e que ecoou em quase todos os comentários do post.

Assim como as várias mães com que me relaciono pessoalmente ou digitalmente, eu tenho sim minhas ideias, minhas opiniões sobre parto, sobre amamentação, sobre alimentação, sobre tudo que envolve a maternidade, porque somos mães pensantes, que nos preocupamos verdadeiramente com a criação dos filhos. Falamos sobre isso em nossos blogs, é inevitável. Ao expôr nossa opinião é que podemos dialogar, trocar experiências e nos enriquecer, e isso tem sido uma constante nesse meu curto tempo de blogosfera.

Há, obviamente, que se ter cuidado com a forma de expôr essas opiniões, na vida "digital" e na de carne-e-osso: essa semana mesmo, na natação do caio, surgiu um papo sobre parto entre as mães. Uma delas me perguntou se eu tinha tido parto normal, eu disse que sim, e ela disse que eu tinha "cara de parto normal"... Para mim isso é um elogio, mas, vejam bem se isso não é um pré-julgamento... Quando eu disse que tinha tido em casa, então, a moça disse que já imaginava, porque me achava bem "alternativa". Hein?? Por outro lado, uma outra mãe, que tinha tido cesárea por opção, mesmo estando em processo de dilatação, se interessou pelo meu parto, e eu pela escolha dela (apesar de discordar e deixar isso claro para ela), e tivemos um bom papo, super respeitoso e enriquecedor. Ou seja, tudo depende da disposição dos interlocutores, e nós temos o poder de ESCOLHER com quem queremos dialogar e trocar. Por isso eu não chamaria de bullying, porque nós, mães, adultas que somos, não somos obrigadas a conviver com alguém que supostamente nos humilha (os pequenos também não, mas o poder de percepção e decisão deles é bem mais limitado que o nosso): podemos simplesmente dar um fim na situação.

Sinceramente, o que mais me surpreendeu e me intrigou após ler o texto da Camila, é que, tanto o post quanto vários dos comentários mencionavam as cesáreas e as dificuldades com a amamentação - ou seja, as pessoas que tiveram essas experiências (seja por necessidade, por conveniência, por vontade, enfim, as motivações são diversas como são as pessoas) estão se sentindo "pressionadas" de alguma forma, muitas se sentiram inclusive "diminuídas", daí a Camila ter falado em Bullying. E isso é muito triste, muito cruel mesmo. Por outro lado, vi comentários lá que demonstraram que a apreensão da questão mais ampla que essa discussão toda traz nem sempre é compreendida: mães justamente JULGANDO E ACHINCALHANDO (estou inspirada, hein) quem opta por parto natural, por fralda de pano, por amamentação prolongada, por alimentação orgânica... Uma mãe (não vou citar nomes) falou até em um "novo método materno hippie"... Ou seja, não entenderam bem o que a Camila quis dizer, eu acho, demonstrando, como tão bem disse a super Lia no comentário do post (e de forma mais desenvolvida - e bem divertida - nesse post), que "sempre haverá alguém para dizer que é melhor que você, independente das escolhas que você faça".

Então, esse meu post, por um viés um pouco diferente da Camila, soma-se ao dela como um manifesto pela DIVERSIDADE MATERNA, pelo respeito às diferenças, pela liberdade de escolha (e liberdade pressupõe informação, não se engane) e, principalmente, pela liberdade de expressão e pela disposição ao diálogo e à troca de experiências entre as mães!

Beijo, abraço e aperto de mão, vou parando por aqui, pois o assunto dá o que falar e minha lombar já está doendo...

[EM TEMPO: Em uma incrível sintonia bloguística, eu e a Paloma falamos sobre o mesmo assunto, ao mesmo tempo!! O post dela, excelente, está AQUI. A Dani, outra blogueira "chegada", também já tinha falado sobre assunto parecido há um tempo atrás, AQUI.]



terça-feira, 2 de novembro de 2010

AOS PAIS SEM NOÇÃO





Talvez vocês se assustem com o título e as imagens do post, mas é isso mesmo: hoje escrevo indignada com a falta de noção de alguns pais.

Fui ao cinema, neste fim de semana, assistir Tropa de Elite 2. O filme é bom, talvez ainda um pouco pesado pra uma grávida com emoções à flor da pele, como eu, mas não tem como não ser, ao tratar da complexa relação entre pobreza, violência e poder. Eu gostei.


Não vou dizer que foi fácil assistir ao filme, uma vez que, além de estar grávida, sou idealista, e trabalho justamente com pobreza e espaço urbano, ou seja, favelas, periferias e tudo o mais que elas representam (ou que nelas se estigmatizam). É sufocante assistir ao filme e ter a nítida sensação de que a solução está muito distante, se é que ela existe. Mas o pior não foi isso.


O pior foi assistir a todo o filme sabendo que, algumas fileiras à frente, uma criança bastante pequena também assistia a tudo aquilo. Isso sim foi uma tortura, durante toda a sessão. Meu marido viu a criança logo que chegamos, e comentou: "nossa, é uma criança ali, não é? Será que pode?" A criança estava acompanhada por três adultos. Fui me levantar para questionar os responsáveis pelo cinema, mas as luzes apagaram, e eu desisti.

A cada cena de violência, a cada tiro, a cada morte, eu procurava instintivamente a criança no escuro. A sensação angustiante do filme se multiplicava ao imaginar o que aquelas imagens estariam causando na cabeça - e nas emoções - daquele garotinho. Maridão tentava me consolar dizendo "pára de pensar nisso, Thaís, vai ver o menino até dormiu...". Pois é, porque além de tudo, a sessão era tarde, e o filme terminou mais de 10 da noite.

Mas não, o menino não tinha dormido. O filme acabou, e ele foi saindo de mãos dadas com o avô (imagino eu), seguidos da avó e do pai. Cruzei com eles na saída e não me contive: "Quantos anos ele tem?", ao que o avô respondeu, suposamente envergonhado: "3 anos... nem fala nada moça, já tô arrependido de ter trazido". Mas eu falo sim: "nossa, 3 anos! absurdo, né, porque esse filme é muito pesado! não é pra criança!" E ele, fugindo: "ai, nem fala, nem fala...".


Saí da sala e fui direto às responsáveis: "Vocês viram que tinha uma criança de 3 anos assistindo a este filme?" Elas, com caras de sonsa (e um pouco estupefatas pela minha reação), responderam: "A gente não pode fazer nada, ela tava acompanhada...". E eu, hormônios gravídicos a todo vapor: "Mas como assim, não tem censura de idade? Qual a classificação desse filme?" Elas: "Não tem censura, senhora, só classificação indicativa, que é de 16 anos para pessoas desacompanhadas. No caso, se estiver acompanhado dos pais ou responsáveis, não podemos barrar". Fiquei INDIGNADA, falei meia dúzia de impropérios pras moças e disse que queria um telefone de ouvidoria, para fazer uma reclamação formal. Elas, passadas, me deram um endereço de homepage, que seria o canal para o contato.


Dali, fui para o banheiro (aguentar um filme todo sem ir ao banheiro é tarefa ingrata para uma grávida) e lá desabei a chorar. Não somente pelo árduo do filme, mas por pensar naquela criança, e em tantas outras, VÍTIMAS DE PAIS E AVÓS SEM NOÇÃO. Porque, verdade seja dita, só adultos muito sem noção para levar uma criança para assistir um filme como esse, sem imaginar as consequências que isso pode ter. Eu mesma tive vários pesadelos aquela noite, que dirá essa criança.


E o pior é que isso vem se tornando corriqueiro. Não é difícil imaginar que, talvez, esse menino já tenha contato com violência significativa através de desenhos animados e jogos de videogame (outro absurdo, ao meu ver, tratado com naturalidade por PAIS SEM NOÇÃO: crianças pequenas, de 2 ou 3 anos, jogando videogame como se fosse a coisa mais inofensiva do universo).
Depois, ouvimos notícias de bullying, agressões gratuitas entre os jovens, violências físicas e simbólicas entre crianças cada vez menores, e a culpa vai para a escola, o professor, a TV, a propaganda. Mas não, a culpa é dos pais sem noção. Que são cada vez mais frequentes por aí, infelizmente.

[desculpem o tom agressivo do post, mas é mesmo um desabafo. e também uma tentativa de estabelecermos um diálogo franco sobre essas posturas que eu considero absurdas, concordem vocês ou não comigo]

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

EU SOU UMA MÃE DE VERDADE, E VOCÊ?


Sabe quando você passa o fim de semana inteiro grudadinha no filhote, curtindo em família? Então chega segunda-feira, e vocês acordam cedo, e brincam até o limite do horário de entrada na escolinha, e vão tomar um café da manhã especial juntos na padaria? E depois, na hora de deixar o filhote na escolinha, ele não quer ir, e chora, e você se despede dele assim mesmo, e se sente a pior das criaturas porque tem que deixar ele lá chorando e ir trabalhar? E aí você fica um trapo, e no caminho até o carro chora também, e chora ainda mais porque está naqueles dias? Pois é, hoje aconteceu isso comigo. Fiquei péssima.




Mas daí lembrei dessa linda campanha que conheci através da Flá e da Ombudsmãe e me confortei um pouco. Pensei que sou uma mãe de verdade, de carne e osso, e que nem tudo é perfeito e ideal como eu gostaria. E pensar na campanha me fez pensar na minha vida, na minha maneira de lidar com a maternidade, no que ando fazendo de bom e de ruim, no que ainda posso melhorar, no que tenho que aprender a lidar melhor... Essa campanha é bacana por isso, traz a realidade da maternidade, suas dores e delícias, para ser olhada de frente pela sociedade e por nós mesmas, mães. E as imagens são lindas, inspiradoras, nos põem pra pensar. Vale conhecer e assinar embaixo. Porque merecemos ser mães sem medo de ser feliz, e, acima de tudo, sem nos sentirmos culpadas e pressionadas por tudo o que fazemos ou deixamos de fazer. Embora, tenho certeza, vou chorar toda vez que tiver que deixar meu filho na escola chorando, porque tenho que trabalhar. Mas vou me sentir a melhor das mães quando puder deixar de ir trabalhar pra ficar brincando com ele, porque minha maternidade de verdade é essa, conciliar o filhote e o trabalho, em dias mais fáceis e flexíveis, e outros mais difíceis e rígidos. E vamo que vamo.

domingo, 31 de janeiro de 2010

A PRIMEIRA NOITE FORA COM PAPAI OU DEPRÊ DE MÃE



Depois do primeiro dia juntos longe da mamãe, da primeira semana sozinhos em casa enquanto a mamãe viajava e da recente iniciação ao futebol à distância da mamãe, agora pai e filho foram passar a primeira noite fora de casa sem a mamãe... Ó céus!

Pior é que fui eu que pedi: Dani ia pra Campinas fazer compras pra obra, eu tenho que trabalhar amanhã, ele topou fazer malabarismos para levar o filhote (valeu, amor!!), a vovó topou ficar com o pequeno (brigadão, vovó!), e tudo se resolveu. Levei pai e filho até Rio Claro para encontrar os super avós, e, na volta, se não fosse Chico César a mamãe aqui tinha embarcado numa bad trip, vontade de pegar o primeiro retorno e sair correndo atrás deles: "péraê, eu vou também!!". Me contive, chorei um pouquinho e fiquei pensando em como sou molona, como choro por tudo, imaginando que tipo de mãe eu serei quando meu filho for adolescente, homem feito... Concluí que serei igualzinha a minha mãe: ela chorava quando eu voltava aos finais de semana para a faculdade, e chora até hoje, quando Caio vai embora da casa dela. Serei IDÊNTICA, tenho certeza. (chora não, hein, mami...)

Até que me aguentei forte na estrada. Mas quando cheguei em casa, aquela penumbra do fim do dia, uma lâmpada queimada na sala, chovendo lá fora e aqui dentro fazendo tanto frio, brinquedos espalhados pela casa inteira, a casa vazia... não me aguentei, abri o maior berreiro mesmo, me consolei feito louca com a Taipa (nossa cachorra!), e agradeci aos céus por não ter uma barra de chocolate por perto, porque senão o regime da semana toda teria ido pro saco. Mamãe em momento deprê-master, foi foda. E aí, como não tinha chocolate, meti a cara no trabalho, afinal foi só por isso que liberei a noitada dos meninos.

Imagem daqui.

domingo, 27 de setembro de 2009

O CHORO QUE VEM DEPOIS


Já era noite. Eu e Caio sozinhos em casa, nos preparando para a curta viagem até a casa da vovó e do vovô. Eu carregava o carro rapidamente, enquanto ele se distraía na sala. Então ele veio até a porta, eu já fechava o portão. Estava há menos de um metro de distância dele. Ele foi descer o degrau para a garagem, mas olhava para mim, pisou em falso... "Vai cair!" E popof!! A antevisão do tombo não me garantiu evitá-lo: "meu reflexo foi lento demais!" seria a frase que me perseguiria nas horas seguintes. Enquanto eu via o tombo, corria para segurá-lo, mas não deu tempo. O tombo foi feio, o menino quicou no degrau, deu uma semi pirueta e caiu no chão. O coração disparado, os braços estendidos para aninhá-lo, o choro de cortar o coração. Apesar do desespero, tento racionalizar: olho Caio de cima abaixo, "cortou? tem sangue? tá machucado?", vou inspecionando cada cantinho, ao mesmo tempo em que o abraço forte. Vou ao banheiro para lavar rosto e mãos do pequeno, e o sangue começa a escorrer do nariz. D-E-S-E-S-P-E-R-O! Era a segunda vez que via sangue nele, a primeira no nariz. E o medo de ter quebrado??? Tentava estancar o sangue e analisava aquela bolinha perfeita que ele tem no rosto: não parecia ter quebrado, mas tinha uma marca de batida no alto do nariz. Vamos para a sala, coloco ele no peito para conseguir limpar melhor o sangue: em poucos minutos ele estava reestabelecido, me olhando e rindo, fazendo graça com o mamá, o sangue estancado. ALÍVIO IMEDIATO. Tento ligar para a pediatra, em todos os telefones, e NADA (droga!). Caio já está no chão, alegrinho, brincando. Decido ligar para o pai, que está a milhares de quilômetros de distância (sabia que não ia resolver, mas pelo menos ia dividir a agonia...): ele me consola - "nariz é sensível mesmo, qualquer batidinha sangra", me tensiona - "mas você que está aí vendo, parece que quebrou? ele tá bem?", me puxa a orelha - "vê se deixa a porta fechada da próxima vez..." (grrrrrrrrrrrrrrrr!) e me alivia "se ele tá brincando, tá tranquilo, é porque tá tudo bem, fica calma!". Ok, beijo-tchau. Resolvo ligar para uma amiga-mãe mais experiente do que eu: "menino é assim mesmo, Thaís, ih, vai sangrar muito esse nariz! Se ele mamou, não vomitou, não dormiu, tá alegrinho é porque tá tudo bem. Espera um tempinho pra ver se ele fica bem mesmo e pode ir tranquila." Espero. Observo. Olho mil vezes, "essa luz não tá boa, vamos pra cozinha", olho de novo, aperto pra ver se sente dor, "tá doendo filho?", olho de novo, "será que quebrou? acho que não, ele não sente dor... mas tá ficando roxinho! levo ele no pronto atendimento? ai, mas aquele ambiente horrível, vão fazer raio x nele, tão pequeno..." Um incessante e agoniante diálogo interno se processava, e ele ali, brincando, fazendo graça. E fez um baita cocozão. "Ele tá bem" foi a sentença final do diálogo. Com ele no colo, tirei as bolsas que já estavam no carro, limpei o dito cujo, troquei, coloquei tudo de volta no carro, coloquei ele na cadeirinha e peguei a estrada. Meu pai me liga na saída da cidade, conto o que aconteceu, digo que logo estou chegando. Em minutos Caio dorme. E eu desabo numa choradeira sem fim, torneira aberta para aliviar o coração. Porque mãe tem que ser forte e aguentar o tranco, mas não é de ferro.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

URUCUBACA



Bom minha gente, cá estou eu, "catando milho" no teclado com a mão esquerda: estou com o braço direito engessado, alguém acredita?

Pois é, a bruxa está solta por aqui. Depois da virose do Caio, quando ele parecia estar curado, eis que no último domingo teve início uma diarréia daquelas! A dita pode ser resultado da grande quantidade de catarro engolido pelo pequeno (o mais provável, segundo a pediatra), de algo que ele comeu numa festinha no sábado anterior ou, ainda, de algum parasita (vírus, bactérias etc - hoje em dia qualquer coisinha que as crianças têm é diagnosticada como virose, né...), somado à possibilidade de termos mais dentinhos a caminho... O fato é que já são seis dias de tormenta para ele, e de aflição para nós.

E, como se isso não bastasse, mamãe, papai e vovó tiveram, um dia depois, uma intoxicação alimentar por conta de um sanduíche de feira. Fiquei detonadona na segunda, com "piriri" e vomitando muito, não conseguia comer nada. E dando de mamar pro pequeno... fiquei super fraca.


Vocês devem estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com o fato de eu estar com o braço engessado... é que, de tão fraca, na madrugada de segunda desmaiei no banheiro, caí em cima da mão e trinquei o pulso. O prêmio: três semanas com o braço engessado, bem no momento que o pequeno está precisando tanto de nós...
O super papai está se desdobrando para dar conta de quase tudo sozinho, e eu a cada dia desenvolvendo novas habilidades com a mão esquerda para tentar ajudar no que dá...

Tenho tentado dar uma de Poliana e pensar do ponto de vista do que poderia ter sido pior (e olha que poderia mesmo!),
que eu tive sorte (!) de não ter batido a cabeça ou não ter caído com o Caio no colo e coisa e tal, que eu vou desenvolver o meu lado esquerdo do cérebro e ficar super-ultra criativa (rá!), mas a verdade é que a urucubaca pegou forte por aqui. Então, dá-lhe sal grosso, benzedeira e o que mais puder ajudar para circular as energias. Quem for de reza e quiser dar uma força, sempre é bem-vinda. E na vitrola, "Embala Eu", na voz de Clara Nunes e Clementina: "Tira os olhos grandes de cima de mim para as ondas do mar"...

domingo, 22 de março de 2009

MULHER-MARAVILHA



Como bem disse a querida Magá, mais uma aprendiz de mãe nesse mundão-de-meu-deus, bastou a gente se tornar mãe para virar também mulher-maravilha. Filho, marido, casa, trabalho(s), família, amigos, escolinha, corpo, mente, empregada, (artigo pra congresso, regime, festinha de um ano) etc etc etc... tudo isso somado a pelo menos um ano e meio (no meu caso) de noites de sono intermitente... É muita coisa para administrar e conciliar e, como se já não bastasse nossa auto-cobrança - temperada com doses cavalares da tão famosa culpa materna - para fazer tudo do jeito que consideramos perfeito (não aceitamos nada menos que isso), ainda temos que ouvir por aí: 'você precisa se cuidar mais' ou 'você tem que fazer doutorado logo, né'...

Mãe não pode ter mau humor. Cara amarrada, nem pensar: 'nossa, como você tá estressada, credo!' Temos que dar conta do recado, sempre lindas, sexies e sorridentes: as verdadeiras mulheres-maravilha. E o pior é que só as mães sabem disso: o resto da humanidade (e aí eu estive incluída até há bem pouco tempo atrás, antes do Caio nascer - desculpa, viu, mãe!), principalmente a maioria dos homens (rá! não podia passar sem essa!), nem se dá conta disso, é como se tudo fosse tão natural, tão simples, tão igual. Alguém aguenta?

Vejamos um sábado na vida desta mulher-maravilha que vos fala: acordei com o filhote resmungando, às 6hs da manhã (depois de uma noite que não foi das melhores, já que ele estava meio doentinho). Dei mamá pro bichinho. Enquanto o pai trocava ele, fui pro mercado perto de casa comprar o café da manhã e alguns itens que faltavam pra fazer a papinha do Caio. Preparei o café, que tomei brincando com o ele. O pai saiu. Tirei a mesa, e o filhote já estava com soninho: mamá novamente. Aproveitando a soneca do pequeno, fui preparar sua comidinha: quando estava no meio processo, ele acordou manhosão (como todo bebê doentinho) e quis colo. Coloquei ele no sling e continuei fazendo a papinha. O pai voltou, e deu a frutinha da manhã, enquanto eu me arrumava para ir ao supermercado (fazer as compras do mês, já que eu não tinha conseguido ir durante a semana e a despensa estava completamente vazia). Lista em punho, fui. Com o carrinho quase completo, minha irmã (querida titia, que veio nos visitar) me ligou, já estava na rodoviária. Deixo o carrinho no super, vou buscá-la e volto para finalizar a compra. No meio do caminho lembro que está na hora da homeopatia do Caio, e ligo para lembrar o pai, já impaciente com minha demora (!). Chego em casa: filho quer colo, pai de bico, compras pra descarregar e guardar, papinha do nenê para dar, louça pra lavar, almoço pra fazer, vontade de tomar cerveja e botar o papo em dia com a Flá, fome. Depois disso tudo, com o almoço pela metade, o filhote com sono, hora do mamá, paro tudo e vou. Ponho ele dormindo no berço, completo o almoço, comemos, o pai tem que sair novamente. Finalizo o convite da festa de aniversário de um ano do filhote (é, tem isso ainda!). Descanso um pouco, e logo o filhote acorda. Brincadeiras, mamá, gotinhas, frutinha... o pai tinha trabalho pra fazer. Mais brincadeiras, hora do papá, vovô e vovó chegam: vamos passear à noite, ainda bem, porque o dia tava feio e não saímos de casa o sábado inteiro. Fazemos o esquema banho-família, me arrumo a jato que já estava ficando tarde, nenê com sono, hora de mamá... Chegamos no barzinho, Caio acordou, tinha uns amiguinhos e ele ficou agitado. Vovó, vovô, titia e papai ajudaram bastante, eu até consegui conversar, comer e me divertir um pouco, mas tem aquelas horas que só a mãe resolve. Colo daqui, tetê de lá, chororô e o pequeno dormiu. E eu já caindo de sono também. Cheguei em casa, pus o bichinho no berço, ainda dei uma geral nos brinquedos espalhados pelo chão, e caí na cama, torcendo para essa noite ser melhor (e foi) e o domingão também (está sendo).

É minha gente, ser mãe é uma delícia, adoro e nasci pra isso, mas mulher-maravilha também quer descansar no sabadão, que ninguém é de ferro...

Imagem daqui.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

UM DIA ESTRANHO


Hoje tive que ir à Piracicaba a trabalho e, pela primeira vez, fiquei mais de um período longe do Caio: foram dez horas sem o bichinho por perto, quase uma tortura!

Dei mamá logo que ele acordou, e lá fui eu. A parte da manhã até que foi tranquila, afinal, há duas semanas já temos ficado separados neste período do dia. O problema começou quando chegou a hora do almoço: meus peitos já estavam bombando, pois era hora do pequeno mamar... Fui ficando meio angustiada, uma sensação estranha que misturava ansiedade e inquietação - eu pretendia voltar logo depois do almoço, mas por prudência profissional resolvi ficar, não sem antes me pendurar no celular para deixar tudo encaminhado com o super papai e a super vovó em casa, já que, além de tudo, tínhamos consulta com a pediatra à tarde.

Nessa altura, comecei a achar que um dos peitones ia dar bandeira e vazar no meio da reunião (maldita inexperiência, eu bem que podia ter levado a bombinha pra tirar um pouco de leite...), e isso foi me deixando ainda mais esquisita. Resolvi ir ao banheiro um pouco antes da reunião se iniciar, para tentar ordenhar um pouco com a mão, e, de fato, foi um grande alívio, que me permitiu ficar mais algumas horas na atividade (mas que foi esquisito, foi, ficar dentro de uma cabininha de banheiro ordenhando o peitão... afe!). Mesmo assim, eu sabia que minha presença ali tinha um prazo de validade, determinado pelos peitões, que me davam a sensação de estarem inflando numa velocidade alucinante, e, pior, eu achava que todos estavam percebendo que eu estava ficando deformada, com um peito maior que o outro... Rá!

Enfim, chegou uma hora que não deu mais pra aguentar: além dos peitones, tinha aquela ansiedade, uma pressa de chegar logo em casa, pegar o filhote e botar pra mamar... Pedi para o Marcelo, que tinha ido comigo, voltar dirigindo, e vim embora rezando pro leite não empedrar. Cheguei em casa e nem guardei o carro na garagem, eu queria logo pegar o Caio, abraçar, beijar, espremer, fazer cosquinha... e, principalmente, "plugar" ele no meu peito (como bem definiu a Flávia)! Só que o bichinho estava dormindo!! Fui até o quarto, peguei ele com cuidado, e em poucos segundos ele estava mamando, sem nem sequer abrir os olhos, tão naturalmente, como seu estivesse ao lado dele o dia todo. E eu me desabando a chorar, pensando sobre que sentimento maluco é esse que temos por nossos filhos, que saudade enlouquecida é essa que sentimos ao ficar algumas horas apenas longe deles...

Sei que, no fim, ele ficou super bem, curtiu o dia ao lado da vovó, enquanto eu passava mal de agonia longe dele. Foi um dia bem estranho, mais pra mim do que pra ele... Mãe é mãe, né...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

GOLPE BAIXO



A mãe atravessou a rua com o filho de uns três anos [eu acho, porque até agora só sei identificar no olho a idade de bebês pequenos como o Caio...]. Ela já estava cansada de carregar o menino. Na outra esquina, um carro de polícia. A mãe não teve dúvidas e falou, fingindo afobação: "Filho, vai pro chão, desce do colo, que se a polícia ver [sic] você no colo eles levam a mamãe!" E foi colocando apressadamente no chão o filho, que a olhava visivelmente angustiado. Então, depois de dado o golpe, tentou amenizar: "Aproveita que você tá no chão e vai chutando sua bolinha até o carro, filho".

Fiquei chocada com a cena! Ok, a mãe estava cansada. Mas achei um absurdo ela recorrer a um golpe baixo desse para convencer uma criança. Eu acredito que com carinho, paciência e criatividade é possível estabelecer uma relação bem mais honesta com um filho. Mas sempre vai ter alguém pra me dizer que eu penso isso só porque meu filho ainda tem 9 meses, "espera ele crescer um pouquinho para você ver!" Sai pra lá urubu!!!

Imagem: http://www.gettyimages.com.br/

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

ENTRE A RAZÃO E O INSTINTO



...este texto o Dani me pediu para publicar como comentário do texto anterior, mas achei que seria legal postar também aqui, pois mostra outro lado da moeda...

Minha sensação neste período de quase oito meses como pai, marido e homem é que tenho vivido diferentes momentos, na maioria das vezes muito bons, mas que de alguma forma oscilam radicalmente entre a razão e o instinto. Isso já era perceptível antes mesmo do Caio nascer. Se bem que nesta fase pré-natal este convívio era, pelo menos para mim, muito mais um acompanhamento, um aumento do companheirismo e um grande exercício de tolerância.

Depois do nascimento, minha compreensão sobre o instinto humano e os cuidados com a cria se transformou completamente, mudando inclusive minha maneira de ver o mundo que me cerca e conseqüentemente a maneira de me inserir neste mundo. Toda esta mudança trouxe consigo os gostos e desgostos de uma nova fase, com novos compromissos, necessidades e demandas. Como diria um amigo: “Bem vindo ao mundo selvagem!”.

Os processos que ocasionaram estas mudanças em mim estão intimamente ligados à maneira como a vinda do Caio se deu e como lidamos com ele desde então. Desde o fato de na hora do parto segurar a Thaís pendurada em meu pescoço, mesmo tendo uma grave lesão na coluna, adquirida quinze dias antes, até ver meu filho nascer no boxe do nosso banheiro, em seguida conversar com ele para então decidir seu nome, dar o primeiro banho de sua vida, e daí por diante, passando por fraldas, trocas de roupas, banhos, acalentos e todos os outros tratos que biologicamente um homem pode prover seu filho.

Tenho convicção que várias das transformações que me ocorreram têm relação direta com uma interação maior com o instinto humano, ao mesmo tempo que reconheço em meu cotidiano uma forte racionalidade que constrói meus atos. Minha relação com o Caio é permeada pelo instinto e pela razão, já a relação da Thaís com ele é dominada pelo instinto, com lampejos de razão. Com todas as mudanças em nossas vidas o mais difícil está em reencontrar o equilíbrio que existia na relação entre eu e ela. Ao mesmo tempo em que ela é puro instinto, em determinados momentos seu comportamento chega a ser quase irracional, de tanto procurar emplacar uma “dita” racionalidade, como por exemplo na sua intenção de construir forçosamente uma rotina para o Caio e conseqüentemente para mim. Do instinto do choro, do acalento e da proteção, surge uma irredutível personalidade que institui a realidade ao seu entorno. Ufa!!! Como diz o ditado: “rapadura é doce mais não é mole não”.

Imagem: http://www.gettyimages.com.br/

domingo, 23 de novembro de 2008

A MATERNIDADE E A PATERNIDADE 1



Desde que o Caio nasceu, uma reflexão que me rondava durante a gravidez virou quase uma certeza: como é importante o equilíbrio masculino/feminino para o bebê (e para a mãe)! Falo, aqui, a partir da minha experiência, convivendo com um pai super presente e participativo como o Dani.

As visões e vivências femininas e masculinas da maternidade/paternidade são muito diferentes. Isso fica a cada dia mais evidente para mim, e não é fácil lidar com essa diferença.

Como mãe, me vejo muito preocupada em acertar, muito atenta aos mínimos detalhes e quase que "obcecada" por construir uma rotina com o Caio. E muitas vezes me sentindo culpada por achar que não estou fazendo o melhor, porque tive que levá-lo para uma reunião de trabalho quando ele deveria estar em casa, ou porque estava na rua na hora em que ele devia tirar uma soneca...

Já o pai... sua maior preocupação é curtir o filhote, sem muitas rédeas, sem ficar "aprisionado" a uma rotina... Fazer as coisas quando acha que é o melhor momento, quando está a fim, sem se apegar muito a horários e sequências. Se passou da hora de comer, tudo bem, come mais tarde. O filhote dormiu na hora de tomar banho, paciência, fica sem banho hoje.

Sem dúvida, é um jeito muito mais leve de encarar esse momento. Entretanto, isoladamente, ele não funciona. Por outro lado, o risco de virar um stress minha tentativa de construir uma rotina é grande. Sem contar que, como bem disse a Denise Fraga num ótimo texto na revista Crescer, corro o risco de adquirir um "calo de mãe" e me tornar autoritária em todas as esferas da vida.

Vira e mexe o maridão alerta: "Você está acelerando..." É a senha para me dizer que estou passando do ponto, que estou me deixando levar demais pela rotina e perdendo a oportunidade de curtir mais cada situação, sem que tudo esteja absolutamente programado e encadeado. Em outros momentos, é minha vez de puxar a orelha e alertar para a necessidade de um passeio gostoso em família, para o sono do pequeno, ou para a hora de comer.

Nem sempre esse equilíbrio funciona. Muitas vezes, a balança pende para um dos lados. Em várias delas, o tal "calo de mãe" (mesmo que de mãe recente!!) aparece, e eu preciso mesmo parar, tirar o peso das costas e deixar as coisas fluirem a seu tempo. E nessas horas agradeço por ter ao meu lado um excelente companheiro de gangorra, que me ajuda a seguir mais leve nos altos e baixos da jornada.

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