segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O PAI BLOGOU!!!


E não é que o paizão deu uma de herói e conseguiu blogar, me entregando o texto às 23:29!!! Surpresa boa, alegria de ter suas palavras aqui, de compartilhá-las com vocês, de fazer parte dessa blogagem tão legal que motivou tantos pais a expressarem, de tantas formas, suas paternidades, nos emocionando tanto.

Obrigada, amor!!!

E então, com vocês, aquele mesmo pai do post anterior, alguns anos depois, e prestes a virar pai de dois... o papai Daniel, como diria o Caio...


Topando o desafio a pedidos.

Nunca foi muito tranquilo pra mim ver parte significativa da minha vida exposta aqui no blog, talvez porque esteja cada vez mais envolvido com trabalhos web e por ter certeza que as infos, fotos e vídeos podem servir a algo que não me agrade. O fato é que, gostando ou não, Thaís assumiu essa frente de comunicação como algo importante pra si e eu aprendi a respeitar.

Pra mim parece que tudo está meio grudado. A busca de informação, a decisão pelo parto domiciliar do Caio e a descoberta de uma mulher/mãe/blogueira. De alguma forma a blogosfera alimenta Thaís e a torna mais convicta de seus desejos.

O nascimento do Caio, no box da nossa casa, com a Thaís dependurada no meu pescoço, foi o momento mais mágico que vivi na vida. Vê-lo nascer ali, tão pequenino, me fez conectar com as forças profundas da natureza, e perceber que as coisas podem ser simples desde que respeitemos nossos próprios sentimentos.

Desde que peguei o Caio pela primeira vez no colo, anestesiado pela sensação de ser pai e de ter ele ali em minhas mãos, venho aprendendo com ele a escutar mais o que sinto, procurando sempre o meio mais simples de fazer as coisas, sem muitas intervenções e deixando as coisas encontrarem seus próprios lugares.

O Caio, assim como nosso segundo bebê - estamos com sete meses de gravidez - vem nos ensinando que uma parte cada vez maior da nossa vida não pode ser "muito planejada". E não podendo, quanto mais tentamos planejá-la maiores são as dificuldades que enfrentamos no dia a dia.

E aí está a crise da vida do homem/marido/pai, que pode ser descrita como o conflito entre, querer ficar/viver com o filho, querer ter uma vida social e sexual ativa com a mulher e querer ter grana para transformar as necessidades materiais da família em algo cada vez mais secundário no dia a dia.

Essa equação de três partes poderia, pelo que se aprende até ser pai, ser enfrentada com um bom planejamento pessoal e familiar, acontece que, agora pai, existe a necessidade de conviver alegre com a impossibilidade cada vez maior de se planejar. É mais ou menos como ter que remar contra a maré, com a canoa furada e tendo mais peso do que ela aguenta dentro, sem entender bem como, vai se acostumando ao fato de que mesmo a contra-senso ela sobe o rio.

E quando penso nisso vem o rostinho do Caio na cabeça e então tudo que parece ilógico faz instantaneamente sentido. Ser pai é ser feliz na felicidade do filho, vibrar com suas descobertas e na hora que a vida dificultar as coisas olhar pra ele e sorrir, sabendo que no fundo o mais importante está ali na sua frente, o resto de um jeito ou de outro a gente resolve.

BLOGAGEM COLETIVA - NÓS, OS PAIS (o golpe da reblogagem)




Maridão talvez não consiga produzir post fresquinho pra essa blogagem, o moço tá com uma agenda difícil, viu! E o tempo livre (que esteve raro nas últimas semanas - o bichinho tá ralando mesmo...) acaba sendo todo dedicado pra curtir filhote, esposa (quando ela não está dando piti), amigos, cuidar da casa... Enfim, curtir a vida real. Mas, quem sabe, ainda role... daí eu posto mais tarde aqui, ok?

De todo modo, como achei essa ideia da blogagem MUITO LEGAL, afinal, é sempre bom ver a paternidade pelos olhos deles, são outros aprendizados de mãe, vou dar uma de espertinha e republicar um texto feito pelo paizão em resposta a um post meu, um pouco antes do Caio completar oito meses fora do barrigón. Um texto que mostra o outro lado da moeda, que foi um grande alerta, para mim, sobre a "difícil arte de saber compartilhar a maternidade"...

Com a palavra, o pai que se construía há pouco mais de dois anos atrás.

ENTRE A RAZÃO E O INSTINTO

Minha sensação neste período de quase oito meses como pai, marido e homem é que tenho vivido diferentes momentos, na maioria das vezes muito bons, mas que de alguma forma oscilam radicalmente entre a razão e o instinto. Isso já era perceptível antes mesmo do Caio nascer. Se bem que nesta fase pré-natal este convívio era, pelo menos para mim, muito mais um acompanhamento, um aumento do companheirismo e um grande exercício de tolerância.

Depois do nascimento, minha compreensão sobre o instinto humano e os cuidados com a cria se transformou completamente, mudando inclusive minha maneira de ver o mundo que me cerca e conseqüentemente a maneira de me inserir neste mundo. Toda esta mudança trouxe consigo os gostos e desgostos de uma nova fase, com novos compromissos, necessidades e demandas. Como diria um amigo: “Bem vindo ao mundo selvagem!”.

Os processos que ocasionaram estas mudanças em mim estão intimamente ligados à maneira como a vinda do Caio se deu e como lidamos com ele desde então. Desde o fato de na hora do parto segurar a Thaís pendurada em meu pescoço, mesmo tendo uma grave lesão na coluna, adquirida quinze dias antes, até ver meu filho nascer no boxe do nosso banheiro, em seguida conversar com ele para então decidir seu nome, dar o primeiro banho de sua vida, e daí por diante, passando por fraldas, trocas de roupas, banhos, acalentos e todos os outros tratos que biologicamente um homem pode prover seu filho.

Tenho convicção que várias das transformações que me ocorreram têm relação direta com uma interação maior com o instinto humano, ao mesmo tempo que reconheço em meu cotidiano uma forte racionalidade que constrói meus atos. Minha relação com o Caio é permeada pelo instinto e pela razão, já a relação da Thaís com ele é dominada pelo instinto, com lampejos de razão. Com todas as mudanças em nossas vidas o mais difícil está em reencontrar o equilíbrio que existia na relação entre eu e ela. Ao mesmo tempo em que ela é puro instinto, em determinados momentos seu comportamento chega a ser quase irracional, de tanto procurar emplacar uma “dita” racionalidade, como por exemplo na sua intenção de construir forçosamente uma rotina para o Caio e conseqüentemente para mim. Do instinto do choro, do acalento e da proteção, surge uma irredutível personalidade que institui a realidade ao seu entorno. Ufa!!! Como diz o ditado: “rapadura é doce mais não é mole não”.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O MISTÉRIO DA GUITARRA VERDE


Filhote acordou outro dia pê da vida (estávamos dormindo juntinhos na mesma cama). E eu, um olho aberto outro fechado, não conseguia entender o que estava acontecendo; eu tentava falar com ele mas ele estava bravíssimo, esperneando, incomunicável. Até que, com muito custo (e paciência de jó), eu consegui entender uma frase desconexa: "cadê a guitarrinha, cadê a guitarrinha?" Sem entender patavina, arrisquei: "que guitarrinha, filho?" Ao que ele respondeu, aos prantos: "A guitarrinha que eu tava tocando, eu tava tocando ela, cadê!"

Nessa hora, achei que tinha tido uma super sacada, pois lembrei que dois dias atrás ele tinha brincado de "guitarrinha" com uma escova de dentes, antes de dormir, e falei: "Ah, a guitarrinha! Mamãe vai pegar, ela tá no banheiro". E trouxe a escova de dentes toda alegrinha, crente que ia abafar. Mas o neguinho ficou ainda mais puto, começou a estrebuchar, pegou a escova e atirou longe, gritando enlouquecido: "essa não, a guitarrinha verde, a guitarrinha verde do Ben 10!"

Close na cara de tacho da mãe. Hein??? Guitarrinha do Ben 10? "Que guitarrinha do Ben 10, filho, você não tem..." "Aquela, aquela verde, que tava no vidro".

Espirais coloridas psicodélicas entram em cena para a mãe decifrar o mistério da guitarrinha verde no vidro. Túnel do tempo, UM MÊS atrás, fatídica ida ao shopping, dia que entrou pra história como o de nossa primeira "briga" (tô com um post sobre o tal dia no rascunho, não tive coragem de terminar, mas enfim), dia no qual ele viu uma bendita guitarrinha do Ben 10 na vitrine de uma loja. E eu que achei que ele tinha esquecido, e a tal guitarrinha não vem nos atazanar em plena manhã ensolarada?

Percebi que ele falava, emputecido, "cadê a guitarrinha verde? eu estava tocando ela, eu estava tocando ela". E, plin!!! Mãe com sono demora pra cair a ficha... Ele estava SONHANDO com a tal guitarrinha (eu mereço!), e ficou PUTO de acordar e não encontrar a dita cuja do seu lado... Daí vai a mamãe, com toda paciência matinal, cheia de pedagogia de travesseiro, explicar pra ele:

- Filhote, deixa a mamãe te contar uma coisa. (ele berrando, mas me fiz de sonsa) Você estava sonhando... Você sabe o que é um sonho? (nessa hora ele parou, me olhou fixamente, como que tentando perceber se eu tava dando uma de louca ou se era sério. Se convenceu que era sério e prestou atenção. Respondeu que não com a cabeça) Um sonho é uma historinha que a gente inventa na nossa cabeça. Uma historinha que a gente inventa quando está dormindo. E, às vezes, a historinha é tão boa, que parece que aconteceu de verdade, e aí, quando a gente acorda, fica bravo de descobrir que era um sonho... Por isso não tem guitarrinha aqui, entendeu? Ela tava no seu sonho...

E não é que funcionou? Ele olhou pra mim, repetiu a palavra "sonho", se espreguiçou, abriu um sorriso (ufa! é triste constatar que ele herdou meu mau humor matinal, mas, fazer o quê...) e deu um beijo na minha barriga. E o dia começou de novo, beeem melhor.


(no fim do dia, quando o pai voltou de viagem, eles foram tomar banho juntos. Depois, marido veio me contar, maravilhado, como era incrível a transformação do pequeno em apenas alguns dias que ele ficou fora, como a gente não percebe da mesma forma no dia-a-dia, e tal e coisa... Falou sobre "avanços cognitivos" e tudo, gente! E eu lá, intrigada: "mas o que aconteceu, de tão diferente, pra você estar tão maravilhado?" Aí ele contou que, no banho, o Caio veio com essa, todo todo: "Papai, vou te contar uma coisa, você quer saber? Eu tive um sonho, foi uma história na minha cabeça"......... Ele, que não sabia de nada, ficou ainda mais maravilhado quando contei tudo o que tinha acontecido de manhã.)


Agora, pra terminar: PORQUE RAIOS ESSE PENTELHO DO BEN 10 FOI APARECER NA NOSSA VIDA? Alguém pode me explicar? Gente, eu não tenho tv a cabo, não tenho o tal canal onde passa esse desenho, não sei nem o que esse personagem faz - mas tenho a impressão que ele não é dirigido a crianças tão pequenas como o Caio -, COMO FOI QUE MEU FILHO VIDROU NESSE BENDITO? Tá certo que há quase um ano atrás, quando fez aniversário, ele ganhou de um amiguinho uma camiseta do fofitcho, e também umas cuequinhas da vovó, e SÓ. Depois, só pode ser de ver coisas na escolinha - mochilas, sandálias, estojos e o c... a quatro - e pronto, TUDO O QUE ELE VÊ QUE TEM O DITO CUJO - acho que vou fazer que nem o Harry Potter, e parar de pronunciar o nome "dele" aqui em casa - ELE QUER... Mas daí a SONHAR COM A TAL GUITARRINHA... crueldade demais com o inconsciente do moleque, né não, gentes??? E com o consciente da mama que vos fala...................... suspiro e fim.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

PATERNIDADE ATIVA


Acabei de ver as postagens do Hilan e do Neural e aderi instantaneamente à campanha Dá licença, eu sou o pai!, pelo direito à licença paternidade de um mês, lançada em janeiro pelo Instituto Papai.

Um mês, gente, muito pouco ainda, mas uma ampliação significativa dos ridículos 5 dias a que os pais têm direito atualmente!




Aliás, coinciência ou não, a blogagem coletiva Nós, os pais, proposta pelas cumádis tuiteiras, vem a calhar com essa campanha! Maridão tá viajando, mas quando ele chegar vou intimar a participar também.

E um salve à paternidade ativa!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

HISTORINHAS PRA MÃE DORMIR... MENOS NOIADA



Hoje, em um momento de prosa só nossa, aquele patati patatá de mãe e filho, Caio começou a me contar umas historinhas, misturando referências reais e imaginárias, que, além de me divertirem muito, me ensinaram um pouco mais sobre a incrível capacidade dos pequenos de elaborarem os aprendizados, as vivências, e também as influências e estímulos (nem sempre positivos) que o mundo lhes oferece o tempo todo.

Essas historinhas, que vou tentar registrar aqui do jeito que der pra lembrar, acalmaram um pouco minhas angústias recentes sobre as primeiras pressões de consumo que começaram a atingir o Caio desde o fim das férias e, principalmente, após o retorno da escolinha, com a profusão de mochilas, tênis, camisetas e etecétereas que ele passou a ver - e, de certo modo, desejar, ainda que inconscientemente. Isso é assunto que venho matutando nos últimos tempos, e as reflexões de mães como a Taís, a Carol, a Paloma e a Lia têm me ajudado bastante.

Mas, vamos às historinhas:

Era uma vez, o Ben 10. O Ben 10 e o homem aranha. Ele ajudou o homem aranha a fazer uma teia. Daí....... eles foram viajar! Pra beeeem longe. E encontraram a capoeira e o berimbau. Aí, o Ben 10 começou a tocar berimbau, mas ele tocava de regional.

(...)

Vou contar outra mamãe, vou contar outra. Era uma vez, um homem aranha. Ele foi passear na floresta, e encontrou, sabe quem? Sabe quem, mamãe? O tamanduá! O tamanduá e o lobo, mas o lobo era pequenininho. Era amigo do tamanduá. E todos brincaram na floresta.


Não é demais, ver como referências tão diferentes se misturam de um jeito todo especial? Como elementos que parecem estar em universos opostos se combinam e ganham um sentido novo, próprio de cada criança? Fiquei maravilhada, e acho que não é coisa de mãe coruja, é??? Rá!