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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O PAI BLOGOU!!!


E não é que o paizão deu uma de herói e conseguiu blogar, me entregando o texto às 23:29!!! Surpresa boa, alegria de ter suas palavras aqui, de compartilhá-las com vocês, de fazer parte dessa blogagem tão legal que motivou tantos pais a expressarem, de tantas formas, suas paternidades, nos emocionando tanto.

Obrigada, amor!!!

E então, com vocês, aquele mesmo pai do post anterior, alguns anos depois, e prestes a virar pai de dois... o papai Daniel, como diria o Caio...


Topando o desafio a pedidos.

Nunca foi muito tranquilo pra mim ver parte significativa da minha vida exposta aqui no blog, talvez porque esteja cada vez mais envolvido com trabalhos web e por ter certeza que as infos, fotos e vídeos podem servir a algo que não me agrade. O fato é que, gostando ou não, Thaís assumiu essa frente de comunicação como algo importante pra si e eu aprendi a respeitar.

Pra mim parece que tudo está meio grudado. A busca de informação, a decisão pelo parto domiciliar do Caio e a descoberta de uma mulher/mãe/blogueira. De alguma forma a blogosfera alimenta Thaís e a torna mais convicta de seus desejos.

O nascimento do Caio, no box da nossa casa, com a Thaís dependurada no meu pescoço, foi o momento mais mágico que vivi na vida. Vê-lo nascer ali, tão pequenino, me fez conectar com as forças profundas da natureza, e perceber que as coisas podem ser simples desde que respeitemos nossos próprios sentimentos.

Desde que peguei o Caio pela primeira vez no colo, anestesiado pela sensação de ser pai e de ter ele ali em minhas mãos, venho aprendendo com ele a escutar mais o que sinto, procurando sempre o meio mais simples de fazer as coisas, sem muitas intervenções e deixando as coisas encontrarem seus próprios lugares.

O Caio, assim como nosso segundo bebê - estamos com sete meses de gravidez - vem nos ensinando que uma parte cada vez maior da nossa vida não pode ser "muito planejada". E não podendo, quanto mais tentamos planejá-la maiores são as dificuldades que enfrentamos no dia a dia.

E aí está a crise da vida do homem/marido/pai, que pode ser descrita como o conflito entre, querer ficar/viver com o filho, querer ter uma vida social e sexual ativa com a mulher e querer ter grana para transformar as necessidades materiais da família em algo cada vez mais secundário no dia a dia.

Essa equação de três partes poderia, pelo que se aprende até ser pai, ser enfrentada com um bom planejamento pessoal e familiar, acontece que, agora pai, existe a necessidade de conviver alegre com a impossibilidade cada vez maior de se planejar. É mais ou menos como ter que remar contra a maré, com a canoa furada e tendo mais peso do que ela aguenta dentro, sem entender bem como, vai se acostumando ao fato de que mesmo a contra-senso ela sobe o rio.

E quando penso nisso vem o rostinho do Caio na cabeça e então tudo que parece ilógico faz instantaneamente sentido. Ser pai é ser feliz na felicidade do filho, vibrar com suas descobertas e na hora que a vida dificultar as coisas olhar pra ele e sorrir, sabendo que no fundo o mais importante está ali na sua frente, o resto de um jeito ou de outro a gente resolve.

BLOGAGEM COLETIVA - NÓS, OS PAIS (o golpe da reblogagem)




Maridão talvez não consiga produzir post fresquinho pra essa blogagem, o moço tá com uma agenda difícil, viu! E o tempo livre (que esteve raro nas últimas semanas - o bichinho tá ralando mesmo...) acaba sendo todo dedicado pra curtir filhote, esposa (quando ela não está dando piti), amigos, cuidar da casa... Enfim, curtir a vida real. Mas, quem sabe, ainda role... daí eu posto mais tarde aqui, ok?

De todo modo, como achei essa ideia da blogagem MUITO LEGAL, afinal, é sempre bom ver a paternidade pelos olhos deles, são outros aprendizados de mãe, vou dar uma de espertinha e republicar um texto feito pelo paizão em resposta a um post meu, um pouco antes do Caio completar oito meses fora do barrigón. Um texto que mostra o outro lado da moeda, que foi um grande alerta, para mim, sobre a "difícil arte de saber compartilhar a maternidade"...

Com a palavra, o pai que se construía há pouco mais de dois anos atrás.

ENTRE A RAZÃO E O INSTINTO

Minha sensação neste período de quase oito meses como pai, marido e homem é que tenho vivido diferentes momentos, na maioria das vezes muito bons, mas que de alguma forma oscilam radicalmente entre a razão e o instinto. Isso já era perceptível antes mesmo do Caio nascer. Se bem que nesta fase pré-natal este convívio era, pelo menos para mim, muito mais um acompanhamento, um aumento do companheirismo e um grande exercício de tolerância.

Depois do nascimento, minha compreensão sobre o instinto humano e os cuidados com a cria se transformou completamente, mudando inclusive minha maneira de ver o mundo que me cerca e conseqüentemente a maneira de me inserir neste mundo. Toda esta mudança trouxe consigo os gostos e desgostos de uma nova fase, com novos compromissos, necessidades e demandas. Como diria um amigo: “Bem vindo ao mundo selvagem!”.

Os processos que ocasionaram estas mudanças em mim estão intimamente ligados à maneira como a vinda do Caio se deu e como lidamos com ele desde então. Desde o fato de na hora do parto segurar a Thaís pendurada em meu pescoço, mesmo tendo uma grave lesão na coluna, adquirida quinze dias antes, até ver meu filho nascer no boxe do nosso banheiro, em seguida conversar com ele para então decidir seu nome, dar o primeiro banho de sua vida, e daí por diante, passando por fraldas, trocas de roupas, banhos, acalentos e todos os outros tratos que biologicamente um homem pode prover seu filho.

Tenho convicção que várias das transformações que me ocorreram têm relação direta com uma interação maior com o instinto humano, ao mesmo tempo que reconheço em meu cotidiano uma forte racionalidade que constrói meus atos. Minha relação com o Caio é permeada pelo instinto e pela razão, já a relação da Thaís com ele é dominada pelo instinto, com lampejos de razão. Com todas as mudanças em nossas vidas o mais difícil está em reencontrar o equilíbrio que existia na relação entre eu e ela. Ao mesmo tempo em que ela é puro instinto, em determinados momentos seu comportamento chega a ser quase irracional, de tanto procurar emplacar uma “dita” racionalidade, como por exemplo na sua intenção de construir forçosamente uma rotina para o Caio e conseqüentemente para mim. Do instinto do choro, do acalento e da proteção, surge uma irredutível personalidade que institui a realidade ao seu entorno. Ufa!!! Como diz o ditado: “rapadura é doce mais não é mole não”.

domingo, 31 de janeiro de 2010

A PRIMEIRA NOITE FORA COM PAPAI OU DEPRÊ DE MÃE



Depois do primeiro dia juntos longe da mamãe, da primeira semana sozinhos em casa enquanto a mamãe viajava e da recente iniciação ao futebol à distância da mamãe, agora pai e filho foram passar a primeira noite fora de casa sem a mamãe... Ó céus!

Pior é que fui eu que pedi: Dani ia pra Campinas fazer compras pra obra, eu tenho que trabalhar amanhã, ele topou fazer malabarismos para levar o filhote (valeu, amor!!), a vovó topou ficar com o pequeno (brigadão, vovó!), e tudo se resolveu. Levei pai e filho até Rio Claro para encontrar os super avós, e, na volta, se não fosse Chico César a mamãe aqui tinha embarcado numa bad trip, vontade de pegar o primeiro retorno e sair correndo atrás deles: "péraê, eu vou também!!". Me contive, chorei um pouquinho e fiquei pensando em como sou molona, como choro por tudo, imaginando que tipo de mãe eu serei quando meu filho for adolescente, homem feito... Concluí que serei igualzinha a minha mãe: ela chorava quando eu voltava aos finais de semana para a faculdade, e chora até hoje, quando Caio vai embora da casa dela. Serei IDÊNTICA, tenho certeza. (chora não, hein, mami...)

Até que me aguentei forte na estrada. Mas quando cheguei em casa, aquela penumbra do fim do dia, uma lâmpada queimada na sala, chovendo lá fora e aqui dentro fazendo tanto frio, brinquedos espalhados pela casa inteira, a casa vazia... não me aguentei, abri o maior berreiro mesmo, me consolei feito louca com a Taipa (nossa cachorra!), e agradeci aos céus por não ter uma barra de chocolate por perto, porque senão o regime da semana toda teria ido pro saco. Mamãe em momento deprê-master, foi foda. E aí, como não tinha chocolate, meti a cara no trabalho, afinal foi só por isso que liberei a noitada dos meninos.

Imagem daqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

INICIAÇÃO AO FUTEBOL



Filho, hoje teu pai te levou ao estádio pra ver o Coringão pela primeira vez! Tudo bem que é um jogo no interior, num estádio menor, mas eu tô aqui, assim, meio aflita. Ainda mais porque o tempo tá meio chuvoso, seu pai tá sem celular... sei lá, coisa de mãe. Mas era um sonho antigo do teu pai te levar pra ver um jogo, eu sempre era meio contra, mas dessa vez deixei pra ele decidir. Ele ficou um pouco inseguro, primeira vez, né, filho, é sempre assim. E o vovô (que é são-paulino) ainda ficou apavorando, dizendo pra não levar... Mas no último minuto do segundo tempo ele perguntou se você queria, você estava todo animado, ele confirmou que o estádio era coberto e decidiu te levar, mesmo sabendo que isso poderia significar não ver direito o jogo ou ter que sair antes do final: pra um corintiano como o seu pai, isso é uma prova de amor e tanto, viu, filho! Ele saiu do carro afobado, porque já estava na hora do jogo começar, te tirou rapidinho (nem deu tempo de eu te dar um beijo e fazer mil recomendações a ele), colocou você no cangote, deu um tchauzinho e foi, feliz da vida. E eu, mesmo em dúvida sobre se esse era o melhor momento para você ter essa iniciação, fiquei feliz também vendo vocês indo juntos pro jogo, e apesar de aflita, estou aqui torcendo para que o Corinthians marque pelo menos um gol pra vocês comemorarem juntos, "idal o Xúlio"**, como você mesmo disse antes de sair do carro.

**(tecla sap: "igual ao Júlio", do Cocoricó, a mais nova paixão do Caio, que, no último dvd que ele ganhou, vai ao estádio assistir um jogo de futebol com o avô).

sábado, 8 de agosto de 2009

SEU PAI







Um dia ele me olhou e disse que há tempos queria nos multiplicar. Aquilo me marcou profundamente. Eu sempre quis ser mãe, mas, mesmo com muita vontade, ia me adiando o desejo: nossa vida tão perfeita a dois, viagens, trabalhos, estudos... sempre há um motivo. Mas o desejo de ser pai já gritava alto nele, e começou a não caber mais dentro do peito. Ali já existia o pai formidável que ele viria a ser.

Eu brinco que ele me deu o "golpe da barriga". Sua expectativa em tornar-se pai era incrível, chegou a contar meus dias férteis. Deu certo. Custamos a perceber, mas foi juntos que suspeitamos que você estava a caminho. Ainda mais juntos
choramos e comemoramos a confirmação: agora éramos três. Eu estive para explodir de tanto sentimento: não bastasse a surpresa e a emoção indescritível que senti ao te saber dentro de mim, outra ainda me invadiu de assalto ao ver a profunda emoção que tomou conta de seu pai. Eu nunca tinha imaginado quão intenso esse momento poderia ser para um homem, descobrir-se pai. A emoção da mulher transformada em futura mãe já é batida, quase óbvia, mas a do homem, do futuro pai... Fiquei maravilhada, ele já era o pai que eu sempre quis para você.

Enquanto te esperávamos, em meio ao turbilhão de hormônios e transformações que me dominava e, por vezes, me aturdia, seu pai foi meu porto seguro. À sua maneira, é verdade, que ele tem seu jeito durão e agitado de viver a vida. Mas ele me acompanhou do início ao fim da aventura de te carregar dentro de mim, ainda que, muitas vezes, aos olhos dele, eu parecesse um pouco louca e incompreensível (e que grávida não passa por esses momentos?). Ele aprendeu lindamente a lidar com as instabilidades da gravidez, e, embora para ele tua vinda parecesse mais distante que a mim, que te sentia a todo momento, foi maravilhoso vivenciar o crescente esforço dele para aproximar-se de algo ainda tão abstrato, uma barriga que crescia, oras! Mais surpreendente ainda foi acompanhar a tranformação daquele homem que eu já conhecia há tantos anos: ainda na barriga, você já fazia do seu pai um novo homem, muito mais incrível, muito mais amável, muito mais paciente. Se eu já o amava tanto antes, agora parecia que aquele amor multiplicado seria o auge do sentimento que me unia a ele. Mal sabia eu que, tornado realmente PAI, meu amor por ele se tranformaria ainda mais, um sentimento que eu nem sabia que poderia existir.

Seu pai foi meu grande parceiro nas decisões que tomamos, ao longo da tua espera, sobre a maneira de te trazer a este mundo. O apoio dele, depois de concedido (porque inicialmente ele desconfiava de minhas idéias "humanizadas" sobre seu nascimento), foi incondicional: tantas e tantas vezes ele foi "meu herói", como quando me tirou correndo do hospital, contrariando a indicação da nossa obstetra, às 37 semanas de gravidez e às vésperas de minha defesa de mestrado. Nos empoderamos juntos, e assim começamos a construir nossa história como pais. Um parceiro poderoso, um futuro pai empoderado, que mais eu poderia querer ao meu lado?

Mas isso ainda não era nada perto do que ele faria durante teu nascimento. Seguro, tranquilo, ativo, absolutamente presente e, ao mesmo tempo, quase invisível, tamanha foi a sensibilidade dele em lidar com aquele meu momento-bicho. As palavras certas, os toques precisos, os carinhos necessários, os olhares absurdamente cúmplices, a presença rocha-sólida do começo ao fim, o apoio físico e emocional, a respiração sincronizada, a sintonia barriga-com-barriga. Ele foi, ao meu lado, também protagonista de teu parto (posso dizer, de boca cheia, que te parimos juntos, e isso me enche os olhos de lágrimas, e o peito chega a doer de tanto amor e gratidão): tornado pai por inteireza, entregue de corpo, alma e lágrimas ao novo e mais belo papel que assumiria nesta já longa vida que construímos juntos.

Já nos seus primeiros dias de vida, imbuído do novo sentimento que o dominou por completo - amor de pai - ele parecia ter nascido para aquilo: banhos, fraldas, embalos, acalantos... Certas funções ele chegou mesmo a me ensinar, como a te dar banho! Prestativo, quanto apoio ele me deu na minha fase de adaptação pós parto (a "perda" da barriga, o aprender a ser mãe, o desafio inicial da amamentação, o inevitável cansaço físico, os turbilhões de hormônios...), embora ele também estivesse se adaptando emocionalmente e fisicamente àquela nova realidade...

Aos poucos, vamos nos conhecendo como familinha, nos re-conhecendo como pai e mãe, nos re-encontrando como casal. Vamos descobrindo nossas identificações e nossas diferenças como pais, encarando aspectos ora complementares, ora conflitivos entre maternidade e paternidade. Mãe é bicho tinhoso (pelo menos eu sou...), sabe, filho, toma a cria como sua, tem dificuldade em compartilhar certos aspectos da maternidade. É quase que instintivo: necessidade de ter o controle de tudo, certeza de que o que fazemos é o melhor para vocês, nossos filhotes. Além do mais, queremos que essa nossa certeza seja acatada por todos que lhes cercam, e, mais ainda, pelos pais. E teu pai fica doido com isso, ele, que é tão participativo, quer compartilhar de tudo e reclama que eu centralizo demais as decisões sobre a tua criação... Ele, que é tão cheio de idéias, e detesta que eu fique dizendo a ele o que e como fazer as coisas com você... Ele, que é tão presente, e não consegue entender minhas cobranças por mais e mais presença dele junto a nós... Ele, que é tão cheio de energia, e fica chateado quando corto a onda de um batuque na hora de você dormir, ou de uma acrobacia depois de você comer...

Ele quer mais espaço para exercer a sua paternidade, do seu jeito, sem eu ficar interferindo o tempo todo... eu sei. Porque ele é assim, um paizão. Você já sabe, né, filho, basta olhar sua carinha de felicidade quando ele chega em casa: papaiiii, papaiiii! Porque ele faz de tudo com você. Desde limpar o cocô mais fedido até dar o banho mais divertido, de ensinar você a batucar até fazer uma papinha delícia, de brincar horas e horas no chão até passear horas e horas no carrinho... Porque ele canta Asa Branca pra você dormir como ninguém, com aquela voz grave tornada miudinha e suave... Porque ele aguenta dores incríveis na coluna só para te ninar e embalar... Porque ele sonha com o dia em que vocês vão jogar capoeira juntos, na beira do mar, e fica tocando berimbau enquanto você canta: din don, din don... Porque ele aguarda ansiosamente o dia que ele vai poder te pegar e te levar pra um canto qualquer, pra curtir um passeio de pai e filho, sem ter que pensar em voltar porque você tem que mamar na mamãe (mas mesmo assim segue respeitando nosso processo de amamentação!)... Porque ele se apertou todo no trabalho para poder ficar alguns dias com você quando a mamãe voltou a trabalhar, e nos dividimos bem assim até hoje, e ele ama as tardes em que fica em casa com você... Porque ele ri que nem bobo quando você faz alguma gracinha, e chora sem vergonha quando você faz alguma nova conquista ou aprendizado... Porque ele acha você o menino mais esperto, mais bonito, mais risonho, mais tudo que um nenê da sua idade pode ser... Porque ele te ama muito, e é o melhor pai que você poderia ter nesse mundo!!!

Feliz Dia dos Pais, meu amor!!!!

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[ele vai ficar bravo, ele não gosta muito que eu fale dele e coloque suas fotos aqui no blog, mas hoje é dia dos pais e não tem jeito, aqui é meu lugar de registrar essas lembranças, esses carinhos, essas homenagens... Então, desculpa aí, amor, mas esse post é todo você!!! Você merece!!]

[e você, meu paizão querido, não fica com ciúme não... é a primeira vez que falo exclusivamente sobre o super papai que o Dani é, a sua homenagem desse ano já tá registrada aqui no blog, né! Te amo muito, um ótimo dia dos pais procê também, meu querido!!]


segunda-feira, 4 de maio de 2009

CARINHOSO



Eu, sentada no sofazinho do quarto do Caio, dando de mamar a ele. De lá, observava o pai organizando as coisinhas do pequeno para levar à escolinha. Logo, o 'calo de mãe' se manifesta [porque é tão difícil relaxar um pouco e abdicar do 'trono'???]: "pega a papinha, coloca em um saquinho com a goiaba". Ele, paciente, apenas me olha, e segue nas tarefas. Não contente, aproveito: "faz um capuccino pra gente?". Bem humorado (ainda bem!), o pai brinca: "mais alguma coisa, madame?". Aproveito a deixa e digo em tom de ordem: "vem aqui e me dá um beijo".

Antes que o pai pudesse se manifestar, o filhote, que estava mamando concentradíssimo até então, larga o peito num estalo, me olha com uma risadinha sapeca e... "muac, muac", me lança dois beijinhos sonoros!

E assim começou deliciosamente minha manhã, depois de uma noite DAQUELAS.

terça-feira, 7 de abril de 2009

TE AMO


Porque você mudou a minha vida, e eu nunca mais serei a mesma. Porque eu tomei um susto quando descobri você dentro de mim, e ao mesmo tempo senti a maior alegria que jamais imaginava existir. Porque eu aprendi tudo sobre gravidez e parto por sua causa, e me descobri mulher, fêmea, mamífera e, acima de tudo, mãe. Porque com você eu conheci as dores e as delícias de estar grávida, e curti cada momento em que você esteve aqui dentro. Porque no início eu ficava "tímida" e não conseguia conversar com "a barriga", e você foi aos poucos se comunicando comigo com chutes e socos, e eu comecei a cantar para você no chuveiro. Porque sentir você crescendo dentro de mim foi minha conexão maior e definitiva com o sagrado e o misterioso da vida e do mundo. Porque alimentar seu corpo e sua alma, dentro e fora da barriga, me fez prestar atenção no que eu ponho para dentro de mim, de alimentos a emoções, e me fez aprender que cuidar de mim - e do mundo - é também cuidar de você. Porque preparar e esperar sua chegada criou um laço ainda mais forte entre seu pai e eu, e nos deu o exato sentido de família e de ninho. Porque fazer escolhas para o seu nascimento - e conseguir concretizá-las - me fez sentir poderosa e fortaleceu imensamente minha auto-estima. Porque nós proporcionamos a você um nascimento digno, feliz e sem traumas e você nos proporcionou a maior - e mehor - experiência de nossas vidas. Porque sentir você nascendo de mim, te olhar, te tocar, te cheirar e te beijar pela primeira vez foram sensações que jamais esquecerei, e que me enchem os olhos de lágrimas a cada lembrança. Porque vivenciar seu nascimento no aconchego do nosso ninho e presenciar seu pai cortando nosso primeiro elo foi algo mágico e repleto de significados para nós. Porque ter você aninhado em meu colo, sugando o meu peito já nos primeiros minutos de vida criou entres uma ligação profunda, intensa e - quero crer - eterna. Porque amamentar você nos primeiros dias, nos primeiros meses e ao longo de todo este primeiro ano tem sido uma vivência única de amor, carinho, plenitude. Porque este contato corpo a corpo, pele a pele com você me faz reviver diariamente tantas emoções recém-descobertas, mesmo nos dias em que estou mais cansada. Porque ver você crescendo aqui fora e acompanhar suas descobertas e aprendizados cotidianos me enche de alegria e encantamento pela vida. Porque redescobrir o mundo com você, reconhecê-lo através de seus olhos me proporciona um prazer imensurável. Porque você me faz lembrar que brincar é bom demais, e que todos os dias e todas as coisas podem ser motivos para diversão. Porque você me faz olhar para meus pais de uma maneira que eu jamais tinha feito, passando a entender (mais de trinta anos depois) a intensidade do amor que eles sentem por mim. Porque você me faz ter vontade de me reconectar com minhas raízes, minha família, meus parentes, minha história. Porque você amplificou o amor que eu sinto por seu pai, e nos faz melhores não apenas como pais, mas também como casal. Porque você me faz chorar ao pensar em tudo isso, por muito mais que faz por mim e por tudo que ainda está por vir: TE AMO.

FELIZ PRIMEIRO ANIVERSÁRIO, FILHO!


segunda-feira, 16 de março de 2009

NOVAS CURTIÇÕES (ou VIRANDO MENININHO)



folheando o livrinho sozinho!



passeando de bike com o papis...



e na motica nova - presente antecipado dos avós!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

E QUANDO O PAPAI VIAJA...


E então ele foi e eu fiquei. Nós ficamos, porque "eu", assim, avulso, é algo um pouco distante da minha vida no momento. Depois de séééculos sem irmos pra Sampa, Dani está lá sozinho - e bancado, o mardito - a pretexto de trabalho... Rá! O fato é que o danado tá todo serelepe desde que começou a trabalhar com cultura digital, só viajando por esse brasilzão de meu deus: Brasília, Manaus, agora Sampa, e até me apresentou uma listinha de outras saidelas já programadas - E BANCADAS - até 2010! Posso com isso?

Tá. E como eu fico, se não temos babá nem escolinha (ainda)? Como faço para continuar trabalhando, comendo, tomando banho e otras cositas más??? É aí que entra em cena a super-vovó: aquela figura que pára tudo, larga todos e vem correndo passar uns dias paparicando o netinho (e a mamãe aqui também, ufa!). Não sei o que faríamos sem ela: eu não sobreviveria às viagens do Dani, e, consequentemente, ele não poderia mais viajar. Então, que nós dois acabamos ficando meio dependentes da vovó materna: bastou a coisa apertar por aqui, que a gente grita. E ela atende, o que é melhor! Vem cheia de mimos, comidinhas, docinhos (pula essa parte!), incorpora sua versão Amélia (que eu não conhecia, só fui descobrir depois que virei mãe, quando ela veio ficar os primeiros dias do Caio comigo e até geladeira limpou, afe!), e bota pra dar papinha, trocar fralda, dar banho, brincar, passear e, principalmente (e essa parte me traz problemas quando ela se vai), dar muuuuuito colo para o netão, que retribui com mil e uma estripulias, risadinhas, palminhas e até uns esboços de "fó-fó" (segundo ela disse, que isso eu ainda não vi... Rá!). Sem contar que, além de tudo, ainda faz almoço, janta, compras no sacolão, lava a louça e dá um trato na casa enquanto o bichinho dorme (não tô escravizando ninguém, não, ela que tem saracutico e não pára quieta um minuto!)... Enquanto isso, eu aproveito para tirar o atraso dos trabalhos - marco reuniões e mais reuniões - além de conseguir (aleluia!) dar um pulinho no salão de beleza para alguns tratinhos básicos que eu já estava quase esquecendo que existiam...

E isso porque ela nem mora na mesma cidade que nós, já pensou?

Daí que eu não consigo nem imaginar esse primeiro ano do Caio se ela não estivesse por perto. Então, só me resta agradecer, agradecer, agradecer: valeu, mãezona, por ser essa avó segura-as-pontas!!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

ENTRE A RAZÃO E O INSTINTO



...este texto o Dani me pediu para publicar como comentário do texto anterior, mas achei que seria legal postar também aqui, pois mostra outro lado da moeda...

Minha sensação neste período de quase oito meses como pai, marido e homem é que tenho vivido diferentes momentos, na maioria das vezes muito bons, mas que de alguma forma oscilam radicalmente entre a razão e o instinto. Isso já era perceptível antes mesmo do Caio nascer. Se bem que nesta fase pré-natal este convívio era, pelo menos para mim, muito mais um acompanhamento, um aumento do companheirismo e um grande exercício de tolerância.

Depois do nascimento, minha compreensão sobre o instinto humano e os cuidados com a cria se transformou completamente, mudando inclusive minha maneira de ver o mundo que me cerca e conseqüentemente a maneira de me inserir neste mundo. Toda esta mudança trouxe consigo os gostos e desgostos de uma nova fase, com novos compromissos, necessidades e demandas. Como diria um amigo: “Bem vindo ao mundo selvagem!”.

Os processos que ocasionaram estas mudanças em mim estão intimamente ligados à maneira como a vinda do Caio se deu e como lidamos com ele desde então. Desde o fato de na hora do parto segurar a Thaís pendurada em meu pescoço, mesmo tendo uma grave lesão na coluna, adquirida quinze dias antes, até ver meu filho nascer no boxe do nosso banheiro, em seguida conversar com ele para então decidir seu nome, dar o primeiro banho de sua vida, e daí por diante, passando por fraldas, trocas de roupas, banhos, acalentos e todos os outros tratos que biologicamente um homem pode prover seu filho.

Tenho convicção que várias das transformações que me ocorreram têm relação direta com uma interação maior com o instinto humano, ao mesmo tempo que reconheço em meu cotidiano uma forte racionalidade que constrói meus atos. Minha relação com o Caio é permeada pelo instinto e pela razão, já a relação da Thaís com ele é dominada pelo instinto, com lampejos de razão. Com todas as mudanças em nossas vidas o mais difícil está em reencontrar o equilíbrio que existia na relação entre eu e ela. Ao mesmo tempo em que ela é puro instinto, em determinados momentos seu comportamento chega a ser quase irracional, de tanto procurar emplacar uma “dita” racionalidade, como por exemplo na sua intenção de construir forçosamente uma rotina para o Caio e conseqüentemente para mim. Do instinto do choro, do acalento e da proteção, surge uma irredutível personalidade que institui a realidade ao seu entorno. Ufa!!! Como diz o ditado: “rapadura é doce mais não é mole não”.

Imagem: http://www.gettyimages.com.br/

domingo, 23 de novembro de 2008

A MATERNIDADE E A PATERNIDADE 1



Desde que o Caio nasceu, uma reflexão que me rondava durante a gravidez virou quase uma certeza: como é importante o equilíbrio masculino/feminino para o bebê (e para a mãe)! Falo, aqui, a partir da minha experiência, convivendo com um pai super presente e participativo como o Dani.

As visões e vivências femininas e masculinas da maternidade/paternidade são muito diferentes. Isso fica a cada dia mais evidente para mim, e não é fácil lidar com essa diferença.

Como mãe, me vejo muito preocupada em acertar, muito atenta aos mínimos detalhes e quase que "obcecada" por construir uma rotina com o Caio. E muitas vezes me sentindo culpada por achar que não estou fazendo o melhor, porque tive que levá-lo para uma reunião de trabalho quando ele deveria estar em casa, ou porque estava na rua na hora em que ele devia tirar uma soneca...

Já o pai... sua maior preocupação é curtir o filhote, sem muitas rédeas, sem ficar "aprisionado" a uma rotina... Fazer as coisas quando acha que é o melhor momento, quando está a fim, sem se apegar muito a horários e sequências. Se passou da hora de comer, tudo bem, come mais tarde. O filhote dormiu na hora de tomar banho, paciência, fica sem banho hoje.

Sem dúvida, é um jeito muito mais leve de encarar esse momento. Entretanto, isoladamente, ele não funciona. Por outro lado, o risco de virar um stress minha tentativa de construir uma rotina é grande. Sem contar que, como bem disse a Denise Fraga num ótimo texto na revista Crescer, corro o risco de adquirir um "calo de mãe" e me tornar autoritária em todas as esferas da vida.

Vira e mexe o maridão alerta: "Você está acelerando..." É a senha para me dizer que estou passando do ponto, que estou me deixando levar demais pela rotina e perdendo a oportunidade de curtir mais cada situação, sem que tudo esteja absolutamente programado e encadeado. Em outros momentos, é minha vez de puxar a orelha e alertar para a necessidade de um passeio gostoso em família, para o sono do pequeno, ou para a hora de comer.

Nem sempre esse equilíbrio funciona. Muitas vezes, a balança pende para um dos lados. Em várias delas, o tal "calo de mãe" (mesmo que de mãe recente!!) aparece, e eu preciso mesmo parar, tirar o peso das costas e deixar as coisas fluirem a seu tempo. E nessas horas agradeço por ter ao meu lado um excelente companheiro de gangorra, que me ajuda a seguir mais leve nos altos e baixos da jornada.

Imagem: http://www.gettyimages.com.br/