sexta-feira, 10 de setembro de 2010

DESMAMAMOS


2 anos, 4 meses e 9 dias de mamá!

Agora posso dizer que sim, desmamamos, eu e Caio, Caio e eu. No próximo domingo completamos um mês sem mamar, UAU. Já vínhamos nesse movimento há algum tempo, tanto de minha parte, quanto da dele, mas sem regras, sem papos-cabeças, sem marcos definitivos, sem pontos finais. Outras coisas foram ficando mais interessantes que algumas mamadas, para ele. Para mim, em alguns momentos já não me agradava mais dar de mamar. Fomos encontrando nosso novo ritmo, com alguns tropeços, mas sempre tentando respeitar a vontade de ambos. Em alguns dias, isso foi tranquilo para os dois. Em outros, eu ou ele sentíamos mais as mudanças, reclamávamos um pouquinho, mas nos acostumávamos ao novo ritmo. Por várias vezes chorei quando ele não pediu pra mamar. Em outras, fui eu quem não quis dar, por não estar com paciência, ou com vontade, e o bichinho não se conformava. Seria mentira dizer que foi tudo um mar de rosas, ele e eu deixando de ter vontade ao mesmo tempo, na mesma sintonia. Tivemos nossos altos e baixos, e aprendemos juntos com isso, tenho certeza.

Achei que a mamada noturna fosse ser a última a desaparecer, mas não, a da manhã era a mais curtida por nós dois, e foi a que ficou. Era nosso momentinho de ficar juntinhos na cama, espichar o sono um pouco mais, mandar o papai pro outro quarto... E essa foi ficando, ficando, ficando... até o pequeno começar a acordar mais agitado, querendo brincar. Ou acordar faminto, e querer logo bater um cafezão da manhã mais sólido que o mamá. Aí, passava alguns dias sem lembrar do mamá, até que, numa noitezinha mais carente, pedia pra mamar antes de dormir. Ou então, no meio de uma tarde folgada de férias, se pendurava gostoso no mamá para fazer uma soneca. Eu achava isso o maior barato, “ele não desencana mesmo do mamá”, e matava minha curiosidade perguntando pra ele: “tá gostoso o mamá filho? Tem leitinho ainda?” E ele me olhava maroto, com olhinhos de puro prazer, e falava “tá dotoso, mamãe, o seu leitinho” e me mostrava o leite saindo do bico, como quem diz, “que pergunta é essa, mãe, claro que tem leite aqui!”.

Em alguns momentos tive minhas crises de mãe-sem-rotina: “ai, será que não devo tirar de uma vez?” “Será que não estou confundindo o menino, deixando ele mamar quando quer, em horários variados?” Em outros, a inquisição alheia quase me afetava (embora ela tenha rareado muuuito quando, por um lado, as pessoas próximas perceberam que não poderiam interferir nesse nosso processo, e, por outro, as mamadas foram se tornando momentos cada vez mais íntimos, cada vez menos visíveis aos olhos externos): “Nossa, é só você chegar que ele fica tão manhoso, é porque você ainda tá dando de mamar, né?” “Credo, que grude que ele está em você hoje, você deu mamá, foi isso?” Mesmo o papai já estava, há um bom tempo, em franca campanha pelo desmame (ele até havia meio que colocado um prazo “aceitável” até os 2 anos...). Mas – ainda bem – a boa e velha intuição e o gosto pela coisa me fizeram levar a amamentação no nosso tempo, mantendo minha crença no desmame como um processo. E assim foi.

Desde o fim do ano passado, começamos a passar alguns momentos separados, e eu sempre achava que eles iriam ser um ponto final brusco na nossa amamentação. Isso me angustiava a cada separação. Mas não foi assim que aconteceu, tanto por ele – que sempre que me via novamente pedia para mamar, às vezes instantaneamente, às vezes depois de horas ou até dias –, quanto por mim – que defini que só deixaria de dar de mamar quando ele parasse de pedir e, portanto, sempre que ele pedia, eu dava. E assim foi até um mês atrás, quando, depois de um bom período sem mamar, Caio ficou doentinho e voltou a mamar como há muito tempo não fazia, de duas a três vezes por dia. Mas, tão logo melhorou, simplesmente desencanou do dito cujo, e nunca mais pediu. Simples assim. Como eu queria que fosse.

Não que a fixação dele pelo mamá tenha diminuído, mas mudou de forma. Ele adora me ver de peito de fora, vem logo pedindo para “bincá com o mamá” ou para “dá bejinho no mamazinho da mamãe”. Ou então, nos momentos em que anteriormente ele pediria mamá, ele vem pro meu colo e se aninha entre meus peitos, aconchegado, chegando muitas vezes a dormir assim, encaixadinho. Delícia pura, uma nova fase na nossa relação, tão gostosa quanto era a da amamentação. Uma fase que, de certa forma, eu esperava muito, sempre tive muita vontade de saber como seria nosa relação sem a “mediação” do mamá, pois nosso processo de amamentação sempre foi muito intenso, nós dois curtimos demais, então não havia mamãe sem mamá. E hoje há, e está sendo muito muito muito bom também. O fim de um ciclo, um encerramento à altura para uma história de amamamentação que, por muitos e muitos fatores (e graças a muitas e muitas pessoas) foi um sucesso, em todos os sentidos. E que merecia esse relatinho meio dramalhusco, pra fazer juz à intensidade com que foi vivenciado. E viva o mamá!! E viva a mamãe"!!

PS. Continuo sem internet em casa......................... snif.................mas espero estar de volta em breve.........



20 comentários - clique aqui para comentar:

Dani disse...

Thá, posso repetir? Viva o mamá e Viva essa Mamãe maravilhosa!
Lindo esse relato! Chorei (mas isso já anda ficando normal...)
Beijo, querida.
Saudade, viu!
Dani

Flavia disse...

Lindo Tha...

E é assim mesmo, nunca é um mar de rosas e totalmente sintonizado o momento de ir parando.
Mas quando o processo é feito com amor e respeito, tudo acabando ficando assim... como você queria que fosse.

Já estou começando a pensar num layout legal pra esse teu blog. Manda umas fotos pra mim, pra eu ver se me inspiro... e depois a gente acerta os detalhes por e-mail.

Beijos

Renata disse...

Que bacana. Foi tudo tranquilo, gradual e sem traumas para os dois! Lindos demais, tanto o seu relato quanto a sua história de amamentação!
beijo grande, Re

Paloma, a mãe disse...

Que maravilha, Thaís, vou me inspirar em vc, quando for a nossa hora - espero que demore muuuuito.
Beijos

Mariana disse...

Adorei seu post, penso como vc. Espero que meu baby fique bastante tempo com o mamá e que desencane naturalmente. bjs e tudo de bom pra vcs!

Rebeca disse...

Oi Thaís!

Parabéns pela linda caminhada!!!

Bjos

Lua Ugalde disse...

Olá Thais! amei o seu relato. Fiquei bem emocionada ao ver a cumplicidade que vc tem com o Caio e fiquei feliz em ver que não seguir aquelas regras que todos falam não matam ninguém.
Ando meio com medo, pois o Heitor está com 5 meses, mas como eu tenho que estudar e trabalhar o dia inteiro ele tem mamado somente de manhã, meio dia e depois das 18h e com isso no fds o leite do peito tem começado a rarear!espero que seja só um período dificil e que meu filho mame até os 2 anos tbm..
bjos

Sílvia Renata disse...

Olá...
Que legal... bem tranquilo e sem traumas né... assim espero que seja o meu desmame tbm... mas ainda espero amamentar por mais um tempo, afinal agora que ele completou 10 meses e espero amamenta-lo ate os 2 anos... ufa...
Um abraço e parabéns pelo relato lindo demais...

Dani Garbellini disse...

Oi Thaís! Parabéns por mais essa fase da maternidade que passaram de forma feliz e plena, apesar dos percalços que às vezes aparecem mesmo. Feliz por vocês!

Beijos!

Lia disse...

Ai, Thaís, arrepiei. Pra mim essa questão do desmame é bem complicada, sou super a favor da amamentação prolongada em livre demanda. Só que quero outros filhos logo, e aí o dilema. Mas vamos dar tempo ao tempo, né? Emilinha tem só 8 meses.
Adorei seu relato, volte de vez, por favor!

Ilana disse...

Thais, adorei o seu relato. Sincero e comovente.
Eu também escrevi recentemente sobre o desmame. Se quiser, dá uma passada no www.11sao3.blogspot.com. Ah, também te linkei. (Na verdade, sou uma leitora silenciosa há muito tempo e só recentemente resolvi escrever.)
Parabéns pra vcs!
Bjs

Anônimo disse...

a flor e eu estamos nesse processo igualzinho, é bom e e ruim, é feliz e é triste, é um pulo e uma caída, é tudo junto e separado.
vamos nos mudar amanhã, a flor tbem bateu a cabeça la na obra domingo passado, mas não precisou dar ponto não...
vc é linda um beijo no coração de vcs
fe

Anônimo disse...

Fiquei comovida com tuas palavras, mas tenho dificuldade em entender pq mamar tanto tempo...Acredito que não seja muito saudável mentalmente pra ninguém... O vínculo vai ficando muito forte...Complicado isso. Criamos filhos para o mundo. O meu mamou 6 meses... Eu o amo muito e ele a mim...

Tatiana Bonotto Cake Designer disse...

Estou passando aqui para dizer que estou fazendo um sorteio de BOLO CENOGRAFICO infantil.

Se puder passe por lá, vai ser um prazer ter sua companhia.



www.tatidesignercake.blogspot.com

Anna disse...

Que relato lindo!

Grande beijo

Letícia Volponi disse...

Thais, parabéns pelo processo bem sucedido, sem traumas e pelo excelente exemplo. Tava com saudades de visitar vocês aqui.
Bjo

Marcella Amaral disse...

Puxa, que lindo o seu relato!!! Me emocionei mesmo! Não tive a oportunidade de amamentar por muito tempo... a minha alergologista avisou que seria mais seguro amamentar até no máximo o 6º mês! Claro que eu poderia ter feito um tratamento antes, mas não deu tempo e as imunoglobulinas passariam do mesmo jeito para o leite... minha filha possivelmente seria mais alérgica do que eu! mas, tudo bem... nós sobrevivemos a essa falta melhor do que eu imaginava... prefiro tentar me conformar que foi melhor assim (pelo menos para ela!) Não foi uma criança doente por não ter amamentado, pelo contrário, sempre foi muito saudável!!! Bjus!
Olha só, tenho um selinho para te dar, se interessar, passa no meu blog para pegar! (marcellamaral.blogspot.com)

Anônimo disse...

Thais, muito orgulho de vocês!!! 2 anos e 4 meses!!! Fiquei emocionada.
Parabéns!
Chris (Coisa de mãe)

Anônimo disse...

Thais, muito orgulho de vocês!!! 2 anos e 4 meses!!! Fiquei emocionada.
Parabéns!
Chris (Coisa de mãe)

fénix renascida disse...

A minha só largou o peito depois dos 4 anos e meio. Pode haver quem diga que foi muito tempo (eu dava-lhe o copo de leite à noite, mas ela depois ainda mamava um pouco, e isso relaxava-me tanto a mim como a ela), mas eu não acho.
Isto de impôr uma idade é mais cultural que outra coisa. Tem que ser um processo vivido entre cada mãe e o seu rebento. Como o teu.
Parabéns, então!

Leiam, e digam-me o que pensam:
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N3114