Flicts, A Bolsa Amarela, Chapeuzinho Amarelo, No Reino Perdido do Beleléu... revirando a memória, chego a lembrar detalhes, ilustrações, quiçá até as sensações que cada uma dessas leituras me proporcionou. E lembro do cheiro dos livros... pode isso?
Como começou esse meu contato com os livros e a leitura? Não sei dizer. Minha memória não alcança tanto (mãe, me ajuda!!). O que posso dizer, a partir do que essa memória manca me permite, é que meus pais liam bastante (a primeira vez que vi os livros Olga e O Nome da Rosa foi na cabeceira deles, eu era ainda uma criança, e nunca mais esqueci esses títulos... coisa engraçada é a memória...) e sempre tive muito contato com livros em casa. Tenho certeza que isso foi fundamental.
Mas sei também que passei um tempo meio "de mal" dos livros, e que isso teve a ver diretamente com a escola, os estudos: grande paradoxo. É que nunca gostei de ler por obrigação, com prazo marcado, com tema imposto por outro alguém. Posso afirmar com certeza que o período em que menos li por prazer, por vontade própria, foi durante o colegial e a faculdade. Era tanta leitura obrigatória que me tirava o ânimo da leitura aleatória, aquela que você escolhe sem mais nem menos, resolve começar e mergulha de cabeça. No colegial, não vou nem comentar, acho totalmente equivocada a associação literatura-vestibular que transforma os adolescentes em leitores-de-resumos. Já no caso da faculdade, não que eu não lesse coisas interessantes nessa época (ai, tô ficando velha... "nessa época"...), li muito sobre arquitetura e urbanismo. Mas me afastei da literatura.
E, curiosamente, depois que o Caio nasceu é que me reencontrei mais profundamente com ela. Voltei a ler com uma intensidade que há muito não me tomava. Tenho apreciado muito o prazer de escolher um livro para ler, ir adentrando na história um pouquinho por dia, quase religiosamente. Mal acabar um e já começar a pensar qual será o próximo, ir acumulando títulos do desejo em uma fila imaginária. Delícia.
Bom... toda essa divagação me veio desde segunda, quando pela primeira vez comemorou-se o Dia Nacional da Leitura, e está me cutucando por toda essa Semana Nacional da Leitura e da Literatura: como começamos a gostar de ler? a partir de que momento a criança apreende o prazer e magia de um livro? como estimular brincando, como fazer os livros e a leitura entrarem de mansinho - e definitivamente - na vida de nossos filhos?
Já falei aqui sobre minha ansiedade em introduzir os livros no mundo do Caio, e como isso foi acontecendo aos poucos e de forma bem divertida. Os livrinhos são brinquedos para ele, são pura brincadeira, e é esse prazer que quero estimular conforme ele for crescendo: ler é para ser diversão, não obrigação, como aprendemos em tantas escolas por aí.
Eu não lia para o Caio na barriga. Não combina comigo, demorei até para conseguir conversar com a barriga... Mas desde que ele começou a dar sinais concretos de que estava lá dentro (chutes, socos e etc) eu comecei a conversar muuuuito com ele, contar histórias do meu dia, da nossa vida aqui fora. E quando ele nasceu, a mesma coisa: muita conversa, muita cantiga, muitas palavras rodeando o seu dia. Daí vieram os livrinhos: livrinho de morder, de dobrar, de chacoalhar, de tatear, de apertar para ouvir sons, de abrir e fechar dobraduras, de encaixar formas e figuras... e, mais recentemente, livrinhos de ler!!! (Rá! quem disse que livro é só para ler as palavras com os olhos?? as crianças leêm de variadas maneiras, com todos os sentidos!!!) Hoje eles são parte do nosso dia-a-dia: brincamos de folhear, ele mostra as imagens para nós, ele fica minutos entretido folheando um por um seus vários livrinhos, e lemos para ele em diversos momentos do dia. Não temos muito uma rotina, ainda não incorporamos, por exemplo, a leitura antes da hora de dormir, mas estamos no caminho. Tem horas ele pede para lermos, tem horas o convidamos a sentar em nosso colo, ou ao nosso lado, e lemos para ele. Mas sempre é uma grande brincadeira.
E a idéia da leitura como brincadeira é o tema da campanha que o Instituto Ecofuturo, principal articulador da instituição do Dia Nacional da Leitura na mesma data do Dia das Crianças, criou para incentivar a leitura no país: "brincar de ler" é o feliz slogan da campanha, e também o mote da publicação "Passaporte da Leitura", que traz dicas de como tornar a leitura uma diversão vivenciada em conjunto por pais e filhos.
Pensando em tudo isso agora, me veio à mente que esse "Passaporte" teve papel fundamental nessa minha forma de introduzir o Caio aos livrinhos: quando eu ainda estava grávida, uma amiga querida que trabalha comigo na Teia me mostrou o passaporte, que havíamos recebido por sermos um Ponto de Cultura. Ela não tem filhos, e lembro que disse algo assim: "agora que você vai ser mãe, você tem que ver isso aqui com carinho". Cheguei em casa depois do almoço, deitei no sofá (ô saudade de fazer isso!!!) meio sem botar muita fé naquele que me parecia um "panfletinho qualquer" e, qual não foi minha surpresa ao ver a quantidade de informações e dicas preciosas sobre como estimular o prazer da leitura em bebês, crianças e até adultos, tudo em linguagem super acessível (e muito bem escrito!) e com uma qualidade visual que fez toda diferença para despertar minha atenção para o assunto. Adorei, guardei, mas me esqueci dele depois do nascimento do Caio. E agora, 1 ano e meio depois, recebi um exemplar do Passaporte não apenas para curtir, mas também para sortear aqui no blog.
Então, quem quiser ter em casa essa publicação pequenina, mas muito valiosa, acompanhada de um cd com a música comemorativa "Brincar de Ler", feita pela dupla (que eu adoro) Palavra Cantada, deixe um comentário nesse post com seu nome, nome dos filhotes e endereço de email ou blog para contato. Quem quiser ir além, contando um pouquinho da sua experiência na introdução dos pequenos aos prazeres da leitura, eu vou AMAR, e todos temos a ganhar! O sorteio será no próximo domingo.
- Para saber mais sobre o Dia da Leitura: www.dianacionaldaleitura.com.br
- Para conhecer o trabalho do Instituto Ecofuturo: www.ecofuturo.org.br
- Para fazer o download do Passaporte Brincar de Ler: aqui
- Para acompanhar a blogagem coletiva que a super antenada Letícia chamou nesta Semana da Leitura, e tentar a sorte nos outros sorteios do Passaporte que estão rolando na blogosfera: Pelos Cotovelos e Cotovelinhos, O Astronauta, Meu Projetinho de Vida, Novas Peripécias de Cecília, Pai É Quem Cria, Mamãe Antenada, Pequeno Guia Prático, Conversa para Mãe Dormir, Um, Dois, Três, Saco de Farinha!, De Mãe Para Mãe e Devaneios de Mãe.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
SEMANA NACIONAL DA LEITURA + SORTEIO!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
CRIANÇA
Já gosta da mamãe ("Já Sabe", música do Palavra Cantada)
Já gosta do papai
Não sabe tomar banho não
Já sabe tomar banho
Já quer ouvir histórias
Não sabe pôr sapato não
Já sabe pôr sapato
Já come até sozinho
Mas nunca escova os dentes não
Já escova bem os dentes
Já vai até na escola
Não sabe jogar bola não
Já sabe jogar bola
Já roda, roda, roda
Não sabe pular corda não
Já sabe pular corda
No colo quer carinho
Mas, voltando à música: ela está na minha cabeça desde ontem, porque acho que ela expressa muito bem essa fase incrível que é ser criança! Pelo menos, ela expressa o que tenho sentido convivendo com o filhote de 1 ano e meio: ser criança é aprender tudo do mundo, um pouquinho por dia, devagar e sempre em alguns momentos, de uma hora pra outra em outros. E tudo é novidade, tudo é mágico, tudo é brincadeira, as possibilidades são infinitas... tem coisa melhor que isso?
Isso é o que tem me fascinado nessa fase do Caio, a quantidade de coisas que ele aprende, as mudanças diárias no seu jeitinho de estar no mundo, de interagir com as coisas e as pessoas. A cada momento é um novo "já sabe", incrível demais!! É um novo jeito de andar, de correr, é uma nova forma de brincar, é a vontade de fazer cada vez mais coisas sozinho, é a ampliação das linguagens - verbal, corporal, musical, é o aprendizado das trocas cada vez mais conscientes, de dar e ganhar um carinho, de puxar pela mão e mostrar algo, de fazer algo esperando uma reação do outro... E no final (e no começo e no meio) de tudo tem sempre a vontade de um chamego, de um colo, de um carinho... não importa a idade da criança!
Então fica aí essa música, que apesar de simples, diz muito: carinho, colo, aprender a olhar, descobrir o mundo, "já saber" uma coisa nova a cada momento, ser incentivada a criar a partir do que ela já sabe, e mais carinho, mais colo, muito amor... é isso que as crianças precisam, é isso que temos de melhor a dar a elas, não só hoje, mas todos os dias.
Fazer minha criança feliz. E me permitir ser feliz com ela. Esse é meu maior desejo nesse dia. Sem data e hora marcada, mas, podendo aproveitar as datas, que seja da melhor maneira!!!
(e ainda não acabou, que hoje é também DIA DA LEITURA, teremos sorteio aqui no blog, e vou tentar participar da blogagem coletiva proposta pela querida Letícia, do blog Pelos Cotovelos e Cotovelinhos. Passem lá!)
VALEU!
Aproveitando a soneca do Caio, passo por aqui rapidinho para agradecer todos os comentários carinhosos e aconselhadores dos últimos posts: A-M-E-I, gente!!! É por essas e outras que a blogosfera me conquistou. Valeu mesmo!!! Depois eu conto as cenas do próximo capítulo... rá!
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
DA SÉRIE: DILEMAS DE MÃE

Ir ou não ir? Fazer um bate-e-volta insano só para apresentar o trabalho? Levar a vovó e o filhote a tiracolo? Dúvidas e mais dúvidas.
Metade de mim acha que já estamos prontos para mais esse passo, que o papai e a vovó são excelentes cuidadores e vão dar super conta do recado, que 3 dias e 3 noites sem mamar no peito não vão ocasionar um desmame radical (o qual iria contra todos os meus princípios)...
A outra metade acha que ainda é cedo para essa separação tão longa, que ele vai sentir muita falta do mamá (e da mamãe também, vai!), que vai ser um período sofrido para ele e para mim, que se der é melhor evitar...
E aí, parpites????



