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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

FESTAS, RECOMEÇOS, FÉRIAS


Desde que entrei na faculdade até o ano em que engravidei, o Natal era uma data celebrada em família, e o Ano Novo um momento pra curtir com os amigos, em algum lugar especial. Depois dos filhotes, o Ano Novo também se tornou um momento familiar, e esse ano não foi diferente. Caio está se esbaldando de curtir avós, tios e, principalmente, primos, em meio a água, sol, mata, bichos. Nuno parece querer sair correndo atrás deles, mas se contenta em se arrastar pra todos os lados, brincar sentadinho rodeado de crianças correndo e passar de colo em colo o dia inteiro. Um bom jeito de começar o ano, não?



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Não sou muito de fazer balanços ou listas de resoluções, mas o ano novo é sempre um momento de parar pra pensar e repensar caminhos, construir novos horizontes. Dani gosta muito de fazer isso, e nossas conversas acabam girando em torno disso nessa época. Mas dessa vez foi diferente: não parei pra pensar, o ano acabou, o ano novo chegou e a vida segue. Sei que quero conseguir dar conta do meu doutorado e curtir muito meus filhotes, e quero viajar mais... Tenho outros desejos flutuando por aqui, mas não os organizei mentalmente, e nem sei se vou. Mas quero aproveitar pra desejar a tod@s um ótimo recomeço, um momento de reposição de energias, uma pausa que seja para fazer balanços, planos ou simplesmente lançar um novo olhar para o cotidiano. E sigamos nessa troca deliciosa que os blogs e afins nos proporcionam!

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E, já que o momento (pelo menos pra mim) é de parar, curtir, assentar ideias e desejos, conviver com pessoas queridas, conhecer lugares bonitos, considero que ESTOU DE FÉRIAS, mesmo tendo a cabeça, por vários momentos, no trabalho (a pesquisa de doutorado). Na verdade, taí outra coisa MARAVILHOSA que a maternidade me trouxe. Desde que terminei a faculdade, entrei num ritmo de trabalho como autônoma que me fez passar reto várias e várias férias. Às vezes saíamos entre Natal e Ano Novo, ou em algum feriado, mas durante anos as férias de janeiro e de julho praticamente não existiam (assim como muitos fins de semana também...), até Caio nascer. Depois dele, nós passamos a nos organizar pra tirar férias junto com ele, pra poder curtir, viajar ou simplesmente ficar em casa. Virou uma deliciosa obrigação: mesmo que algum de nós tenha que trabalhar nas férias, sempre reservamos um período generoso para curtirmos em família. E é o que estamos fazendo agora. Porque muitas das minhas melhores lembranças estão diretamente ligadas a períodos de férias vividos em família ou entre amigos, e tem sido muito bom proporcionar isso ao Caio (e agora também ao Nuno). 

E, falando em férias, aproveito para compartilhar com vocês um texto que li ano passado na Revista Crescer e que casou perfeitamente com minhas ideias sobre férias. Espero que gostem. E boas férias pra quem puder!

Queremos férias!

(Marcelo Cunha Bueno)
Quem não se lembra daquela sensação de entrar de férias depois de um ano escolar? Quem não se lembra da sensação do primeiro dia de folga? Lembro-me de que sonhava que tinha aula, sonhava que as professoras brigavam comigo... e acordava feliz, aliviado por estar de férias.
Bem, a vida de hoje quase não nos permite entrar de férias. Trabalho, rotinas, compromissos inadiáveis. Com as crianças é a mesma coisa. Algumas delas têm mais atividades do que os adultos.
E há crianças que, quando entram de férias, têm mais atividade do que tinham no decorrer do ano!
Férias é interrupção! Um espaço e um tempo fundamentais para assentarmos algumas questões. Interromper para repensar sobre as nossas conquistas, avaliar caminhos, acomodar ideias.
Gosto muito da ideia de acomodação. Não essa acomodação sem crítica, que paralisa. Acomodação como ferramenta importante de nosso pensamento, que precisa de tempo e espaço para atribuir sentido ao que foi aprendido. É aquele tempinho que precisamos para pensar sobre.
Vejo as crianças da escola na volta das férias. É impressionante como retornam “mais crescidas”. É porque tiveram tempo para acomodar o aprendido, deram sentido a cada coisa nova, a cada conquista. Significaram as suas frustrações, encontrando, de forma mais consciente, caminhos para resolverem as suas pendências. A rotina nos empurra para as relações mais automatizadas. As férias interrompem essa rotina e nos conectam ao mundo, aos lugares, às pessoas, às simplicidades.
Crianças, nas férias, precisam brincar com todos os brinquedos no quarto, precisam fazer de conta a toda hora, precisam ficar com os amigos, assistir a um filme, ficar olhando as nuvens, comer fora de hora, tomar banho de sol, de piscina, suar bastante... e ficar com a família. Férias fazem isso. Férias aproximam cidades, culturas. Férias são a estrada para visitarmos um parente distante, para conhecermos lugares em que nunca estivemos. Nas férias, os pensamentos fluem, os sonhos acontecem, a criança sente o presente. Fazem a gente ver com mais atenção o pôr do sol, as estrelas do céu, faz escutarmos as ondas, os pássaros.
Às vezes, as famílias da escola me perguntam se não vou dar lições nas férias. Aprendemos tanto quando estamos longe da escola! Aprendemos nas coisas mais cotidianas. Aprendemos nas pequenas relações, nas novas amizades, nos lugares novos, nos antigos também. Aprendemos porque nos dispomos ao mundo de uma forma diferente. Intensa e só nossa. Não existe uma pessoa ao lado ensinando. Essa é a verdadeira independência! Aprender o que é sentido, o que é possível aprender.
Nessas férias de dezembro e janeiro, ajudem os seus filhos e filhas a interromperem as suas rotinas. Ajudem eles a acomodar as suas conquistas interrompendo as suas rotinas. Ofereçam espaços de brincar, sol, piscina, praia, campo, cidade com cultura, amigos do condomínio, primos, passeios, céu, vento no rosto, abraços, carinhos... Façam coisas que nunca fizeram antes, visitem novos lugares! Ofereçam-se aos seus filhos e filhas... e boas férias!
(Marcelo Cunha Bueno é diretor pedagógico da escola Estilo de Aprender, em São Paulo)

domingo, 9 de outubro de 2011

BEBÊ ZEN


Nuno ri. Desde muito cedo. Pra qualquer um, a qualquer momento. Ri com o rosto todo, com o corpo todo. É um dos seus muitos encantos. Mas, gargalhadinhas são privilégio de poucos, em especial o irmão e o pai. Comigo, tenho que fazer muita micagem pra ganhar uminha ou outra...


Nuno se aventura. Aprendeu a se balançar no bebê conforto, e atinge velocidade impressionante. Deitado, dá impulsos vigorosos com o corpinho para o lado, querendo mudar de posição. E se diverte por um bom tempo nessas suas aventurinhas deliciosas.

Nuno me olha. O tempo todo. Onde quer que eu esteja, seus olhos me procuram. Dois olhões apaixonados, sorridentes, que me derretem, me inundam de amor.

Nuno brinca. Com as mãos, com os pés, e com sua mais nova descoberta, a água. Ainda não se interessa muito por brinquedos, que apenas acompanha com os olhos, ou tenta tocar timidamente. Mas seu corpinho dá voltas em torno de si mesmo, deslumbrado com o mundo.

Nuno dorme. Dificilmente briga com o sono. Se está cansado, emite sinais claros disso, pedindo ajuda pra dormir. Mas, por vezes, chega a dormir sozinho, desafiando nossa incredulidade.


Nuno chora. Em geral um choro manso, que pega no tranco devagar. Se chora forte, ardido (e chora também, claro), é que algo incomoda pra valer: sabe se fazer notar em meio à sua tranquilidade típica.

Nuno é vidrado no irmão. Sorri e se agita todo só de ouvir a voz de Caio. Quando o vê, então, é puro maravilhamento, mãos e pernas dançam freneticamente, o olhar fica hipnotizado.


Nuno quer conversar. Emite sons em entonações variadas, como quem proseia animado. E se a gente entra no papo, aí é que solta a língua a valer.

Nuno canta. Se está com sono, ao ser embalado, canta. Como que ninando-se a si mesmo, acompanhando meu ninar.

Nuno é companheirão. De ficar em casa ou zanzar por aí comigo, de ir pro trabalho com o pai, de brincar e dormir com o Caio, de passear e viajar com a família. Com ele, dificilmente tem tempo ruim.

Nuno é zen. Gente boa mesmo. Um bebê que nem nos meus maiores sonhos eu poderia imaginar.


[ Sei que, em se tratando de bebês e crianças, tudo pode mudar, sempre. Mas agradeço todos os dias por esse bebê incrível ter me dado a honra de ser sua mãe, e desejo imensamente ser uma mãe à sua altura. E, por via das dúvidas, nunca é demais pedir proteção... "guiai os meus passos, e por onde eu caminhar, tira os olhos grandes de cima de mim pra's ondas do mar..." ]


sexta-feira, 22 de julho de 2011

BENVINDA, LUNA!


Alegria nunca é demais. E a alegria trazida por bebês, então...

Pois na última quarta, dois meses e cinco dias depois de virar mãe de dois, virei também titia por parte das minhas irmãs (já tenho outros sobrinhos/as filhos dos meus cunhados)!!! Minha irmã do meio deu à luz sua linda menina Luna, que chegou de surpresa em plena lua cheia, mais de um mês antes do previsto, abalando nossas estruturas e reafirmando minha certeza de que a maternidade/paternidade nos conecta definitivamente com o imprevisível da vida!!

A pequena resolveu nascer com 34 semanas e meia de gestação, dando um susto em todos, antecipando dois signos e transformando os planos de seus pais de realizar um parto domiciliar. Após pouco mais de um dia de bolsa rota, um trabalho de parto a jato e natural (assistido por uma médica especial) e a pequena estava nos braços de seus pais... mais um bebê vindo ao lado de cá do mundo sorrindo, recebido de forma digna e aconchegante. A pequena nasceu super bem, grandona, prontinha. Todos médicos que a viram quase não acreditaram que fosse prematura! Uma verdadeira benção, mistérios da vida.

A emoção que senti acompanhando tudo à distância foi tão intensa... a ansiedade ao saber da notícia da bolsa rota prematuramente,  ao acompanhar as angústias da minha irmã sobre qual seria o desfecho do nascimento e as decisões que ela e o marido teriam que tomar ao longo do processo para garantir que essa passagem (da mãe e da filha) acontecesse da melhor maneira possível, a expectativa sobre a indução já marcada e, por fim, a notícia, logo nas primeiras horas da manhã, de que o trabalho de parto havia engrenado antes que ela fosse necessária e que eu já era titia... Tudo isso me invadiu de tal forma, foi tudo tão inesperado, que chorei como uma criança quando soube do nascimento... Caio me olhava e dizia, mamãe, porque você está chorando? E eu: de alegria filho, sua priminha nasceu! E os olhinhos dele brilhavam e sorriam junto comigo. Que delícia. Que vontade louca de estar perto deles...

treinando com os sobrinhos!

Luna, querida, seja muito benvinda na nossa família! Você chegou  abalando, menininha, já vi que vai dar o que falar!!! Vai ser bom demais ter você brincando com meus filhotes, trazendo pra muito perto deles o universo feminino! Caio está doido pra te conhecer, mas ainda insiste que você se chama Maya...

Sil, que alegria ver você trilhando seu caminho rumo à maternidade, buscando o melhor pra você e pra sua filhota! Você foi muito guerreira e muito serena, ADMIRAÇÃO total, lindona!!! Conte comigo pro que precisar nessa nova fase! E parabéns pelo aniversário, que presentão, hein!

Cacá, obrigada por ser tão parceiro da Sil, e bancar com ela todas essas escolhas iniciais. Foi lindo te ver nas primeiras horas cuidando da Luna e ver sua feição transformada em pai pelo skype...

Parabéns pra vocês, e logo mais estaremos aí!!!


terça-feira, 10 de maio de 2011

DOS MOMENTOS QUE MERECEM SER REGISTRADOS


Esse dia das mães foi especial. Não o dia em si, mas o momento da minha vida. Grávida, na beirinha de tudo que está por vir, e com um filhote do lado de fora capaz de me proporcionar emoções tão inesperadas e inesquecíveis. Um momento especial, sem dúvida. Um momento em que estou TODA mãe, por dentro e por fora, desconectada de trabalho, doutorado e cia. 

E, na real, acho que meu dia das mães celebrou-se mesmo foi na sexta-feira. Quero registrar aqui pra não esquecer jamais: o primeiro presente de dia das mães feito de verdade pelo Caio para mim, e toda a delícia que envolveu sua entrega.

Estava eu em casa, sozinha, recebendo uma massagem incrível de minha professora de yoga. Um presentão que ela está me dando no fim dessa gravidez. Estávamos no quarto do Caio, quando ouvi ele chegando com o pai. Avisei Katrina para fechar a porta, senão ele viria que nem um tirinho direto  para onde estávamos.

Já no portão escuto o pequeno, para o pai: "a mamãe está aí, a mamãe está aí!" Ao entrar em casa: "Mamãe, mamãe! Papai, cadê a mamãe, quero entregar o presente pra ela!" O pai enrola o pequeno: "a mamãe tá fazendo massagem, jajá ela sai e você entrega" . Dali a pouco, escuto a porta querendo abrir, e o pai intervindo: "só mais um pouquinho filho, vem aqui tocar tambor". E ele: "quero entregar o presente!" Dentro do quarto, eu ria de felicidade em ver a ansiedade dele... e eu que nem estava lembrando do dia das mães!!

Logo a massagem acabou, e saí direto pra encontrá-lo. Ele me abriu um sorriso gigante, e saiu pulando pela casa: "mamãe, tenho um presente pra você! Tenho um presente pra você! Fui eu que fiz, fui eu que fiz!!" E veio me entregar o presente: um cartão pintado por ele, com um saquinho de pano amarrado e dentro um colarzinho feito de tecido e miçangas lindo!!! E o presente foi entregue com direito a uma poesia maluca inventada por ele (que eu só entendi algumas palavras, hehe) e repetida euforicamente, um delicioso abraço e vários beijos. Inesquecível, assim como a alegria dele quando coloquei o colar, e segui com ele o resto do dia.

Desde esse dia me pego lembrando dessa cena, todos os dias, e o colarzinho virou meu "amuleto" nesse finzinho de gravidez. Quero estar com ele no momento do parto. É como se fosse um estoque de amor e alegria que só de colocar já me faz bem, lembrando da simplicidade daquele momento e do quanto é bom ser mãe.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

COMEÇOU A MALANDRAGEM

chamego no barrigão de quase 1 mês atrás
 
Eu e Caio deitados na cama, curtindo um papo e um chamego antes da historinha pra dormir. O bebê (a barriga) é o centro das atenções nos carinhos e conversas. De repente começo a sentir um cheirinho estranho, e pergunto:

- Ê filhote, tá soltando pum?

Ao que ele responde, na moral, sem pestanejar:

- Eu não, mamãe, é o bebê!

E caímos os dois na gargalhada. 

(Já pensaram quando nascer? Irmão mais novo sofre.... Rá!)

quarta-feira, 23 de março de 2011

A MAMÃE AQUI RECOMENDA: OLHAR DE FILHO PEQUENO FAZ BEM PRO EGO

Filhote descobriu nossos álbuns de fotos. Velhinhos, coitados, acho que o último álbum que fiz deve ter, no mínimo, uns oito anos, fácil fácil. Não que não goste de álbuns e fotos de carne e osso: EU AMO. Acontece que durante um bom tempo eu ficamos sem máquina (por falta de grana), depois veio a era digital, a grana raramente sobra e acabamos não investindo em imprimir as belezinhas. (Caio só tem um fotolivro impresso, presente de titia fofa... snif.)

Mas então, voltando ao assunto. Ele descobriu nossos álbuns e ficou fissurado em um grandão, vermelho, que é o álbum do meu primeiro ano na faculdade. E mexe aqui, mexe ali, de repente ele vem correndo atrás de mim, como se tivesse feito uma grande descoberta, e aponta pra uma foto:


- É a mamãe!

Quase morri de emoção. Meu filho de quase 3 anos me reconheceu numa foto de 17 ANOS ATRÁS!!! Não tem como não ficar feliz, afinal, ele já me conheceu mais embarangadinha velha e mesmo assim me viu naquela menina  magrinha, cabeluda e riponga...

Depois dessa, até rejuvenesci (ao menos em espírito, rá!). Tá certo que o olhar do filhote ainda é do tipo embaçado-pelo-amor-idolatrado-pela-mamãe, mas tá valendo. Tomara que ele continue com esse olhar por muitos e muitos anos... Faz um bem danado pro ego!!!

segunda-feira, 7 de março de 2011

SILÊNCIO A DOIS

Carnaval chuvoso. Dentro de casa. Tédio quase imperando.

Deito pra ler qualquer coisa. Dali a pouco chega o pequeno, levanta minha blusa, beija a barriga. Pergunto: quer deitar com a mamãe? Ele me escala e se aconchega junto a mim, entre barriga e peito.

Começo a fazer cafuné. Vou puxar um papo qualquer, quando me dou conta daquele momento: há quanto tempo não ficamos assim juntinhos, abraçadinhos, sem precisar falar nada? Desde que Caio desandou a falar ou, principalmente, desde que ele desmamou de vez, nossos momentos tem sido dominados pelas palavras, por brincadeiras, por atividades. Mesmo quando ele se aninha no meu colo pra dormir, ou quando deitamos juntinhos, sempre estamos proseando, sobre o dia, sobre a vida, sobre o bebê, histórias reais ou imaginadas...

Enquanto meu pensamento divaga sobre tudo isso, o silêncio permanece, seguimos nos acarinhando, nos aninhando. Caio está visivelmente entregue ao momento, curtindo de corpo e alma. Não resisto e comento: faz tempo que a gente não fica assim, né, filho? Ao que ele responde com um sorriso e um movimento de cabeça, sem emitir uma palavra, e se ajeita para ficar ainda mais junto de meu peito, me abraçando.

Silencio palavras e pensamentos: me entrego aos longos minutos desse precioso momento curtido a dois, registrando cada sentido para esculpir na memória (que me é tão escassa...). Reaprendemos o silêncio juntos, e isso me fez um bem danado. Em pleno carnaval, mais uma vez no contra-fluxo.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

HISTORINHAS PRA MÃE DORMIR... MENOS NOIADA



Hoje, em um momento de prosa só nossa, aquele patati patatá de mãe e filho, Caio começou a me contar umas historinhas, misturando referências reais e imaginárias, que, além de me divertirem muito, me ensinaram um pouco mais sobre a incrível capacidade dos pequenos de elaborarem os aprendizados, as vivências, e também as influências e estímulos (nem sempre positivos) que o mundo lhes oferece o tempo todo.

Essas historinhas, que vou tentar registrar aqui do jeito que der pra lembrar, acalmaram um pouco minhas angústias recentes sobre as primeiras pressões de consumo que começaram a atingir o Caio desde o fim das férias e, principalmente, após o retorno da escolinha, com a profusão de mochilas, tênis, camisetas e etecétereas que ele passou a ver - e, de certo modo, desejar, ainda que inconscientemente. Isso é assunto que venho matutando nos últimos tempos, e as reflexões de mães como a Taís, a Carol, a Paloma e a Lia têm me ajudado bastante.

Mas, vamos às historinhas:

Era uma vez, o Ben 10. O Ben 10 e o homem aranha. Ele ajudou o homem aranha a fazer uma teia. Daí....... eles foram viajar! Pra beeeem longe. E encontraram a capoeira e o berimbau. Aí, o Ben 10 começou a tocar berimbau, mas ele tocava de regional.

(...)

Vou contar outra mamãe, vou contar outra. Era uma vez, um homem aranha. Ele foi passear na floresta, e encontrou, sabe quem? Sabe quem, mamãe? O tamanduá! O tamanduá e o lobo, mas o lobo era pequenininho. Era amigo do tamanduá. E todos brincaram na floresta.


Não é demais, ver como referências tão diferentes se misturam de um jeito todo especial? Como elementos que parecem estar em universos opostos se combinam e ganham um sentido novo, próprio de cada criança? Fiquei maravilhada, e acho que não é coisa de mãe coruja, é??? Rá!


domingo, 23 de janeiro de 2011

DAS DELÍCIAS DE UMA SEGUNDA GRAVIDEZ


Caio está curtindo muito a gravidez e, principalmente, o barrigão. Todos os dias, em vários momentos, mas religiosamente quando acorda e antes de dormir, ele beija a barriga, faz carinho, conversa com "o nenê" ou "o irmãozinho", como ele fala (ele tem certeza que é menino), com a boca colada no meu umbigo saltado, e eu fico ali, curtindo, estimulando, me emocionando.

Essa coisa dele usar o umbigo como canal de comunicação com o bebê foi algo que me tocou desde o início, quando a barriga ainda era decorrência da falta de vergonha na cara exercícios: pra ele, o umbigo funciona como um microfone, um amplificador, o umbigo É o nenê, é o que materializa a coisa toda. Acho fascinante, pois, de certa forma, é mesmo, é o elo maior de conexão física entre mãe e bebê, e achei incrível essa captação instintiva do pequeno. Viagens de mãe-grávida, emotiva que só.

Daí que, outro dia, no meio de uma dessas sessões de carinhos, beijinhos e conversas sobre a barriga e "o nenê", ele solta: "depois o nosso nenê vai nascer, né, mamãe?" Mas, antes que eu pudesse responder, ele olha pra mim com carinha de dúvida e diz, meio que se corrigindo: "o SEU nenê...". Eu incentivo: "NOSSO nenê filho, é nosso sim!"

E ele, todo feliz, repete, seguro de si: "é o nosso nenê, o nosso nenê!" E beija a barriga até não poder mais, enquanto eu me delicio, emocionada.

domingo, 5 de dezembro de 2010

XÔ MAU HUMOR!



Hoje eu tive que trabalhar, depois de ter curtido um dia delicioso e intenso com o filhote ontem. Daí, que pouco antes do almoço, uma banalidade profissional me irritou, e fiquei mau-humorada, mas não percebi de cara.

Tínhamos combinado uma pausa no almoço, em que eu, Dani e Caio iríamos almoçar na praça, em meio a um super festival de chorinho que acontece todo ano aqui em São Carlos. Quando desci para sairmos, percebi o mau-humor me cutucando, e me irritei: mau-humor profissional no domingo em família não combina, mas não estava conseguindo controlar.

Até que olhei pra coisa fofa do meu filhote. E ele fez alguma brincadeirinha ainda mais fofa comigo. E aí pedi um abraço forte, e ele veio, me abraçou e me encheu de beijo. E fomos pra praça, e eu fiquei admirando meu pequeno curtindo aquele som maravilhoso como se não houvesse amanhã. E meu dia mudou de cor.

Pois é, coisas da maternidade. Antes, pra dissipar um mau-humor profissional, nada como um happy-hour, uma cervejinha, um beijo na boca. Agora, nada como um sorriso maroto, um abraço apertado e umas traquinagens de um molequinho. E viva a delícia das fases! (e que bom que sempre e sempre e sempre haverá pequenos gestos para nos livrar dos maus-humores...)

Que venham os árduos últimos dias de trabalho do ano.......... munição de beijinhos e abracinhos não me faltará.

sábado, 20 de novembro de 2010

TRAVESSURA E POESIA NO COTIDIANO


Duas historinhas de felicidade simples desta semana...

A TRAVESSURA


Fomos ao shopping, eu e Caio, comprar um presente pro papai. Coisa rara, raríssima, esse tipo de passeio aqui em casa. Combinei que iríamos comer, comprar o presente e só depois brincar nos carrinhos daquela infernal "brinquedolândia" ou sei lá qual o nome. Caio foi um fofo, apesar do primeiro impulso de disparar correndo em direção aos carrinhos, se comportou super bem, comeu, esperou pacientemente eu escolher o presente. Passou reto pelo papai noel: ele tem medo do velhinho e ponto, não há balinha que o convença (thanks god). E, finalmente, chegamos ao parquinho high tech.

Das outras poucas vezes que estivemos lá, ele sentava nos carrinhos e ficava se divertindo com a direção, eu não gastava um tostão. Numa última vez, com o pai, ele quis ir em um brinquedo que precisava pagar, mas estávamos de passagem, e o dissuadimos. Então, nesse dia, resolvi liberar: adquiri um cartão e coloquei créditos suficientes para 3 brinquedos (moderna a coisa, nem acreditei!).

Primeiro ele quis ir numa espécie de carrossel de carrinhos. Foi, curtiu, deu tchauzinho e logo ficou com medinho: o negócio girava muito rápido! Resmungou, a menina parou o brinquedo e, muito gentil, disse que ele poderia ir em outro sem pagar, me mostrou a piscina de bolinhas (que eu nem sabia que tinha). Caio não quis ir, preferiu o pula-pula, mas desde que eu entrasse com ele. Fiquei sentada numa plataforma ao lado da camona elástica, enquanto ele ia perdendo o medo de pular. Ele gostou tanto que quis ficar por três sessões, o que equivaleria a todo o crédito que nós tínhamos. Mas outra mocinha, também muito gentil, me cobrou apenas duas, dada a alegria do moleque.

Demos uma passadinha no bibi que ele tanto curte (e que é de graça) e consegui tirá-lo daquele espaço de fazer doidinhos. Parei numa vitrine para dar uma olhada, e ele descobriu, nos fundos da tal brinquedolândia, a piscina de bolinhas, e quis porque quis voltar. Pois voltamos, com a condição de que em seguida iríamos embora. Afinal, eu ainda tinha um crédito.

Quando fui tirar o sapato dele, a mocinha falou: pode entrar para colocar ele na piscina, você fica ali do lado. Maravilha, já que o Caio não gosta muito de ficar brincando sozinho e eu poderia ficar do lado de fora interagindo com ele. Mas, uma vez lá dentro, ele começou: "vem tá, mamãe, enta ati!, vem bintá tomigo!" E eu: "a mamãe não pode filho, sou muito grandona". Ele já tinha até se convencido, quando a mocinha falou: "Pode entrar com ele!"

Não acreditei: "Posso???" Ela confirmou. Não tive dúvidas, tirei o sapato e mergulhei, barrigão e tudo, na piscina de bolinhas!! Gente, era um sonho antigo, pensei que nunca ia realizar!!! Rá!! Caio quase pirou, né, brincar na piscina de bolinhas com a mamãe? Bom demais pra ser verdade! Ficamos um bom tempo ali nos esbaldando, mergulhando, nos jogando pra trás, jogando bolinhas pra cima, pura terapia anti-stress!!! Saí de lá livre-leve-solta, feliz da vida, e o filhote também. Uma bela compensação por aturar aquela barulheira eletrônica toda. E uma travessura pra ficar na memória.


POESIA



Caio entrou numa fase muito muito legal: agora que já domina suficientemente bem os códigos da linguagem falada, começou a articular idéias, criar histórias, inventar mundos. Está apenas começando, mas é maravilhoso, eu me encanto a cada dia. Como ontem, na pracinha onde fomos após a escolinha. Estávamos andando em direção à banca de revistas, de mãos dadas, quando ele me solta essa:

- Mamãe, olha, eu tô no mai!

E a mamãe, com toda sua adultice, não entendeu de cara: - No mar, filho???

- É, mamãe, no mai! Eu tô pulando a ondinhas!!!

Aí caiu minha ficha: a calçada era "estilo copacabana", grandes ondas de mosaico português. Caí na gargalhada, entrei na brincadeira com ele, e imaginei que Burle Marx ficaria orgulhoso do meu filhote. Mas não mais que eu. Rá!

domingo, 19 de setembro de 2010

FILHO DE PEIXE...

Um belo dia, estava eu no escritório de casa, Caio apareceu, me olhou, mexeu na estante e saiu quietinho. Em seguida, um longo silêncio. Tão longo que, como toda mãe, logo desconfiei, e fui atrás dele pela casa. E eis que encontro o pequeno refastelado no sofá, admirando um livro de obras do Gaudi........... Pirei, é claro - ADORO GAUDI - e corri para registrar esse momento:

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

DEPOIS DA CHUVA


Ele voltou, e no início me esnobou. Ele voltou, e eu o achei tão diferente, tão crescido, tão mais tagarela (será que é possível?). Ele voltou, e na semana seguinte tentei ficar grudada com ele todo o tempo que pude.

Beijei, beijei, beijei. Apertei, sufoquei, melei. Coisa chata é mãe com saudade, não? Lambi a cria mesmo, até gastar. E repeti trocentas vezes "eu te amo", em milhares de variações: "mamãe te ama, viu, filhote?", "te amo gatinho", "te amo muito, filho", "mamãe te ama demais", e por aí afora, sempre seguido de beijos estalados e abraços de urso. Chata, chatíssima.

Mas... lá pela segunda ou terceira declaração de amor da mãe babona, o pequeno olha bem pra mim, nós dois deitados na cama, e repete: "te ama, mamãe?" "É filho, mamãe te ama, te ama muito". Ele: "te ama?" "Isso filho, EU-TE-AMO". Ele: "eu te amo também".................................................................................................................. M-O-R-R-I, apesar de saber que era apenas o bom e velho aprendizado pela repetição. Dormi feliz.

No dia seguinte, estou no banheiro e ele vem, todo faceiro: "mamãe!!" Olha bem pra mim, direciona um olhar apaixonado e diz, todo sincero: "Eu te amo, MAMÁ!", tascando as mãozinhas nos ditos cujos. Rá!!!! Dessa vez morri também, só que de rir. Até na declaração de amor espontânea o mamá sai na frente! Rá!

Declarações de mãe grudenta rarefeitas, chega o dia do meu aniversário. E, de presente, ganho o meu primeiro "EU TE AMO, MAMÃEZINHA", totalmente espontâneo, com direito a carinho no rosto e olharzinho apaixonado. E os nove dias de saudade louca ganharam novo sentido. Bom demais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

CAIO E AS GATINHAS NO AMIGO SECRETO


Caio se deu bem no nosso delicioso amigo secreto dos "sobrinhos virtuais": tirou uma gatinha e foi tirado por outra!! Quase morri de ciúme, era beijinho pra cá, abracinho pra lá, até pedido em namoro ele foi!!! Rá!

Tiramos a Lúcia (filhota do Neural, do Diário Grávido), o que achei muito legal, já que, além da pequena ser uma figurinha, ele é um dos poucos papais blogueiros que conheci nessa blogosfera tão materna, autor de posts impagáveis que adoro ler. Só não posso deixar o Caio ver as peripécias da aranha-maravilha, senão ele vai se apaixonar...

E fomos tirados sabe por quem? Pela fofa da Luísa, o Projetinho de Vida da Roberta!! Acompanho o blog da Roberta há um bom tempo, e os posts dela trazem desde dicas práticas até questões existenciais da vida das mamães, sem contar as tiradinhas divertidíssimas da Luísa. Foi muito legal abrir o presente e descobrir, pela carinhosa cartinha, que elas é que tinham nos tirado!!! O Caio ganhou o presente perfeito: o Kit Parangolé, do grupo Emcantar!!! (eu namorei tanto o Kit quando ela sorteou lá no blog - a sortuda da Lilata que ganhou!! - e agora ela nos dá de presente... AMAMOS!!)

Já no primeiro dia ouvimos o cd todinho, e pela primeira vez Caio assistiu um dvd praticamente inteirinho! No dia seguinte, acordou cantando: "tumba tumba tumba" e pedindo "tanta (canta) mamãe". E dá-lhe: "toc patoc patoc tac tiquequê tiquequê tumba tumba tumba". No dia seguinte, a mesma coisa: só que aí, assistiu o dvd inteirinho, dançou junto, me liberou pra eu fazer o papá dele, me chamava pra dançar, se divertiu horrores. E quando acabou quis mais!!! Incrível, gente, ele que não aguenta 10 minutos num desenho! Mas é que o dvd é muito legal mesmo, eu também não me canso de assistir. E agora o repertório de musiquinhas dele aumentou, além de "tumba tumba tumba", ontem e hoje passou os dias cantando "tia põe" (escravos de jó) e "bibi fuo pieu" (o jipe do padre fez um furo no pneu). Delícia!! Obrigada viu, queridas!!!

[pena que minha máquina "sumiu" esses dias, minha casa tá um caos, não estou achando a dita em lugar nenhum, e não consegui tirar uma foto do pequeno com o presente, que ele tanto curtiu... Vai uma imagem do dvd, então...]


Foi bem legal participar da brincadeira, super carinhosamente organizada pela Lilata. Como o Neural disse tão bem lá no blog dele, a idéia de "sobrinhos virtuais" é muito legal, acho uma loucura o quanto vamos conhecendo e nos apegando a pessoas que nunca encontramos pessoalmente, acompanhamos as peripécias dos pequenos, nos emocionamos, trocamos experiências, damos risada, ficamos preocupados quando ficam doente, nos alegramos quando fazem aniversário... Coisa de tios, mesmo! E a sobrinhada tá crescendo, galera, tiveram várias barrigudinhas também no amigo secreto, muito legal! Duro tá sendo o pouco tempo que tenho tido para acompanhar essa sobrinhada toda, mas sempre dou um jeitinho pra saber das novidades, trocar umas palavrinhas com as comadres (e compadres) e mandar um beijo pros pequenos. Quem sabe o próximo passo não é fazermos um econtrão real, hein, hein, Lilata produções???

segunda-feira, 13 de julho de 2009

MEMÓRIA DO FUTURO



Caio é um bebê muito carinhoso, mas não é daqueles que ficam beijando e abraçando o tempo todo (eu bem que gostaria... rá!). Mas, ultimamente, ele está todo cheio de denguinhos e carinhos e beijinhos sem ter fim. Daí que hoje, depois de uma sessão de manha misturada com sono e talvez um dentinho pentelho rasgando a gengiva, cedi e dei o mamá, que estava controlando um pouco para ver se ele jantava (já que há 3 dias ele não tem jantado direito, só quer mingau, peito, leite e derivados). Eu cedi, brava, mas a brabeza não durou um segundo. O pequeno grudou no peito, foi relaxando e começou a fazer muito carinho em mim, bem mais do que de costume, no meu rosto, no meu nariz, no meu cabelo, na minha orelha, na minha cintura... me olhava com aquela carinha mais meiga do mundo e me acarinhava, como que dizendo: tá vendo que delícia, mamãe, e você não queria me dar mamá! Fiquei um tempão ali, curtindo aqueles carinhos, me emocionei e comecei a chorar (tá, eu sei que isso não é grande novidade, já falei sobre isso aqui e em outros posts, mas fazia tempo que não acontecia). E, sabe o que me passou pela cabeça nessa hora? Que aquele momento era, sem dúvida, um dos mais preciosos que vivi até hoje. Que eu não queria nunca me esquecer daqueles carinhos tão delicados. Me vi bem velhinha, com os filhos já criados, lembrando e curtindo a saudade desses momentos a sós com o filhote (e sei que vou ter muuuuuita saudade, considerando que tenho desde já...). Então pensei que velhinhos às vezes se esquecem das coisas, muitas vezes das mais importantes. E corri para escrever isso aqui.

(porque daí, mesmo se eu ficar tão velhinha que não consiga nem ler mais, pelo menos alguém vai poder ler para mim, como no filme do Benjamim Button... e eu vou poder lembrar e lembrar e lembrar quantas vezes eu quiser!)

imagem: www.gettyimages.com.br

quarta-feira, 1 de julho de 2009

É HOJE



Filhote deixou mamãe dormir até um pouco mais tarde. Maridão me acordou com beijo delicioso ainda na cama. Parabéns-familinha com direito a palminhas eufóricas do Caio. Dia lindo lá fora, calor, sol, céu azul. Telefonema matinal do meu pai recheado de elogios deliciosos. Dani levou o Caio na escola para eu poder descansar mais um pouquinho, e voltou com uma orquídea L-I-N-D-A para mim. Amiga querida mandou mensagem especial no celular. Café da manhã delícia e almocinho japonês em casal. Telefonemas e mensagens carinhosas da super mama, das minhas irmãs, de parentes e de amigos. Tarde pra curtir e passear com o filhote. Noite para comemorar e dar risada com amigos. É. Hoje é meu dia. Eu estava mesmo precisando dessa pausa delicada na semana.

imagem daqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

CARINHOSO



Eu, sentada no sofazinho do quarto do Caio, dando de mamar a ele. De lá, observava o pai organizando as coisinhas do pequeno para levar à escolinha. Logo, o 'calo de mãe' se manifesta [porque é tão difícil relaxar um pouco e abdicar do 'trono'???]: "pega a papinha, coloca em um saquinho com a goiaba". Ele, paciente, apenas me olha, e segue nas tarefas. Não contente, aproveito: "faz um capuccino pra gente?". Bem humorado (ainda bem!), o pai brinca: "mais alguma coisa, madame?". Aproveito a deixa e digo em tom de ordem: "vem aqui e me dá um beijo".

Antes que o pai pudesse se manifestar, o filhote, que estava mamando concentradíssimo até então, larga o peito num estalo, me olha com uma risadinha sapeca e... "muac, muac", me lança dois beijinhos sonoros!

E assim começou deliciosamente minha manhã, depois de uma noite DAQUELAS.

terça-feira, 7 de abril de 2009

TE AMO


Porque você mudou a minha vida, e eu nunca mais serei a mesma. Porque eu tomei um susto quando descobri você dentro de mim, e ao mesmo tempo senti a maior alegria que jamais imaginava existir. Porque eu aprendi tudo sobre gravidez e parto por sua causa, e me descobri mulher, fêmea, mamífera e, acima de tudo, mãe. Porque com você eu conheci as dores e as delícias de estar grávida, e curti cada momento em que você esteve aqui dentro. Porque no início eu ficava "tímida" e não conseguia conversar com "a barriga", e você foi aos poucos se comunicando comigo com chutes e socos, e eu comecei a cantar para você no chuveiro. Porque sentir você crescendo dentro de mim foi minha conexão maior e definitiva com o sagrado e o misterioso da vida e do mundo. Porque alimentar seu corpo e sua alma, dentro e fora da barriga, me fez prestar atenção no que eu ponho para dentro de mim, de alimentos a emoções, e me fez aprender que cuidar de mim - e do mundo - é também cuidar de você. Porque preparar e esperar sua chegada criou um laço ainda mais forte entre seu pai e eu, e nos deu o exato sentido de família e de ninho. Porque fazer escolhas para o seu nascimento - e conseguir concretizá-las - me fez sentir poderosa e fortaleceu imensamente minha auto-estima. Porque nós proporcionamos a você um nascimento digno, feliz e sem traumas e você nos proporcionou a maior - e mehor - experiência de nossas vidas. Porque sentir você nascendo de mim, te olhar, te tocar, te cheirar e te beijar pela primeira vez foram sensações que jamais esquecerei, e que me enchem os olhos de lágrimas a cada lembrança. Porque vivenciar seu nascimento no aconchego do nosso ninho e presenciar seu pai cortando nosso primeiro elo foi algo mágico e repleto de significados para nós. Porque ter você aninhado em meu colo, sugando o meu peito já nos primeiros minutos de vida criou entres uma ligação profunda, intensa e - quero crer - eterna. Porque amamentar você nos primeiros dias, nos primeiros meses e ao longo de todo este primeiro ano tem sido uma vivência única de amor, carinho, plenitude. Porque este contato corpo a corpo, pele a pele com você me faz reviver diariamente tantas emoções recém-descobertas, mesmo nos dias em que estou mais cansada. Porque ver você crescendo aqui fora e acompanhar suas descobertas e aprendizados cotidianos me enche de alegria e encantamento pela vida. Porque redescobrir o mundo com você, reconhecê-lo através de seus olhos me proporciona um prazer imensurável. Porque você me faz lembrar que brincar é bom demais, e que todos os dias e todas as coisas podem ser motivos para diversão. Porque você me faz olhar para meus pais de uma maneira que eu jamais tinha feito, passando a entender (mais de trinta anos depois) a intensidade do amor que eles sentem por mim. Porque você me faz ter vontade de me reconectar com minhas raízes, minha família, meus parentes, minha história. Porque você amplificou o amor que eu sinto por seu pai, e nos faz melhores não apenas como pais, mas também como casal. Porque você me faz chorar ao pensar em tudo isso, por muito mais que faz por mim e por tudo que ainda está por vir: TE AMO.

FELIZ PRIMEIRO ANIVERSÁRIO, FILHO!


segunda-feira, 30 de março de 2009

O PODER DE UM FILHO



Transformar mau-humor em poesia. Anoitecer cansaço e amanhecer alegria (tendo madrugado ternura). Ver uma dor de cabeça se transformar em gargalhada. Brincar no chão e esquecer do tempo. Desacelerar da rotina rolando na cama. Trocar problemas por beijinhos, mordidas e gritinhos. Um filho nos brinda com todos esses poderes, e muito mais. São eles que nos transformam em mulheres-maravilha, na verdade.

[ainda bem que baixo astral de mãe dura pouco... Rá! Por essas e outras que AMO ser mãe...]

sábado, 14 de março de 2009

CARNAVAL?


Esse ano o carnaval passou batido para mim. Não vi nem na TV. Não sou muito fã mesmo (com exceção do carnaval do Recife), se tenho opção acabo indo curtir em alguma praia tranquila (o que é difícil nessa época), ou invento algum programa alternativo. Foi o que aconteceu esse ano: levamos o Caio para conhecer sua primeira cachoeira! E ele adorou, ô bichinho conectado com a natureza! Convidamos uns amigos e escolhemos uma cachoeira bem tranquila, fácil de descer, com espaço para lagartearmos um pouco e tranquila para o Caio entrar na água - exatamente a mesma cachoeira que eu visitei com Dani quando estava grávida, com um barrigão de quase oito meses. Foi muito mágico voltarmos lá quase um ano depois, agora levando o filhote do lado de fora da barriga. Uma verdadeira celebração, que para nós acabou sendo uma espécie de batizado íntimo do Caio, em pleno contato com a natureza, que acreditamos ser a materialização maior daquilo que nomeamos "Deus". Absolutamente na contra-mão do carnaval, bem a meu gosto.