... para registrar que meu bebezico já tem dentes!!!!!!!!!!!!!!
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Alguém pode parar o tempo, pelamordedeus?
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
INTERROMPEMOS NOSSA PROGRAMAÇÃO...
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
RELATO DO PARTO DE CAIO - PARTE 2
Na
volta da viagem a Salvador, já entrando no terceiro trimestre, começamos a
pensar com mais detalhes sobre como queríamos - e poderíamos - fazer o parto. Apesar do parto domiciliar já me
passar pela cabeça, como disse, o parto hospitalar ainda era a primeira opção,
tanto por medo do marido, quanto pela questão financeira e, principalmente,
pelo fato de todos os profissionais que eu sabia que atendiam esse tipo de
parto no Estado serem da cidade de São Paulo (ou seja, teriam que viajar cerca
de 3hs até aqui).
Resolvemos
fazer uma visita à maternidade e à casa de saúde, os dois locais onde se
realizam partos na cidade. A visita à maternidade foi um pesadelo: o ambiente
hospitalar branco e frio, uma enfermeira despreparada e um discurso pronto de
apresentação do local para quem já está com a cesárea agendada. A todo tempo
precisávamos interromper e perguntar: “mas, e se for parto normal? Nós queremos
fazer parto normal!!” Muitas vezes ficamos sem resposta, ou apenas com um vago:
“se você conseguir normal, é um pouco diferente, mas não muito”. E só. Saímos
de lá emputecidos, chocados diante daquela apresentação de uma verdadeira
“linha de produção” de cesáreas eletivas.
A
visita à casa de saúde foi um pouco melhor (ou menos pior), já que o local era
pouco procurado, por não ter alguns equipamentos (como o cardiotoco) e não ter
a UTI neonatal, e o ambiente era um pouco mais acolhedor, com menos cara de
hospital (porque, além do pavor que sinto de hospital, por associá-lo
diretamente a doença, falta de saúde, procedimentos invasivos, funcionários
burocratizados, em geral o ambiente hospitalar é extremamente inóspito, e eu,
inclusive por ser arquiteta, acho que os espaços interferem diretamente nas
práticas e relações sociais: assim, se o espaço era melhor, se eu pudesse
escolher entre os dois ambientes, ficaria com a casa de saúde).
Só
que, como mencionei antes, a Dra. Carla daquela época (porque hoje ela é outra
médica, muito mais incrível: que o diga seu lindo blog, Parir é Natural) não
dispensava o cardiotoco, e a casa de saúde não tinha o equipamento. Buscamos
nos informar também sobre hospitais da região – Araraquara, Rio Claro e mesmo
Ribeirão. Sobre esta última cidade, ficamos sabendo que a situação era pior que
aqui; em Araraquara, a Gota de Leite, maternidade que desenvolvia um projeto
minimamente “humanizado”, havia sido fechada. Mas, através de uma amiga grávida
soubemos que o hospital da Unimed em Rio Claro tinha um quarto próximo a um PPP,
inclusive com uma cama que permitia partos na vertical. Sondamos a
possibilidade de termos nosso filho lá, atendidos pela Dra. Carla, mas isso não
era possível devido a burocracias da Unimed. Ou seja, o cerco estava se fechando,
o terceiro trimestre avançava e eu ainda não sabia onde parir.
Nesse
meio tempo, um casal de amigos teve um parto domiciliar em Campinas e o maravilhamento
deles quando fomos visitá-los, o desejo de falar do parto, de compartilhar o
que tinham vivenciado conosco nos tocou profundamente. Era muito diferente de
tudo que havíamos acompanhado nos partos de amigos até então, nunca ninguém
tinha nos falado da experiência do parto daquela forma. Depois, tivemos a
oportunidade de assistir ao vídeo do parto desse casal, e ficamos encantados.
Era daquela forma que queríamos que nosso filho nascesse, com certeza, e aquilo
já não parecia tão distante e absurdo, não era coisa de filme gringo, tinha
acontecido com “gente como a gente”.
Além
disso, eu, viciada que estava em relatos de parto, comecei a buscar mais e mais
relatos de partos domiciliares (sempre eram os que mais me emocionavam!), até
que encontrei um que foi decisivo na nossa escolha: o relato da médica GO Cátia Chuba, de seu VBAC domiciliar. Nesse relato ela enfatizava muito o processo de
tomada de decisão dela e, principalmente, do marido: foi a gota d´água para que
Dani embarcasse na ideia comigo, e começássemos a pensar mais seriamente na
possibilidade de ter nosso bebê em casa.
Assim,
a reta final foi se aproximando e o desejo de ter nosso filho em casa foi crescendo.
Mas ainda tínhamos dois problemas para resolver: com quem fazer o parto, já que
havíamos sondado a Dra Carla e ela disse que não toparia fazer em casa (hoje em
dia ela faz!), e como viabilizar recursos para isso, já que nossa grana estava
bem curta e as notícias dos custos do parto domiciliar daquele casal de amigos
estava totalmente fora do nosso alcance (eles fizeram com GO e neonato, além da
doula). A Vânia foi fundamental nesse momento: ela nos encorajou, dizendo que com
uma parteira o custo seria menor e que certamente seria possível negociar
valores e condições de pagamento, nos passando contatos e nos informando também
sobre a Jamile, enfermeira obstetra da cidade que, ao que tudo indicava,
começaria a fazer partos domiciliares na região.
Fiz
um primeiro contato com a Dra. Betina, médica que tinha realizado o parto daquele
casal de amigos, e ela foi super receptiva, mas teríamos que fazer algumas
consultas em SP e, com a barriga que eu estava, me desanimei um pouco. Também
fiz contato com a pediatra Ana Paula Caldas, pra saber sobre o parto domiciliar
dela e obter o contato da parteira Vilma Nishi, e ela também me encorajou
muito. Por fim, entrei em contato com Vilma, que também foi muito atenciosa,
mas disse que estava com muitos partos no mesmo período do meu, e não gostaria
de arriscar. Mas aí ela me disse que estava sabendo de uma parteira daqui, que
estava decidida a fazer partos domiciliares, a Jamile! Falamos com Vânia, que
confirmou a notícia, dizendo inclusive que Jamile já estava com um PD
programado em Ribeirão Preto. Foi a melhor notícia do dia!
Assim,
nossos contatos com Jamile começaram na segunda quinzena de fevereiro. Apesar dela ainda não
ter realizado nenhum parto domiciliar até então (o primeiro estava previsto
para pouco antes do meu), ela tinha uma vasta experiência em acompanhamento de
partos normais (tinha sido enfermeira-chefe da maternidade), nós tivemos muita
empatia com ela logo de cara, os valores cabiam no nosso bolso (e ela foi super
maleável conosco) e, o melhor, ela era de São Carlos, poderíamos nos encontrar
com tranquilidade até a data do parto. Alguns encontros depois e estávamos definitivamente
decididos pelo Parto Domiciliar.
Essa
decisão só se reforçou quando ocorreu o segundo episódio que poderia ter me
tirado do caminho do parto que eu desejava. Eu estava com a defesa do mestrado
marcada para 26 de março (quando eu completaria 37 semanas!), e teria uma
consulta com Dra. Carla no dia 28. Entretanto, uma paciente havia parido e, com
isso, um horário havia liberado no dia 25 de manhã, e minha consulta foi
reagendada. Mal sabia eu o que me esperava para aquele dia!
Durante
o exame de rotina, Dra. Carla fez um exame de toque e, sem me consultar,
realizou um descolamento de membranas, para “incentivar” o trabalho de parto,
dando início à dilatação. Na hora fiquei meio passada, não entendi o que tinha
acontecido, mas depois, conversando com Dani e com Vânia, fiquei muito brava,
pois, além de ser uma intervenção desnecessária, comecei a sentir contrações
diferentes das que vinha tendo até então, um pouco mais doloridas, e eu estava
às vésperas da minha defesa de mestrado! Além disso, achei um absurdo ela ter
feito isso sem me consultar, sem nem sequer perguntar se eu queria, sem nem
sequer me informar que ia fazer. Simplesmente foi lá, e fez.
Em
seguida, ao auscultar os batimentos do bebê, ela percebeu alguma alteração e
ficou um pouco apreensiva. Como eu estava às voltas com a apresentação para a
defesa, e fui para a consulta com o estômago um pouco vazio (era perto da hora
do almoço), ela me pediu para comer algo e ir até a maternidade para realizar
uma cardiotocografia, para termos certeza de que tudo estava bem. Fiquei muito
angustiada, em primeiro lugar pelo bebê e, em segundo, pois diversas amigas que
pretendiam ter parto normal acabaram em cesáreas justamente após esse bendito
exame. “Sofrimento fetal”, o diagnóstico fatal.
Eu
e Dani saímos tensos do consultório, passamos numa lanchonete pra comer algo e
seguimos pra maternidade. Fui encaminhada para um quarto, e uma enfermeira me
conectou ao cardiotoco. Três pessoas diferentes (2 enfermeiras e um médico)
vieram monitorar o aparelho, e cada uma delas falava uma coisa sobre os
resultados. Após um tempo, uma das enfermeiras veio e deu aquela terrível
buzinada na minha barriga. Depois de um tempo, o médico veio e, não confiando
no exame da enfermeira, deu mais uma buzinada e, depois, outra ainda. Meu bebê,
coitado, imagine o susto que não levou... 3 buzinadas de uma vez!!!
Mas
o pior ainda estava por vir: o médico olhou o exame, disse que o bebê tinha
tido uma leve alteração nos batimentos, mas nada significativo. Fiquei bem aliviada.
Só que a enfermeira que veio me liberar e entrar em contato com a Dra. Carla,
já tinha uma opinião diferente, de que as coisas não estavam tão bem. Ela me
disse que tinha falado com a Dra., e que era pra eu ficar internada pra fazer
um ultrassom. Entrei em pânico: me internar naquele hospital, sem falar
diretamente com minha médica, com 37 semanas de gravidez, às vésperas da minha
defesa? Olhei para o Dani, e nem precisei dizer nada: ele, até que elegantemente
para os seus padrões (rá!), disse à enfermeira que não iríamos internar, que
iríamos sair, almoçar, falar com nossa médica e, se fosse o caso, voltaríamos
após o almoço (até porque ninguém merece almoço de hospital!!).
Dani
foi fundamental nesse momento, me acalmou demais. Eu liguei para a doula, que
também foi perfeita, ao me dizer: “Thaís, o que você está sentindo? O bebê está
mexendo? Você está se sentindo bem? Você sente que o bebê está bem? Vai
almoçar, se acalme, e tente falar com a Jamile, ela sim pode fazer uma
avaliação profissional da situação”. Foi exatamente o que fiz. Almoçamos num
lugar legal, me acalmei, liguei pra Jamile, que foi incrível: se dispôs a ir
até minha casa olhar o resultado do exame, para me dar um parecer mais concreto.
A essa altura a preparação da apresentação para a defesa do mestrado já tinha
ido pro saco, e eu já começava a ter a dimensão da transformação que a
maternidade traria para minha vida. Primeiro o bem estar do meu filho, depois
todo o resto.
Logo
depois do almoço Jamile foi até minha casa, me examinou, analisou o resultado
do exame e me tranquilizou, dizendo que o cardiotoco é um equipamento muito
controverso, que dá muito falso positivo. E, mais: feito da forma que foi, com
3 buzinadas consecutivas, o resultado se tornava menos confiável ainda. Ela
interpretou o pedido de internação da Dra. Carla como uma tentativa de
averiguar rapidamente a situação, através de um ultrassom, já que, se eu fosse
realizar fora da maternidade, dificilmente conseguiria agendar para o mesmo
dia, a menos que a Dra Carla conversasse em alguma clínica.
Ela
estava certa: quando finalmente consegui falar com a Dra. Carla, ela confirmou
que a ideia era essa, que sem o pedido de internação eu não conseguiria
realizar a ultra. Perguntei se ela não poderia interceder em alguma clínica e
ela disse que não, mas que ela considerava imprescindível que eu realizasse um
ultrassom naquele dia, fosse na clínica ou na maternidade. Liguei na
maternidade pra saber se eu ainda conseguiria fazer lá, caso me internasse, e soube
que eu teria que passar a noite lá, para fazer a ultra no dia seguinte. Nas
clínicas, nenhum horário.
E
mais uma vez Jamile entrou em cena: disse que, apesar de considerar que estava
tudo bem, eu deveria fazer o ultrassom para poder ir tranquila para a defesa.
Ela ligou pessoalmente numa clínica, intercedendo por mim, e acabou conseguindo
a consulta para o fim daquele dia. Bom, pra encurtar a história, já que esse
relato tá parecendo um livro, desencanei da apresentação pra defesa (decidi
fazer na cara e na coragem, sem powerpoint e o escambau), fiz a ultra quase
nove horas da noite e, CLARO, estava tudo ÓTIMO comigo e com o bebê. Tudo na
mais santa paz. UFA, de novo.
Mestrado
defendido com louvor, contrações e piadinhas da banca (que, thanks god, era
toda composta de mulheres e todas mães!), e no fim da semana fizemos aquela que
seria a última consulta com a Dra. Carla. Logo de cara coloquei minhas questões
quanto àquela intervenção e ela, super atenciosa como sempre, me ouviu
atentamente, disse que nunca havia ocorrido a ela perguntar à paciente antes,
já que ela considerava aquilo uma “intervenção de rotina” para a parturiente
que desejava parto normal, pois “aceleraria” o TP, e se desculpou ao final.
Além disso, nessa consulta ela me perguntou se eu queria que fizesse um novo
toque, para verificar a dilatação, eu disse que não, e ela respeitou.
Também
conversamos sobre a confusão do cardiotoco e, ao ver o exame (que até então ela
não tinha visto, só ouvido falar pela enfermeira da maternidade) ela chegou à
mesma conclusão que a Jamile, com um adendo de que eu tinha “dado azar” de
pegar uma equipe ruim na maternidade, porque existiriam outros profissionais
melhores lá, e ela tinha ficado desconfiada do resultado também por conta disso
(já pensou parir lá e dar esse “azar”? Nem morta). Mas, novamente, me fazendo
rever todos os meus conceitos sobre a suposta onipotência médica, ela me pediu
desculpas, disse que estava numa semana atribulada, e que tinha havido uma
falha em nossa comunicação, que ela poderia ter deixado as coisas mais claras
para mim, de modo que eu não me assustasse com o pedido de internação, e mesmo
pudesse optar por ir fazer a ultra em outro lugar. Achei essa atitude dela fantástica.
Nessa
mesma consulta, ela ainda ponderou, dizendo que nossas expectativas em relação
ao parto eram altas, e que ela sabia das limitações da maternidade daqui (e que
todo esse ocorrido era apenas uma amostra da situação). Disse também que ela,
como médica, nessas condições, não conseguiria nos dar o parto que tanto
desejávamos, e sugeriu que devíamos fazer mesmo com a Jamile, que ela confiava
nela de olhos fechados, que certamente não teríamos problema. Mas, pra fechar
com chave de ouro, ainda se colocou à disposição para ficar na retaguarda, caso
precisássemos ir para a maternidade. Fiquei muito feliz com esse desfecho, e
tive certeza de que tinha escolhido a médica certa, apesar dos percalços que
tivemos no caminho.
Depois
dessa história toda, eu já estava entrando na 38ª semana, me encontrando e/ou
conversando por telefone frequentemente com Jamile e com Vânia, continuando
minhas práticas de yoga e hidroginástica, e finalizando todos os preparativos
para a chegada do bebê. Nessa reta final, fizemos - eu, Dani e Vânia - uma
oficina com Katrina, minha professora de yoga, para conhecer e experimentar posições de
alívio para o TP, e isso foi bem legal para irmos “entrando no clima” (em
especial para Dani sacar a importância do seu papel na hora do TP) e também
para nos sintonizarmos ainda mais com a doula.
Desde
que havíamos tomado a decisão, vínhamos tentando conversar sobre parto
domiciliar com pessoas de nossas famílias e com amigos, mas a receptividade
sempre era muito ruim, e acabamos decidindo não contar a ninguém sobre nossa
escolha: somente quem sabia, além dos envolvidos diretamente, eram nossa GO,
minha homeopata (que já havia me receitado gotinhas PPP – rá! - que foram fundamentais!!), a Rosa (minha
amiga e prima do Dani) e a Ana, a amiga que tinha tido o PD em Campinas. Se,
por um lado, isso era um pouco angustiante, por outro, não queríamos
interferências indesejadas, palpites e energia negativa sobre nossa decisão.
A
partir de então, passei a ter aquela sensação de que o trabalho de parto
poderia se iniciar a qualquer momento, mas nem tive tempo de ficar ansiosa com
isso...
RELATO DO PARTO DE CAIO - PARTE I
[Valeu meninas, pelo estímulo no post anterior. A ideia não era fazer um suspense, mas apenas introduzir uma sequência de posts que talvez não sejam dos mais atraentes... Aproveitando a deixa, esclareço que esse relato foi escrito ao longo desses anos, boa parte no primeiro ano do nascimento do Caio, e outra boa parte agora. Pode conter visões contraditórias, por isso, mas tá valendo. Mas chega de preâmbulos, vamos à primeira parte do relato: ]
*******************************************************
Não
me lembro bem quando “descobri” o parto normal. Cesáreas sempre fizeram parte
da minha vida. Desde pequena via, a cada verão na praia, minha mãe se
preocupando em esconder a cicatriz de meu nascimento e de minhas duas irmãs.
Quando minhas primeiras amigas engravidaram, o tema do parto normal tornou-se
recorrente para mim, pois era a maneira que quase todas pretendiam ter seus
filhos. Todas, sem exceção, tiveram seus filhos através de cesáreas. Alguns
anos depois, pouco antes de eu engravidar, duas amigas mais próximas tiveram
seus filhos por parto normal: era a primeira vez que acompanhava mais de perto
nascimentos que não fossem por cesáreas, e um deles havia sido na França...
Então engravidei: e desde o início eu sabia que queria e teria um parto normal.
Mas não sabia o caminho que teria que percorrer para conquistá-lo da forma como
desejava...
A
descoberta da gravidez e do vasto universo do parto humanizado
2007
foi um ano especial. Ano em que completei 30 anos, em que eu e Dani passamos a
conversar mais seriamente sobre ter um filho. Eu prorroguei a ideia por um
tempo, pois estava fazendo mestrado e meu prazo se esgotava em março de 2008. Fizemos
uma linda viagem pela América Latina em maio, e a vontade começou a se tornar
mais concreta: este ano engravidaríamos, mas não poderia nascer antes do
mestrado... Tempo vai, tempo vem, e tudo acontece no seu devido tempo: em
setembro me descubro grávida... e eu achando que estava com problemas no
fígado, pois havia tomado uma cervejinha e passado mal... Poucos dias antes de
descobrir eu havia ido ao ginecologista, porque estava com dores nas mamas, e
ele me pediu uma mamografia... não deu nem tempo de fazer, logo descobri que as
tais dores eram um bebê a caminho!!! (belo médico esse...)
Pois
bem, descoberta a gravidez, alegria total, fomos, eu e Dani, nos consultar com
o tal médico, afinal, ele era meu médico há tantos anos... A única coisa que
combinamos de conversar com ele: dizer que pretendíamos ter parto normal, pois
eu já sabia que ele não era dos mais “adeptos”. Na consulta, além da
objetividade médica que impõe uma cortina de gelo entre o médico e seu
paciente, algumas gracinhas pra dar um tom de bacana e uma resposta: “o tipo de
parto só dá pra decidir no final da gravidez, na hora h, não adianta você ficar
se preocupando com isso agora”... Dani olhou para mim e não precisamos falar
mais nada. Estava decidido, procuraríamos outros médicos.
Através
de Rosa, uma grande amiga (prima de Dani) que não estava grávida, mas envolvida
com círculos de mulheres, “tendas vermelhas” e coisa e tal, eu já havia tomado
contato com o site amigasdoparto.org
e através dele fui rapidamente descobrindo o universo do “parto humanizado”, as
doulas e etc, que até então eu só tinha ouvido falar através de uma ou duas
amigas que haviam pretendido um parto humanizado e acabaram tendo
cesáreas. Mas esse universo me parecia
tão distante, concentrado em capitais como São Paulo, Rio e BH... Se já me
parecia quase impossível que eu tivesse um parto normal em São Carlos (dado o
histórico de cesáreas de amigas e conhecidas), que dirá humanizado... Doulas
por aqui? Nunca tinha ouvido falar.
Mas
como o “universo conspira a nosso favor”, através daquele primeiro site cheguei
ao amigasdoparto.com.br e de lá para os
sites do Gama, do Doulas do Brasil e da Parto do Princípio foi um pulo. E
então, uma surpresa incrível: este site indicava um grupo de apoio em São
Carlos, coordenado pela psicóloga Vânia Bezerra (que na época ainda não tinha esse blog que eu adoro)!! Nem acreditei...
Em
setembro mesmo comecei a fazer contato com ela e, paralelamente, “mergulhei” no
mundo virtual do parto humanizado, entrando nas listas partonosso e abcdoparto.
Descobri termos como tricotomia, enema, episiotomia, ocitocina, cardiotoco, seus
significados e o que representavam em um parto. Descobri os relatos de parto, planos
de parto e as inúmeras variações do parto normal, do mais medicalizado ao mais
natural. Descobri que era possível ter um parto em casa, algo que eu nem
sonhava. Essa ideia me tocou desde o início, mas me parecia loucura demais para
um primeiro parto. Além disso, Dani, filho e irmão de médicos, de cara achou
bastante estranha a ideia.
[Aqui,
uma pausa. Nesse momento, cerca de um mês após ter descoberto a gravidez,
enviei à lista partonosso um email intitulado “os maridos e o pd” que gerou um
bom debate, e me cutucou para não desistir de cara da ideia. Reproduzo abaixo o
email e a resposta da Ana Cris – que foi uma das que mais me cutucou. Quem
estiver sem saco, pula essa parte! Rá!]
Vendo essa mensagem [mensagem enviada por outra mulher sobre parto domiciliar]
percebi que não é só o meu marido que encana com o parto domiciliar... parece
que acontece com mais frequência que eu pensava... Eu estou apenas na 14 semana
de gestação, quero MUITO ter um parto normal, encontrei uma médica muito boa na
minha cidade (São carlos), a maternidade da Santa Casa parece que vai ser
reformada em novembro com instalação de banheiras para parto na água, mas eu
também tenho pensado bastante no PD, ainda mais depois de descobrir um caso
aqui na minha cidade, algo bem raro, eu acho... Mas ao mesmo tempo a maioria
dos relatos de parto domiciliar que li sempre são no segundo ou terceiro parto,
ou ainda depois de uma cesária... Me sinto também um pouco insegura de investir
em parto domiciliar na primeira gravidez...
Podemos trocar umas idéias sobre isso??
bjocas
thaís
Podemos trocar umas idéias sobre isso??
bjocas
thaís
Thais, porque é que você imagina que tem tantos casos de parto normal
depois de cesárea no domicílio? Afinal essas mulheres são ainda mais
"perigosas" do que uma primigesta. Elas não só não pariram
anteriormente, como tiveram uma cesariana e portanto têm o risco de ruptura
uterina.
Porque será que justamente essas mulheres são as que acabam fugindo do hospital e indo parir em casa?
Bjs
Ana Cris
Porque será que justamente essas mulheres são as que acabam fugindo do hospital e indo parir em casa?
Bjs
Ana Cris
[Despausa]
Enquanto
isso, eu também buscava informações sobre os obstetras da cidade, para iniciar
o acompanhamento. Através da Vânia descobri a Dra. Carla, que segundo ela era
uma das que mais faziam partos normais em São Carlos. Marcamos uma consulta com
ela e com mais dois outros médicos da cidade, também conhecidos por realizarem
alguns partos normais. Logo na primeira consulta com ela, o centro da conversa
foi o parto normal, as perspectivas na cidade, as opiniões dela sobre o
assunto. De cara ela nos falou sobre seu projeto de implantar um quarto PPP na
maternidade, que provavelmente estaria pronto na época do meu parto! Saí
maravilhada e convencida que tinha encontrado a médica que eu tanto procurava.
Acabei cancelando as consultas que tinha marcado com outros médicos, pois
preferia ser acompanhada por uma mulher, e isso se repetiu ao longo de toda a
gravidez, quando fui cada vez mais me cercando de cuidados femininos...
Como
meu ciclo menstrual estava bem desregulado antes de engravidar, e não fazíamos ideia
de quando nosso filhote havia sido concebido, Dra. Carla pediu um primeiro
ultrassom, para calcular melhor a idade gestacional. Pela data da última
menstruação, eu estaria grávida de cerca de 7 semanas, não veríamos nada na
ultra, apenas os batimentos do coração. Entretanto, ao começar o exame, um
susto, e uma grande emoção: já podíamos ver o bebê!!! Nossa, que incrível foi
esse momento, eu e Dani parecíamos duas crianças, tamanha nossa alegria, nosso
abestalhamento... Foi inesquecível. Na verdade eu estava mais grávida do que
pensava, com cerca de 11 semanas... Demoramos a descobrir a gravidez porque eu
cheguei a menstruar já grávida, e tudo o que eu sentia nesse início eram dores
no seio, sono, emotividade aflorada e muita vontade de fazer xixi, “sintomas”
que, como marinheiros de primeira viagem, não tinham para nós ligação entre si
e, muito menos, com gravidez...
Na
verdade, fomos percebendo cada uma dessas características aos poucos, e foi o
Dani que intuiu minha gravidez: “você está tão manhosa, tão chorona... tô
achando que você está grávida... vamos fazer o teste?” E eu: “não, tem que
esperar atrasar a menstruação pelo menos uma semana para fazer o teste, e como
meu ciclo está todo desregulado, temos que esperar mais um pouco”. Mas, nesse
momento, eu já sabia que estava grávida. Ele tinha matado a charada. Era uma
sexta-feira. À noite, ele foi para a capoeira e eu fiquei sozinha em casa, e
não aguentei: “acho que tem algum teste que dá pra fazer antes de uma semana de
atraso...” Fui pra farmácia, e comprei o teste mais baratinho, que teoricamente
já daria resultado com apenas um dia de atraso da menstruação. Voltei pra casa,
fiquei em dúvida se fazia o teste antes do Dani chegar, mas resolvi fazer: duas
listrinhas cor de rosa, não acredito, é verdade!!! Tô grávida mesmo, será que
dá pra confiar nesses testes?? Mal eu acabei de fazer o teste, e Dani chegou,
olhou minha cara que misturava dúvida, espanto e felicidade, já ficou
desconfiado, e não conteve a emoção quando eu mostrei o teste positivo... Me
abraçava, e eu ainda não estava acreditando, fomos à farmácia e compramos
outro, do mais caro (rá!) - foi uma sensação tão engraçada, chegamos até a
comentar no dia, nós dois indo juntos, de mãos dadas, até a farmácia, comprar
um teste para confirmar o que os dois já tinham certeza, cheios de uma alegria
tão leve... - e, batata, positivo!!!! Comemoramos, embasbacados, mas nesse dia
não contamos a ninguém: queríamos a confirmação definitiva. No dia seguinte,
logo cedo, fomos fazer o exame de sangue, e aí sim nos “liberamos” para gritar,
chorar, pular, e contar pra todo mundo: estamos grávidos!!!!!!!!!!!!!
A
gravidez: uma espera muito ativa e bem acompanhada
Trabalhei
muuuuuito durante a gravidez, já que, além do mestrado, estava envolvida em
vários projetos profissionais. No último trimestre, desacelerei o ritmo dos projetos
para me concentrar em finalizar o mestrado a tempo (meu prazo era março, e o
bebê estava previsto para abril, imaginem a tensão!). Fiz uma bela viagem para
Salvador com Dani e mais um casal de amigos no início de janeiro, aproveitei
pra relaxar muito, pois sabia que em seguida seriam dias e dias de bunda na
cadeira pra terminar de escrever a dissertação. Lá percebi o quanto a água me
fazia bem, e na volta entrei na hidroginástica. As aulas de hidro, as práticas de yoga e os banhos eram meu momento maior de conexão com o bebê. No resto do
tempo, a corrida pra dar conta de tudo, já que, entregue a dissertação,
teríamos cerca de um mês e meio (se o bebê nascesse na DPP) pra transformar o
escritório em quarto de bebê e acabar todos os preparativos para recebê-lo.
Sinceramente, olhando hoje não sei como dei conta!
Apesar
dessa loucura toda, minha gravidez correu muito tranquila do início ao fim, meu
corpo correspondendo às minhas expectativas e eu me dedicando muito para
mantê-lo ativo, para que as transformações nele fossem sendo vivenciadas etapa
a etapa, tentando controlar a ansiedade, as inseguranças e os medos que permeiam
o imaginário das grávidas. A prática da yoga foi fundamental nesse sentido, bem
como a leitura do livro Parto Ativo, recomendado pela minha doula, o
acompanhamento quase diário no livro A Bíblia da Gravidez, que ganhei de minha
cunhada e a participação (mais como ouvinte) nas listas de discussão.
A
única coisa que não correspondia em nada às minhas expectativas eram minhas
emoções. Afe! Ao longo de toda a gestação meu grande desafio era conciliar
todas as transformações e descobertas da gravidez com meu trabalho, meu mestrado,
minha vida conjugal. Por inúmeras vezes me via perdida entre tudo isso, sem
foco, com vontade de parar tudo e só curtir a gravidez, mas era impossível.
Dani quase surtava com minhas alterações de humor, crises de choro e pitis
inesperados. Mas o fato de termos uma doula ajudou muito nesse sentido: com ela
eu conversava, desabafava, tirava minhas dúvidas.
Durante
a gravidez eu e Dani nos encontrávamos com ela para conversar e, na maioria das
vezes, assistir a filmes sobre parto, fundamentais para que pudéssemos formar
nossa ideia de parto, pensar sobre o que queríamos para o nascimento do nosso
filho, questionar o padrão que já conhecíamos tão bem. Assistimos com ela os filmes
Nascendo no Brasil, BirthDay, O Sagrado, Birth as we know it, entre outros... Uma
enxurrada de novas informações e realidades de parto que foram fundamentais em
nossas escolhas. Hoje sei que foi a Vânia, através da apresentação do filme
Birthday, que fez brotar em mim a semente do parto domiciliar, quase como uma
picada da mosca azul. Mas marido ainda era muito reticente. Fui deixando a
história pra lá.
As
conversas com nossa médica também eram ótimas para nos tranquilizar e, ao
contrário do que faz a maioria dos médicos, ela nos acolhia muito bem em nossos
questionamentos sobre parto, sempre franca e objetiva. Entretanto, apesar de já
estar com um pezinho na humanização, Dra. Carla ainda não tinha mergulhado de
cabeça, e nossos desejos começaram a se chocar com seus limites, como ela mesma
nos disse em uma consulta. Em nossos questionamentos sobre as intervenções, ela
sempre deixou muito claro que dispensava o enema e a tricotomia, mas fazia
episio, considerava o cardiotoco um equipamento indispensável – o que eliminava
a possibilidade de parirmos na casa de saúde, um ambiente mais acolhedor - e só
fazia partos na posição deitada, várias limitações para o parto ocorrer como eu
gostaria. Além disso, com o passar dos meses ficou evidente que o projeto de
implantação do quarto PPP na maternidade não aconteceria a tempo para o meu
parto, o que me desanimou bastante.
Vale
dizer que, apesar de ter tido um atendimento que considero diferenciado pro que
havia na cidade naquele período, dois episódios poderiam ter posto à prova
minha vontade de ter o parto normal. Um deles ocorreu logo nas primeiras
consultas, quando, ao medir minha pressão, Dra. Carla constatou que ela estava
alta e, somando isso à informação que eu já havia passado a ela de que minha
mãe tinha pressão alta, e que tinha descoberto durante o período em que esteve
grávida de mim (a indicação da primeira cesárea dela foi essa), ela ficou
bastante apreensiva, e me deixou também. Registrou na minha carteira de
pré-natal: “hipertensão crônica”, me pediu que passasse uma semana indo uma ou
duas vezes por dia, em horários variados, medir minha pressão na maternidade ou
na unimed e me receitou um remédio para pressão. Imaginem meu pânico. Mas fiz a
medição direitinho (um saco) e agendei uma consulta com minha homeopata, pois
não iria tomar nenhum remédio sem antes falar com ela, que me tranquilizou
dizendo que eu não tinha histórico de pressão alta (ela já me acompanhava há
quase três anos), que poderia ter sido um episódio isolado. Descobri também que
muitas grávidas tinham a “síndrome do jaleco branco” e achei que poderia ter
sido o meu caso naquele dia. Enfim, todas as medições indicaram pressão normal,
não tomei o remédio e, após mais algumas consultas, Dra. Carla riscou o
diagnóstico de minha carteira. Ufa.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
RELATOS DE PARTO: SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA!
A blogosfera materna é cíclica: em alguns momentos um assunto está em alta, depois some, depois reaparece. Alguém faz um post instigante, outras resolvem abordar o mesmo tema, e as experiências vão se somando, se multiplicando, engrandecendo os pontos de vista. Eu adoro isso.
Recentemente, o tema "parto" esteve em pauta em vários blogs: a Nine fez um super revival do seu processo, a Mari postou o relato de parto do Lucas e alguns adendos, a Anne resolveu cutucar suas feridas, a outra Mari decidiu expôr suas experiências, a Lia realizou seu PD e fez um post super explicativo sobre este tipo de parto, a Dani fez um bem bolado de suas opiniões sobre parto, e por aí vai.
Nesse meio tempo, eu resolvi retomar o relato inacabado do parto do Caio, seja porque o movimento cíclico me pegou; seja porque a Lia me deu um puxão de orelha; seja porque a Nine me disse que gostaria de lê-lo antes de parir o segundinho; seja porque eu comecei a fazer o relato do parto do Nuno, mas a culpa me impedia de avançar por não ter finalizado o do Caio; seja porque eu me prometi váááárias vezes que iria terminar, e sempre procrastinei; seja porque perdi o timing de escrevê-lo antes de minha irmã parir, mas agora tenho algumas pessoas queridas grávidas no entorno... enfim, meti a cara e terminei o bendito.
O bichinho ficou enooorme. Vocês já sabem, quando pego pra escrever, a coisa vai, sou prolixa. Mas não é só isso. Meu primeiro parto não foi algo trivial, que aconteceu porque tinha que acontecer, ou que eu já sabia como seria desde o início. Foi um longo processo, uma dura caminhada (dura mesmo, foram várias batalhas, internas e externas!), e o relato registrou bem isso. Não foi fácil ter o parto que eu desejava (infelizmente, pois assim deveria ser). Mas valeu a pena.
De modos que o relato acaba sendo, em primeiro lugar, um registro para nós mesmos, os envolvidos, nos lembrarmos sempre dessa experiência tão incrível que vivenciamos. Em segundo lugar, um retorno daquilo tudo que recebi lendo tantos e tantos relatos net afora: eu sentia que tinha essa dívida, de compartilhar com outras pessoas a minha experiência, pois talvez ela possa ser decisiva na escolha de alguém, como tantos relatos foram na minha. Por fim, vão se transformar em posts desse blog: por isso, talvez fiquem longos demais, estranhos, chatos de ler. Mas espero que encontrem uma ou outra leitora com paciência para acompanhar a jornada até o fim.
Então, senta, que lá vem história. Amanhã ou depois posto a primeira parte da saga.
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011
A VOLTA
Você sente que seu filho curte a escolinha quando, depois de 10 dias fora, grudadinho com papai, mamãe, irmão e vovó, ele acorda na primeira manhã em casa e, feliz e contente, segue pra lá sem nem olhar pra trás. E, pra completar, volta dizendo que o dia "foi delícia, mamãe!".
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[E, pra me animar nessa volta virtual, nada melhor do que ganhar o meu primeiro sorteio na blogosfera!!! uhuuuuuu!!!]
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