segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A MÃE DO CAIO


banda mirim, proibida para maiores de 5 anos

Sábado, fim de tarde, festinha de 5 anos de uma amiguinha nossa. Fui sozinha com o Caio, Dani iria mais tarde. Cheguei carregando mil coisas: o Caio, minha bolsa, a bolsa dele, o presente... Passei o Caio para o colo do pai da aniversariante, que nos recebia e a mais outros dois casais. Caio quase pulou do colo dele para o chão, assim que viu a aniversariante. Nem olhou para trás, já saiu andando pela festa, olhando todos e se sentindo em casa. Todo metido.

Não tinham muitas crianças da idade dele, mas ele nem tchuns, acostumado que está a conviver com crianças de várias idades no
Cantinho da Criança Feliz. Em pouco tempo já estava enturmadíssimo, não apenas com as crianças, mas também com os adultos, que formaram uma espécie de "babá coletiva" do Caio durante a festa: alimentavam-no com milho, pão de queijo e pipoca; vigiavam quando ele passava correndo atrás das crianças mais velhas, para que ele não caísse; me procuravam quando acontecia algum incidente e eu não estava por perto; ficavam no chão brincando com ele... Eu bem que gostei, pude curtir a festa sossegada, conversar com os amigos... mas sempre ficando na retaguarda, de tempos em tempos espreitando as brincadeiras, para ver se estava tudo bem, oferecer água e comida, e fazer um chameguinho. E ele? 'Nem te ligo, mãe'!

Apenas em um momento de maior cansaço, depois de um tombinho, ele veio todo chamegoso querendo mamar: mamou 1 minuto e já saiu correndo do meu colo atrás da trupe de molecada que passava feito um furacão dentro da casa. Era muito engraçado observar: primeiro passavam os mais velhos, em seguida, coladinha a eles - e imitando tudo o que faziam - a turminha intermediária, e, meia hora depois, o Caio, todo faceiro. Um barato.


Ele virou uma atração na festa. Toda hora alguém vinha me perguntar: 'Ele é seu filho? Que bonitinho, tão sossegado, tão simpático!' Eu apenas sorria, pensando nas manhas e chatices que ele tinha me aprontado nos últimos dias, por conta do nascimento dos molares, e respondia: 'é, mas ele tem das suas, também'... Dali há pouco, mais alguém: 'ah, você é a mãe dele, nossa como ele é tranquilo!' E eu pensava, 'hã-hã, é porque não é seu, né'. Rá. Brincadeirinha. (Normalmente, eu iria fazer o maior coro nos elogios, que eu sou mega-ultra-coruja-assumida. Acontece que eu estava um bagaço, justamente porque a semana com ele tinha sido bem difícil... então, poupei os convidados da minha corujice...)

E assim foi, até nove da noite, quando praticamente "ejetamos" o Caio da festa, pois nós, pais, é que estávamos um prego. Na hora de ir embora, mais alguém comentou, 'ah, você é a mãe, que gracinha seu filho'! Foi quando me dei conta de que ali eu não era a Thaís, amiga dos donos da casa, arquiteta e urbanista, profissional respeitável (!) tentando voltar à ativa... Ali ninguém queria saber com quem eu era casada, ou de quem eu era filha... Ali eu era simplesmente "a mãe do Caio". E isso me rendeu boas risadas no dia seguinte.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

CRIANÇAS E TV: QUAL O LIMITE?


"Canais especiais para bebês? O que virá depois?..."
"Benvindo à TV ÚTERO!"



Sábado passado, pela primeira vez, Caio pediu pra assistir TV: ficou apontando para o aparelho, falando qualquer coisa que eu não entendia direito (acho que ele falava "cacó", querendo dizer "cocoricó") e eu perguntei: você quer assistir filho? E ele: "té assiti". Hã!?!?!?!?!?!?

Recobrada do espanto (afinal, ele não juntava palavras nem pedia para assistir TV até outro dia...), liguei na Cultura, estava passando um desenho bonitinho, de uma família de insetos (não sei o nome, ainda não adentrei completamente o mundo televisivo infantil...) e, pela primeira vez ele assistiu mesmo, bem mais do que o de costume: ficou deitadinho do meu lado, assistindo e 'comentando' em 'bebenês' tudo que se passava no desenho, não parou de tagarelar um minuto! Isso durou uns dez minutos, no máximo. Logo ele se desinteressou da TV e partiu para suas brincadeiras habituais, com bola, carrinhos, fantoches, livrinhos, e em seguida foi para o quintal, brincar com a cachorra e detonar mexer nos meus vasinhos de suculentas...

Resolvi escrever sobre isso aqui, porque foi uma novidade que me marcou bastante, afinal, ele não tinha se interessado muito pela TV até agora (exceto pelo seu fascínio com os controles da dita cuja!), e eu ficava me perguntando em que momento isso aconteceria. De fato, nós nunca o estimulamos a assistir TV (e, inclusive, evitamos conscientemente durante seu primeiro ano): ele ganhou o primeiro dvd do Cocoricó de um casal de amigos no aniversário de 1 ano, e depois ganhou, de outra amiga nossa, um volume do dvd Bebê Mais. Algumas vezes até colocamos para ele assistir, mas ele simplesmente não demonstrava grande interesse, e a gente desligava e ia brincar de outra coisa.

Não que sejamos radicais em relação ao uso da TV; eu mesma já tive minhas fases noveleiras (a última se foi - thanks god - com o término de 'A Favorita'), o Dani curte bem aqueles programas insuportáveis e barulhentos de futebol, e ambos gostamos de ver um seriadozinho aqui outro ali, além de sermos viciados em filmes (e, já que ir ao cinema virou programa raro, o dvd tem resolvido muito bem nosso problema).

Mas, em relação ao Caio, concordávamos que quanto mais tarde ele fosse "introduzido" a essa maquininha simultanamente podre e fascinante, tanto melhor, já que havia tantas outras coisas no mundo, tão ou mais bacanas - mas certamente mais saudáveis - para um bebê menor de 1 ano fazer na sua vidinha que estava apenas começando. Então, simplesmente evitamos, não estimulamos. E ele também não demonstrava interesse, até agora. Claro que algumas vezes colocamos desenhinhos para ele assistir, para ver sua reação; na casa de amiguinhos, também tentamos deixá-lo com as crianças que assistiam; houve até uma fatídica vez, em que, no auge do meu desespero maternal (alguém conhece essa sensação, hein, hein???), coloquei o cadeirão na frente da TV para ver se ele comia alguma coisa (pronto-falei... mas foi só uma, eu juro! pelo menos até agora... rá!): mas ele sempre dispersava, até ficava uns minutinhos encantado, mas logo virava abóbora e mudava de assunto.

Confesso que achava bom. Ele tem tanto tempo pela frente, ainda, para descobrir a TV e tudo de bom e de ruim que ela pode trazer... não há por que apressar. Não acho legal usar a TV de "babá", deixando as crianças horas a fio sob o comando do aparelho - eventualmente, e por pouco tempo, vá lá, pode ser realmente necessário (como registrou a Flá, aqui), para dar um tempinho para as mamis respirarem ou exercerem 'funções domésticas' inadiáveis, desde que seja um programinha escolhido a dedo, e não qualquer porcaria, simplesmente para matar o tempo.

Temos vários amigos (e também li algumas mães blogueiras falando sobre isso, como a Paloma, mãe da Ciça) que optaram por não deixar as crianças, até certa idade, assistirem TV, mas apenas dvds com alguns desenhos e programas mais bacanas, fugindo, dessa forma, da invasiva e abusiva publicidade destinada ao público infantil. Uma outra amiga (aê Ju, meu exemplo!!), que tem um filhote hoje com 7 anos, sempre limitou a quantidade de TV diária que ele assistia, e isso passou a incluir, mais recentemente, o uso do computador - ela e o pai definiam horários mais adequados e uma quantidade limite de TV que o pequeno podia assistir ao longo do dia e, dessa forma, foram construindo nele, também, um entendimento e uma responsabilidade com suas atitudes: às vezes ele pedia para trocar um horário pelo outro, pois sabia que ia passar algo que ele gostaria de assistir mais tarde, ou trocava o horário que ele poderia ver TV por mais um tempinho no computador. Não sei como isso está agora, com o filho na pré-pré adolescência (rá!), mas até bem pouco tempo atrás parecia funcionar, e bem.

Acho que não há uma fórmula, e cabe a cada família encontrar a melhor forma de lidar com a - praticamente inevitável - presença da TV em nossas vidas e de nossos filhos (até um mestre de capoeira que admiro muito, que pratica o rastafarismo e radicalizava na proibição do contato de suas crianças com a TV, se viu obrigado a render-se a ela quando seus filhos passaram a frequentar a escola...). O desafio é encontrar o limite, a medida para evitar a super-exposição dos filhotes a apelos consumistas e mensagens duvidosas (e muitas vezes ideológicas, sim!) que podem estar presentes em certos canais e programas destinados ao público infantil.

Essa minha reflexão talvez seja um pouco precoce - meu filho não tem nem 1 ano e meio - mas foi inevitável: fiquei pensando em tudo isso desde o momento em que o pequeno pronunciou a terceira ou quarta expressão de sentido de sua vida, aquele "té assisti" tão bonitinho e inocente. É isso que dá botar filho nesse mundão-de-meu-deus... agora aguenta!!!

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(e, mais uma vez, a Taís, do Ombudsmãe, que é mãe escolada de três meninões, contribuiu lindamente para minhas reflexões de aprendiz de mãe, com um post sobre as "Crianças eternamente plugadas" , publicado há dois dias atrás, seguido desse outro, fresquinho, com uma dica de filme sobre o assunto e afins. Recomendo.)

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imagem retirada desse post da Marcia, do blog Ser Mãe na América, em que ela comenta os resultados de uma pesquisa americana sobre a influência da TV no desenvolvimento de bebês.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

SELINHOS ATRASADOS...


Estou atrasada, mas acho que ainda tá valendo... A Fernanda, divertidíssima Mãe do Pitoco, além de me brindar quase diariamente com posts ótimos sobre as peripécias do seu Pitos, ainda me deu dois selinhos para este bloguinho!!! Valeu, viu, querida!!

Fiquei muito honrada: mesmo tendo descoberto recentemente que os selinhos geram controvérsias blogosfera afora, eu os vejo como um mimo virtual, uma gentileza, uma forma de aproximação entre pessoas e blogs que já possuem alguma identidade... Talvez seja coisa de novata, mas, por enquanto, eu sigo encarando os selinhos assim, e espero que quem os receber de mim também os encare dessa forma, como uma delicadeza cibernética.

Mas, se eu curto receber os selinhos, já não posso dizer o mesmo sobre seguir suas infinitas regrinhas... rá! Tenho um pouco de preguiça, mas nem por isso vou deixar a peteca cair: vou indicar os blogs para os quais repasso os selinhos, e as regrinhas, para quem quiser conhecer e seguir, estão AQUI.

Eu sempre fico em crise na hora de escolher entre tantos blogs e pessoas queridas para quem vou repassar o mimo... daí, tenho meus critérios aleatórios para me auxiliar: quem ainda não recebeu o mesmo selo, com quem eu ainda não troquei esse tipo de gentileza virtual, os blogs que eu ando lendo... e por aí vai! Então, dessa vez, os selinhos vão para:


sábado, 22 de agosto de 2009

MEU PEQUENO TIRANO



Uma das primeiras palavras, que o Caio aprendeu a falar foi "NÃO". Imagino que muitas crianças devem aprender rápido essa palavra: é fácil, sonora, e muito utilizada por nós, pais, mesmo que insconscientemente, quando as crianças começam a se aventurar pelos cantos pouco seguros ou menos permitidos para elas. No começo era aquela coisa bonitinha, meio sem nexo, sempre acompanhada do respectivo movimento de cabeça. Logo depois, ele começou a entender os momentos em que a palavra fazia sentido, e o "NÃO" passou a ser um grande desafio para ele, para demarcar seu espaço, para fazer valer sua vontade, para se comunicar de variadas maneiras conosco.

Agora, ele começa a explorar combinações de palavras, e a primeira expressão que ele soltou foi um sonoro "NÃO TÉ!" (tecla sap: não quero!). A gente não acreditou! Primeiro, porque é uma emoção ver um serzinho desse tamanho descobrindo as palavras, a comunicação verbal. Segundo, porque pensa bem, aquela criatura que até outro dia estava dentro da sua barriga, de repente vira pra você toda cheia de vontades, do alto de seus poucos centímetros, e já diz o que não quer!!! É fascinante.

De todo modo, o carinha é esperto. Antes que a gente comece pensar que ele estaria se transformando em um pequeno tirano, ele se redime: na época do "não", logo em seguida começou a falar mamã, papá e fofó, derretendo os corações que nem ligavam quando ele gritava NÃO em alto e bom som bem na hora da papinha...; e agora, coladinho ao "NÃO TÉ", o malandrinho começou a falar "BOITE" ("boa noite") antes de dormir e, outro dia, saiu correndo do quarto onde estava comigo, parou bem na frente do pai e gritou, todo carinhoso: "BO DIA" ("bom dia")!!! Não preciso nem dizer como a gente ficou, né?

Daí, que concluo: meu pequeno tem seus dias de tirano, sim, mas digamos que faz mais a linha populista... Rá!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

DA SÉRIE: NÓIAS DE MÃE


Sou só eu, ou tem mais alguma doida aí que também inspeciona as orelhinhas dos filhotes depois que o papai dá banho, pra ver se tá limpinha e bem enxutinha????

[há dois dias me peguei fazendo isso, e percebi que era corriqueiro e inconsciente... me achei meio doida... será?]