Desde que li
esse texto da Ombudsmãe Taís Vinha, já me peguei pensando várias vezes sobre a escola que desejo para o Caio. Na verdade, mesmo antes de ter filho esse era um assunto que me despertava grande interesse, e por conta disso conheci o livro
"A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir", de Rubem Alves, em que ele nos apresenta a
Escola da Ponte, de Portugal. Esse livro me fascinou, me tocou profundamente, me transformou a tal ponto que eu queria comprar um estoque e sair distribuindo por aí, para que as pessoas sentissem o mesmo transbordamento: eu também sempre havia sonhado com aquela escola!
Até que um dia eu virei mãe e, quando meu filhote estava para completar um ano, decidimos que ele passaria as manhãs em um espaço fantástico onde alguns filhos de amigos já conviviam. Já falei rapidamente sobre esse período
aqui, mas ainda me devo um post pra não esquecer nunquinha desse tempo bom que o Caio curtiu na Fazenda Jatobá, no "Cantinho da Criança Feliz", convivendo, crescendo e se divertindo com outras 6 crianças entre 10 meses e 5 anos, em meio à natureza. Foi realmente uma grande sorte encontrar esse espaço aqui em São Carlos e, infelizmente, as atividades do Cantinho se encerraram no fim do ano passado.
De todo modo, o Caio já iria sair de lá, porque eu tinha entrado no doutorado e conseguiria uma vaga na escolinha da universidade, o que aliviaria muito nosso bolso. Mas, independente da questão financeira, eu não colocaria o Caio lá se a escola realmente não me conquistasse. E ela me conquistou, segue me conquistando, e qualquer dia eu escrevo sobre isso aqui.
Mas o fato é que, apesar de estar no interiorrrr, nossa cidade oferece opções muito boas (são pelo menos 3 escolas infantis bastante diferenciadas), que me deixam muito tranquila em relação àquela pergunta da blogueira xará que tanto me cutucou, pelo menos por enquanto, até o Caio completar 6 anos.
Digo isso porque imaginava que pra quem mora em uma cidade maior, São Paulo, por exemplo, as opções de escolas mais próximas àquilo com que sempre sonhamos seriam inúmeras, mas... conversando com amigos e parentes, percebi que não é bem assim. Então, resolvi deixar uma dica aqui procês, da cidade grande:
o Espaço Educacional Arte de Ser.
A proposta me chamou muito a atenção, por propôr o "desenvolvimento integral" de crianças de 2 a 5 anos, estimular vivências criativas, focar-se não apenas em atividades racionais, mas também, e principalmente, naquelas mais intuitivas, que aguçam a sensibilidade dos pequenos, tais como Hatha Yoga, música, meditação, brincadeiras de roda e poesia, artes com elementos naturais, jardinagem, horticultura e ikebana. Todo o trabalho é inspirado nos fundamentos da Yoga.
Eu não conheci pessoalmente o espaço, mas tomei contato com a proposta através de uma prima querida que está envolvida no projeto, e ele me ganhou. Por isso compartilho aqui com vocês. O Espaço está com matrículas abertas (contatos e endereço
aqui) e, de repente, pode ser que algum de vocês encontre lá o que está procurando... Foi o que aconteceu com os pais do Cauã, que fizeram esse relato abaixo quando o pequeno apenas iniciava suas experiências na Arte de Ser.
Uma Escolinha Especial (A História de Cauã)
Estávamos no período de adaptação. Aquela coisa de conhecer o ambiente, as outras crianças, as tias. Tudo novidade.
Cauã foi pra dentro e voltou um monte de vezes dizendo que - “só um minutim, tia Cris, porque esqueci de falar uma coisinha pra mamãe”. -“Vai com Deus, mamãe!”. E ia e voltava de novo. Enquanto esse ritual de despedida rolava infinitamente, tia Léia passou na minha frente, seguida pelos maiorzinhos (leia-se quatro a seis anos). Iam fazer um passeio na pracinha em frente. -“Quem vai levar a sacolinha pra mim?” Era uma sacola vazia, dessas de supermercado. Logo, veio à minha mente a idéia de que iriam recolher materiais jogados na praça, como a gente costuma fazer nos mutirões ecológicos na praia. Fui logo pensando: “hum... consciência ecológica! Bom...”
Curiosa que estava com aquela procissão de crianças fofinhas, espreitei pela janela, pra ver como sairiam pelo portão da frente. Com aquela calma legitimamente mineira - ela é de Minas, tinha que ser, né? - tia Léia perguntava: - “Quem vai dar a mão pra quem?” E as meninas se deram as mãos e os meninos se deram as mãos (rsrsrs). Estabelecidos os clubes, -“Nem preciso dizer como vamos fazer para atravessar a rua, né?” - “É!!!” – “Nem preciso dizer como é que nós vamos nos comportar na praça, né?” – “É!!!”. E lá se foram, bem bonitinhos.
Lá vem Cauã de novo, acompanhado da tia Cris. - “A mamãe já vai!” - “Ah.... não quero.” Tia Cris propôs uma brincadeira de Lobo. Ele ainda estava pra decidir se ia lá pra dentro brincar de lobo, quando o portão se abre e lá vem de volta a procissão. – “Ó, Cauã! Venha ver os feijões que nós apanhamos pra comermos na nossa salada!”, disse a tia Léia. Pra minha surpresa, lá estava a sacolinha de supermercado completamente abarrotada, não de lixo plástico, mas de feijões, naquele formato de vagem. Pronto! Uma magia se estabeleceu. Cauã foi metendo a mãozinha lá dentro. O rosto iluminado, - “Ó, mamãe! O feijão!!” E lá se foi com tia Léia e sua procissão, sem titubiar. –“Tchau, mamãe!”
Gente! Tia Léia e as crianças cataram os feijões em alguma trepadeira lá da praça!
Quando voltei pra buscar Cauã, a grande notícia é que ele havia passado horas retirando os feijõezinhos da vagem e acompanhado o ritual de cozinhar. E depois, claro, devorou um bocado na tal salada, que a tia Léia havia comentado.
Semblante iluminado, lá fomos nós "pra casinha", com aquela sensação de ter estado, não em uma escola, mas em uma casa de avó, numa dessas cidades aí do interior de Minas. Ah! E diga-se de passagem, a cozinha fica instalada logo ali no quintal.
Lá é assim. Não por acaso, esse lugar super especial que encontramos, graças à Rita, prima do Renato, se chama “A Arte de Ser”. Não é demais????
Beijos de mãe e pai muito emocionados com a escolinha que encontraram pra Cauã ser bem feliz.