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segunda-feira, 14 de maio de 2012

TEMPOS DE NOSTALGIA


Agora há pouco, pra rebater uma gripe, acabei com o último pacotinho de pau de canela que tinha sobrado das vésperas do parto do Nuno. Foi a chave de ouro dos tempos nostálgicos que tenho vivido desde o feriado, quando resolvi arrumar os armários dos meninos para o frio, retirando calças curtas, camisetas com barriga de fora e bodies que, para fechar, ficam com a gola no umbigo (quem nunca?): foi demais para mim pôr em uso, para o Nuno, roupinhas e sapatinhos que, na minha cabeça louca de mãe, o Caio usou até outro dia... 

Somada a essa empreita, uma outra, de produzir fotolivros que comprei numa promoção e deixei para a última hora, me fez passar dias e dias vendo fotos de todos os meses do Nuno, lembrando de cada caretinha, cada novo aprendizado, cada descoberta como mãe de dois. Fiquei nostálgica demais, meio descrente que meu filho já iria completar um ano. Desde então, comecei a me preparar psicologicamente, porque internamente eu não tava aceitando, olha o nível da loucura! Comecei até a pirar pensando como eu vou ficar insuportavelmente nostálgica quando ficar mais velha, com filhos na faculdade e tals... e que tenho que me preparar desde djá! Afe.

Agora, o dia chegou. Amanhã filhote completa um ano (e me dá um alívio pensar que só às dez da noite, rá!) e, desde a hora em que fui colocá-lo para dormir, meus pensamentos são pura nostalgia: as vésperas do parto, o dia do parto, os primeiros meses. E eu que pensava que, como mãe de segunda, não passaria por toda essa nostalgia de novo... Mas a verdade é que, no segundo filho, perdoem-me o clichê, tudo passa rápido demais, e, pra mim, uma canceriana chorona, constatar isso dói um tantinho, e a nostalgia parece que está até maior que da primeira vez... mesmo porque ela vem em dobro, pelo primeiro e pelo segundo filho! Mas, por outro lado, como toda fase é sempre mais deliciosa que a outra, estamos numa curtição só por aqui, entre gargalhadinhas contagiantes, adoráveis conversinhas em bebenês, interações cada vez mais intensas (e tensas, hehe) entre irmãos, muitos carinhos, muitas artes, uma idolatria com o papai e um grude intenso com a mamãe. Mas isso é assunto pra outro post.

Enfim, preciso aprender a lidar melhor com o tempo, mano velho, para poder segurar minhas pontas com as passagens de ciclos. Mas por enquanto, me permito curtir a nostalgia.




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(enquanto escrevia esse post, li esse aqui da Carol, e me senti bem menos doidja. Valeu, querida.)


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ESCATOLOGIAS MATERNAS (pero sin perder la ternura)


Nuno começou a comer frutinhas há uns quinze dias e seu cocô mudou totalmente. Ok, isso não é novidade pra ninguém, muito menos pra mães de segunda viagem como eu. O fato é que, quando fui trocar a primeira fralda com cocô pós-frutinhas, uma coisa louca aconteceu... o cheiro daquele cocô me despertou memórias tão intensas dos primeiros meses do Caio, daquela sensação de ser mãe de primeira, aprendendo tudo... chegou a doer o peito de saudade! E em seguida comecei a rir, pensando no misto entre poética e patética que era aquela situação, aquele sentimento. Proust reviraria no túmulo, mas o cocô do Nuno foi uma espécie de madeleine para mim. Será que doideira de mãe tem limite? 


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Caio, outro dia, tomando banho dentro da piscininha. Eu do lado de fora do box. De repente escuto um "hehe"  numa entonação de surpresa, seguido de um "epa". Curiosa, pergunto o que foi. E ele responde, totalmente surpreso e feliz:

- "Mamãe, fiz um pum na água e saiu umas bolhinhas!" 

- "Você nunca tinha feito isso filho?"

- "Não. É legal, né?"

Pois é, nada como um filho pra fazer a gente se lembrar que tudo - TUDO - nessa vida tem uma primeira vez, é aprendizado. Até "peidar n'água pra fazer borbolha", como os desaforados de antigamente diziam.

domingo, 6 de novembro de 2011

MAIS DE 3 ANOS DEPOIS...


... e eu, uma já experiente (!) aprendiz-de-mãe, mãe de segunda viagem, me vejo sofrendinho por deixar o filho mais velho passar um ou dois dias na casa da avó, que mora há vinte minutos de distância.

E aí, me interna ou me abraça?

domingo, 30 de outubro de 2011

INSPIRAÇÃO

Do alto dos seus três e poucos anos
me observa
e me conhece - talvez - melhor do que eu.
Me quer perto e longe ao mesmo tempo
(colo e asas, difícil equação!)
é carinhoso e ciumento
sabe rir e fazer rir
chora e faz chorar 
(de alegria e de culpa, porque não dizer?)
e me desafia - quase - o tempo todo.
Somos cúmplices de um jeito que nunca imaginei
parecidos em tantas coisas (algumas não tão boas)
e tão diferentes em tantas outras.
Um pedacinho de mim que virou pessoa
que não para de crescer e crescer e crescer
que a cada dia me surpreende e,
se eu me permito,
me ensina a não mais poder.
Me transformou em mãe
me modificou como filha
me melhorou como mulher
me chacoalhou como profissional.
E ainda tem apenas três e poucos anos
e temos tanto tanto tanto pela frente
que chega a doer se tento imaginar.
Melhor viver.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

BENVINDA, LUNA!


Alegria nunca é demais. E a alegria trazida por bebês, então...

Pois na última quarta, dois meses e cinco dias depois de virar mãe de dois, virei também titia por parte das minhas irmãs (já tenho outros sobrinhos/as filhos dos meus cunhados)!!! Minha irmã do meio deu à luz sua linda menina Luna, que chegou de surpresa em plena lua cheia, mais de um mês antes do previsto, abalando nossas estruturas e reafirmando minha certeza de que a maternidade/paternidade nos conecta definitivamente com o imprevisível da vida!!

A pequena resolveu nascer com 34 semanas e meia de gestação, dando um susto em todos, antecipando dois signos e transformando os planos de seus pais de realizar um parto domiciliar. Após pouco mais de um dia de bolsa rota, um trabalho de parto a jato e natural (assistido por uma médica especial) e a pequena estava nos braços de seus pais... mais um bebê vindo ao lado de cá do mundo sorrindo, recebido de forma digna e aconchegante. A pequena nasceu super bem, grandona, prontinha. Todos médicos que a viram quase não acreditaram que fosse prematura! Uma verdadeira benção, mistérios da vida.

A emoção que senti acompanhando tudo à distância foi tão intensa... a ansiedade ao saber da notícia da bolsa rota prematuramente,  ao acompanhar as angústias da minha irmã sobre qual seria o desfecho do nascimento e as decisões que ela e o marido teriam que tomar ao longo do processo para garantir que essa passagem (da mãe e da filha) acontecesse da melhor maneira possível, a expectativa sobre a indução já marcada e, por fim, a notícia, logo nas primeiras horas da manhã, de que o trabalho de parto havia engrenado antes que ela fosse necessária e que eu já era titia... Tudo isso me invadiu de tal forma, foi tudo tão inesperado, que chorei como uma criança quando soube do nascimento... Caio me olhava e dizia, mamãe, porque você está chorando? E eu: de alegria filho, sua priminha nasceu! E os olhinhos dele brilhavam e sorriam junto comigo. Que delícia. Que vontade louca de estar perto deles...

treinando com os sobrinhos!

Luna, querida, seja muito benvinda na nossa família! Você chegou  abalando, menininha, já vi que vai dar o que falar!!! Vai ser bom demais ter você brincando com meus filhotes, trazendo pra muito perto deles o universo feminino! Caio está doido pra te conhecer, mas ainda insiste que você se chama Maya...

Sil, que alegria ver você trilhando seu caminho rumo à maternidade, buscando o melhor pra você e pra sua filhota! Você foi muito guerreira e muito serena, ADMIRAÇÃO total, lindona!!! Conte comigo pro que precisar nessa nova fase! E parabéns pelo aniversário, que presentão, hein!

Cacá, obrigada por ser tão parceiro da Sil, e bancar com ela todas essas escolhas iniciais. Foi lindo te ver nas primeiras horas cuidando da Luna e ver sua feição transformada em pai pelo skype...

Parabéns pra vocês, e logo mais estaremos aí!!!


terça-feira, 10 de maio de 2011

DOS MOMENTOS QUE MERECEM SER REGISTRADOS


Esse dia das mães foi especial. Não o dia em si, mas o momento da minha vida. Grávida, na beirinha de tudo que está por vir, e com um filhote do lado de fora capaz de me proporcionar emoções tão inesperadas e inesquecíveis. Um momento especial, sem dúvida. Um momento em que estou TODA mãe, por dentro e por fora, desconectada de trabalho, doutorado e cia. 

E, na real, acho que meu dia das mães celebrou-se mesmo foi na sexta-feira. Quero registrar aqui pra não esquecer jamais: o primeiro presente de dia das mães feito de verdade pelo Caio para mim, e toda a delícia que envolveu sua entrega.

Estava eu em casa, sozinha, recebendo uma massagem incrível de minha professora de yoga. Um presentão que ela está me dando no fim dessa gravidez. Estávamos no quarto do Caio, quando ouvi ele chegando com o pai. Avisei Katrina para fechar a porta, senão ele viria que nem um tirinho direto  para onde estávamos.

Já no portão escuto o pequeno, para o pai: "a mamãe está aí, a mamãe está aí!" Ao entrar em casa: "Mamãe, mamãe! Papai, cadê a mamãe, quero entregar o presente pra ela!" O pai enrola o pequeno: "a mamãe tá fazendo massagem, jajá ela sai e você entrega" . Dali a pouco, escuto a porta querendo abrir, e o pai intervindo: "só mais um pouquinho filho, vem aqui tocar tambor". E ele: "quero entregar o presente!" Dentro do quarto, eu ria de felicidade em ver a ansiedade dele... e eu que nem estava lembrando do dia das mães!!

Logo a massagem acabou, e saí direto pra encontrá-lo. Ele me abriu um sorriso gigante, e saiu pulando pela casa: "mamãe, tenho um presente pra você! Tenho um presente pra você! Fui eu que fiz, fui eu que fiz!!" E veio me entregar o presente: um cartão pintado por ele, com um saquinho de pano amarrado e dentro um colarzinho feito de tecido e miçangas lindo!!! E o presente foi entregue com direito a uma poesia maluca inventada por ele (que eu só entendi algumas palavras, hehe) e repetida euforicamente, um delicioso abraço e vários beijos. Inesquecível, assim como a alegria dele quando coloquei o colar, e segui com ele o resto do dia.

Desde esse dia me pego lembrando dessa cena, todos os dias, e o colarzinho virou meu "amuleto" nesse finzinho de gravidez. Quero estar com ele no momento do parto. É como se fosse um estoque de amor e alegria que só de colocar já me faz bem, lembrando da simplicidade daquele momento e do quanto é bom ser mãe.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O FIM CÔMICO DE UM DIA DIFÍCIL

Cinco dias de carnaval, chuvosos, praticamente o tempo todo dentro de casa (com raras saídas pra cineminha, casa da vó, casa de amigos). Tempo cinza, frio, quase mofamos. Imunidade caiu, do filhote e da mãe barriguda. Mas até que nos viramos, sacudimos a poeira, nos divertimos como deu, driblando febrinhas e tals.

Feriado acabou, o filhote ainda tava assim-assim e decidi ficar com ele hoje o dia todo, porque na escolinha, né? Todo mundo de nariz escorrendo e a coisa não sara nunca. E tem a homeopatia. E tem a vontade de esticar mais um pouco esse tempo integral juntinho. E então ele ficou.

Mas a casa tava uma bagunça, pilhas de louças, roupas pra lavar e aproveitar o solzinho que resolveu aparecer pós-feriado, almoço pra fazer. Da metade da manhã em diante eu e Caio nos separamos: ele ficou brincando sozinho, eu fui pra forca cuidar da casa.

Almoço saiu tarde, filhote com sono, muito stress e poucas garfadas.

Fome+sono+doencinha: combinação explosiva. Caio dormiu quase a tarde toda, mas acordou péssimo. Chilicou, fugiu de mim, tentou me bater, usou todo o repertório punk dessa fase. Consegui que comesse algo, e a coisa foi melhorando. Pero no mucho.

Pai chegou com colega de trabalho, ajudaram a distrair bem, conseguiram que ele comesse mais um pouco. Humor ainda instável, mas brevemente domado pela atenção de 3 (ufa!). Homeopatia em ação. Mãe barriguda esbagaçada - física e psicologicamente.

Bem na hora do banho, depois de todo o árduo processo de convencimento (né, mães?), quis fazer cocô. Maravilha. Antes de limpar, um minuto de distração e o danado saiu pela casa. Sentou no chão. Mais tarde descobri que tinha passado também pelo sofá (Rá!).

Não aceita tomar banho, chilique monster. Dirige toda sua raiva a mim. Quer o pai.

Sou obrigada a ouvir que "ele devia ter ido pra escola, você não tá dando conta dele assim". A culpa é sempre da mãe (né não, Dani?).

Tomo meu banho e vamos todos assistir um filminho. Sento ao lado do pequeno, puxo um papo: "tá de bem da mamãe?" Ele dá uma risadinha marota. Logo o pai sai e ficamos só nós. Dali a pouco ele está todo dengo-dengo de novo, deita no meu colo, vai ficando sonolento. O filme termina e a mãe aqui está chorando. Mas não, não pelo dia difícil, nem pela 'reconciliação' (!), mas de emoção com o filme mesmo... Toy Story 3!!!

Que tipo de pessoa, senão uma grávida, pra chorar assistindo uma animação com o filho, depois de um dia desses? (estão na minha lista de choros recentes também os filmes Carros, Nemo, Monsters e Toy Story 1).

Ponho o pequeno na cama com a certeza de que amanhã ele fica comigo de novo. E não, eu não sou louca. Sou uma grávida de 30 semanas, com todas as oscilações de humor que vêm no pacote, com um filho beirando os 3 anos, no auge das birras, falando feito gato e futucando o meu umbigo o dia todo (é uma delícia, mas tudo em excesso cansa, afe!), doentinho e irritadiço, mas que é de longe minha melhor companhia (desculpa aí, amor!). E amanhã terá minha atenção integral, que nossa ajudante semanal estará aqui pra cuidar do resto.

E, não digo nada se não terminar o dia chorando ao assistir Os Incríveis ou A Fuga das Galinhas, indo dormir de alma lavada como agora. Amanhã vai ser outro dia (assim espero...).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PISTAS

Sono, muito sono. E fora de hora.

Fome, muita fome. E fora de hora.

Olfato superpoderoso, sentindo qualquer cheiro a kilômetros de distância.

Humor absolutamente instável, sujeito a chuvas e trovoadas.

Chororô incontrolável, qualquer beijo de novela ou propaganda de margarina me faz chorar.

Xixis constantes, principalmente no meio da noite.

Peito inchando e ficando doidinho.

Um leve enjôo, e uma baita azia.

Maridão enlouquecido, sem saber o que fazer.

Filhote dengoso, pressentindo algo no ar.



Ficou fácil, né: ESTOU GRÁVIDA DE NOVO!!!


Estou feliz, MUITO FELIZ, mas a ficha ainda não caiu direito. A idéia era engravidar até o fim do ano, mas foi tudo muito rápido. E esta gravidez já começou bem diferente: na anterior, eu demorei quase dois meses pra descobrir que estava grávida (menstruei grávida), não tive enjôos e - MUDANÇA FUNDAMENTAL - não tinha outro filho... Mas, enfim, ESTOU DE VOLTA AO TIME!!!


[E, apesar dos sintomas que me fizeram descobrir a gravidez não serem, digamos, tãããão agradáveis, sei que daqui há pouco vou estar me sentindo a deusa das deusas, cabelo lindo, pele linda, barrigão...... adorei estar grávida, e vou adorar de novo, tenho certeza. Mas os três primeiros meses são dose, principalmente no quesito barriga, ainda mais no segundo filho. Mas isso é assunto pra outro post...]


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

EU SOU UMA MÃE DE VERDADE, E VOCÊ?


Sabe quando você passa o fim de semana inteiro grudadinha no filhote, curtindo em família? Então chega segunda-feira, e vocês acordam cedo, e brincam até o limite do horário de entrada na escolinha, e vão tomar um café da manhã especial juntos na padaria? E depois, na hora de deixar o filhote na escolinha, ele não quer ir, e chora, e você se despede dele assim mesmo, e se sente a pior das criaturas porque tem que deixar ele lá chorando e ir trabalhar? E aí você fica um trapo, e no caminho até o carro chora também, e chora ainda mais porque está naqueles dias? Pois é, hoje aconteceu isso comigo. Fiquei péssima.




Mas daí lembrei dessa linda campanha que conheci através da Flá e da Ombudsmãe e me confortei um pouco. Pensei que sou uma mãe de verdade, de carne e osso, e que nem tudo é perfeito e ideal como eu gostaria. E pensar na campanha me fez pensar na minha vida, na minha maneira de lidar com a maternidade, no que ando fazendo de bom e de ruim, no que ainda posso melhorar, no que tenho que aprender a lidar melhor... Essa campanha é bacana por isso, traz a realidade da maternidade, suas dores e delícias, para ser olhada de frente pela sociedade e por nós mesmas, mães. E as imagens são lindas, inspiradoras, nos põem pra pensar. Vale conhecer e assinar embaixo. Porque merecemos ser mães sem medo de ser feliz, e, acima de tudo, sem nos sentirmos culpadas e pressionadas por tudo o que fazemos ou deixamos de fazer. Embora, tenho certeza, vou chorar toda vez que tiver que deixar meu filho na escola chorando, porque tenho que trabalhar. Mas vou me sentir a melhor das mães quando puder deixar de ir trabalhar pra ficar brincando com ele, porque minha maternidade de verdade é essa, conciliar o filhote e o trabalho, em dias mais fáceis e flexíveis, e outros mais difíceis e rígidos. E vamo que vamo.

domingo, 27 de setembro de 2009

O CHORO QUE VEM DEPOIS


Já era noite. Eu e Caio sozinhos em casa, nos preparando para a curta viagem até a casa da vovó e do vovô. Eu carregava o carro rapidamente, enquanto ele se distraía na sala. Então ele veio até a porta, eu já fechava o portão. Estava há menos de um metro de distância dele. Ele foi descer o degrau para a garagem, mas olhava para mim, pisou em falso... "Vai cair!" E popof!! A antevisão do tombo não me garantiu evitá-lo: "meu reflexo foi lento demais!" seria a frase que me perseguiria nas horas seguintes. Enquanto eu via o tombo, corria para segurá-lo, mas não deu tempo. O tombo foi feio, o menino quicou no degrau, deu uma semi pirueta e caiu no chão. O coração disparado, os braços estendidos para aninhá-lo, o choro de cortar o coração. Apesar do desespero, tento racionalizar: olho Caio de cima abaixo, "cortou? tem sangue? tá machucado?", vou inspecionando cada cantinho, ao mesmo tempo em que o abraço forte. Vou ao banheiro para lavar rosto e mãos do pequeno, e o sangue começa a escorrer do nariz. D-E-S-E-S-P-E-R-O! Era a segunda vez que via sangue nele, a primeira no nariz. E o medo de ter quebrado??? Tentava estancar o sangue e analisava aquela bolinha perfeita que ele tem no rosto: não parecia ter quebrado, mas tinha uma marca de batida no alto do nariz. Vamos para a sala, coloco ele no peito para conseguir limpar melhor o sangue: em poucos minutos ele estava reestabelecido, me olhando e rindo, fazendo graça com o mamá, o sangue estancado. ALÍVIO IMEDIATO. Tento ligar para a pediatra, em todos os telefones, e NADA (droga!). Caio já está no chão, alegrinho, brincando. Decido ligar para o pai, que está a milhares de quilômetros de distância (sabia que não ia resolver, mas pelo menos ia dividir a agonia...): ele me consola - "nariz é sensível mesmo, qualquer batidinha sangra", me tensiona - "mas você que está aí vendo, parece que quebrou? ele tá bem?", me puxa a orelha - "vê se deixa a porta fechada da próxima vez..." (grrrrrrrrrrrrrrrr!) e me alivia "se ele tá brincando, tá tranquilo, é porque tá tudo bem, fica calma!". Ok, beijo-tchau. Resolvo ligar para uma amiga-mãe mais experiente do que eu: "menino é assim mesmo, Thaís, ih, vai sangrar muito esse nariz! Se ele mamou, não vomitou, não dormiu, tá alegrinho é porque tá tudo bem. Espera um tempinho pra ver se ele fica bem mesmo e pode ir tranquila." Espero. Observo. Olho mil vezes, "essa luz não tá boa, vamos pra cozinha", olho de novo, aperto pra ver se sente dor, "tá doendo filho?", olho de novo, "será que quebrou? acho que não, ele não sente dor... mas tá ficando roxinho! levo ele no pronto atendimento? ai, mas aquele ambiente horrível, vão fazer raio x nele, tão pequeno..." Um incessante e agoniante diálogo interno se processava, e ele ali, brincando, fazendo graça. E fez um baita cocozão. "Ele tá bem" foi a sentença final do diálogo. Com ele no colo, tirei as bolsas que já estavam no carro, limpei o dito cujo, troquei, coloquei tudo de volta no carro, coloquei ele na cadeirinha e peguei a estrada. Meu pai me liga na saída da cidade, conto o que aconteceu, digo que logo estou chegando. Em minutos Caio dorme. E eu desabo numa choradeira sem fim, torneira aberta para aliviar o coração. Porque mãe tem que ser forte e aguentar o tranco, mas não é de ferro.

sábado, 8 de agosto de 2009

SEU PAI







Um dia ele me olhou e disse que há tempos queria nos multiplicar. Aquilo me marcou profundamente. Eu sempre quis ser mãe, mas, mesmo com muita vontade, ia me adiando o desejo: nossa vida tão perfeita a dois, viagens, trabalhos, estudos... sempre há um motivo. Mas o desejo de ser pai já gritava alto nele, e começou a não caber mais dentro do peito. Ali já existia o pai formidável que ele viria a ser.

Eu brinco que ele me deu o "golpe da barriga". Sua expectativa em tornar-se pai era incrível, chegou a contar meus dias férteis. Deu certo. Custamos a perceber, mas foi juntos que suspeitamos que você estava a caminho. Ainda mais juntos
choramos e comemoramos a confirmação: agora éramos três. Eu estive para explodir de tanto sentimento: não bastasse a surpresa e a emoção indescritível que senti ao te saber dentro de mim, outra ainda me invadiu de assalto ao ver a profunda emoção que tomou conta de seu pai. Eu nunca tinha imaginado quão intenso esse momento poderia ser para um homem, descobrir-se pai. A emoção da mulher transformada em futura mãe já é batida, quase óbvia, mas a do homem, do futuro pai... Fiquei maravilhada, ele já era o pai que eu sempre quis para você.

Enquanto te esperávamos, em meio ao turbilhão de hormônios e transformações que me dominava e, por vezes, me aturdia, seu pai foi meu porto seguro. À sua maneira, é verdade, que ele tem seu jeito durão e agitado de viver a vida. Mas ele me acompanhou do início ao fim da aventura de te carregar dentro de mim, ainda que, muitas vezes, aos olhos dele, eu parecesse um pouco louca e incompreensível (e que grávida não passa por esses momentos?). Ele aprendeu lindamente a lidar com as instabilidades da gravidez, e, embora para ele tua vinda parecesse mais distante que a mim, que te sentia a todo momento, foi maravilhoso vivenciar o crescente esforço dele para aproximar-se de algo ainda tão abstrato, uma barriga que crescia, oras! Mais surpreendente ainda foi acompanhar a tranformação daquele homem que eu já conhecia há tantos anos: ainda na barriga, você já fazia do seu pai um novo homem, muito mais incrível, muito mais amável, muito mais paciente. Se eu já o amava tanto antes, agora parecia que aquele amor multiplicado seria o auge do sentimento que me unia a ele. Mal sabia eu que, tornado realmente PAI, meu amor por ele se tranformaria ainda mais, um sentimento que eu nem sabia que poderia existir.

Seu pai foi meu grande parceiro nas decisões que tomamos, ao longo da tua espera, sobre a maneira de te trazer a este mundo. O apoio dele, depois de concedido (porque inicialmente ele desconfiava de minhas idéias "humanizadas" sobre seu nascimento), foi incondicional: tantas e tantas vezes ele foi "meu herói", como quando me tirou correndo do hospital, contrariando a indicação da nossa obstetra, às 37 semanas de gravidez e às vésperas de minha defesa de mestrado. Nos empoderamos juntos, e assim começamos a construir nossa história como pais. Um parceiro poderoso, um futuro pai empoderado, que mais eu poderia querer ao meu lado?

Mas isso ainda não era nada perto do que ele faria durante teu nascimento. Seguro, tranquilo, ativo, absolutamente presente e, ao mesmo tempo, quase invisível, tamanha foi a sensibilidade dele em lidar com aquele meu momento-bicho. As palavras certas, os toques precisos, os carinhos necessários, os olhares absurdamente cúmplices, a presença rocha-sólida do começo ao fim, o apoio físico e emocional, a respiração sincronizada, a sintonia barriga-com-barriga. Ele foi, ao meu lado, também protagonista de teu parto (posso dizer, de boca cheia, que te parimos juntos, e isso me enche os olhos de lágrimas, e o peito chega a doer de tanto amor e gratidão): tornado pai por inteireza, entregue de corpo, alma e lágrimas ao novo e mais belo papel que assumiria nesta já longa vida que construímos juntos.

Já nos seus primeiros dias de vida, imbuído do novo sentimento que o dominou por completo - amor de pai - ele parecia ter nascido para aquilo: banhos, fraldas, embalos, acalantos... Certas funções ele chegou mesmo a me ensinar, como a te dar banho! Prestativo, quanto apoio ele me deu na minha fase de adaptação pós parto (a "perda" da barriga, o aprender a ser mãe, o desafio inicial da amamentação, o inevitável cansaço físico, os turbilhões de hormônios...), embora ele também estivesse se adaptando emocionalmente e fisicamente àquela nova realidade...

Aos poucos, vamos nos conhecendo como familinha, nos re-conhecendo como pai e mãe, nos re-encontrando como casal. Vamos descobrindo nossas identificações e nossas diferenças como pais, encarando aspectos ora complementares, ora conflitivos entre maternidade e paternidade. Mãe é bicho tinhoso (pelo menos eu sou...), sabe, filho, toma a cria como sua, tem dificuldade em compartilhar certos aspectos da maternidade. É quase que instintivo: necessidade de ter o controle de tudo, certeza de que o que fazemos é o melhor para vocês, nossos filhotes. Além do mais, queremos que essa nossa certeza seja acatada por todos que lhes cercam, e, mais ainda, pelos pais. E teu pai fica doido com isso, ele, que é tão participativo, quer compartilhar de tudo e reclama que eu centralizo demais as decisões sobre a tua criação... Ele, que é tão cheio de idéias, e detesta que eu fique dizendo a ele o que e como fazer as coisas com você... Ele, que é tão presente, e não consegue entender minhas cobranças por mais e mais presença dele junto a nós... Ele, que é tão cheio de energia, e fica chateado quando corto a onda de um batuque na hora de você dormir, ou de uma acrobacia depois de você comer...

Ele quer mais espaço para exercer a sua paternidade, do seu jeito, sem eu ficar interferindo o tempo todo... eu sei. Porque ele é assim, um paizão. Você já sabe, né, filho, basta olhar sua carinha de felicidade quando ele chega em casa: papaiiii, papaiiii! Porque ele faz de tudo com você. Desde limpar o cocô mais fedido até dar o banho mais divertido, de ensinar você a batucar até fazer uma papinha delícia, de brincar horas e horas no chão até passear horas e horas no carrinho... Porque ele canta Asa Branca pra você dormir como ninguém, com aquela voz grave tornada miudinha e suave... Porque ele aguenta dores incríveis na coluna só para te ninar e embalar... Porque ele sonha com o dia em que vocês vão jogar capoeira juntos, na beira do mar, e fica tocando berimbau enquanto você canta: din don, din don... Porque ele aguarda ansiosamente o dia que ele vai poder te pegar e te levar pra um canto qualquer, pra curtir um passeio de pai e filho, sem ter que pensar em voltar porque você tem que mamar na mamãe (mas mesmo assim segue respeitando nosso processo de amamentação!)... Porque ele se apertou todo no trabalho para poder ficar alguns dias com você quando a mamãe voltou a trabalhar, e nos dividimos bem assim até hoje, e ele ama as tardes em que fica em casa com você... Porque ele ri que nem bobo quando você faz alguma gracinha, e chora sem vergonha quando você faz alguma nova conquista ou aprendizado... Porque ele acha você o menino mais esperto, mais bonito, mais risonho, mais tudo que um nenê da sua idade pode ser... Porque ele te ama muito, e é o melhor pai que você poderia ter nesse mundo!!!

Feliz Dia dos Pais, meu amor!!!!

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[ele vai ficar bravo, ele não gosta muito que eu fale dele e coloque suas fotos aqui no blog, mas hoje é dia dos pais e não tem jeito, aqui é meu lugar de registrar essas lembranças, esses carinhos, essas homenagens... Então, desculpa aí, amor, mas esse post é todo você!!! Você merece!!]

[e você, meu paizão querido, não fica com ciúme não... é a primeira vez que falo exclusivamente sobre o super papai que o Dani é, a sua homenagem desse ano já tá registrada aqui no blog, né! Te amo muito, um ótimo dia dos pais procê também, meu querido!!]


segunda-feira, 13 de julho de 2009

MEMÓRIA DO FUTURO



Caio é um bebê muito carinhoso, mas não é daqueles que ficam beijando e abraçando o tempo todo (eu bem que gostaria... rá!). Mas, ultimamente, ele está todo cheio de denguinhos e carinhos e beijinhos sem ter fim. Daí que hoje, depois de uma sessão de manha misturada com sono e talvez um dentinho pentelho rasgando a gengiva, cedi e dei o mamá, que estava controlando um pouco para ver se ele jantava (já que há 3 dias ele não tem jantado direito, só quer mingau, peito, leite e derivados). Eu cedi, brava, mas a brabeza não durou um segundo. O pequeno grudou no peito, foi relaxando e começou a fazer muito carinho em mim, bem mais do que de costume, no meu rosto, no meu nariz, no meu cabelo, na minha orelha, na minha cintura... me olhava com aquela carinha mais meiga do mundo e me acarinhava, como que dizendo: tá vendo que delícia, mamãe, e você não queria me dar mamá! Fiquei um tempão ali, curtindo aqueles carinhos, me emocionei e comecei a chorar (tá, eu sei que isso não é grande novidade, já falei sobre isso aqui e em outros posts, mas fazia tempo que não acontecia). E, sabe o que me passou pela cabeça nessa hora? Que aquele momento era, sem dúvida, um dos mais preciosos que vivi até hoje. Que eu não queria nunca me esquecer daqueles carinhos tão delicados. Me vi bem velhinha, com os filhos já criados, lembrando e curtindo a saudade desses momentos a sós com o filhote (e sei que vou ter muuuuuita saudade, considerando que tenho desde já...). Então pensei que velhinhos às vezes se esquecem das coisas, muitas vezes das mais importantes. E corri para escrever isso aqui.

(porque daí, mesmo se eu ficar tão velhinha que não consiga nem ler mais, pelo menos alguém vai poder ler para mim, como no filme do Benjamim Button... e eu vou poder lembrar e lembrar e lembrar quantas vezes eu quiser!)

imagem: www.gettyimages.com.br

terça-feira, 7 de abril de 2009

TE AMO


Porque você mudou a minha vida, e eu nunca mais serei a mesma. Porque eu tomei um susto quando descobri você dentro de mim, e ao mesmo tempo senti a maior alegria que jamais imaginava existir. Porque eu aprendi tudo sobre gravidez e parto por sua causa, e me descobri mulher, fêmea, mamífera e, acima de tudo, mãe. Porque com você eu conheci as dores e as delícias de estar grávida, e curti cada momento em que você esteve aqui dentro. Porque no início eu ficava "tímida" e não conseguia conversar com "a barriga", e você foi aos poucos se comunicando comigo com chutes e socos, e eu comecei a cantar para você no chuveiro. Porque sentir você crescendo dentro de mim foi minha conexão maior e definitiva com o sagrado e o misterioso da vida e do mundo. Porque alimentar seu corpo e sua alma, dentro e fora da barriga, me fez prestar atenção no que eu ponho para dentro de mim, de alimentos a emoções, e me fez aprender que cuidar de mim - e do mundo - é também cuidar de você. Porque preparar e esperar sua chegada criou um laço ainda mais forte entre seu pai e eu, e nos deu o exato sentido de família e de ninho. Porque fazer escolhas para o seu nascimento - e conseguir concretizá-las - me fez sentir poderosa e fortaleceu imensamente minha auto-estima. Porque nós proporcionamos a você um nascimento digno, feliz e sem traumas e você nos proporcionou a maior - e mehor - experiência de nossas vidas. Porque sentir você nascendo de mim, te olhar, te tocar, te cheirar e te beijar pela primeira vez foram sensações que jamais esquecerei, e que me enchem os olhos de lágrimas a cada lembrança. Porque vivenciar seu nascimento no aconchego do nosso ninho e presenciar seu pai cortando nosso primeiro elo foi algo mágico e repleto de significados para nós. Porque ter você aninhado em meu colo, sugando o meu peito já nos primeiros minutos de vida criou entres uma ligação profunda, intensa e - quero crer - eterna. Porque amamentar você nos primeiros dias, nos primeiros meses e ao longo de todo este primeiro ano tem sido uma vivência única de amor, carinho, plenitude. Porque este contato corpo a corpo, pele a pele com você me faz reviver diariamente tantas emoções recém-descobertas, mesmo nos dias em que estou mais cansada. Porque ver você crescendo aqui fora e acompanhar suas descobertas e aprendizados cotidianos me enche de alegria e encantamento pela vida. Porque redescobrir o mundo com você, reconhecê-lo através de seus olhos me proporciona um prazer imensurável. Porque você me faz lembrar que brincar é bom demais, e que todos os dias e todas as coisas podem ser motivos para diversão. Porque você me faz olhar para meus pais de uma maneira que eu jamais tinha feito, passando a entender (mais de trinta anos depois) a intensidade do amor que eles sentem por mim. Porque você me faz ter vontade de me reconectar com minhas raízes, minha família, meus parentes, minha história. Porque você amplificou o amor que eu sinto por seu pai, e nos faz melhores não apenas como pais, mas também como casal. Porque você me faz chorar ao pensar em tudo isso, por muito mais que faz por mim e por tudo que ainda está por vir: TE AMO.

FELIZ PRIMEIRO ANIVERSÁRIO, FILHO!


segunda-feira, 6 de abril de 2009

UM ANO ATRÁS


Há um ano atrás, nesse exato momento, Caio dava seus sinais mais evidentes e inquestionáveis de que sua hora de deixar os limites da barriga-mundo estava chegando... O trabalho de parto tornava-se algo beeeem concreto, e meu corpo e minha alma se preparavam para serem levados pela avalanche única de emoções e sentimentos que só um parto é capaz de nos proporcionar... Meu coração palpita esquisito agora, entre alegre e saudoso, um tanto ansioso também - como que rememorando a experiência daquelas horas tão intensas que vivenciamos (eu, Dani e Caio) há exatamente um ano atrás... Mágica sensação, que tenho certeza que reviverei a cada ano, ainda que com intensidades diferentes...

domingo, 22 de março de 2009

MULHER-MARAVILHA



Como bem disse a querida Magá, mais uma aprendiz de mãe nesse mundão-de-meu-deus, bastou a gente se tornar mãe para virar também mulher-maravilha. Filho, marido, casa, trabalho(s), família, amigos, escolinha, corpo, mente, empregada, (artigo pra congresso, regime, festinha de um ano) etc etc etc... tudo isso somado a pelo menos um ano e meio (no meu caso) de noites de sono intermitente... É muita coisa para administrar e conciliar e, como se já não bastasse nossa auto-cobrança - temperada com doses cavalares da tão famosa culpa materna - para fazer tudo do jeito que consideramos perfeito (não aceitamos nada menos que isso), ainda temos que ouvir por aí: 'você precisa se cuidar mais' ou 'você tem que fazer doutorado logo, né'...

Mãe não pode ter mau humor. Cara amarrada, nem pensar: 'nossa, como você tá estressada, credo!' Temos que dar conta do recado, sempre lindas, sexies e sorridentes: as verdadeiras mulheres-maravilha. E o pior é que só as mães sabem disso: o resto da humanidade (e aí eu estive incluída até há bem pouco tempo atrás, antes do Caio nascer - desculpa, viu, mãe!), principalmente a maioria dos homens (rá! não podia passar sem essa!), nem se dá conta disso, é como se tudo fosse tão natural, tão simples, tão igual. Alguém aguenta?

Vejamos um sábado na vida desta mulher-maravilha que vos fala: acordei com o filhote resmungando, às 6hs da manhã (depois de uma noite que não foi das melhores, já que ele estava meio doentinho). Dei mamá pro bichinho. Enquanto o pai trocava ele, fui pro mercado perto de casa comprar o café da manhã e alguns itens que faltavam pra fazer a papinha do Caio. Preparei o café, que tomei brincando com o ele. O pai saiu. Tirei a mesa, e o filhote já estava com soninho: mamá novamente. Aproveitando a soneca do pequeno, fui preparar sua comidinha: quando estava no meio processo, ele acordou manhosão (como todo bebê doentinho) e quis colo. Coloquei ele no sling e continuei fazendo a papinha. O pai voltou, e deu a frutinha da manhã, enquanto eu me arrumava para ir ao supermercado (fazer as compras do mês, já que eu não tinha conseguido ir durante a semana e a despensa estava completamente vazia). Lista em punho, fui. Com o carrinho quase completo, minha irmã (querida titia, que veio nos visitar) me ligou, já estava na rodoviária. Deixo o carrinho no super, vou buscá-la e volto para finalizar a compra. No meio do caminho lembro que está na hora da homeopatia do Caio, e ligo para lembrar o pai, já impaciente com minha demora (!). Chego em casa: filho quer colo, pai de bico, compras pra descarregar e guardar, papinha do nenê para dar, louça pra lavar, almoço pra fazer, vontade de tomar cerveja e botar o papo em dia com a Flá, fome. Depois disso tudo, com o almoço pela metade, o filhote com sono, hora do mamá, paro tudo e vou. Ponho ele dormindo no berço, completo o almoço, comemos, o pai tem que sair novamente. Finalizo o convite da festa de aniversário de um ano do filhote (é, tem isso ainda!). Descanso um pouco, e logo o filhote acorda. Brincadeiras, mamá, gotinhas, frutinha... o pai tinha trabalho pra fazer. Mais brincadeiras, hora do papá, vovô e vovó chegam: vamos passear à noite, ainda bem, porque o dia tava feio e não saímos de casa o sábado inteiro. Fazemos o esquema banho-família, me arrumo a jato que já estava ficando tarde, nenê com sono, hora de mamá... Chegamos no barzinho, Caio acordou, tinha uns amiguinhos e ele ficou agitado. Vovó, vovô, titia e papai ajudaram bastante, eu até consegui conversar, comer e me divertir um pouco, mas tem aquelas horas que só a mãe resolve. Colo daqui, tetê de lá, chororô e o pequeno dormiu. E eu já caindo de sono também. Cheguei em casa, pus o bichinho no berço, ainda dei uma geral nos brinquedos espalhados pelo chão, e caí na cama, torcendo para essa noite ser melhor (e foi) e o domingão também (está sendo).

É minha gente, ser mãe é uma delícia, adoro e nasci pra isso, mas mulher-maravilha também quer descansar no sabadão, que ninguém é de ferro...

Imagem daqui.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

UM DIA ESTRANHO


Hoje tive que ir à Piracicaba a trabalho e, pela primeira vez, fiquei mais de um período longe do Caio: foram dez horas sem o bichinho por perto, quase uma tortura!

Dei mamá logo que ele acordou, e lá fui eu. A parte da manhã até que foi tranquila, afinal, há duas semanas já temos ficado separados neste período do dia. O problema começou quando chegou a hora do almoço: meus peitos já estavam bombando, pois era hora do pequeno mamar... Fui ficando meio angustiada, uma sensação estranha que misturava ansiedade e inquietação - eu pretendia voltar logo depois do almoço, mas por prudência profissional resolvi ficar, não sem antes me pendurar no celular para deixar tudo encaminhado com o super papai e a super vovó em casa, já que, além de tudo, tínhamos consulta com a pediatra à tarde.

Nessa altura, comecei a achar que um dos peitones ia dar bandeira e vazar no meio da reunião (maldita inexperiência, eu bem que podia ter levado a bombinha pra tirar um pouco de leite...), e isso foi me deixando ainda mais esquisita. Resolvi ir ao banheiro um pouco antes da reunião se iniciar, para tentar ordenhar um pouco com a mão, e, de fato, foi um grande alívio, que me permitiu ficar mais algumas horas na atividade (mas que foi esquisito, foi, ficar dentro de uma cabininha de banheiro ordenhando o peitão... afe!). Mesmo assim, eu sabia que minha presença ali tinha um prazo de validade, determinado pelos peitões, que me davam a sensação de estarem inflando numa velocidade alucinante, e, pior, eu achava que todos estavam percebendo que eu estava ficando deformada, com um peito maior que o outro... Rá!

Enfim, chegou uma hora que não deu mais pra aguentar: além dos peitones, tinha aquela ansiedade, uma pressa de chegar logo em casa, pegar o filhote e botar pra mamar... Pedi para o Marcelo, que tinha ido comigo, voltar dirigindo, e vim embora rezando pro leite não empedrar. Cheguei em casa e nem guardei o carro na garagem, eu queria logo pegar o Caio, abraçar, beijar, espremer, fazer cosquinha... e, principalmente, "plugar" ele no meu peito (como bem definiu a Flávia)! Só que o bichinho estava dormindo!! Fui até o quarto, peguei ele com cuidado, e em poucos segundos ele estava mamando, sem nem sequer abrir os olhos, tão naturalmente, como seu estivesse ao lado dele o dia todo. E eu me desabando a chorar, pensando sobre que sentimento maluco é esse que temos por nossos filhos, que saudade enlouquecida é essa que sentimos ao ficar algumas horas apenas longe deles...

Sei que, no fim, ele ficou super bem, curtiu o dia ao lado da vovó, enquanto eu passava mal de agonia longe dele. Foi um dia bem estranho, mais pra mim do que pra ele... Mãe é mãe, né...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

SAUDADE


Ai... acabo de dar de mamar para o meu pequeno, e me dei conta que ele não é mais tão pequeno assim... Olhando para suas pernonas vazando de meu colo enquanto mamava, percebi que meu bebezão já é quase um menininho... Não chorei - sorri -, mas meu coração ficou apertadinho... um misto de alegria e saudade... E isso porque ele só tem nove meses... Quem for mãe que me entenda!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

TEM DIAS QUE EU CHORO*


Sempre fui uma pessoa sensível, em muitos momentos à flor da pele mesmo, para o bem e para o mal (como por exemplo na TPM). Mas a maternidade revirou minha sensibilidade de cabeça pra baixo. E não falo aqui só das alterações hormonais, etc. e tal, que meu marido adora invocar nos meus momentos mais críticos (!), mas de um aguçamento, uma depuração diária dessa sensibilidade, a partir do contato com meu filhote, hoje com seis meses.

O período da minha gestação foi repleto de emoções as mais diversas, chorei e ri com intensidades nunca antes experimentadas. Obviamente detonadas pelas alterações hormonais, a vivência dessas emoções foi muito além delas, e fizeram desse período um dos mais prazerosos desses meus trinta e um anos.

Assim, no meio desse turbilhão, ficava imaginando como seria no dia do parto, me via chorando copiosamente após o nascimento do meu pequeno. Mas isso não aconteceu: após a avalanche de sensações físicas, mentais, espirituais vividas durante o parto mais-que-perfeito que tive, a partir do momento em que meu filho nasceu a plenitude foi tamanha que eu não chorei. Uma serenidade tomou conta de mim, só conseguia sorrir e mirá-lo sem parar. Não derrubei uma lágrima. Ali senti o quanto a maternidade mexeria com minha sensibilidade, mais do que eu poderia imaginar, muito mais do que o que eu já tinha vivenciado durante a gravidez.

Meu filhote nasceu numa segunda-feira de madrugada, meus pais e sogros vieram nos ver após o almoço e, no fim do dia, quando todos se foram e eu me vi sozinha com ele em meus braços, amamentando-o como se sempre tivesse feito aquilo, pela primeira vez eu chorei. Olhava para aquele ser tão pequenino e chorava, lembrava dos momentos intensos vividos durante o parto e chorava, sentia um amor maior que tudo me invadir e chorava, chorava, chorava e sorria incontrolavelmente. Nunca tinha me imaginado capaz de uma emoção tão intensa, tão avassaladora. Aquilo me tomava o fôlego de uma tal forma, experimentava uma sensação de felicidade tão grande, que era como se eu estivesse dopada.

Essa sensação me invadia quase todos os dias durante o primeiro mês de vida do meu filho. Bastava termos nosso momento a sós, olho no olho, pele com pele, e eu chorava e sorria sem parar novamente. Ao contrário da depressão pós-parto, tão comentada, eu tive um surto de felicidade pós-parto (esse sim deve ser difundido!), um encantamento que fazia com que as dificuldades naturais desses primeiros momentos da maternidade parecessem pequenas. Por várias vezes, racionalizando essa sensibilidade contraditória, em que choros e risos se confundiam, lembrava das brincadeiras nas listas de discussão sobre a bendita ocitocina, e imaginava que minha produção devia estar nas alturas...

Aos poucos, fui me acostumando com essa nova sensibilidade que despertou quando a mãe dentro de mim nasceu. Olhares, toques, embalos, carícias, cuidados, brincadeiras, cantigas foram canalizando toda essa emoção, e eu já não choro tanto... Mas vira e mexe me pego olhando para aquela coisinha, lembrando de tudo que passamos juntos ao longo dos nove meses de gestação, do nosso trabalho conjunto para que ele viesse ao lado de cá do mundo, vejo aqueles olhinhos me encarando, aquelas mãozinhas me acariciando... e choro... choro mesmo, como criança... sinto a mesma emoção me invadir, com a mesma intensidade.

Meu marido acha graça. Ele é parte de toda essa emoção, ele sim chorou no momento do nascimento, mas não consegue imaginar o que seja essa sensibilidade tão intensificada. Mas vejo um sorriso bonito no seu rosto quando me flagra num desses dias a chorar. E quando isso acontece, lembramos do quanto nos empenhamos para trazer nosso filho ao mundo da forma mais humanizada possível, do quanto nos unimos para transformar em realidade um ideal de nascimento que fomos construindo juntos ao longo dos nove meses de gestação, e compactuamos na certeza de que toda essa sensibilidade aflorada de modo tão intenso e tão feliz tem relação direta com nossas escolhas, conquistas e vivências em relação à gestação e ao parto. E que essas mesmas escolhas, conquistas e vivências direcionaram irremediavelmente nosso modo de ver, pensar, sentir, vivenciar a maternidade – e a paternidade – como um todo, ainda que tenha dias que eu chore, e ele ria...

* texto publicado no blog Mamíferas, em outubro de 2008, como "mamífera convidada".