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sexta-feira, 11 de março de 2011

O FIM CÔMICO DE UM DIA DIFÍCIL

Cinco dias de carnaval, chuvosos, praticamente o tempo todo dentro de casa (com raras saídas pra cineminha, casa da vó, casa de amigos). Tempo cinza, frio, quase mofamos. Imunidade caiu, do filhote e da mãe barriguda. Mas até que nos viramos, sacudimos a poeira, nos divertimos como deu, driblando febrinhas e tals.

Feriado acabou, o filhote ainda tava assim-assim e decidi ficar com ele hoje o dia todo, porque na escolinha, né? Todo mundo de nariz escorrendo e a coisa não sara nunca. E tem a homeopatia. E tem a vontade de esticar mais um pouco esse tempo integral juntinho. E então ele ficou.

Mas a casa tava uma bagunça, pilhas de louças, roupas pra lavar e aproveitar o solzinho que resolveu aparecer pós-feriado, almoço pra fazer. Da metade da manhã em diante eu e Caio nos separamos: ele ficou brincando sozinho, eu fui pra forca cuidar da casa.

Almoço saiu tarde, filhote com sono, muito stress e poucas garfadas.

Fome+sono+doencinha: combinação explosiva. Caio dormiu quase a tarde toda, mas acordou péssimo. Chilicou, fugiu de mim, tentou me bater, usou todo o repertório punk dessa fase. Consegui que comesse algo, e a coisa foi melhorando. Pero no mucho.

Pai chegou com colega de trabalho, ajudaram a distrair bem, conseguiram que ele comesse mais um pouco. Humor ainda instável, mas brevemente domado pela atenção de 3 (ufa!). Homeopatia em ação. Mãe barriguda esbagaçada - física e psicologicamente.

Bem na hora do banho, depois de todo o árduo processo de convencimento (né, mães?), quis fazer cocô. Maravilha. Antes de limpar, um minuto de distração e o danado saiu pela casa. Sentou no chão. Mais tarde descobri que tinha passado também pelo sofá (Rá!).

Não aceita tomar banho, chilique monster. Dirige toda sua raiva a mim. Quer o pai.

Sou obrigada a ouvir que "ele devia ter ido pra escola, você não tá dando conta dele assim". A culpa é sempre da mãe (né não, Dani?).

Tomo meu banho e vamos todos assistir um filminho. Sento ao lado do pequeno, puxo um papo: "tá de bem da mamãe?" Ele dá uma risadinha marota. Logo o pai sai e ficamos só nós. Dali a pouco ele está todo dengo-dengo de novo, deita no meu colo, vai ficando sonolento. O filme termina e a mãe aqui está chorando. Mas não, não pelo dia difícil, nem pela 'reconciliação' (!), mas de emoção com o filme mesmo... Toy Story 3!!!

Que tipo de pessoa, senão uma grávida, pra chorar assistindo uma animação com o filho, depois de um dia desses? (estão na minha lista de choros recentes também os filmes Carros, Nemo, Monsters e Toy Story 1).

Ponho o pequeno na cama com a certeza de que amanhã ele fica comigo de novo. E não, eu não sou louca. Sou uma grávida de 30 semanas, com todas as oscilações de humor que vêm no pacote, com um filho beirando os 3 anos, no auge das birras, falando feito gato e futucando o meu umbigo o dia todo (é uma delícia, mas tudo em excesso cansa, afe!), doentinho e irritadiço, mas que é de longe minha melhor companhia (desculpa aí, amor!). E amanhã terá minha atenção integral, que nossa ajudante semanal estará aqui pra cuidar do resto.

E, não digo nada se não terminar o dia chorando ao assistir Os Incríveis ou A Fuga das Galinhas, indo dormir de alma lavada como agora. Amanhã vai ser outro dia (assim espero...).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

EU SOU UMA MÃE DE VERDADE, E VOCÊ?


Sabe quando você passa o fim de semana inteiro grudadinha no filhote, curtindo em família? Então chega segunda-feira, e vocês acordam cedo, e brincam até o limite do horário de entrada na escolinha, e vão tomar um café da manhã especial juntos na padaria? E depois, na hora de deixar o filhote na escolinha, ele não quer ir, e chora, e você se despede dele assim mesmo, e se sente a pior das criaturas porque tem que deixar ele lá chorando e ir trabalhar? E aí você fica um trapo, e no caminho até o carro chora também, e chora ainda mais porque está naqueles dias? Pois é, hoje aconteceu isso comigo. Fiquei péssima.




Mas daí lembrei dessa linda campanha que conheci através da Flá e da Ombudsmãe e me confortei um pouco. Pensei que sou uma mãe de verdade, de carne e osso, e que nem tudo é perfeito e ideal como eu gostaria. E pensar na campanha me fez pensar na minha vida, na minha maneira de lidar com a maternidade, no que ando fazendo de bom e de ruim, no que ainda posso melhorar, no que tenho que aprender a lidar melhor... Essa campanha é bacana por isso, traz a realidade da maternidade, suas dores e delícias, para ser olhada de frente pela sociedade e por nós mesmas, mães. E as imagens são lindas, inspiradoras, nos põem pra pensar. Vale conhecer e assinar embaixo. Porque merecemos ser mães sem medo de ser feliz, e, acima de tudo, sem nos sentirmos culpadas e pressionadas por tudo o que fazemos ou deixamos de fazer. Embora, tenho certeza, vou chorar toda vez que tiver que deixar meu filho na escola chorando, porque tenho que trabalhar. Mas vou me sentir a melhor das mães quando puder deixar de ir trabalhar pra ficar brincando com ele, porque minha maternidade de verdade é essa, conciliar o filhote e o trabalho, em dias mais fáceis e flexíveis, e outros mais difíceis e rígidos. E vamo que vamo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O DIA EM QUE ENTENDI O QUE É SER MÃE






Dizem que a fase de acabamentos de uma obra pode por um casamento à prova. O meu parece ter sobrevivido (rá!), mas ainda ontem tivemos um nheco-nheco por conta da pintura. Mulher de tpm, marido esgotado, já viu. Estávamos na obra, resolvemos ir embora, peguei Caio no colo agitada. Fui colocá-lo na cadeirinha do carro e ele, que está numa nova fase da inércia, não queria ir embora, começou a fazer birra, se jogou para trás e... POW! Choro. Sangue. Mãe desesperada com a criança no colo. Pai desesperado pega a criança. Choro. Sangue.

Ainda consigo olhar o estrago: "ai, meu deus, acho que vai ter que dar ponto... Vamos correndo pro pronto-atendimento!" Pego Caio no colo, entro no carro, e coloco ele no peito pra acalmar (nessas horas fico ainda mais feliz por ele ainda mamar...). Em minutos estava tranquilo, fui estancando o sangue, mas ele sentia dor quando tocava o local. Dani me culpava, eu me culpava... "ele estava no meu colo"... "mas ele se jogou pra trás"... repetia pra mim mesma, atordoada. A dura realidade de não ser onipotente, onipresente, todapoderosa em relação a ele caía na minha cabeça. Eu chorava mais que ele.

Entrei no pronto atendimento com o filhote pendurado ao peito, enfermeira daqui, atendente de lá, colocamos ele numa cama, encharutaram ele num lençol para não mexer os bracinhos, limparam o ferimento. "Vai ter que dar ponto?" "Calma, mãe, o doutor já vem". Chega o tal doutor, é "daqueles", mal fala conosco, já vai ditando os procedimentos pras moças, percebo que vai dar ponto sim, começo a cantar pra distrair o pequeno, que apesar de tudo ainda consegue rir. Estou de frente pra ele, olhos nos olhos. O pai está ao lado, acariciando-o. De repente, o doutor enfia uma agulha no meio do corte, a cena vira slow motion, vejo a agulha entrando e injetando um líquido no ferimento, os olhinhos de terror do caio, o choro doído, a agulha preta e curva que crava o ponto, os olhinhos desesperados me fitando, o choro inconsolável, a mensagem implícita "mamãe, não deixa eles fazerem isso comigo!". Eu canto, digo que já vai acabar, que tudo vai ficar bem, seguro o choro tremendo na base, até que a enfermeira pergunta: "tá tudo bem, mãe? quer que eu vá aí?"Digo que não, e desabo a chorar, e logo me seguro de novo, eu e o pai nos olhamos, estamos em farrapos, o ponto tá dado, o curativo tosquíssimo é feito, arranco os lençóis e o pego no colo, instinto de bicho, saio da sala sem olhar pra ninguém, só pra ele, e largo com o pai (meu herói) a ingrata missão de resolver os procedimentos burocráticos, papéis, carteirinhas e ter que olhar pra cara daquele médico de gelo.

O pequeno chora sentido, se agarra a mim, pede pra mamar. Vamos em direção ao carro: "calma, filho, tá tudo bem, mamãe tá aqui, calma, respira, calma..." Ele se acalma. Mama. Mama. Mama. E eu o abraço e choro. Vamos pra casa, e enquanto ele mama cancelo o compromisso de trabalho que teria naquela noite (há uma semana comecei a dar aulas numa faculdade, e seria minha segunda aula) e no dia seguinte, pra ficar com ele. Ele mama e eu choro. Ele vai se animando, eu vou me acalmando. Então ele me olha, abaixa minha blusa, desce do meu colo e diz, como se nada tivesse acontecido: "mamãe, télo bincá. Vem!" O pai o chama para mostrar o curativo gigante no espelho, ele não se assusta, dizemos para não mexer, e ele não toca mais no local. Vamos brincar, jantamos, tomamos banho e hora de dormir. Tudo tranquilo para ele, uma noite como todas as outras. E eu, como da outra vez, desabo a chorar depois que ele dorme, me agarro ao pai, choro e soluço feito criança. Durante toda a noite permaneci meio passada, tive dificuldade pra dormir. Caio acorda algumas vezes de madrugada, mas volta a dormir rapidamente, não reclama de dor, apenas quer aconchego.

No dia seguinte, eu com a cara inchada de tanto chorar, o super-papai providencia o café, o filhote acorda de bom humor, lembra do dodói, aponta e pede: "dá bêjo, mamãe!" Eu dou, ele diz: "já paxô (passou)!" Eu rio, e admiro meu pequeno homenzinho, aprendo com ele, com sua capacidade de se alegrar e se divertir, com sua tolerância à dor, com sua facilidade de compreender as coisas. Penso que essa minha aventura materna está só começando. E sinto que minha mãe não esteja aqui pra me dar um beijo e dizer que "já passou", porque até agora ainda pesa em mim a culpa, ô bichinha pentelha...

* * * * * *
ps. de utilidade materna: jamais segure displicentemente um menininho na fase dos dois anos (também conhecida como "a terrível") enquanto tenta convencê-lo de fazer algo que ele não esteja muito a fim, porque ele pode se jogar para trás, para a frente, para os lados a qualquer momento, te pegando desprevinida e podendo bater em quinas, batentes, passantes, árvores ou mesmo na sua própria cabeça, podendo causar acidentes mais ou menos graves...